Oito enciclopédias em fascículos que deixaram uma baita saudades


Pretendia escrever esse post há vários dias, mas sempre acabava empurrando com a barriga. Isto não quer dizer que o assunto não me inspirava. Pelo contrário, a sucessão de adiamentos tinha um outro motivo, bem mais sério.
Todas as vezes que tentava escrever esse post, me envolvia tanto com as lembranças dos anos 70 - que marcaram a minha geração de leitores e colecionadores de enciclopédias em fascículos - que acabava divagando e me esquecendo do post. Por exemplo, começava a escrever sobre “Conhecer” e já vinham as lembranças daquelas capas  maravilhosas de seus fascículos. Juntamente com essas lembranças, chegava a danada da dispersão, pois o outrora ‘menino’, aqui, retornava à sua infância ou adolescência e ‘perdia’, bem... prefiro dizer: ‘ganhava’, minutos preciosos recordando aquelas décadas, engatando lembranças de minha mãe, uma pessoa que sempre incentivou a minha leitura.
Lembrava, também, das antigas bancas de revista da minha cidade onde ficavam expostos os fascículos de tantas outras enciclopédias. E pronto! Lá vinham mais divagações.
Pois é, eu mais viajava do que escrevia o post. Cara, o tema é muito viciante. Só mesmo aqueles que viveram a época de ouro das enciclopédias em fascículos para entender a magia do assunto. E assim, fui adiando, adiando, adiando até a noite de hoje, quando decidi controlar a minha empolgação e me concentrar no texto. Acho que está dando certo; vamos ver.
Escolhi oito enciclopédias que marcaram demais a minha vida de leitor nos anos 70 e 80 e das quais sinto muita saudades. Vamos à elas.
01 – Conhecer
Como eu amava “Conhecer”. Ficava contando nos dedos a chegada das terças-feiras quando as bancas de revistas recebiam os novos fascículos. Sabia que o meu irmão mais velho iria compra-los e com certeza me deixaria ler.
O que mais me chamava a atenção nas publicações dessa enciclopédia eram as suas capas muito bem elaboradas para uma publicação do gênero da década de 60. Nossa! E como eu viajava com os temas desenhados naquelas capas. Sentia como se estivesse dentro daquele cenário, participando ou observando a ação ilustrada.
As tais capas tinham um poder de sedução tão grande que acabei escrevendo um post inteiramente dedicado a elas (confira aqui). As duas capas que jamais esqueci, traziam as ilustrações de um submarino navegando numa noite estrelada; se não me engano o resumo do tema central desse exemplar - publicado numa tarja amarela ao lado da foto - estava relacionado com átomos ou energia nuclear. A outra capa tinha a ilustração de uma estação espacial e abordava o tema astronomia.
Esta enciclopédia antológica da Abril Cultural foi lançada no longínquo 27 de setembro de 1966. Pelo que eu pesquisei, “Conhecer” chegava nas bancas de jornais e revistas todas as terças-feiras e a cada 15 fascículos com 20 páginas, o colecionador podia comprar uma capa dura vermelha. De posse dos 15 fascículos e da famosa capa vermelha, ele ia correndo até uma gráfica para providenciar a encadernação dos fascículos. Pronto! Estava montada a enciclopédia!
02 – Os Bichos
Mais uma enciclopédia em fascículos que marcou a minha infância e pré-adolescência. “Os Bichos”, lançada pela Abril pela primeira vez em 1970, trazia informações sobre toda a fauna do planeta com belíssimas ilustrações e dados sobre cada animal. A coleção completa formava quatro volumes e mais um especial, dedicado à evolução dos animais.
O texto fluido e recheado de gravuras me prendia da cabeça aos pés como uma teia de aranha. Começava a ler e não conseguia parar. Quando a grana ficava curta, minha mãe dava uma força para comprar o tão desejado fascículo. Foi graças à saudosa ‘mama’ que consegui montar os cinco volumes que traziam ilustrações realistas de todas as espécies de animais.
Apesar dos anos, ainda me lembro das características dos fascículos. Eles tinham a capa branca e trazia sempre a gravura (não foto) de um único animal. No seu interior havia a descrição – em destaque - das características desse animal e também de outros coadjuvantes.
Um dos fascículos que me recordo trazia um leão africano que, praticamente, tomava conta de toda a capa.
03 – Medicina e Saúde
Além de “Conhecer”, meu irmão também colecionava “Medicina e Saúde”. Posso dizer que estas três preciosidades formavam a santíssima trindade das enciclopédias lá em casa. Cara, como essas publicações contribuíram para que o meu gosto pela leitura ficasse cada vez mais exacerbado.
“Medicina e Saúde” era fantástica! Lançada pela primeira vez em 1969, esta enciclopédia, vendida em fascículos, formava dez volumes quando encadernada. Os primeiros seis volumes traziam tópicos sobre doenças e tratamentos em geral, e os quatro volumes adicionais eram guias de primeiros socorros.
A sua capa verde e as ilustrações coloridas e esmeradas do corpo humano não saem da minha memória.
Putz, que enciclopédia!!
04 – Grandes Personagens da História Universal
Lançada pela Editora Abril na década de 1970 “Grandes Personagens da História Universal” se tornou uma verdadeira coqueluche entre os estudantes da época. Infelizmente, não cheguei a colecionar os seus fascículos, mas por outro lado, tive o privilégio de poder devorá-la na biblioteca de minha escola, e completinha. Passava o recreio inteiro folheando os seus volumes e conhecendo a vida de vários personagens da história mundial.
“Grandes Personagens da História Universal” teve cinco volumes com biografias de figuras da História, especialmente da Europa. As ilustrações eram fantásticas e remetiam nós leitores à uma viagem incrível.
Apesar do tempo, ainda consigo me lembrar que essa coleção era da bibliotecária da minha escola que colecionava os fascículos. Ao completar os cinco volumes, ela optou doar para a biblioteca.
A lista da obra variava de personagens desde a antiguidade até o século XIX. Tinha capa dura e toda branca com adornos dourados. Cada fascículo trazia a biografia de um personagem histórico, ilustrada por quadros, mapas e outras reproduções de imagens, além de cronologias da vida da pessoa e de seu contexto histórico.
05 – Enciclopédia Disney
As crianças dos anos 70 fizeram a festa com essa publicação. Acredito que muitos pais foram pressionados ou até mesmo chantageados pela garotada setentista para que comprassem os fascículos da “Enciclopédia Disney”.
A obra foi produzida especialmente para as crianças que se esbaldavam com os personagens da Disney. Mickey, Pateta, Tio Patinhas e Cia bancavam os professores e explicavam diversos assuntos para a gurizada, auxiliando no seu aprendizado.
Os fascículos eram semanais e no final formavam nove volumes ricamente ilustrados, além de um dicionário inglês-português, que também trazia algumas histórias em quadrinhos em inglês.
De fato, uma enciclopédia que deixou muitas saudades.
06 – A Bíblia Mais Bela do Mundo
Quantos anos você tinha em 1965? Neste ano foi lançada uma enciclopédia que fez a cabeça de muitos devoradores de livros.
No dia 1 de maio de 1965 foi às bancas o primeiro fascículo de “A Bíblia Mais Bela do Mundo”. Foram 150 fascículos que em três anos completaram oito volumes ricamente ilustrados. Podemos considera-la a precursora das enciclopédias em fascículos. Somente depois dela é que vieram “Conhecer”, Ciência Ilustrada e outras.
07 – Ciência Ilustrada
Esta enciclopédia foi a “queridinha” dos professores dos anos 60 que cobravam dos diretores de escolas a compra dos fascículos para ficarem expostos nas bibliotecas como fonte de pesquisa dos alunos. Por isso, até antes do surgimento do Google, os volumes de “Ciência Ilustrada” podiam ser encontrados em nove de cada dez estabelecimentos de ensino. Mas com o advento da Internet, a maioria dos educandários optou pelo “encaixotamento” de suas outrora endeusadas enciclopédias.
Os fascículos semanais de “Ciência Ilustrada” também eram vendidos em bancas de jornais. Eles davam origem a 13 volumes – 11 de tamanho grande, com as folhas, e 2 de tamanho médio, com as capas.
A enciclopédia focava especialmente em ciência, abrangendo química, física, biologia, astronomia e até os últimos avanços da tecnologia.
08 – Larousse Cultural
Claro que não poderia deixar de fechar esse post sem a memorável Larousse Cultural. Criada na França em 1964, foi publicada no Brasil pela Editora Abril em 1998, vendida em fascículos aos domingos, em conjunto com os jornais Folha de S. Paulo e O Globo. É um dicionário enciclopédico, com verbetes bem resumidos sobre conhecimentos gerais.
Fico imaginando quantas pessoas iam até as bancas nos anos 90 para comprar A Folha ou O Globo, não com a intenção de lê-los, mas apenas de colecionar os fascículos da Larousse. Por R$ 6,90 (valor atualizado) adicionais ao preço do jornal, o leitor levava o primeiro volume, já encadernado, e ganhava grátis o segundo.
A coleção era formada por 24 volumes impressos em papel de qualidade, com encadernação gravada a ouro. 
E aí, bateu saudades?
Galera, por hoje é só!

2 comentários

  1. Acredito que algumas das enciclopédias que você citou tenham sido relançadas, talvez mais do que uma vez. Acho que não estou enganado pois lembro dos fascículos à venda, e até de ter aqui em casa alguns da Conhecer, e eu nasci em 70, ano em que pelo que vi no teu post algumas foram lançadas e outras são anteriores. Acho que a Conhecer foi relançada nos anos 80, pois lembro dos fascículos nessa época. Se pudesse teria comprado todos, formado a enciclopédia, achava tão interessante e amava aquelas ilustrações.
    Sempre adorei essas enciclopédias nesse estilo, principalmente as ilustradas, mas nunca as tive em casa. A única que tinha aqui em casa ( e ainda está), que li muito, e fiz muito trabalho de escola com as informações e copiando desenhos dela. Rapaz viajei no tempo agora. Era uma de três volumes, que foi comprada para meus irmãos mais velhos e já herdei sem capa ( os três volumes). Acho que não foi descuido, foi muito uso mesmo. Enciclopédia Ilustrada do Ensino Primário - Editora Formar, já ouviu falar nessa?
    Mais tarde ganhei uma. Mas pouco usei. Eu estava no final do ginásio e os assuntos abordados nela eram os até a oitava série. Também tenho ainda, bem conservada, mas nada tem daquelas ilustrações maravilhosas. Pesquisa pra mim era biblioteca da escola, e às vezes trazia para casa algum volume da Barsa, que pegava emprestado para algum trabalho de uma família aqui da minha rua. Acho que emprestavam porque sabiam que eu cuidava, e com certeza eu aproveitava e lia bem mais do que só o assunto do trabalho.
    O que me incomoda hoje em dia é o pouco valor dado a essa enciclopédias, principalmente por parte de instituições. Por não serem mais utilizadas, por estarem desatualizadas, até mesmo ortograficamente, são consideradas entulhos e simplesmente descartadas. Nada ilegal, mas na minha opinião deveriam ser preservadas nem que seja como artefatos de museu. Eu vi isso acontecer uns anos atrás, com duas enciclopédias. Simplesmente vi que tinham sumido. Nada ilegal, como já disse. Devem ter virado reciclagem. As duas eram completas e em ótimo estado e uma linda, bem no estilo Conhecer, uns dez volumes ou mais. Se eu tivesse sabido que iam descartar teria pedido e pelo menos uma estaria conservada.
    Sei que o post era sobre enciclopédias formadas por fascículos, e sei que escrevi demais, de novo, mas me fez lembrar tudo isso e até mais.
    E quanto as tuas divagações, são como tempero. E sem tempero a comida não fica boa.
    Abraço!!!!

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    1. Olá amigo Atas, espero que esteja bem.
      Os fascículos da "Conhecer" começaram a ser publicados em 1966, mas a enciclopédia teve aproximadamente trinta edições e com certeza chegou até os anos 80.
      Quanto a minha coleção que acabei me desfazendo, até hoje me arrependo. Se pudesse voltar atrás jamais doaria o meu "Trópico" e a minha "Conhecer". Sinto saudades de folhear aqueles assuntos maravilhosos.
      Grande abraço!

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