terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hannibal – A Origem do Mal



Algumas pessoas acham os livros de Thomas Harris fracos, mas endeusam as adaptações cinematográficas baseadas nas obras do autor. Foi assim que aconteceu com toda a saga de Hannibal Lecter, “O Canibal”. A maioria dos comentários que via nas redes sociais e também nos blogs dizia que os filmes do psicopata eram verdadeiros clássicos, bem melhores do que os livros. Teve um colega blogueiro que até usou um termo bem sugestivo: “A Maldição da Saga Lecter”. Tétrico, não? O autor do post queria dizer que enquanto os filmes baseados nos livros de Harris decolavam, a obra literária ficava no limbo.
Com todo o respeito ao artigo escrito pelo colega, não posso concordar com tal afirmativa porque considero os quatro livros sobre Hannibal Lecter – “O Silencio dos Inocentes, “Hannibal”, “Dragão Vermelho” e Hannibal: A Origem do Mal” muito bons. Muito bons não; excelentes! Ao contrário, por exemplo, da adaptação cinematográfica de “Hannibal” que foi um verdadeiro desastre. Quanto aos outros filmes, excetuando “O Silencio dos Inocentes” – este sim, um clássico – nunca chegaram aos pés dos livros.
Com “Hannibal, A Origem do Mal” não foi diferente. Achei o filme bem abaixo do nível do livro. Considero Harris um dos autores mais detalhistas em seu gênero, ou seja, no thriller psicológico e no suspense policial. Ele tem uma qualidade impar que falta em muitos escritores consagrados: a facilidade para compor um personagem, descrevê-lo, esmiuçá-lo. Não dá para comparar o Lecter, o Búfalo Bill, a Starling, o Graham ou ainda o Francis Dolarhyde dos filmes com os mesmos personagens dos livros. Nas obras literárias esses personagens são aprofundados, tendo um passado e um presente muito bem explorados. Nada é jogado aleatóriamente nas páginas. Por exemplo, em “O Silencio dos Inocentes” temos um perfil psicológico muito bem elaborado do serial killer Búfalo Bill. Algo que não ocorre no filme, dando a impressão de que o vilão foi jogado ali, no enredo cinematográfico, meio que de paraquedas.  O mesmo acontece com Lecter, que apesar da brilhante interpretação de Anthony Hopkins não chega a ser tão visceral, doentio e – como costumo dizer ou escrever – “classudo” quanto o Lecter dos livros. Sei lá galera, talvez dentro do contexto comparativo entre filme e livro, eu deva ser a ovelha negra, já que, certamente, a maioria das pessoas  acharam o filme bem melhor. Mas tudo bem, afinal de contas, vivemos numa democracia.
Mas vamos ao que interessa, escrever sobre “Hannibal, A Origem do Mal”, quarto livro sobre o personagem idealizado por Harris, mas que dentro da cronologia da saga é considerado o primeiro ou, como queiram, a origem, o gênesis, onde tudo começou.
A obra de Harris publicada em 2006 é fantástica, daquelas que você lê numa tacada só, principalmente aquele leitor que já está familiarizado com o Dr.Lecter. O personagem pode ser considerado um dos mais famosos e complexos da literatura policial. Um serial killer letal e impiedoso, mas com uma classe... uma educação... um verdadeiro gentleman. E além de tudo, com um QI bem acima do normal. E é esse caráter dúbio que faz de Lecter um personagem, de fato, apaixonante.
Os três primeiros livros da saga, trazem pouquíssimas informações sobre a infância e a mocidade do serial killer. Temos apenas pequenos resquícios desse período, somente o necessário para que o leitor entenda, bem a grosso modo, o que levou Lecter a se tornar um perigoso matador de pessoas com o estranho habito de se banquetear com alguns pedaços  de suas vítimas.
Em “Hannibal, A Origem da Mal”, o autor aproveita para nadar de braçadas na infância, adolescência e juventude do personagem, dando todas as informações possíveis sobre o Lecter criança, o Lecter  adolescente e o Lecter jovem.
Após ler as 343 páginas da saga, cheguei a conclusão de que Hannibal Lecter só se transformou num dos piores serial-killers da história da literatura policial por causa dos eventos da 2ª Guerra Mundial. Creio que se, aquela criança de oito anos de idade que nutria um amor incondicional por sua irmã Misha que tinha quase a sua idade, não tivesse vivido os horrores daquele conflito, hoje o temido “Lecter Canibal” não existiria.
Aquela criança dócil deixou de existir em 1945, após ver os seus pais serem mortos num confronto entre o Exército Vermelho e os alemães. Como não bastasse esse trauma, o pequeno Lecter ainda presenciou a sua querida Misha ser canibalizada por um grupo de lituanos traidores e famintos que ajudavam os nazistas. Este fato, com certeza acabou contribuindo para que o personagem adquirisse o hábito de degustar as suas incautas vítimas. Sei lá, talvez, o trauma de ver Misha sendo comida por seus algozes acabou provocando um desequilibrio tão grande na mente daquela criança, de apenas oito anos, que a melhor maneira encontrada por ela para suportar tais lembranças foi fazer o mesmo com outras pessoas. Cara, como diz o ditado: “Só Freud explica”.
‘Anniba’, como sua irmãzinha costumava chamá-lo, viu e sentiu na pele tanta crueldade dos homens durante a guerra que acabou apagando em sua mente todos os resquícios de respeito à existência humana.
Bem, esta é a essência de “Hannibal – A Origem do Mal”, livraço escrito por Harris. É evidente que não vou ficar vomitando spoilers do enredo neste post. Basta dizer que o autor dá detalhes não só sobre a juventude de Lecter, mas também sobre os seus pais: um conde lituano casado com uma mulher pertencente a alta burguesia italiana.
O leitor tem a oportunidade de ver momentos emocionantes vividos pelos dois irmãos que se amavam mutuamente; a fase do “Lecter estudante e como ele acabou se tornando um brilhante psiquiatra, um dos mais influentes do país.
Harris esclarece ainda como o personagem acabou ingressando na criminalidade, dando os primeiros passos para se tornar um perigoso serial killer.
Um dos momentos mais tensos da obra é aquele em que Lecter, após atingir a maioridade, decide voltar as ruínas do local onde Misha foi morta e devorada, com o firme propósito de encontrar os soldados lituanos responsáveis pelo crime. Então tem início a sua terrível e selvagem vingança. Um livro imperdível para os fãs da saga do Dr. Lecter.
No final desse post, aproveito para dar uma sugestão à galera. Se vocês pretendem ler os quatro livros sobre o serial killer, comecem pela “Origem do Mal”, depois leiam “Dragão Vermelho”, na sequência agarrem “Silencio dos Inocentes” e por último ataquem de “Hannibal”. Fazendo isso, vocês terão uma sequência lógica do enredo, passando a entender melhor esse complexo personagem da literatura policial. Não façam como eu que “promovi” uma verdadeira salada russa, lendo inicialmente “O Silencio dos Inocentes”, depois “Hannibal”, na sequência “Dragão Vermelho” e por último “Hannibal, A Origem do Mal”. Se eu fizesse a leitura dos livros em ordem cronológica, com certeza, teria aproveitado melhor essa excelente saga policial.
Boa leitura!

2 comentários:

  1. Olá, preciso da sua ajuda, entrei em outro blog e a ordem que foi passada foi pela de lançamento, agora estou confusa!! Não sei qual leio primeiro

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    Respostas
    1. Gabriella, a cronologia correta de leitura da saga é aquela que citei na postagem. Vc deve ler antes de tudo, "Hannibal - A Origem do Mal" onde o autor Thomas Harris nos apresenta a infância de Lecter na Lituânia, passando por sua adolescência conturbada na França até chegar aos primeiros crimes do famoso psicopata canibal. Este livro é o início de tudo e explica os motivos que transformaram Lecter num psicopata canibal. Em "Dragão Vermelho", o autor narra de que maneira Lecter foi preso por Will Graham e como começou a ajudar o FBI a solucionar alguns crimes, traçando o perfil posicológico de serial killers. Já em "O Silencio dos Inocentes", Lecter ajuda um outro policial, dessa vez, Clarice Starling. O livro também conta como o psicopata conseguiu fugir da prisão. E finalmente, em "Hannibal", Thomas Harris narra a saga da mesma Clarice Starling que dessa vez sai na recaptura de Lecter, com a missão de devolvê-lo para atrás das grades.
      Capiche?
      Espero ter ajudado.
      Grande abraço!

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