16 agosto 2023
Vontade enorme de reler duas sagas e comprar dois novos livros... apesar da lista enorme de leituras atrasadas
Vida de leitor carteirinha ou de um devorador de livros,
tanto faz, é complicada, mas não há como negar que é uma complicação até que...
gostosa. Isto mesmo, gostosa. Vejam bem, eu tenho uma lista enorme de leituras
pela frente, mas de repente, não sei de onde, veio aquela vontade incontrolável
de reler duas sagas que eu já devorei há algum tempo. Ah! entenda esse “algum
tempo” como “pouco tempo”. E soma-se a essa releitura e a lista enorme, o
desejo de comprar dois novos livros que amei ao zapear na Amazon. Caráculas!
Quer complicação mais gostosa do que essa que estou vivendo?
Não bastasse uma lista de leituras recheada de nomes
como Charlie Donlea, Itamar Vieira Junior, Strephen King, Alexandre Dumas,
entre outros e o gatilho pronto para ser disparado visando a compra de Circe de Madeline Miller e a duologia Meu Nome é Ninguém de Valerio Massimo
Manfredi, surge agora uma vontade quase incontrolável de reler A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon e
a trilogia As Crônicas de Artur de
Bernard Cornwell. Mas se eu reler A
Sombra do Vento, certamente acabarei relendo também toda a saga do Cemitério dos Livros Esquecidos do qual a obra faz parte. Ufa! Viram só que
problemão? Um problemão gostoso, mas... um problemão; e terei de encará-lo.
Acho que vou começar a resolver essa “equação”
comprando os livros de Miller e Manfredi antes que os preços subam ou então que
se esgotem. Depois de acomodá-los em segurança na minha estante, aí sim; parto
para a leitura de... vejamos... A Sombra
do Vento, acho que ele será o primeiro da minha maratona de releituras..
Em sua obra-prima, Zafon nos transporta para a
Barcelona de 1945, onde conhecemos um garoto de 11 anos, chamado Daniel
Sempere. No dia de seu aniversário, seu pai o leva ao Cemitério dos Livros
Esquecidos, uma biblioteca gigante e labiríntica localizada no coração
histórico da cidade. Lá, o garoto – apaixonado por livros – entra em contato
com um dos poucos exemplares existentes no mundo de “A Sombra do Vento”, de
autoria de um misterioso escritor chamado Julián Carax. Após a leitura do
romance, Sempere fica tão apaixonado pela história que passa a investigar todos
os detalhes sobre a vida de seu autor. E é a partir desse momento que Zafon
começa a presentear os seus leitores com uma gama de revelações e reviravoltas.
É difícil deixar de se envolver com personagens tão carismáticos como Julian
Carax, Daniel Sempere, Fermin Romero e tantos outros.
A
Sombra do Vento será o primeiro a ser relido; depois,
quase certeza, que estarei encarando toda a saga de “O Cemitério dos Livros
Esquecidos”. Isto significa que terei pela frente mais três livros - O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos – para me esbaldar.
Concluída a leitura desses quatro livros será a vez de
“agarrar” a trilogia arturiana de Cornwell. Nesta saga, enxergo Cornwell como
Derfel já que a história é narrada em primeira pessoa pelo guerreiro e melhor
amigo de Artur. O que fez com que eu amasse O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e
Excalibur foi a desconstrução dos
principais personagens da saga arturiana. Esqueça aquele Lancelot corajoso;
aquela Guinevere submissa; aquele Merlin cheio de truques mágicos; a espada
Excalibur enterrada numa pedra e de lá retirada sem nenhum esforço por um nobre
guerreiro destinado a ser rei; e esqueça também a misteriosa dama do lago,
guardiã e protetora da famosa espada. Todos esses personagens são
desmistificados pelo autor que optou por uma narrativa da saga arturiana mais
realista. E quer saber? Esta iniciativa de Cornwell deu a obra o status de
antológica ganhando o respeito e admiração da maioria dos leitores que a
transformaram numa das sagas mais vendidas dos últimos anos desde o lançamento
de seu primeiro livro em outubro de 1995.
Finalizando essas releituras, partirei para as obras
inéditas, pelo menos para mim (rs). Acho que vou “atacar” primeiramente de Circe: Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo
dos deuses e o amor dos homens de Madeline Miller me apaixonei. A autora
seguiu a mesma linha narrativa de Conwell, ou seja, desmistificou o mito da
famosa feiticeira da mitologia grega fazendo uma releitura mais profunda de sua
vida, apresentando detalhes desconhecidos de sua infância e trajetória de vida,
rompendo o estigma de bruxa má e invejosa. Neste livro vemos uma nova Circe,
com tons “menos cinza”.
Circe é uma bruxa que morava na ilha de Eana, filha do
titã Hélio e da ninfa Perseis. E de acordo com a sinopse que li, Miller nos
mostra a história de uma filha que não era tão amada, que vivia nas sombras dos
irmãos e que tinha curiosidade sobre os mortais. Em sua solitária trajetória,
Circe mergulha no autoconhecimento e começa a descobrir seu verdadeiro poder. O
livro acaba por ser dividido em subtramas, marcando os momentos mais
significativos de Circe.
Terminando Circe:
Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens será a
vez da duologia Meu Nome é Ninguém
que narra as aventuras de Odisseu ou Ulisses, um dos personagens mais famosos
da mitologia grega. Alguns de vocês podem estar se perguntando: “mas todos
aqueles que apreciam mitologia grega já conhecem de cor e salteado a saga desse
herói”. Entonce... ocorre que os livros O
Juramento e O Regresso são uma...
advinhem? Releitura. Isto mesmo, como Circe
e As Crônicas de Artur, Massimo
atualiza a saga de Ulisses, narrando detalhes de sua infância e adolescência,
além de fornecer informações que não constam nos mitos tradicionais envolvendo
a “Guerra de Tróia”. Capiche? Além do mais, os dois livros foram muito
elogiados nas resenhas e opiniões que eu vi nas redes sociais.
Taí galera, um pouquinho da minha “saga literária para
vocês”.
Torçam por mim (rs). Depois conto tudo por aqui.
Inté!
12 agosto 2023
Flores partidas
Flores
Partidas acabou entrando em minha lista de leituras, aliás na
ponta de cima dessa lista, por influência dos comentários que vi no Skoob e
também em alguns blogs que eu havia visitado. Falavam tão bem da obra de Karin
Slaughter que acabei não resistindo e... comprei, mas confesso que não preencheu
a minha expectativa. Pelos comentários nas redes sociais serem quase uma
unanimidade, eu esperava muito, mas muito mais; só que esse “muito mais” acabou
não vingando, pelo menos para mim.
Tá bem, cá estou eu novamente nadando contra a maré
porque enquanto a maioria aprova, eu desaprovo. Me desculpem aqueles que
acharam o livro um dos melhores thrillers policiais dos últimos anos; para mim,
foi apenas uma leitura mediana. Vejam que não estou condenando a obra, mas
apenas afirmando que achei razoável, nada mais que isso. Digamos que seu fosse um
professor à moda antiga, daria um C+ ou até um C – sem louvor.
Flores
Partidas tem um plot muito bom, reviravoltas também muito boas
e personagens com um certo carisma, mas peca e muito num detalhe: a enrolação
que acaba causando a dispersão da leitura. Cara, é muito blá-blá-blá, a autora
floreia demais e com isso a leitura se torna exaustiva. Revelo que
me irritei bastante em muitos momentos porque nos trechos em que a narrativa
estava bem “up”, muito perto de atingir o clímax, a história dava aquela broxada.
O que estou querendo expor é que esse momento “up” era arrebentado com muito
blá-blá-blá. “Coisa” do tipo: ‘as personagens estão seguindo de carro para um determinado
local que pode guardar um terrível segredo com o poder de mudar uma das
sub-tramas dentro do contexto da história, mas antes que elas alcancem o seu
destino, a autora começa a explicar o modelo do carro, como o carro funciona,
sem contar que os personagens começam a relembrar detalhes de suas vidas que
não acrescentam nada a trama. Outro detalhe que causa dispersão e torna a
leitura cansativa é o sofrimento além da conta de alguns personagens. Vamos lá,
vou tentar explicar. Mais ou menos assim: fulano colocou um capuz no rosto de
fulana e ao molhar o capuz tentava afoga-la. Só que essa tentativa de
afogamento, por parte do vilão, se repetia várias e várias vezes. Depois vinham
outras formas de tortura com as mesmas personagens que adivinhem? Se repetiam
muuuitas outras vezes. Ufa! Neste caso, além da dispersão causada pelo
blá-blá-blá, o excesso de masoquismo esgota o ânimo e a paciência do leitor.
Fiquei decepcionado sim. Fiquei, porque Flores Partidas tinha tudo para ser um
livraço por causa de seu plot fantástico e de suas reviravoltas, mas as descrições
em excesso e nas horas erradas “podando” os pontos de clímax da narrativa,
impediram que isso acontecesse.
Por outro lado, se discordei da maioria das críticas
que endeusaram a obra, concordo em
gênero, número e grau com as opiniões que reputam o livro de Slaughter com um
dos mais pesados, tensos e violentos dos últimos anos. Flores Partidas parece uma metralhadora de gatilhos e por isso não
recomendo para os leitores impressionáveis ou que estejam passando por algum
momento “down” em suas vidas. A trama é muito violenta, achei alguns trechos,
inclusive, até desnecessários, por isso, a leitura exige cabeça e estômago
fortes. Os gatilhos estão relacionados a violência sexual, torturas, estupros, mutilações,
etc.
Por fim, fica aqui um aviso para aqueles que pretendem
encarar o romance, evitem ler a maioria das resenhas publicadas nas redes
sociais, incluindo o resumo da história liberado pela editora Harper Collins que
contém muitos spoilers. Dessa forma, vou omitir vários detalhes da trama nessa
resenha e dizer apenas que se trata da história de duas personagens Claire e
Lydia que tentam encontrar respostas para o desaparecimento de sua irmã Julia
que ao que tudo indica foi sequestrada. Este desaparecimento envolve muitos
segredos, alguns muito surpreendentes. Pena que eles foram “minados” pela
enrolação da narrativa.
Inté!
09 agosto 2023
10 bruxas e feiticeiras famosas dos livros
Maldosas; narizes grandes e tortos; voando em
vassouras durante as noites de lua cheia com os seus chapéus no formato de cone
lançando os seus feitiços; e principalmente... feias, muito feias. Não me diga
que após ler essa breve descrição, você, imediatamente, se lembrou de uma
bruxa? (rs). Pois é, essa é exatamente a imagem que temos dessas personagens
tanto nos filmes quanto nos livros, mas saiba que nem todas as bruxas são más
ou feias ou ainda com narizes grandes, pontudos e tortos. Várias delas são
bonitas, algumas, aliás, donas de uma beleza estonteante. Outro detalhe
importante é que antes de se tornarem más, “poucas” ou quem sabe até “muitas”
delas tinham uma personalidade altruísta até o momento em que determinada
situação acabou modificando essa personalidade.as bruxas literárias são complexas e
ao mesmo tempo encantadoras. Tudo bem, encantadoras a sua maneira e com as suas
peculiaridades, mas são. Como escrevi anteriormente um post sobre os magos e
mágicos famosos dos livros, é evidente que não poderia deixar as bruxas e
feiticeiras de lado. Por isso, na postagem de hoje selecionei dez dessas
personagens que mercaram época na literatura. Vamos conferir?
01
– Nimue
Na minha opinião, a releitura da lenda arturiana feita
por Bernard Cornwell é fantástica e acima de tudo viciante. Não há como negar
que ao trocar os aspectos mágicos e mitológicos por um contexto mais próximo da
realidade, Cornwell conseguiu transformar a sua trilogia num dos maiores – se
não, no maior – sucessos de sua carreira literária. Outro ponto positivo das Crônicas de Artur foi a mudanças de
algumas características da personalidade de personagens centrais da trama,
entre eles, Nimue.
Esqueça a Nimue benevolente que ficou conhecida como a
“Dama do Lago” nas lendas arturianas tradicionais. A personagem reescrita por
Cornwell foge desse padrão.
A metamorfose drástica sofrida por Nimue, amante e
depois sacerdotisa de Merlin é impactante e mexe com os leitores. No primeiro
livro da trilogia (O Rei do Inverno),
vemos uma Nimue contida, centrada e de uma beleza rara e exótica (mesmo tendo
perdido um olho) e que chegou a “virar” a cabeça de Derfel. O guerreiro e amigo
de Artur queria fugir com a sacerdotisa que o entorpeceu de amor. Mas, nos dois
últimos livros da saga (O Inimigo de Deus
e Excalibur), a outrora bela Nimue
vai sofrendo uma transformação que deixa os leitores perplexos. Este impacto
fica evidente nas próprias palavras de Derfel: ...“a beleza intrigante que
possuía um dia estava escondida sob a sujeira e feridas, e sob a massa de
cabelos pretos e embolados, tão grudada de sujeira que até mesmo os camponeses
que vinham em busca de suas adivinhações ou curas costumavam se encolher com o
fedor”. Derfel finaliza dando o golpe de misericórdia: ...“até eu, ligado à ela
por juramento e que um dia fora seu amante, mal suportava estar perto dela.”
Como revelei no início, Nimue era uma bruxa boa e
centrada, mas aos poucos ela vai se transformando num ser repulsivo, mau e
enlouquecido.
Livros:
Trilogia “As Crônicas de Artur” – “O Rei do Inverno”, “O Inimigo de Deus” e
“Excalibur" (Bernard Cornwell)
02
– Jadis, a Feiticeira Branca
Jadis ou a Feiticeira Branca é uma mulher extremamente
poderosa, responsável pela destruição de diversos mundos, entre eles Felinda,
Bramandin, Soloris e Charn. Quando chegou em Nárnia pela segunda vez, em 898,
condenou-a a um inverno de cem anos, até a chegada de Pedro, Lúcia, Edmundo e
Susana.
Ela é muito bela e possui a pele extremamente branca,
branca como o sal ou o açúcar. Os lábios são de um vermelho vivo e os cabelos
são muito negros. Muito alta, com cerca de dois metros de altura é descendente
de Liliti e dos Gigantes. É uma feiticeira nata e uma estrategista astuta, além
de arrogante e cruel, considerando-se acima de todas as regras e vendo os
outros como ferramentas a serem usadas ou obstáculos a serem demolidos.
Jadis é a principal antagonista de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
(1950) e O Sobrinho do Mago (1955) na
série de CS Lewis, As Crônicas de Nárnia.
Por ter congelado Nárnia no Inverno dos Cem Anos, ela é comumente referida como
a Bruxa Branca.
Livros:
Saga “As Crônicas de Nárnia” – “O Sobrinho do Mago”, “O Leão, a Feiticeira e o
Guarda-Roupa”, “O Cavalo e seu Menino”, “Príncipe Caspian”, “A Viagem do
Peregrino da Alvorada”, “A Cadeira de Prata” e “A Última Batalha” (Lewis
Carroll)
03
– Morgana
Morgana das Fadas, é um dos personagens mais
intrigantes das antigas lendas arturianas, as quais contam que a personagem era
filha de Igraine e Gorlois, Duque da Cornualha. Morgana era uma sacerdotisa da
Ilha de Avalon, sendo treinada por sua tia Viviane para se tornar a Senhora do
Lago ou Senhora de Avalon.
Ainda, de acordo com essas lendas, Morgana teve um
filho com seu irmão Arthur depois de um ritual sagrado. Essa criança se chamava
Gwydion, tornou-se adulto e foi para a corte de Arthur, passando a se chamar
Mordred. Mais tarde pai e filho se enfrentam como inimigos e se matam um ao outro
em um duelo pela disputa do Reino.
Acredito que As
Brumas de Avalon pode ser considerada uma das obras mais expressivas
relacionadas ao personagem. Nela, a autora Marion Zimmer Bradley retrata
Morgana como uma sacerdotisa da Grande Mãe em uma cultura matriarcal e pagã. A
obra coloca Morgana em uma posição de poder e conhecimento e relata a
importante passagem do matriarcado pagão para o patriarcado cristão.
Poderosa, melancólica ou temida, seja qual for a
versão, ela é encantadora. Em As Brumas
de Avalon, é Morgana quem narra a história, nos seus termos e
interpretações.
Livro:
Saga “As Brumas de Avalon” - “A Senhora
da Magia”, “A Grande Rainha”, “O Gamo-Rei” e “O Prisioneiro da Árvore” (Marion
Zimmer Bradley)
04
– A Bruxa Malvada do Oeste
A Bruxa Malvada é a principal antagonista de O Maravilhoso Mágico de Oz, primeiro
romance da conhecida série “Oz”. Em O
Mágico de Oz, clássico da literatura
mundial escrito por L. Frank Baum, a personagem é uma bruxa muito má e a
arqui-inimiga de Dorothy, além de governar o País Winkie com maõs de ferro e
para variar... com muita maldade.
A maior parte de seu poder reside nas criaturas que
ela controla: um bando de 40 grandes lobos, um bando de 40 corvos, um enxame de
abelhas negras e um exército de Winkies.
Quando Dorothy se vê diante do desafio de derrotar a
Bruxa Má do Oeste, em O Mágico de Oz,
vemos a história se desenrolando pelo lado da heroína. Mas e a história de sua
arqui-inimiga, a misteriosa bruxa? De onde ela surgiu? Como se tornou tão
perversa? Em Wicked, Gregory Maguire
revela tudo isso por meio de um mundo fantástico tão rico e intenso que os
leitores poderão começar a olhar para Oz da mesma forma.
Viajando por uma terra encantada, o autor mostra todos
os detalhes da história dessa garota de pele verde que cresce em meio a
desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame – uma esperta,
irritadiça e incompreendida criatura que desafia todas as noções sobre a
natureza do bem e do mal.
Maguire, mostra em seu livro que a Bruxa Malvada do
Oeste possui uma complexidade que nos permite, até mesmo, a admirar a vilã de O Mágico de Oz, tanto quanto lamentá-la.
Elphaba é espinhosa, ciumenta e difícil; eventualmente, seus traumas levam-na a
atos cada vez mais vingativos e perturbadores. Mas, acreditem que ela também é
uma pessoa de convicção, que se preocupa profundamente com os direitos dos
animais e da justiça social. Ela até pertence a um movimento de resistência que
luta contra políticas opressivas do Mágico de Oz.
Livro:
“Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz” (Gregory Maguite)
05
– Circe
Quem leu A
Odisseia de Homero que retrata a tumultuada viagem de volta para casa
enfrentada pelo guerreiro Ulisses, com certeza, irá se se lembrar de Circe. Em A Odisseia, Circe é citada apenas como
uma bruxa que transforma homens em porcos, mas no livro de Madeline Miller
podemos vê-la em constante crescimento enquanto descobre a si mesma e seu
potencial enquanto deusa, feiticeira e mulher. A obra mostra como o poder da
mulher se fortalece com o amadurecimento.
Miller inicia sua narrativa abordando o nascimento de
Circe na casa do grande Hélio, divindade do Sol e o mais poderoso da raça dos
titãs. A menina é uma garotinha estranha: não parece ter herdado uma fração
sequer do enorme poder de seu pai, muito menos da beleza estonteante de sua
mãe, a ninfa Perseis. Deslocada entre deuses e seus pares, os titãs, Circe
procura companhia no mundo dos homens, onde enfim descobre possuir o poder da
feitiçaria, sendo capaz de transformar seus rivais em monstros e de aterrorizar
os próprios deuses.
Sentindo-se ameaçado, Zeus decide bani-la a uma ilha
deserta, onde Circe aprimora suas habilidades de bruxa, domando perigosas feras
e cruzando caminho com as mais famosas figuras de toda a mitologia grega: o
engenhoso Dédalo e Ícaro, seu filho imprudente, a sanguinária Medeia, o
terrível Minotauro e, é claro, Odisseu. E os perigos são muitos para uma mulher
condenada a viver sozinha em uma ilha isolada.
Para proteger o que mais ama, Circe deverá usar toda a
sua força e decidir, de uma vez por todas, se pertence ao reino dos deuses ou
ao dos mortais que ela aprendeu a amar.
A releitura de Circe nesse livro de Miller mostra o
grande empoderamento das mulheres.
Livro:
Circe: Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens (Madeline
Miller)
06
– Medéia
Na mitologia grega, Medéia era uma feiticeira e bruxa
que usou seus poderes mágicos para ajudar Jasão e os Argonautas em sua busca do
Velocino de Ouro.
Medéia era filha de Eetes, rei da Cólquida. Eetes
possuía o velocino de ouro, que Jasão e os argonautas buscavam, e o mantinha
guardado por um dragão. A maga Medéia apaixonou-se por Jasão e, depois de
ajudá-lo a realizar sua missão, lançando um feitiço e adormecendo o dragão para
que o herói o matasse, seguiu com o grupo para a pátria de Jasão, na Tessália.
Mais tarde, Jasão apaixonou-se por outra mulher e
abandonou Medéia. Inconformada, ela tramou uma vingança terrível que marcou
para sempre, da pior maneira, a vida do marido infiel.
O mito de Medeia fala sobre o arquétipo da bruxa, uma
mulher independente, invadida por grandes paixões e com uma grande capacidade
de decisão. No momento em que essa personagem foi criada, ela representava o
completo oposto do que uma “mulher modelo” deveria ser. Talvez por esse motivo
tenha despertado um grande interesse e tenha tido um enorme impacto entre os
autores trágicos.
A história conta que essa feiticeira aprendeu as artes
da bruxaria com sua tia Circe. Além disso, ela tinha grandes poderes e conhecia
poções mágicas que lhe permitiam transformar os seus inimigos em animais e
curar doenças graças ao seu conhecimento de ervas e remédios.
Livro:
Jasão e os Argonautas (Menelaos Stephanides)
07
– Rainha Má
A Rainha Má é considerada a primeira vilã da Disney. Apesar
da beleza exuberante, é invejosa e extremamente má. Capaz até de pedir a um
caçador o coração da doce e ingênua princesa do reino, ela chega a envenenar
uma maçã para conseguir se livrar de sua rival. Mas toda história tem dois
lados, concordam?
Em A mais Bela
de todas: A história da rainha má, a escritora Serena Valentino destrincha
toda a origem dessa personagem antológica das histórias e animações da Disney
lidas por crianças de várias gerações.
O livro que faz parte de uma série que conta a
história particular dos personagens da Disney com duas metades, em sua maioria
vilões, revela uma história desconhecida até então.
Valentino mostra como Rainha Má, madrasta da Branca de
neve, era uma pessoa amável antes dos fatos trágicos e tristes que modificaram
a sua vida.
No filme, tal como na história original escrita por
Walt Disney, a Rainha Má é extremamente fria, cruel e vaidosa, mantendo ainda
uma constante obsessão em ser "a mais bela mulher de todas".
Eventualmente, a Rainha tem um ciúme doentio por Branca de Neve, sua enteada.
Enlouquecida com a ideia de ser superada em sua beleza, a Rainha planeja a
morte de Branca de Neve, transformando-se numa velha bruxa para depois... Bem,
com certeza, você já conhece o fim da história “Branca de Neve e os sete
anões”.
Portanto, se você estiver afim de conhecer a origem da
Bruxa Má, o livro de Valentino é a pedida certa.
Livro:
A mais Bela de todas: A história da rainha má (Serena Valentino)
08
– Hermione Granger
Hermione Granger ou simplesmente Hermione, foge do
estereótipo das bruxas feias e más. J. K. Rowling criou uma bruxinha com um jeito
“nerd” e, bonita. Ela apareceu pela primeira vez em Harry Potter e a Pedra Filosofal, como uma nova estudante em
direção a Hogwarts. Depois de Harry Pottter e Ron Weasley a salvarem de um
troll, torna-se a melhor amiga deles e costuma usar seu raciocínio rápido,
lembrança rápida e conhecimento enciclopédico para ajudar em situações
terríveis. A personagem dos livros e filmes da saga Harry Potter se tornou
imensamente popular.
Hermione é muito, mas muito inteligente. Quer uma
prova? Nos livros de Rowling, o professor de magia Remo Lupin disse a ela o
seguinte: “Das bruxas de sua idade, você é a mais inteligente”. É mole?! E não
seria a última vez que a garota ouviria algo do gênero. Após o fim da saga
Harry Potter, a menina conseguiu fazer jus a todo o seu potencial, tendo
chegado até mesmo a assumir o cargo de ministra da magia em 2019.
Por todas essas virtudes, Hermione Granger merece, e
muito, fazer parte dessa top list.
Livros:
Saga “Harry Pottrer” – “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, “Harry Potter e aCâmara Secreta”, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, “Harry Potter e oCálice de Fogo”, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, “Harry Potter e o Enigma doPríncipe”, “Harry Potter e as Relíquias da Morte" (J.K. Rowling)
09
– Bruxa Onilda
A bruxinha mal-humorada de 700 anos e sua fiel
companheira, uma corujinha roxa, surgiram pela primeira vez em 1985 em uma
coleção de livros infantis denominada As
Trigêmeas. Nas obras, Onilda trabalha como babá de três irmãs bagunceiras,
que têm como hábito a irritante mania de pregar peças na bruxinha.
Como lição, Onilda as envia para contos clássicos da
literatura (como Frankenstein e O fantasma da ópera), onde as irmãs
aprendem valiosas lições de comportamento.
Após o estrondoso sucesso da personagem, Bruxa Onilda
ganhou sua própria coleção de livros e hoje conta com 18 títulos publicados no
Brasil, além de ter sido traduzida para mais de 30 países.
A famosa bruxinha que encantou gerações de leitores e
leitoras ao longo de anos, agora, está de volta nesse novo livro para encantar
as crianças de hoje.
Em As Memórias
da Bruxa Onilda de Enric Larreula vamos conhecer mais a fundo essa bruxinha
sapeca, e por ela mesma. Desde criança, Onilda apronta poucas e boas. Ela
estava sempre atenta às magias de sua mãe e por isso acabou aprendendo cedo
como utilizar seus poderes. Em seu primeiro aniversário, ela ganhou um bolo e
um grande ovo, de onde saiu a coruja Olhona, que virou sua grande amiga e
companheira de muitas aventuras.
Livro:
As Memórias da Bruxa Onilda (Enric Larreula)
10
– Tituba, A Bruxa Negra de Salém
Durante o século 17, depois que as filhas de um
conhecido reverendo naquela época chamado Samuel Parris disseram estar sendo
mordidas, beliscadas e picadas por seres invisíveis, um enorme movimento de
Caça às Bruxas começou em Salem. Mais de 300 pessoas foram investigadas e
acusadas de bruxaria na Massachusetts da época — 19 delas foram condenadas à
forca.
A maioria das pessoas julgadas era composta por
mulheres, muitas vezes por terem poucos filhos, ou muitos filhos, ou por serem
pobres, ou por serem ricas demais. De jovens que moravam nas ruas até mães de
sete crianças, diversas mulheres foram levadas ao tribunal, acusadas de
praticar feitiços. Uma delas — entre as três primeiras acusadas — foi Tituba, a
“Bruxa negra de Salem”, como ficou conhecida depois.
De acordo com o site “Aventuras na História”, O nome
de Tituba foi diretamente ligado aos testemunhos das filhas do Reverendo,
porque, na época, ela havia sido vendida de Barbados para ser escrava na
residência do homem. Tituba vivia em contato com as meninas e era negra — o que
a tornava um alvo fácil. Para alguns, foi ela quem começou a espalhar a
bruxaria por Salem, ensinando feitiços e rituais às mulheres e meninas do
vilarejo.
Agora, Tituba, essa mulher do século XVII, renasce,
três séculos depois. Torna-se outra vez real, pelas mãos da premiada escritora
Maryse Condé, vencedora do New Academy Prize 2018 (Prêmio Nobel Alternativo) no
livro Eu, Tituba, A Bruxa Negra de Salém.
No livro de Condé, essa personagem fascinante, é
retirada do silêncio a que a historiografia lhe destinou. Filha de uma mulher
negra escravizada, viveu cedo o terror de ver a mãe assassinada por se defender
do estupro de um homem branco e de saber que o pai se matou por causa do mesmo
homem branco. Cresceu sob os cuidados de uma mulher que tinha o poder da cura e
que a iniciou nos mistérios. Adulta, apaixonou-se por John Indien e abdicou,
por ele, da própria liberdade. Uma história de força, coragem e superação.
Livro Eu, Tituba,
A Bruxa Negra de Salém.
Taí galera, espero que tenham se interessado pela
história de algumas dessas “bruxas”. Fiquem a vontade para conhece-las mais a
fundo através das sugestões literárias indicadas nesse post.
Inté!