10 novelas brasileiras baseadas em livros


O post de hoje irá agradar os chamados noveleiros de plantão. Acredito que muitos de vocês já assistiram várias novelas famosas sem sequer imaginar que um dia elas estiveram presentes nas páginas de um livro. O que estou dizendo é que os enredos de muitas telelágrimas, na realidade não tiveram nada de originais, sendo adaptados de obras literárias de grande sucesso.
Confiram essa postagem onde cito 10 novelas brasileiras que tiveram os seus roteiros baseados em livros de grande sucesso. Vamos lá!
01 – Éramos Seis (1958, 1967, 1977 e 1994)
Livro: Éramos Seis (Maria José Dupré)
A trama publicada originalmente em 1943 e desenvolvida pela famosa escritora de Botucatu, Maria José Dupré, emocionou várias gerações de leitores brasileiros. A história de Dona Lola, uma abnegada dona de casa ante as dificuldades no casamento e na criação dos filhos, que termina seus dias em uma asilo, acabou indo parar na televisão. Teve quatro adaptações: pela TV Record em 1958, com Gessy Fonseca; pela TV Tupi duas vezes, em 1967, com Cleyde Yáconis, e em 1977, com Nicette Bruno; e pelo SBT, em 1994, com Irene Ravache.
Uma nova adaptação do livro Éramos Seis foi ao ar recentemente na Globo no horário das 18 horas com Glória Pires como a protagonista.
02 – O Outro Lado do Paraíso (2017)
Livro: O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
Quem não perdeu um só capítulo de “O Outro Lado do Paraíso”, novela das 21 horas da Rede Globo que foi ao ar no período de 23 de outubro de 2017 a 12 de maio de 2018 deve ter notado muitas semelhanças com o romance O Conde de Monte Cristo escrito por Alexandre Dumas em 1844.
No livro, um marinheiro chamado Edmond Dantes é preso injustamente após uma armação promovida por três pessoas. Na prisão, ele conhece um abade que lhe dá o caminho das pedras para um tesouro. Ele escapa, coloca a mão no tesouro e parte para sua vingança contra os seus algozes.
Já na novela, a história da personagem Clara (Bianca Bin) reproduz sem disfarces inúmeros aspectos do drama de Dantès. Em alguns momentos, parece que o romance está sendo refeito.
O confinamento numa ilha, o isolamento por anos no hospício, a ajuda de uma mentora, a fuga dentro do caixão e o enriquecimento que virá posteriormente. Meu! Clara está passando, com mínimas variações, por tudo que o herói de Dumas experimentou. Sem contar que o próprio Walcyr Carrasco, autor de “O Outro Lado do Paraíso”, confessou na época, que realmente se inspirou no antológico romance para escrever a sua obra.
03- A Escrava Isaura (1976 e 2004)
Livro: A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães)
A novela A Escrava Isaura que saiu das páginas do romance de Bernardo Guimarães publicado em 1875 ganhou duas adaptações. A primeira, em 1976 foi feita por Gilberto Braga e teve no papel da protagonista, a atriz Lucélia Santos. Foi a novela mais reapresentada pela Globo com cinco reprises. A Escrava Isaura é considerado um dos maiores sucessos da emissora na faixa das 18 horas.
Com relação versão da Record, de 2004, e que foi ao ar no horário das 19H00 recebeu algumas críticas por “copiar” a trama levada ao ar pela Globo, mesmo assim, a novela se transformou num grande sucesso. Tanto é, que acabou sendo reprisada pelo canal do bispo Edir Macedo em 2017. A atriz escolhida pela Record para viver a escrava Isaura foi Bianca Rinaldi.
Quando ao livro de Guimarães, se tornou muito popular na época de sua publicação graças ao apelo abolicionista mesclado ao sentimentalismo. O romance A Escrava Isaura foi um sucesso sobretudo entre o público feminino que se compadeceu do sofrimento da heroína cativa. 
04 – O Meu Pé de Laranja Lima (1979, 1980 e 1998)
Livro: O Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos)
O romance juvenil de José Mauro de Vasconcelos escrito em 1968 pode ser considerado um clássico da literatura brasileira.  Meu Pé de Laranja Lima foi traduzido para 52 línguas e publicado em 19 países, sendo adotado em escolas e, posteriormente, adaptado para o cinema, televisão e teatro.
A emocionante história de um menino de seis anos chamado Zezé que pertencia a uma família muito pobre e numerosa tendo como grande confidente e amigo um pé de laranja lima o qual ele chamava de Xururuca foi parar na televisão em três novelas: TV Tupi (1970), Rede Bandeirantes (1980) e novamente na Bandeirantes em 1998.
A alegria e a tristeza não poderiam estar mais bem combinadas do que no enredo criado por Vasconcelos. E isso, se não explica, justifica a popularidade imensa alcançada pelo livro.
Meu Pé de Laranja Lima pode parecer uma história “batida”, por conta das inúmeras adaptações para o teatro, TV e cinema. Contudo, é uma história impressionante, tocante, linda demais para ser ignorada pelos leitores.
Mesmo após 51 anos, a obra do escritor carioca José Mauro de Vasconcelos continua um sucesso absoluto. 
05 – A Padroeira (2001)
Livro: As Minas de Prata (José de Alencar)
As Minas de Prata, romance de José de Alencar, foi dividido originalmente em dois volumes. O primeiro foi publicado pela primeira vez em 1865, e o segundo, em 1866. As Minas de Prata mostra o Brasil na época, como colônia de Portugal. Anos em que havia grande interesse europeu em terras brasileiras para a exploração do pau-brasil, madeira que existia com abundância na costa brasileira.
Neste período, o nosso País vivia sob constantes ameaças holandesas, espanholas e da Companhia de Jesus. É neste meio que estão as minas de prata, que assim, dá origem à história de José de Alencar.
A fortuna prometida pelas lendárias minas de prata de Robério Dias teria o poder de decidir o destino da colônia. No entanto, para defender o Brasil e o grande amor que sente por Inês ou Inesita, Estácio - filho de Robério Dias - teria que resgatar o roteiro das minas que fora deixado pelo seu avô Moribeca, antes de morrer.
Entonce... o autor Walcyr Carrasco gostou tanto dessa trama desenrolada no século XVIII que acabou adaptando-a para a TV. Nascia assim, a novela “A Padroeira” que foi ao ar pela Rede Globo em 2001 no horário das 18 horas.
06 – Tieta (1989)
Livro: Tieta do Agreste (Jorge Amado)
Tieta que foi ao ar entre 1989 e 1990, às 20 horas, pela Rede Globo de Televisão – naquela época as novelas do horário nobre começavam as 20 e não às 21h30m -  estreou com média de 70 pontos na Grande São Paulo. Em sua penúltima semana, entre 19 e 24 de março de 1990, Tieta registrou uma média de 71 pontos. Seu último capítulo marcou 78 pontos. Por essas marcas, Tieta é tida como um dos maiores sucessos na história das telelágrimas brasileiras.
Impossível não se lembrar de Betty Faria como a sensual Tieta ou então de Joana Fomm vivendo a vilã Perpétua, irmã da protagonista. De fato, uma novela que marcou época.
O livro de Jorge Amado também não ficou para trás e se transformou num verdadeiro clássico da literatura nacional.  Lançado em 1977, a obra apresenta uma situação dramática clássica: a de uma adolescente que denunciada por sua irmã Perpetua a seu pai Zé Esteves de suas aventuras e liberdade recebe uma surra de cajado, e é escorraçada de casa pelo pai. Depois de mais de 25 anos ela volta rica e poderosa para cidade de Sant'Ana do Agreste influenciando a vida de muitos moradores. 
07 – Salomé (1991)
Livro: Salomé (Menotti Del Picchia)
Salomé estreou na Globo em 1991 no horário das 18 horas e não foi bem. A telenovela foi um fracasso. Teve uma baixa audiência e pouquíssima repercussão. Na verdade foi uma das menores audiências do horário na Globo. Com “apenas” 35 pontos de média, na época considerado muito pouco – a sua antecessora, Barriga de Aluguel, de Glória Perez chegava a 60 pontos em alguns capítulos. Traumatizada com a baixa audiência de Salomé, a TV Globo ficou quase 8 anos sem produzir uma novela de época. Só em 1999 a emissora retomou o estilo, desta vez com a Força de Um Desejo.
Por outro lado, Salomé que tinha como protagonista a atriz Patrícia Pillar serviu para alavancar a venda do livro homônimo escrito pelo brasileiro Paulo Menotti Del Picchia que inspirou a trama. Publicado em 1940, não era reeditado desde 1975. Com a exibição da novela, a obra voltou às livrarias e foi um grande sucesso.
08 – Cabocla (1979 e 2004)
Livro: Cabocla (Ribeiro Couto)
As duas “Caboclas” foram enormes sucessos no horário das 18 horas na TV Globo. Quando digo “duas” estou me referindo a novela original de 1979 e de seu remake levado ao ar 25 anos depois, em 2004, no mesmo canal. As telelágrimas foram adaptadas do livro homônimo de Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto, mais conhecido por Ribeiro Couto.
A obra lançada em 1931 conta a história de Jerônimo, um estudante que, sonhando com a Europa ou então a vida do Rio de Janeiro, acaba sendo enviado à Vila da Mata, um pequeno lugarejo onde acaba descobrindo um novo e feliz universo, encontrando o amor na bela morena da modesta estaçãozinha de Pau-d'Alho chamada Zuca.
Na novela de 1979 o casal de protagonistas foi vivido por Fábio Junior e Glória Pires, já no remake de 2004, eles foram substituídos por Daniel de Oliveira e Vanessa Giácomo.
09 – As Pupilas do Senhor Reitor (1959, 1979 e 1994)
Livro: As Pupilas do Senhor Reitor ((Júlio Dinis)
O livro do escritor português, Júlio Dinis foi adaptado três vezes para a televisão. A primeira novela, baseada na obra, foi ao ar em 1959 na extinta TV Rio; depois foram feitas mais duas adaptações, uma pela TV Record e outra pelo SBT.
As Pupilas do Senhor Reitor foi lançado ao público em formato de folhetim em 1866 e, posteriormente, editado e publicado como livro em 1867, tornando-se na época um grande sucesso. O livro conta a história de duas irmãs órfãs: Clara e Guida que vivem em uma aldeia portuguesa do século XIX, sendo seus tutores o reitor.
Guida ou Margarida namora Daniel das Dornas, mas quando o relacionamento é descoberto pelo pai dele, José das Dornas, o jovem é enviado ao Porto para estudar medicina.  Dez anos depois, Daniel volta já médico para a aldeia. Margarida agora é professora e Pedro, irmão de Daniel é noivo de Clara.
Margarida continua apaixonada, mas Daniel esqueceu o amor de juventude graças aos costumes viciosos da cidade. Encantado por Clara, ele começa a tentar conquistá-la e a moça o estimula, até perceber que a situação não terá um final feliz. A adaptação do enredo para a televisão sofreu poucas alterações.
10 – A Indomável (1965), O Machão (1974) e O Cravo e a Rosa (2001)
Livro: Megera Domada (William Shakespeare)
Acho que você jamais iria esperar que um texto de William Shakespeare serviria de inspiração para a criação de personagens como Catarina e Petrucchio que fizeram tanto sucesso nas novelas A Indomável (1965) da extinta Rede Excelsior, O Machão (1974), da saudosa Rede Tupi e finalmente O Cravo e a Rosa (2001) que garantiu a audiência no horário das 18 horas. Podem acreditar! É a mais cristalina verdade: a peça de teatro A Megera Domada escrita por Shakespeare em 1594 - séculos depois, transformada em enredo literário - serviu de base para a criação dos enredos dessas três telelágrimas.
No texto Shakespeariano a história se passa num pequeno núcleo de personagens, Batista estabelece uma condição para que sua filha mais nova, Bianca, pudesse casar-se com um jovem forasteiro, Lucentio, que chega à cidade de Pádua. Katherine, a filha mais velha, uma mulher insubmissa, deveria casar-se primeiro com a promessa de ser uma esposa obediente e dócil. O tal casamento acontece à força, e seu marido Petrucchio, um nobre falido, impõe uma série de privações à esposa afim de “amansá-la”, o que acontece no final da trama. Entrementes, Bianca e Lucentio se casam escondidos, mas Batista acaba aceitando quando percebe que a filha mais velha tornou-se ainda mais doce do que a nova.
Esta premissa inspirou Ivani Ribeiro em A Indomável e O Machão, e posteriormente Walcyr Carrasco em O Cravo e a Rosa.
Taí leitores e noveleiros, espero que tenham gostado da lista.
Inté.

3 comentários

  1. Respostas
    1. Bem lembrado Renato. Um grande sucesso com a Sonia Braga e posteriormente com a Juliana Paes. Temos várias outras telelágrimas baseadas em livros, mas como a maioria das listas são pessoais, com relação a Jorge Amado, acabei optando por Tieta.
      Abraços!

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