Alexandre Dumas (pai) e Alexandre Dumas (filho); matando a curiosidade desses dois escritores


Não sei se ocorreu algo parecido com a maioria da galera que acompanha esse blog, mas no meu caso sempre fiz uma confusão danada com dois escritores. Estou me referindo a Alexandre Dumas (pai) e Alexandre Dumas (filho). Caráculas! ‘Quem é quem nesse bolo?!’ Eu exclamava cada vez que lia algo desses escritores, principalmente do Dumas “pai”. A partir daí me interessei pela história da dupla e decidi pesquisar.
As perguntas que sempre vinham a minha mente eram: “o famoso Dumas de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo teve um filho?!”, “Como ele nasceu?”, “Como era o seu relacionamento com o pai?”, “Como o filho se tornou um escritor?”; além de muitos outros questionamentos.
Durante minhas pesquisas nas redes sociais descobri detalhes interessantes, entre eles que Dumas (filho) era fruto de uma união ilegítima de Dumas (pai) e que foi tirado de sua mãe, praticamente à força, e que grande parte de seus personagens femininos foram inspirados nesse momento trágico vivido por ele quando ainda era uma criança. Estas descobertas aguçaram ainda mais a minha curiosidade e assim, resolvi ir mais a fundo o que acabou dando origem a essa postagem.

Alexandre Dumas (filho) nasceu em Paris, França, e era filho ilegítimo de Marie-Catherine Labay, uma costureira, e do conhecido romancista Alexandre Dumas. Quando veio ao mundo em 29 de junho de 1824, seu pai ainda não era tão famoso como viria se tornar algum tempo depois. Tanto é verdade que O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros só viriam ser escritos no formato de folhetim em 1844.
Enquanto criança, Alexandre Dumas (filho) foi educado pela mãe nos arredores de Paris. À distância, prestava culto ao pai, que aos poucos ia se tornando um escritor consagrado. Pai e filho só se conheceriam em 1931.
Alexandre Dumas (pai) afastou o jovem Alexandre da mãe, que ele julgava ineficaz para a educação do menino. A agonia de sua mãe inspirou o filho a escrever sobre personagens trágicos femininos. Em quase todos os seus escritos, ele enfatizou o propósito moral de sua literatura e em sua peça de 1858 “O Filho Natural", ele expôs a teoria de que se alguém traz ilegitimamente um filho ao mundo, então ele tem a obrigação de legitimar seu filho e casar com a mulher. Na minha opinião, esse pensamento foi um “diretaço” no queixo de seu pai que, mesmo casado, era um mulherengo incorrigível. Vale lembrar que apesar de ter tido uma união estável com a atriz Ida Ferrier, Dumas (pai) jamais deixava de manter seus casos extraconjugais com outras mulheres, o que lhe valeu pelo menos três filhos fora do casamento. É mole?
Após retirar o filho de sua amante, o escritor inscreveu-o em um colégio interno, onde o jovem acostumou-se com a palavra “bastardo”, proferida pelos colegas. Esta discriminação somou-se a outras: sua cor. Dumas (filho) foi a parte negra da familia, seu avô era descendente de um nobre francês e uma mulher negra haitiana. Por isso, nos internatos, o garoto era constantemente hostilizado por seus colegas. Esses acontecimentos influenciaram profundamente seus pensamentos, comportamento e obra.
A despeito do turbilhão que foi a sua vida, Dumas pai fez uma contribuição fundamental para a carreira do filho: introduziu-o à elegante sociedade parisiense da época, aos teatros, aos cafés literários e aos saraus. Já moço, Alexandre Dumas (filho) era um dândi e um observador da alta sociedade francesa do século XIX, à qual não pertencia de berço, mas que freqüentava e com a qual até se identificava, por vezes.
Em meio a esses ambientes ricos e elegantes conheceu, em 1842, aos dezoito anos, uma jovem de vinte anos, vestida de branco. Era uma famosa cortesã, Marie Duplessis, que tinha clientes como o compositor Franz Liszt e de quem Alexandre (filho) tornou-se amante. Ele e Marie romperam em 1845, e parte da justificativa pode ser buscada no seguinte trecho de uma carta de Alexandre: “Minha cara Marie, não sou rico o suficiente para amá-la como eu gostaria, nem pobre o suficiente para ser amado como você gostaria que eu fosse”. Esta jovem cortesã acabou lhe dando a inspiração para o romance “A Dama das Camélias”. Mas ele só viria se casar em 1864 com Nadeja Naryschkine, com quem ele teve uma filha. Após o falecimento dela ele casou-se, novamente, com Heriette Régnier.
Sua fama de escritor rivalizou internacionalmente com a de seu pai, e, em 1875, o autor de A dama das camélias foi recebido por notáveis como Victor Hugo, que acabara de retornar do exílio, como membro da Academia Francesa de Letras – honraria que fora negada ao seu pai, pois os acadêmicos julgavam sua obra por demais frívola.
A partir daí, Alexandre Dumas (filho) viveu mais tranqüilamente, das rendas do sucesso de A Dama das Camélias.
Taí galera, matei a minha curiosidade. Espero, também, que tenha ‘matado’ a de vocês.


2 comentários

  1. Sempre tive essa curiosidade, muito obrigado pelos esclarecimentos! :)

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    1. Feliz por ter esclarecido algumas de suas dúvidas :)
      Volte sempre!

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