12 setembro 2017
O Casamento
Para ser sincero, eu não pretendia ler “O Casamento”
de Nicholas Sparks. Não mesmo. A minha intenção era iniciar a releitura de “A
Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón começando, assim, a odisséia de “O
Cemitério dos Livros Esquecidos”, mas pelos motivos que já expliquei 'nesse post', acabei obrigado a adiar o meu encontro com Daniel Sempere, Julian Carax,
Fermin, Tomás Aguilar e companhia.
Se me arrependo? Não. Primeiro: gostei da história
de Sparks – fazendo analogia com um famoso comercial de TV: não é nenhuma
Brastemp, mas é bom. – e segundo: toda
vez que adiamos, por pouco tempo, um projeto acalentado por nós, a expectativa
em torno desse projeto cresce, aumentando o nosso estado de ânimo. Bem... pelo
menos acontece dessa maneira comigo.
Não posso negar que esses detalhes ajudaram muito a
gostar da história bem light escrita por Sparks. “O Casamento” é um daqueles
livros que você lê numa tacada só. A escrita fluida e sem rebuscamentos do
autor deixa o enredo ainda mais digerível. O tipo da história para você ler sem
nenhuma pretensão; simplesmente para passar o tempo. Mas nem por isso, é ruim.
Os personagens são bem compostos; o enredo, como já disse, é fluido; e o final
tem uma baita reviravolta que certamente irá surpreender os leitores.
“O Casamento” (2003) é a sequência da obra máxima de
Sparks: “Diário de Uma Paixão” (1996) e conta a história da filha, genro e
netos de Noah e Allie, casal que encantou toda uma geração de leitores há mais de 20
anos. Apesar de grande parte dos críticos literários terem derramado um mar de
elogios na obra escrita em 2003, definitivamente, ela não se comprara com
“Diário de Uma Paixão” que é uma história de amor - daquelas de arrebentar -
entre duas almas gêmeas e que nem mesmo as piores dificuldades enfrentadas na
juventude e também na velhice foram capazes de separá-los. Cara, como me
emocionei! Mas emoção daquelas de deixar os olhos úmidos de lágrimas. Costumo
dizer que Noah e Allie são fodas! Com todo o respeito, é claro.
Eles arrebentam qualquer coração de pedra. E
justamente em “O Casamento”, é o personagem de Noah que carrega a maior parte
da carga emotiva e dramática. Enganam-se aqueles que pensam que o casal
principal - Wilson e Jane – são os responsáveis por mexer com o coração e os
sentimentos dos leitores. Não. O responsável é Noah.
No enredo de “O Casamento”, após quase 30 anos de
casamento, Wilson é obrigado a encarar uma dolorosa verdade: sua esposa Jane,
parece ter deixado de amá-lo, e ele é o único culpado disso.
Viciado em trabalho, Wilson costumava passar mais
tempo no escritório do que com a família. Além disso, nunca conseguiu ser
romântico como o sogro era com a própria mulher. A história de amor dos pais de
Jane, contada em “Diário de Uma Paixão”, sempre foi um exemplo para os filhos de
como um casamento deveria ser.
Diante da incapacidade do marido de expressar suas
emoções, Jane começa a duvidar de que tenha feito a escolha certa ao se casar
com ele. Wilson, porém, sente que seu amor pela esposa só cresceu ao longo dos
anos. Agora que seu relacionamento está ameaçado, ele vai fazer o que for
necessário para se tornar o homem que Jane sempre desejou que ele fosse. É
nesse momento que Noah entra na história e a história, por sua vez, se
transforma. Wilson decide procurar o sogro para se aconselhar a recuperar o
amor de Jane.
Neste ponto do enredo, Sparks mescla o presente e o
passado, ou seja, envolve num ‘bolo só’ a história de Noah e Allie e também de
Wilson e Jane.
É interessante saber como era o relacionamento de
Wilson com o seu sogro antes de se casar com Jane ou então as passagens
emocionantes envolvendo Allie, Noah e seus filhos, a medida em que ela ia
ficando debilitada com o Mal de Alzheimer. Caraca, o trecho em que Noah e Allie
se mudam para uma casa de repouso e se despedem para sempre do seu casarão
dançando uma musica romantica é de cortar o coração. Viram só como os momentos
de maior emoção do livro estão relacionados com Noah e Allie?
Resumindo: podem ler sem medo “O Casamento”. Com
certeza irão gostar, afinal de contas, Noah está lá, novamente, marcando
presença.
Ah! Lembrando mais uma vez: atenção para o final de
derrubar o queixo. O meu caiu; acho que o de vocês também cairá.
Inté!
08 setembro 2017
Santa demora! Após quase seis anos, nada de “As Portas de Pedra”. Conclusão da saga “A Crônica do matador de rei” está parecendo novela
Antigamente, passava na TV uma novela chamada “O
Direito de Nascer” que tinha uma audiência enorme. Todo mundo ficava torcendo
para o nascimento de um bebê, só que... ele ‘nunca’ nascia. Uma diarista que
trabalhava para a minha saudosa mãe, sempre dizia: “Eta bebezinho duro de vir
pro mundo!”
Esta mesma situação de muitas décadas atrás, agora
vale para um contexto atual: o novo livro de Patrick Rothfuss. Cara, em 24
novembro de 2017 estará completando, exatos, seis anos que o autor lançou “OTemor do Sábio”, segundo livro da trilogia “A Crônica do Matador do Rei”. E
decorridos mais de meia década, até agora nem sinal de “The Doors of Stone” (As
Portas de Pedra), livro que fecha a saga do arcanista Kvothe.
Em termos de demora para lançar um livro, Rothfuss
colocou no bolso o próprio Dan Brown, que por sinal, já está com o seu “Origem”
pronto para sair do forno, aqui no Brasil.
![]() |
| Patrick Rothfuss |
O ‘pai’ de Kvothe só perde para
outro gênio da demora chamado Thomas Harris, criador do icônico serial killer
Hannibal Lecter. Harris, por sua vez, coloca no bolso Rothfuss, Brown e companhia.
O sujeito – aliás, um grande sujeito, admiro demais o seu trabalho - não lança
um novo livro há 11 anos! O último que saiu do prelo, em 2006, foi “Hannibal –A Origem do Mal”. Depois disso, ‘nadica’ de nada. E olha que Rothfuss está
chegando perto, porque após seis anos, não temos nenhuma notícia de “As Portas
de Pedra” e cá entre nós, acho muito difícil que nos próximos dois anos
tenhamos a alegria de ver Kvothe ‘desfilando’ em uma nova aventura. Os sites em
todo o mundo não dão, sequer, uma previsão de lançamento. As notícias
publicadas – pelo menos, as que eu vi – não passam de ‘achismos’.
Tanto Rothfuss quanto Harris são conhecidos por
serem meticulosos, ao extremo, em suas pesquisas literárias antes de criar um
novo enredo. Isto, talvez, explique em parte a grande demora para as suas obras
chegarem ao competitivo mercado literário.
Mas no caso de Rothfuss já começam a surgir algumas
críticas por causa do seu envolvimento em projetos paralelos como o lançamento
de games, série e filme sobre o personagem. Como já expliquei nesse post, a produtora
Lionsgate (“Jogos Vorazes”) confirmou a ida de Kvothe para o cinema e também
para a TV. Conforme notícia divulgada pela Variety, já foi chamado o produtor,
ator e compositor Lin-Manuel Miranda para ser o diretor criativo das
adaptações da trilogia de fantasia.
O que alguns leitores e parte da crítica literária
especializada não aceitam é que o escritor deixe de lado a conclusão de uma das
melhores sagas de fantasia já escritas nos últimos anos para ‘investir tempo’
em projetos paralelos.
![]() |
| Kvothe e Auri |
E para deixar os fãs do conhecido arcanista à um
passo do enfarto, gostaria de lembrar que Rothfuss anunciou o lançamento para
novembro do livro The Slow Regard of Silent Things (algo como A Lenta
Consideração de Coisas Silenciosas), protagonizado por Auri, uma personagem
secundária em “A Crônica do Matador do Rei”. Olha, pra ser sincero, fiquei P.
da Vida com o anuncio do lançamento
desse livro. “C-a-r-a-c-a!! Mêu! Vai terminar o ultimo livro dessa trilogia,
depois, sim, vai se preocupar em escrever histórias para personagens
secundários!! Acorda pra vida Rithfuss!”. Galera, desculpa aí pelo desabafo,
mas ta demorando muito, pô!
Bem, fazer o que? Se frustração, nesse caso, pagasse
imposto, eu já estaria pobrezinho de ré.
Inté!
02 setembro 2017
Um Conto do Destino
Tá bem, eu confesso. Lutei com todas as minhas forças
e energia, mas acabei perdendo esta batalha; e por goleada. Fiquei tão grogue
com a surra que levei que estou resenhando a obra somente agora. Digo isto
porque já li o livro há mais de dois anos; quero dizer... a metade do livro, já
que não consegui encará-lo por inteiro.
Tentei vencer aquele calhamaço de mais de 700
páginas de “Um Conto do Destino”, mas miei. A obra de Matk Helprin é muito
louca, mirabolante e extrapola os limites da surrealidade. Ela até começa bem,
prendendo a sua atenção, mas depois...
O autor começa contando a história de um casal
apaixonado, em seguida, quando menos se espera, ele dá um corte abrupto nessa
história e já ‘pula’ para um outro contexto com novos personagens e ‘bota’
personagens nisso! Cara, são muitos e nenhum deles com carisma suficiente para
‘laçar’ a atenção do leitor. Algumas pessoas que conseguiram ler as 720 páginas
do livro, disseram que esses personagens - que a principio não tem nenhuma
relação com o tal casal do início da história – só começam a entrar no contexto
perto do final. Sei lá se é verdade galera, preferi não esperar para conferir.
Parei, mesmo, antes da metade.
Algumas situações criadas por Helprin chegam a
atingir as raias do absurdo. Algo muito sem noção. Acredito que ele quis criar
um enredo com toques de fantasia, mas no final a ‘coisa’ degringolou e acabou
ficando, de fato, surreal.
“Um Conto do Destino” conta a história de Peter
Lake, um exímio mecânico e também larápio, que em uma noite especialmente fria
consegue invadir uma mansão que mais se parece uma fortaleza. Ele pensa que não
há ninguém em casa, mas a filha do dono o surpreende em plena ação. Assim
começa o romance entre um ladrão de meia-idade e uma moça chamada Beverly que
tem pouco tempo de vida. A partir daí começam a pipocar as passagens estranhas
na história como um gato que veste roupas, um cachorro de seis metros de altura
conhecido como “Cão do Afeganistão” e outras excentricidades das quais não me
lembro, pois já faz algum tempinho que li o livro.
Um dos motivos que me levou a comprar “Um Conto do
Destino”, na época, foi a publicidade muito chamativa do filme com Colin
Farrell baseado na obra de Helprin. O slogan: “É possível amar alguém tão
plenamente que a pessoa não pode morrer?” era o mesmo do livro. Entonce, o
gaiato aqui, foi no embalo do slogan precedido por belas imagens e comprou o
livrão de mais de 700 páginas. O que aconteceu? Você já sabe.
Taí, é o que dá ir com tanta sede ao pote.
Inté!
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