04 maio 2022
Oito livros para presentear no Dia das Mães
O Dia das Mães está chegando e acredito que muitas
pessoas que acompanham o blog ainda estão pensando numa maneira de presentear
essa pessoa tão especial. Quer uma sugestão? Antes deixe-me perguntar se a sua
mãe tem o hábito de ler. Tem? E olha... pra ser sincero, nem precisa ser uma devoradora
de livros, basta que ter esse hábito. Ela tem? Pronto, problema resolvido! Lá
vai a sugestão: dê um livro para ela, mas uma obra que tenha um enredo que
chame a atenção das mulheres.
No post de hoje, vou dar algumas sugestões de livros
para você presentear essa mulher tão especial e cheia de qualidades que você
tem o privilégio de ter ao seu lado. E posso garantir que uma mãe faz muita
falta, mas muita mesmo. Vamos lá. Então, anotem aí.
01
– Revolução de Laura: Reflexões sobre a maternidade e resistência (Manuela
D’Ávila)
Abro a nossa toplist com essa obra fantástica. Para
ser sincero, ainda nãoi tive a oportunidade de lê-la, mas duas colegas de
trabalho leram e adoraram. Revolução de
Laura: Reflexões sobre a maternidade e resistência é o registro afetivo de
uma mulher, mãe de uma criança de dois anos, que aceitou o desafio de concorrer
à presidência do Brasil em novembro de 2017 e que, em agosto de 2018, tornou-se
candidata a vice-presidente, chegando ao segundo turno. Uma mulher que
percorreu um país continental, amamentando sua filha e construindo uma nova
forma de ocupação do espaço político. Também é uma conversa, sobre uma jornada
de aprendizado e acolhimento. Sobre privilégios; sobre as lutas para que
privilégios não existam mais. É sobre direitos. É sobre feminismo e liberdade.
É sobre afeto, carreira e amor. É sobre estar e não estar; presença e ausência.
Sobre ser mãe e mulher; ser madrasta e não ser bruxa. Sobre acolher, sonhar um
outro mundo e ser o outro mundo sonhado. E, como diz o título é sobre uma
revolução chamada Laura.
02
– Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkola Estés)
O livro traz histórias e mitos, que refletem a
condição da mulher em diversas situações da vida. A obra que pode ser considerada
um clássico continua vendendo “horrores” desde o seu lançamento em 2018.
Segundo a autora e analista junguiana Clarissa Pinkola
Estés, os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até
hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como
criaturas terríveis e violentas. Ela explica em seu livro que na Grécia antiga
e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente
amamentava os heróis.
Clarissa Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres
vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da
natureza instintiva feminina, a autora descobriu a chave da sensação de
impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres
que correm com os lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos
Estados Unidos. Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do
patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher
foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas
que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos
animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais
femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros.
Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações
psíquico-arqueológicas' nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que,
emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa
loba que vive em cada mulher.
03
– Meu jeito de ser mãe (Fernanda Rodrigues)
Não é novidade que Fernanda Rodrigues é uma das
atrizes e apresentadoras de TV mais talentosas da sua geração. O que nem todo
mundo sabe é que ela também brilha em outro papel: o de mãe. Apaixonada pela
ideia de ter filhos desde pequena, Fernanda realizou seu sonho quando Luisa
nasceu. Logo depois começou a escrever sobre maternidade em um blog e, na
sequência, teve um menino, Bento.
Agora, Fernanda Rodrigues pariu mais um
"filho": o seu primeiro livro - Meu
jeito de ser mãe - no qual narra a experiência como mãe de maneira
sensível, bem-humorada e informativa. Mais do que dizer o que é certo ou errado
— afinal, cada filho é diferente do outro —, Fernanda deseja dividir suas
vivências.
Contando com a consultoria de uma obstetra-ginecologista,
uma pediatra e uma dermatologista, ela passa pelos principais tópicos relativos
à gravidez e à maternidade, como parto, amamentação, alimentação da mãe e dos
filhos e todos os conflitos e inseguranças que aparecem pelo caminho.
Um livro que com toda a certeza, as mães irão adorar.
04
– A guerra não tem rosto de mulher (Svetlana Aleksiévitch)
Um livro que narra a história de mulheres lutadoras
que apesar de todas as dificuldades jamais desistiram de seus objetivos. A
escritora e jornalista bielorussa e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em
2015, de fato caprichou na narrativa.
A história das guerras costuma ser contada sob o ponto
de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se,
porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres
ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo
de bravura feminina que Aleksiévitch reconstrói neste livro.
Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército
Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi
contada. A autora deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de
forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência
sexual e a sombra onipresente da morte.
O A guerra não
tem rosto de mulher é basicamente um apanhado de relatos de mulheres
soviéticas que combateram durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente não
lemos as próprias palavras da autora, são várias transcrições de entrevistas
que ela realizou nos anos 1980. As opiniões dos leitores nas redes sociais são
muito favoráveis à obra a qual eles definiram
como tocante,,, emocionante.
Presentaço para as mamães.
05
– Livro da Gratidão (Carolina Chagas)
Gratidão é uma qualidade que todos possuímos ― quem
nunca se sentiu grato a alguém ou por alguma coisa que recebeu? Mas, na
verdade, agradecer é um desafio diário.
Afinal, é tão fácil se deixar levar pela enormidade de
problemas e obstáculos que surgem todos os dias… Sabemos que quem é grato é
mais feliz. Então, como fazer para superar a mania de reclamar a cada nova
dificuldade? Este livro nos lembra, através de lindas frases e exercícios, de
todos os motivos pelos quais podemos ser gratos e nos ensina a praticar aquilo
que nascemos para fazer.
06
– Pequenas Grandes Mentiras (Liane Moriarty)
Em um lugar aparentemente perfeito, as ‘mulheres
ricas’ têm muito mais segredos escondidos do que a primeira impressão deixa
transparecer. Essa é a premissa de Pequenas
Grandes Mentiras, o livro que deu origem à elogiada série homônima da HBO,
Big Little Lies.
Enquanto a série é ambientada na Califórnia, a obra
original de Liane Moriarty (a mesma autora de O Segredo do Meu Marido, da Editora Intrínseca) acontece em Pirriwee,
uma península fictícia da Austrália que foi inspirada em diversas praias
locais. A história acompanha três mães e uma improvável amizade formada quando
seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Apesar das condições
financeiras diferentes, as três irão se unir em uma trama que envolve
assassinato, disputas e uma bela jornada de autoconhecimento.
Essas três novas melhores amigas são Celeste White
(cujo sobrenome virou Wright na série), Madeline Mackenzie e Jane Chapman. A
primeira é a mais rica e admirada das três, com um casamento perfeito e gêmeos
lindos. A segunda é uma mulher alegre, espontânea e contagiante, que está
sempre tentando ajudar as amigas e pronta para entrar em alguma disputa. Já
Jane é a nova moradora da península, mãe solteira bastante discreta que só quer
mesmo é passar despercebida.
Mais do que simplesmente uma história de conspirações
e melodramas retratados em abundância como “tipicamente femininos”, Pequenas Grandes Mentiras é uma história
sobretudo de amizade e união, e a conclusão serve de alerta para um assunto
extremamente sensível.
07
– Fátima (Kenya e Berthaldo Soares)
Fátima
vendeu mais de 700 mil exemplares no Brasil o que deixa evidente o grande
sucesso da obra por aqui. As mães católicas irão conhecer a história da santa
que apareceu para três crianças pobres, mudou o rumo de guerras, salvou a vida
de um papa, revelou um segredo ainda cercado de mistérios e conquistou o mundo.
Esses episódios curiosos combinados com uma pesquisa
apurada farão os leitores – independentemente de sua religião – se encantarem
com todos os acontecimentos impressionantes e as histórias de fé e devoção que
cercam as Aparições ocorridas há mais de um século.
A biografia da santa é escrita por Kenya e Berthaldo
Soares, fundadores da associação arquidiocesana Tarde com Maria e responsáveis
pela Capela das Aparições no Rio de Janeiro – única réplica autorizada no mundo
do Santuário de Fátima de Portugal.
Um presente muito especial para as suas mães e com
certeza irá se tornar mais especial ainda se ela for devota de Nossa Senhora de
Fátima.
08
– Histórias lindas de morrer (Ana Claudia Quintana Arantes)
Como já escrevi neste post que publiquei no começo de
abril, não há nem mesmo por brincadeira, nenhuma chance de falar mal do livro
de Ana Cláudia Quintana Arantes. Histórias Lindas de Morrer é muito bom, mas
bom, de fato. Os depoimentos de pacientes – através das palavras da autora -
que estão em fase terminal de determinadas doenças são por demais emocionantes
e nos ensinam muitas lições, entre elas, a importância do perdão e do amor
incondicional.
Li o livro da editora Sextante em dois dias, apesar do
grande fluxo de atividades que tinha que desenvolver em meu trabalho. A
narrativa dinâmica de Ana Cláudia deixa o leitor ligado em 220 Volts (como diz
um velho ditado popular). Mal você termina de ler um desses depoimentos, já
quer, imediatamente, embarcar na história de vida de um outro paciente.
Para quem ainda não conhece a autora, ela é uma médica
paliativa que cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, tendo assim,
contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano.
Outro livro sob medida para as maes.
Taí oito sugestões que espero, lhe ajudem a escolher o
livro ideal para a sua mamãe leitora.
30 abril 2022
Spoiler: o inimigo mortal dos blogueiros literários iniciantes
Ontem comecei a ler os primeiros posts que escrevi no
blog lá em meados de 2011 quando tudo começou. Fui lendo, fui lendo, cheguei em
2012 e continuei observando o meu estilo de redação e fui ficando com a boca
aberta, cada vez mais aberta, cada vez mais escancarada e cheia de dentes e
mais escancarada ainda (rs). Bem deixando as brincadeiras de lado, a verdade é
que fiquei admirado com a quantidade de spoilers que eu liberava nas postagens.
E aqui, aproveito para fazer um ‘mea culpa’ porque
eram muitos, mas muitos spoilers. Tantos que fui obrigado a colocar um aviso no
início dos textos alertando para as revelações fora de hora. Algo do tipo:
“Cuidado spoilers! Leia por conta e risco” (rs). Não exatamente isso, mas quase
isso.
Quando li a resenha que fiz do livro Médico de Homens e de Almas da Taylor
Caldwell fiquei assustado com a minha escrita. Cara o que foi aquilo?!! O texto
tinha spoilers fatais; o mesmo aconteceu com a saga Harry Potter” e por aí
afora.
Mas o tempo foi me ensinado e hoje, confesso, que
esses erros me fizeram crescer e muito, pois aprendi que jamais devemos
escrever uma resenha ou opinar sobre determinada obra na empolgação. A
empolgação faz com que a sua redação seja espontânea, original e
consequentemente gostosa de se ler, mas por outro lado, essa mesma empolgação
anula os nossos freios redacionais e então pimba!!! Lá vem o mar de spoilers.
Gostamos tanto da obra que vamos contando, contando, contando e... quando
percebemos falamos escrevemos mais do que deveríamos.
Alguns leitores do blog podem estar se perguntando: -
O Jam é louco?! Está tornando público os seus erros, as suas falhas com relação
ao blog. Sim, estou. Amo a blogosfera literária. Vocês não imaginam como eu adoro
ficar navegando por blogs do gênero. Eles me ajudam muito na escolha de livros.
Por isso, torço cada vez mais para que surjam novos sítios do gênero, mas com
qualidade e acima de tudo honestos. Honestos? Como assim, honestos? Explico:
blogs que façam resenhas verdadeiras, apesar das pressões de algumas maledettas
parcerias com editoras, mas isso é um outro assunto que já explorei algumas
vezes (ver aqui e aqui). Hoje quero falar somente sobre a qualidade do
texto, dando um “toque” para você que me lê agora e está com planos de iniciar
um blog que “fale” sobre livros. E quando digo “qualidade” não estou me
referindo ao seu estilo de escrita não estou querendo ‘dizer’ que o blogueiro
deve ser um profundo conhecedor da língua portuguesa, um mestre nessa
disciplina, não. Basta ter um conhecimento básico da nossa língua para escrever
um texto agradável. Acredito que o fundamental seja a sua criatividade e
originalidade no momento de criar uma postagem. E para isso, o cuidado em
evitar spoilers é muito importante porque eles podem matar o melhor dos textos
que o blogueiro escreva. Então encare essa postagem como um conselho. Fiquem à
vontade para segui-lo ou não, mas... para o sucesso do seu blog e para que você
não leve as mesmas pancadas que eu, incluindo alguns comentários pesados mas
merecidos, eu o aconselharia que levasse em consideração os conselhos dessa
postagem.
O termo spoiler se tornou uma gíria muito conhecida no
mundo todo e se refere ao verbo em inglês “to spoil”, que significa estragar.
Revelar quaisquer informações a respeito de um livro, filme ou série pode ser
considerado um spoiler, pois quebra a experiência singular de sentir a emoção
daquele conteúdo pela primeira vez.
Conheço algumas pessoas que soltam spoilers por pura
maldade. Havia um sujeito, com esse péssimo hábito, que trabalhou comigo. O
infeliz sentia prazer em revelar detalhes de livros ou filmes somente para ver
a sensação de decepção ou raiva estampada nos rostos das pessoas. Se esse cara
tivesse um blog, certamente, a sua empreitada teria vida curta, muito curta,
talvez de dias, nem semanas.
Também conheço algumas pessoas que liberam spoilers
por ingenuidade. Elas ficam tão empolgadas com os livros, filmes ou séries que
leram ou assistiram que ao expressar a sua satisfação acabam revelando trechos
importantes da obra. Estas pessoas, se tivessem um blog, à exemplo do primeiro
caso, também o enterrariam em pouco tempo.
Hoje, o Livros e Opinião só não entrou para essa
triste estatística graças as cobranças, mas honestos que recebi e também por causa
de alguns amigos que me alertaram sobre a maneira como escrevia, digamos meio
que... errática (rs). Agradeço aos comentários e também aos amigos.
Espero, através desse texto, ter ajudado aqueles que
estão planejando ter o seu blog literário e ansiosos para colocar no papel as
suas impressões sobre os livros fodásticos que acabaram de ler. Cuidado com a
empolgação excessiva.
Inté!
26 abril 2022
Cinco filmes famosos baseados em livros desconhecidos
Perdi as contas das vezes que assisti “Duro de Matar”
na época do VHS. Isso lá em meados dos anos 80, período em que devolver fitas
para as locadoras sem rebobinar valia multa para o usuário. Assisti os cinco
filmes da série, mas confesso que o primeiro foi aquele que mais marcou a minha
vida de cinéfilo. Tanto é verdade que ao saber que o filme havia sido baseado
em um romance de Roderick Thorp chamado Nothing
Lasts Forever, não perdi tempo e saí a caça do livro. Descobri um exemplar,
com a capa do filme, num sebo na cidade onde moro. Não pensei duas vezes, comprei
na hora.
Tudo bem, depois de algum tempo – já na época dos
DVD’s, não dos Blu-Rays , ainda – ao assistir “Dança com Lobos” do genial Kevin
Costner vem outra surpresa: a produção cinematográfica que papou o Oscar de
“Melhor Filme” em 1991 – à exemplo de
“Duro de Matar” – também foi baseado em uma obra literária.
Cara, pirei! Como um verdadeiro ‘devorador de livros’
que sou, muito mais do que filmes, a euforia bateu forte. Fiquei muito feliz em
saber que dois grandes filmes vieram, na realidade, das páginas de um livro.
Selecionei seis grandes sucessos do cinema, os quais jamais
pensava tinham tido os seus roteiros adaptados dos livros. É aquela rara
história do filme que ficou mais conhecido do que o livro, mesmo esse livro
tendo uma qualidade fantástica. Vamos a nossa lista!
01
– Dança com Lobos (Michael Blake)
Filme:
Dança com Lobos (1990)
Abro a nossa top list com esse filmaço de 1990 que papou
sete Oscars no ano seguinte. “Dança com Lobos” foi indicado em 12 categorias,
das quais levou sete: Melhor Filme, Melhor Diretor (Kevin Costner), Melhor
Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora (John Barry, Melhores Efeitos
Sonoros e adivinhem... Melhor Roteiro Adaptado.
O livro foi escrito por Michael Blake em 1988 e
publicado no mesmo ano no Brasil pela editora Rocco. O romance chegou por aqui
sem muito alarde e passou quase despercebido, só despertando o interesse dos
leitores, dois anos depois graças ao tremendo sucesso do filme. Uma pena porque
aqueles que leram o livro adoraram e o acharam tão interessante quanto a
produção dos cinemas.
Hoje, a obra de Blake entrou para a relação das quase
extintas, sendo considerada raríssima, prova disso é que existem apenas dois
exemplares no portal Estante Virtual que reúne a maioria dos sebos do País.
Tanto livro quanto filme contam a história de John
Dunbar, um oficial de cavalaria que se destaca como herói na Guerra Civil
Americana e, por isto, recebe o privilégio de escolher onde quer servir. Ele
escolhe um posto longínquo e solitário, na fronteira. Ali estabelece amizade
com um grupo de índios Sioux - Lakota, sacrificando a sua carreira e os laços
com o exército estadunidense em favor da sua ligação com este povo, que o
adota.
02
– Revelação (Michael Crichton)
Filme:
Assédio Sexual (1994)
Apesar de já terem passado duas décadas e meia, ainda
me lembro do estardalhaço que esse filme dirigido por Barry Levinson provocou
nos países onde foi exibido, incluindo o Brasil.
Na época em que o filme foi lançado, dezembro de 1994,
o tema “assédio sexual” ainda era um tabu, ou seja, existia, mas muitas poucas
vítimas optavam por fazer a denúncia já que em muitos países ainda não havia
uma lei que criminalizasse essa conduta. No Brasil, vale lembrar, que a
criminalização da prática de assédio sexual só foi introduzida no Código Penal
em 2021, seis anos depois do filme. Portanto, imagine uma produção
cinematográfica e também um livro abordando um tema como já disse acima, tabu.
E mais: obras que rompessem com os paradigmas daquela época: onde a vítima sempre
era a mulher.
O autor do livro, Michael Crichton que também foi o
responsável pela adaptação do roteiro para os cinemas mandou esses padrões da
época às favas. Em sua história, a vítima é um homem e quem pratica o assédio -
e diga-se, um assédio sexual ferrenho - é uma mulher. O clima ficou mais
apimentado ainda, graças ao cartaz promocional do filme que traz os atores
Michael Douglas e Demi Moore numa cena mais do que do caliente.
Quando foi lançado nas telonas, o filme bombou
e despertou o interesse dos cinfélios. Mais do que isso, criou várias rodas de
discussões nos meios de comunicação envolvendo juristas e especialistas no
tema.
À exemplo de Dança
com Lobos, o livro Revelação
passou despercebido no Brasil por culpa do filme polêmico. A obra literária
lançada um ano antes do estouro da produção cinematográfica tem um enredo bem
mais aprofundado do que o filme. A vida dos personagens é explorada em detalhes
por Crichton o que deixa o enredo muito mais interessante, mas nem por isso, o
filme é ruim, gostei de ambos.
03
– Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo (Lew Wallace)
Filmes:
Ben-Hur (1959) e o remake (2016)
Assisti esse clássico dos cinemas “milhares” de vezes
e nessas “milhares” de vezes jamais imaginava que a história havia sido
adaptada de um livro publicado em 1880! Ben-Hur:
Uma História dos Tempos de Cristo esteve entre os best-sellers mais
vendidos de sua época, mas com o passar de décadas a sua popularidade foi se
diluindo, “culpa” do filme épico Ben-Hur lançado nos cinemas brasileiros em
1960, um ano depois de entrar em cartaz nos Estados Unidos. Desde então, a
grande maioria se lembra apenas da produção cinematográfica de quase 62 anos
atrás que, inclusive, não se compara com o remake de 2016 que teve Rodrigo
Santoro no papel de Jesus Cristo.
O filme de 1959 foi indicado para doze Oscars e venceu um recorde de onze: Melhor Filme, Melhor Diretor (William Wyler), Melhor Ator (Charlton Heston), Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia em Cor, Melhor Figurino em Cor, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Edição, Melhor Música e Melhor Gravação de Som.
Apenas dois filmes desde então conseguiram igualar
esse feito: “Titanic” em 1998 e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” em 2004.
A única categoria em que Ben-Hur não venceu foi Melhor Roteiro Adaptado. O
filme teve o maior orçamento e os maiores cenários construídos na história do
cinema até então.
Aproveitando o “oba-oba” envolvendo o lançamento do
remake de 2016, a editora Gutemberg relançou o livro de Wallace naquele ano
dando assim, uma oportunidade de ouro para que os leitores pudessem apreciar
uma belíssima história publicada originalmente há 140 anos.
Livro e filme contam a história de um personagem
fictício chamado Judá Ben-Hur, que é contemporâneo de Jesus Cristo. Ele é um
nobre judeu, condenado às galés. Revoltado, ele jura vingança contra os romanos
e seu ex-amigo Messala que o traiu. Mas seu encontro com um carpinteiro de
Nazaré o conduz a um caminho diferente.
04
– Jumanji (Chris Van Allsburg)
Filmes:
Jumanji (1995), Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2017) e Jumanji: Próxima Fase ou
Jumanji 2 (2019)
Não assisti, ainda, aos dois filmes com Dwayne Johnson,
o “The Rock” exibidos em 2017 e 2019. Por outro lado, lembro e muito bem da
produção de 1995 com o saudoso Robin Williams. Cara, me diverti muito.
Aventura, suspense e humor na dose certa. Os dois filmes com “The Rock” tiveram
um desempenho melhor nas bilheterias.
Quando assisti “Jumanji”, pela primeira vez, no cinema
tinha a convicção de que não havia um livro nessa história. Na minha cabeça,
era o filme e só. Algum tempo depois quando tornei a assisti-lo em DVD
continuei com a minha convicção que só viria cair, recentemente, quando soube
que a produção cinematográfica, na realidade, era oriunda de um livro infantil,
escrito e ilustrado, publicado em 1982.
A história descreve um jogo de tabuleiro com temática
da natureza, onde animais reais e outros elementos aparecem magicamente no
mundo real assim que um jogador joga os dados.
O filme de 1995 com Robin Williams foi dirigido por
Joe Johnston e gastou em sua produção 65 milhões de dólares, com um retorno de
US$ 262 milhões em todo o mundo. Recebeu críticas mistas, alguns gostaram,
outros nem tanto.
Vinte e dois anos depois, teríamos Jumanji, novamente,
nas telonas, desta vez com Dwayne “The Rock” no papel que foi de Robin Williams
no passado e por incrível que pareça “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” acabou
fazendo mais sucesso do que a produção original de 1995 o que lhe rendeu uma
continuação, dois anos depois, chamada no Brasil de “Jumanji: Próxima Fase” ou
“Jumanji 2”.
Fiquei sabendo posteriormente que o livro de Van
Allsburg fez muito sucesso, nos anos 80, entre as crianças e os adolescentes;
sucesso que acabou originando três filmes, além de uma série animada produzida
de 1996 a 1999.
05
– Desejo de Matar (Brian Garfield)
Filmes:
Desejo de Matar (1974), Desejo de Matar 2 (1982), Desejo de Matar 3 (1985),
Desejo de Matar 4 (1987), Desejo de Matar 5 (1994) e Desejo de Matar (remake de
2018 com Bruce Willis)
Lulu é fã do Charles Bronson. Tão fã que assistiu aos
cinco filmes da série Desejo de Matar, menos o último com o Bruce Willis.
Quando perguntei o motivo de não ter assistido ao remake, ela respondeu: “Prá
quê? A cereja do bolo já não está no bolo”. Hahahaha! Se o Charles Bronson
estive vivo, eu sentiria ciúmes (rs). À exemplo de Lulu, muitas pessoas
espalhadas por esse mundão de Deus adoraram as peripécias do icônico Charles
“Cara de Pedra” Bronson sem saber que a história que viam nas telas era oriunda
de um livro.
Brian Garfield escreveu Desejo de Matar em 1972 e para variar, a sua publicação não
despertou muito interesse dos leitores. Dois anos depois veio o filme baseado
na obra literária o que contribuiu ainda mais para que ela fosse abafada.
Foi há ‘uns’ cinco ou seis anos que descobri que os
filmes, principalmente o de 1974, haviam sido baseados num livro. Por sorte
tenho essa raridade em minha estante.
Garfield conta a história de Paul Benjamin (no filme,
o nome do personagem foi alterado para Paul Kersey), um pacato e obeso
arquiteto de Nova York que decide sair passando fogo na bandidagem depois que
sua família é violentamente atacada por um bando de marginais. A mulher de
Benjamin é espancada e morta. Quanto a filha, após sofrer nas mãos dos
criminosos, não suporta tanta brutalidade e acaba ficando em estado catatônico
para sempre, sendo internada num manicômio. Isto é demais para Benjamin que percebendo
a ineficiência da polícia que não consegue descobrir os autores do crime,
resolve fazer justiça com as próprias mãos.
Mas a sua justiça é distinta. Ele não sai em busca de
vingança contra os homens diretamente responsáveis pelo crime; pelo contrário,
Benjamin nunca os encontra. Furioso com o fato de os cidadãos honestos serem
prisioneiros numa sociedade dominada pelos marginais, o outrora pacato
arquiteto torna-se um justiceiro que mete bala em todo e qualquer bandido que
encontre pela frente, punindo o crime em geral.
Taí galera! Que tal lermos esses cinco livros e depois
encaramos uma maratona com os cinco filmes que saíram de suas páginas.
Vamos nessa!
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