04 maio 2022

Oito livros para presentear no Dia das Mães

O Dia das Mães está chegando e acredito que muitas pessoas que acompanham o blog ainda estão pensando numa maneira de presentear essa pessoa tão especial. Quer uma sugestão? Antes deixe-me perguntar se a sua mãe tem o hábito de ler. Tem? E olha... pra ser sincero, nem precisa ser uma devoradora de livros, basta que ter esse hábito. Ela tem? Pronto, problema resolvido! Lá vai a sugestão: dê um livro para ela, mas uma obra que tenha um enredo que chame a atenção das mulheres.

No post de hoje, vou dar algumas sugestões de livros para você presentear essa mulher tão especial e cheia de qualidades que você tem o privilégio de ter ao seu lado. E posso garantir que uma mãe faz muita falta, mas muita mesmo. Vamos lá. Então, anotem aí.

01 – Revolução de Laura: Reflexões sobre a maternidade e resistência (Manuela D’Ávila)

Abro a nossa toplist com essa obra fantástica. Para ser sincero, ainda nãoi tive a oportunidade de lê-la, mas duas colegas de trabalho leram e adoraram. Revolução de Laura: Reflexões sobre a maternidade e resistência é o registro afetivo de uma mulher, mãe de uma criança de dois anos, que aceitou o desafio de concorrer à presidência do Brasil em novembro de 2017 e que, em agosto de 2018, tornou-se candidata a vice-presidente, chegando ao segundo turno. Uma mulher que percorreu um país continental, amamentando sua filha e construindo uma nova forma de ocupação do espaço político. Também é uma conversa, sobre uma jornada de aprendizado e acolhimento. Sobre privilégios; sobre as lutas para que privilégios não existam mais. É sobre direitos. É sobre feminismo e liberdade. É sobre afeto, carreira e amor. É sobre estar e não estar; presença e ausência. Sobre ser mãe e mulher; ser madrasta e não ser bruxa. Sobre acolher, sonhar um outro mundo e ser o outro mundo sonhado. E, como diz o título é sobre uma revolução chamada Laura.

02 – Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkola Estés)

O livro traz histórias e mitos, que refletem a condição da mulher em diversas situações da vida. A obra que pode ser considerada um clássico continua vendendo “horrores” desde o seu lançamento em 2018.

Segundo a autora e analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. Ela explica em seu livro que na Grécia antiga e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente amamentava os heróis.

Clarissa Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, a autora descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres que correm com os lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos Estados Unidos. Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações psíquico-arqueológicas' nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher.

03 – Meu jeito de ser mãe (Fernanda Rodrigues)

Não é novidade que Fernanda Rodrigues é uma das atrizes e apresentadoras de TV mais talentosas da sua geração. O que nem todo mundo sabe é que ela também brilha em outro papel: o de mãe. Apaixonada pela ideia de ter filhos desde pequena, Fernanda realizou seu sonho quando Luisa nasceu. Logo depois começou a escrever sobre maternidade em um blog e, na sequência, teve um menino, Bento.

Agora, Fernanda Rodrigues pariu mais um "filho": o seu primeiro livro - Meu jeito de ser mãe - no qual narra a experiência como mãe de maneira sensível, bem-humorada e informativa. Mais do que dizer o que é certo ou errado — afinal, cada filho é diferente do outro —, Fernanda deseja dividir suas vivências.

Contando com a consultoria de uma obstetra-ginecologista, uma pediatra e uma dermatologista, ela passa pelos principais tópicos relativos à gravidez e à maternidade, como parto, amamentação, alimentação da mãe e dos filhos e todos os conflitos e inseguranças que aparecem pelo caminho.

Um livro que com toda a certeza, as mães irão adorar.

04 – A guerra não tem rosto de mulher (Svetlana Aleksiévitch)

Um livro que narra a história de mulheres lutadoras que apesar de todas as dificuldades jamais desistiram de seus objetivos. A escritora e jornalista bielorussa e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015, de fato caprichou na narrativa.

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Aleksiévitch reconstrói neste livro.

Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. A autora      deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

O A guerra não tem rosto de mulher é basicamente um apanhado de relatos de mulheres soviéticas que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente não lemos as próprias palavras da autora, são várias transcrições de entrevistas que ela realizou nos anos 1980. As opiniões dos leitores nas redes sociais são muito favoráveis à obra a qual eles definiram  como tocante,,, emocionante.

Presentaço para as mamães.

05 – Livro da Gratidão (Carolina Chagas)

Gratidão é uma qualidade que todos possuímos ― quem nunca se sentiu grato a alguém ou por alguma coisa que recebeu? Mas, na verdade, agradecer é um desafio diário. 

Afinal, é tão fácil se deixar levar pela enormidade de problemas e obstáculos que surgem todos os dias… Sabemos que quem é grato é mais feliz. Então, como fazer para superar a mania de reclamar a cada nova dificuldade? Este livro nos lembra, através de lindas frases e exercícios, de todos os motivos pelos quais podemos ser gratos e nos ensina a praticar aquilo que nascemos para fazer.

06 – Pequenas Grandes Mentiras (Liane Moriarty)

Em um lugar aparentemente perfeito, as ‘mulheres ricas’ têm muito mais segredos escondidos do que a primeira impressão deixa transparecer. Essa é a premissa de Pequenas Grandes Mentiras, o livro que deu origem à elogiada série homônima da HBO, Big Little Lies.

Enquanto a série é ambientada na Califórnia, a obra original de Liane Moriarty (a mesma autora de O Segredo do Meu Marido, da Editora Intrínseca) acontece em Pirriwee, uma península fictícia da Austrália que foi inspirada em diversas praias locais. A história acompanha três mães e uma improvável amizade formada quando seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Apesar das condições financeiras diferentes, as três irão se unir em uma trama que envolve assassinato, disputas e uma bela jornada de autoconhecimento.

Essas três novas melhores amigas são Celeste White (cujo sobrenome virou Wright na série), Madeline Mackenzie e Jane Chapman. A primeira é a mais rica e admirada das três, com um casamento perfeito e gêmeos lindos. A segunda é uma mulher alegre, espontânea e contagiante, que está sempre tentando ajudar as amigas e pronta para entrar em alguma disputa. Já Jane é a nova moradora da península, mãe solteira bastante discreta que só quer mesmo é passar despercebida.

Mais do que simplesmente uma história de conspirações e melodramas retratados em abundância como “tipicamente femininos”, Pequenas Grandes Mentiras é uma história sobretudo de amizade e união, e a conclusão serve de alerta para um assunto extremamente sensível.

07 – Fátima (Kenya e Berthaldo Soares)

Fátima vendeu mais de 700 mil exemplares no Brasil o que deixa evidente o grande sucesso da obra por aqui. As mães católicas irão conhecer a história da santa que apareceu para três crianças pobres, mudou o rumo de guerras, salvou a vida de um papa, revelou um segredo ainda cercado de mistérios e conquistou o mundo. 

Esses episódios curiosos combinados com uma pesquisa apurada farão os leitores – independentemente de sua religião – se encantarem com todos os acontecimentos impressionantes e as histórias de fé e devoção que cercam as Aparições ocorridas há mais de um século.

A biografia da santa é escrita por Kenya e Berthaldo Soares, fundadores da associação arquidiocesana Tarde com Maria e responsáveis pela Capela das Aparições no Rio de Janeiro – única réplica autorizada no mundo do Santuário de Fátima de Portugal.

Um presente muito especial para as suas mães e com certeza irá se tornar mais especial ainda se ela for devota de Nossa Senhora de Fátima.

08 – Histórias lindas de morrer (Ana Claudia Quintana Arantes)

Como já escrevi neste post que publiquei no começo de abril, não há nem mesmo por brincadeira, nenhuma chance de falar mal do livro de Ana Cláudia Quintana Arantes. Histórias Lindas de Morrer é muito bom, mas bom, de fato. Os depoimentos de pacientes – através das palavras da autora - que estão em fase terminal de determinadas doenças são por demais emocionantes e nos ensinam muitas lições, entre elas, a importância do perdão e do amor incondicional.

Li o livro da editora Sextante em dois dias, apesar do grande fluxo de atividades que tinha que desenvolver em meu trabalho. A narrativa dinâmica de Ana Cláudia deixa o leitor ligado em 220 Volts (como diz um velho ditado popular). Mal você termina de ler um desses depoimentos, já quer, imediatamente, embarcar na história de vida de um outro paciente.

Para quem ainda não conhece a autora, ela é uma médica paliativa que cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, tendo assim, contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano.

Outro livro sob medida para as maes.

Taí oito sugestões que espero, lhe ajudem a escolher o livro ideal para a sua mamãe leitora.

30 abril 2022

Spoiler: o inimigo mortal dos blogueiros literários iniciantes

Ontem comecei a ler os primeiros posts que escrevi no blog lá em meados de 2011 quando tudo começou. Fui lendo, fui lendo, cheguei em 2012 e continuei observando o meu estilo de redação e fui ficando com a boca aberta, cada vez mais aberta, cada vez mais escancarada e cheia de dentes e mais escancarada ainda (rs). Bem deixando as brincadeiras de lado, a verdade é que fiquei admirado com a quantidade de spoilers que eu liberava nas postagens. 

E aqui, aproveito para fazer um ‘mea culpa’ porque eram muitos, mas muitos spoilers. Tantos que fui obrigado a colocar um aviso no início dos textos alertando para as revelações fora de hora. Algo do tipo: “Cuidado spoilers! Leia por conta e risco” (rs). Não exatamente isso, mas quase isso.

Quando li a resenha que fiz do livro Médico de Homens e de Almas da Taylor Caldwell fiquei assustado com a minha escrita. Cara o que foi aquilo?!! O texto tinha spoilers fatais; o mesmo aconteceu com a saga Harry Potter” e por aí afora.

Mas o tempo foi me ensinado e hoje, confesso, que esses erros me fizeram crescer e muito, pois aprendi que jamais devemos escrever uma resenha ou opinar sobre determinada obra na empolgação. A empolgação faz com que a sua redação seja espontânea, original e consequentemente gostosa de se ler, mas por outro lado, essa mesma empolgação anula os nossos freios redacionais e então pimba!!! Lá vem o mar de spoilers. Gostamos tanto da obra que vamos contando, contando, contando e... quando percebemos falamos escrevemos mais do que deveríamos.

Alguns leitores do blog podem estar se perguntando: - O Jam é louco?! Está tornando público os seus erros, as suas falhas com relação ao blog. Sim, estou. Amo a blogosfera literária. Vocês não imaginam como eu adoro ficar navegando por blogs do gênero. Eles me ajudam muito na escolha de livros. Por isso, torço cada vez mais para que surjam novos sítios do gênero, mas com qualidade e acima de tudo honestos. Honestos? Como assim, honestos? Explico: blogs que façam resenhas verdadeiras, apesar das pressões de algumas maledettas parcerias com editoras, mas isso é um outro assunto que já explorei algumas vezes (ver aqui e aqui). Hoje quero falar somente sobre a qualidade do texto, dando um “toque” para você que me lê agora e está com planos de iniciar um blog que “fale” sobre livros. E quando digo “qualidade” não estou me referindo ao seu estilo de escrita não estou querendo ‘dizer’ que o blogueiro deve ser um profundo conhecedor da língua portuguesa, um mestre nessa disciplina, não. Basta ter um conhecimento básico da nossa língua para escrever um texto agradável. Acredito que o fundamental seja a sua criatividade e originalidade no momento de criar uma postagem. E para isso, o cuidado em evitar spoilers é muito importante porque eles podem matar o melhor dos textos que o blogueiro escreva. Então encare essa postagem como um conselho. Fiquem à vontade para segui-lo ou não, mas... para o sucesso do seu blog e para que você não leve as mesmas pancadas que eu, incluindo alguns comentários pesados mas merecidos, eu o aconselharia que levasse em consideração os conselhos dessa postagem.

O termo spoiler se tornou uma gíria muito conhecida no mundo todo e se refere ao verbo em inglês “to spoil”, que significa estragar. Revelar quaisquer informações a respeito de um livro, filme ou série pode ser considerado um spoiler, pois quebra a experiência singular de sentir a emoção daquele conteúdo pela primeira vez.

Conheço algumas pessoas que soltam spoilers por pura maldade. Havia um sujeito, com esse péssimo hábito, que trabalhou comigo. O infeliz sentia prazer em revelar detalhes de livros ou filmes somente para ver a sensação de decepção ou raiva estampada nos rostos das pessoas. Se esse cara tivesse um blog, certamente, a sua empreitada teria vida curta, muito curta, talvez de dias, nem semanas.

Também conheço algumas pessoas que liberam spoilers por ingenuidade. Elas ficam tão empolgadas com os livros, filmes ou séries que leram ou assistiram que ao expressar a sua satisfação acabam revelando trechos importantes da obra. Estas pessoas, se tivessem um blog, à exemplo do primeiro caso, também o enterrariam em pouco tempo.

Hoje, o Livros e Opinião só não entrou para essa triste estatística graças as cobranças, mas honestos que recebi e também por causa de alguns amigos que me alertaram sobre a maneira como escrevia, digamos meio que... errática (rs). Agradeço aos comentários e também aos amigos.

Espero, através desse texto, ter ajudado aqueles que estão planejando ter o seu blog literário e ansiosos para colocar no papel as suas impressões sobre os livros fodásticos que acabaram de ler. Cuidado com a empolgação excessiva.

Inté!

 

26 abril 2022

Cinco filmes famosos baseados em livros desconhecidos

Perdi as contas das vezes que assisti “Duro de Matar” na época do VHS. Isso lá em meados dos anos 80, período em que devolver fitas para as locadoras sem rebobinar valia multa para o usuário. Assisti os cinco filmes da série, mas confesso que o primeiro foi aquele que mais marcou a minha vida de cinéfilo. Tanto é verdade que ao saber que o filme havia sido baseado em um romance de Roderick Thorp chamado Nothing Lasts Forever, não perdi tempo e saí a caça do livro. Descobri um exemplar, com a capa do filme, num sebo na cidade onde moro. Não pensei duas vezes, comprei na hora.

Tudo bem, depois de algum tempo – já na época dos DVD’s, não dos Blu-Rays , ainda – ao assistir “Dança com Lobos” do genial Kevin Costner vem outra surpresa: a produção cinematográfica que papou o Oscar de “Melhor Filme”  em 1991 – à exemplo de “Duro de Matar” – também foi baseado em uma obra literária.

Cara, pirei! Como um verdadeiro ‘devorador de livros’ que sou, muito mais do que filmes, a euforia bateu forte. Fiquei muito feliz em saber que dois grandes filmes vieram, na realidade, das páginas de um livro.

Selecionei seis grandes sucessos do cinema, os quais jamais pensava tinham tido os seus roteiros adaptados dos livros. É aquela rara história do filme que ficou mais conhecido do que o livro, mesmo esse livro tendo uma qualidade fantástica. Vamos a nossa lista!

01 – Dança com Lobos (Michael Blake)

Filme: Dança com Lobos (1990)

Abro a nossa top list com esse filmaço de 1990 que papou sete Oscars no ano seguinte. “Dança com Lobos” foi indicado em 12 categorias, das quais levou sete: Melhor Filme, Melhor Diretor (Kevin Costner), Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora (John Barry, Melhores Efeitos Sonoros e adivinhem... Melhor Roteiro Adaptado.

O livro foi escrito por Michael Blake em 1988 e publicado no mesmo ano no Brasil pela editora Rocco. O romance chegou por aqui sem muito alarde e passou quase despercebido, só despertando o interesse dos leitores, dois anos depois graças ao tremendo sucesso do filme. Uma pena porque aqueles que leram o livro adoraram e o acharam tão interessante quanto a produção dos cinemas.

Hoje, a obra de Blake entrou para a relação das quase extintas, sendo considerada raríssima, prova disso é que existem apenas dois exemplares no portal Estante Virtual que reúne a maioria dos sebos do País.

Tanto livro quanto filme contam a história de John Dunbar, um oficial de cavalaria que se destaca como herói na Guerra Civil Americana e, por isto, recebe o privilégio de escolher onde quer servir. Ele escolhe um posto longínquo e solitário, na fronteira. Ali estabelece amizade com um grupo de índios Sioux - Lakota, sacrificando a sua carreira e os laços com o exército estadunidense em favor da sua ligação com este povo, que o adota.

02 – Revelação (Michael Crichton)

Filme: Assédio Sexual (1994)

Apesar de já terem passado duas décadas e meia, ainda me lembro do estardalhaço que esse filme dirigido por Barry Levinson provocou nos países onde foi exibido, incluindo o Brasil. 

Na época em que o filme foi lançado, dezembro de 1994, o tema “assédio sexual” ainda era um tabu, ou seja, existia, mas muitas poucas vítimas optavam por fazer a denúncia já que em muitos países ainda não havia uma lei que criminalizasse essa conduta. No Brasil, vale lembrar, que a criminalização da prática de assédio sexual só foi introduzida no Código Penal em 2021, seis anos depois do filme. Portanto, imagine uma produção cinematográfica e também um livro abordando um tema como já disse acima, tabu. E mais: obras que rompessem com os paradigmas daquela época: onde a vítima sempre era a mulher.

O autor do livro, Michael Crichton que também foi o responsável pela adaptação do roteiro para os cinemas mandou esses padrões da época às favas. Em sua história, a vítima é um homem e quem pratica o assédio - e diga-se, um assédio sexual ferrenho - é uma mulher. O clima ficou mais apimentado ainda, graças ao cartaz promocional do filme que traz os atores Michael Douglas e Demi Moore numa cena mais do que do caliente.

Quando foi lançado nas telonas, o filme bombou e despertou o interesse dos cinfélios. Mais do que isso, criou várias rodas de discussões nos meios de comunicação envolvendo juristas e especialistas no tema.

À exemplo de Dança com Lobos, o livro Revelação passou despercebido no Brasil por culpa do filme polêmico. A obra literária lançada um ano antes do estouro da produção cinematográfica tem um enredo bem mais aprofundado do que o filme. A vida dos personagens é explorada em detalhes por Crichton o que deixa o enredo muito mais interessante, mas nem por isso, o filme é ruim, gostei de ambos.

03 – Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo (Lew Wallace)

Filmes: Ben-Hur (1959) e o remake (2016)

Assisti esse clássico dos cinemas “milhares” de vezes e nessas “milhares” de vezes jamais imaginava que a história havia sido adaptada de um livro publicado em 1880! Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo esteve entre os best-sellers mais vendidos de sua época, mas com o passar de décadas a sua popularidade foi se diluindo, “culpa” do filme épico Ben-Hur lançado nos cinemas brasileiros em 1960, um ano depois de entrar em cartaz nos Estados Unidos. Desde então, a grande maioria se lembra apenas da produção cinematográfica de quase 62 anos atrás que, inclusive, não se compara com o remake de 2016 que teve Rodrigo Santoro no papel de Jesus Cristo.  

O filme de 1959 foi indicado para doze Oscars e venceu um recorde de onze: Melhor Filme, Melhor Diretor (William Wyler), Melhor Ator (Charlton Heston), Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia em Cor, Melhor Figurino em Cor, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Edição, Melhor Música  e Melhor Gravação de Som. 

Apenas dois filmes desde então conseguiram igualar esse feito: “Titanic” em 1998 e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” em 2004. A única categoria em que Ben-Hur não venceu foi Melhor Roteiro Adaptado. O filme teve o maior orçamento e os maiores cenários construídos na história do cinema até então.

Aproveitando o “oba-oba” envolvendo o lançamento do remake de 2016, a editora Gutemberg relançou o livro de Wallace naquele ano dando assim, uma oportunidade de ouro para que os leitores pudessem apreciar uma belíssima história publicada originalmente há 140 anos.

Livro e filme contam a história de um personagem fictício chamado Judá Ben-Hur, que é contemporâneo de Jesus Cristo. Ele é um nobre judeu, condenado às galés. Revoltado, ele jura vingança contra os romanos e seu ex-amigo Messala que o traiu. Mas seu encontro com um carpinteiro de Nazaré o conduz a um caminho diferente.

04 – Jumanji (Chris Van Allsburg)

Filmes: Jumanji (1995), Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017) e Jumanji: Próxima Fase ou Jumanji 2 (2019)

Não assisti, ainda, aos dois filmes com Dwayne Johnson, o “The Rock” exibidos em 2017 e 2019. Por outro lado, lembro e muito bem da produção de 1995 com o saudoso Robin Williams. Cara, me diverti muito. Aventura, suspense e humor na dose certa. Os dois filmes com “The Rock” tiveram um desempenho melhor nas bilheterias.

Quando assisti “Jumanji”, pela primeira vez, no cinema tinha a convicção de que não havia um livro nessa história. Na minha cabeça, era o filme e só. Algum tempo depois quando tornei a assisti-lo em DVD continuei com a minha convicção que só viria cair, recentemente, quando soube que a produção cinematográfica, na realidade, era oriunda de um livro infantil, escrito e ilustrado, publicado em 1982.

A história descreve um jogo de tabuleiro com temática da natureza, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente no mundo real assim que um jogador joga os dados.

O filme de 1995 com Robin Williams foi dirigido por Joe Johnston e gastou em sua produção 65 milhões de dólares, com um retorno de US$ 262 milhões em todo o mundo. Recebeu críticas mistas, alguns gostaram, outros nem tanto.

Vinte e dois anos depois, teríamos Jumanji, novamente, nas telonas, desta vez com Dwayne “The Rock” no papel que foi de Robin Williams no passado e por incrível que pareça “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” acabou fazendo mais sucesso do que a produção original de 1995 o que lhe rendeu uma continuação, dois anos depois, chamada no Brasil de “Jumanji: Próxima Fase” ou “Jumanji 2”.

Fiquei sabendo posteriormente que o livro de Van Allsburg fez muito sucesso, nos anos 80, entre as crianças e os adolescentes; sucesso que acabou originando três filmes, além de uma série animada produzida de 1996 a 1999.

05 – Desejo de Matar (Brian Garfield)

Filmes: Desejo de Matar (1974), Desejo de Matar 2 (1982), Desejo de Matar 3 (1985), Desejo de Matar 4 (1987), Desejo de Matar 5 (1994) e Desejo de Matar (remake de 2018 com Bruce Willis)

Lulu é fã do Charles Bronson. Tão fã que assistiu aos cinco filmes da série Desejo de Matar, menos o último com o Bruce Willis. Quando perguntei o motivo de não ter assistido ao remake, ela respondeu: “Prá quê? A cereja do bolo já não está no bolo”. Hahahaha! Se o Charles Bronson estive vivo, eu sentiria ciúmes (rs). À exemplo de Lulu, muitas pessoas espalhadas por esse mundão de Deus adoraram as peripécias do icônico Charles “Cara de Pedra” Bronson sem saber que a história que viam nas telas era oriunda de  um livro.

Brian Garfield escreveu Desejo de Matar em 1972 e para variar, a sua publicação não despertou muito interesse dos leitores. Dois anos depois veio o filme baseado na obra literária o que contribuiu ainda mais para que ela fosse abafada.

Foi há ‘uns’ cinco ou seis anos que descobri que os filmes, principalmente o de 1974, haviam sido baseados num livro. Por sorte tenho essa raridade em minha estante.

Garfield conta a história de Paul Benjamin (no filme, o nome do personagem foi alterado para Paul Kersey), um pacato e obeso arquiteto de Nova York que decide sair passando fogo na bandidagem depois que sua família é violentamente atacada por um bando de marginais. A mulher de Benjamin é espancada e morta. Quanto a filha, após sofrer nas mãos dos criminosos, não suporta tanta brutalidade e acaba ficando em estado catatônico para sempre, sendo internada num manicômio. Isto é demais para Benjamin que percebendo a ineficiência da polícia que não consegue descobrir os autores do crime, resolve fazer justiça com as próprias mãos.

Mas a sua justiça é distinta. Ele não sai em busca de vingança contra os homens diretamente responsáveis pelo crime; pelo contrário, Benjamin nunca os encontra. Furioso com o fato de os cidadãos honestos serem prisioneiros numa sociedade dominada pelos marginais, o outrora pacato arquiteto torna-se um justiceiro que mete bala em todo e qualquer bandido que encontre pela frente, punindo o crime em geral.

Taí galera! Que tal lermos esses cinco livros e depois encaramos uma maratona com os cinco filmes que saíram de suas páginas.

Vamos nessa!

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