16 agosto 2023

Vontade enorme de reler duas sagas e comprar dois novos livros... apesar da lista enorme de leituras atrasadas

Vida de leitor carteirinha ou de um devorador de livros, tanto faz, é complicada, mas não há como negar que é uma complicação até que... gostosa. Isto mesmo, gostosa. Vejam bem, eu tenho uma lista enorme de leituras pela frente, mas de repente, não sei de onde, veio aquela vontade incontrolável de reler duas sagas que eu já devorei há algum tempo. Ah! entenda esse “algum tempo” como “pouco tempo”. E soma-se a essa releitura e a lista enorme, o desejo de comprar dois novos livros que amei ao zapear na Amazon. Caráculas! Quer complicação mais gostosa do que essa que estou vivendo?

Não bastasse uma lista de leituras recheada de nomes como Charlie Donlea, Itamar Vieira Junior, Strephen King, Alexandre Dumas, entre outros e o gatilho pronto para ser disparado visando a compra de Circe de Madeline Miller e a duologia Meu Nome é Ninguém de Valerio Massimo Manfredi, surge agora uma vontade quase incontrolável de reler A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon e a trilogia As Crônicas de Artur de Bernard Cornwell. Mas se eu reler A Sombra do Vento, certamente acabarei relendo também toda a saga do Cemitério dos Livros Esquecidos do qual a obra faz parte. Ufa! Viram só que problemão? Um problemão gostoso, mas... um problemão; e terei de encará-lo.

Acho que vou começar a resolver essa “equação” comprando os livros de Miller e Manfredi antes que os preços subam ou então que se esgotem. Depois de acomodá-los em segurança na minha estante, aí sim; parto para a leitura de... vejamos... A Sombra do Vento, acho que ele será o primeiro da minha maratona de releituras..

Em sua obra-prima, Zafon nos transporta para a Barcelona de 1945, onde conhecemos um garoto de 11 anos, chamado Daniel Sempere. No dia de seu aniversário, seu pai o leva ao Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca gigante e labiríntica localizada no coração histórico da cidade. Lá, o garoto – apaixonado por livros – entra em contato com um dos poucos exemplares existentes no mundo de “A Sombra do Vento”, de autoria de um misterioso escritor chamado Julián Carax. Após a leitura do romance, Sempere fica tão apaixonado pela história que passa a investigar todos os detalhes sobre a vida de seu autor. E é a partir desse momento que Zafon começa a presentear os seus leitores com uma gama de revelações e reviravoltas. É difícil deixar de se envolver com personagens tão carismáticos como Julian Carax, Daniel Sempere, Fermin Romero e tantos outros.

A Sombra do Vento será o primeiro a ser relido; depois, quase certeza, que estarei encarando toda a saga de “O Cemitério dos Livros Esquecidos”. Isto significa que terei pela frente mais três livros - O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos – para me esbaldar.

Concluída a leitura desses quatro livros será a vez de “agarrar” a trilogia arturiana de Cornwell. Nesta saga, enxergo Cornwell como Derfel já que a história é narrada em primeira pessoa pelo guerreiro e melhor amigo de Artur. O que fez com que eu amasse O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur foi a desconstrução dos principais personagens da saga arturiana. Esqueça aquele Lancelot corajoso; aquela Guinevere submissa; aquele Merlin cheio de truques mágicos; a espada Excalibur enterrada numa pedra e de lá retirada sem nenhum esforço por um nobre guerreiro destinado a ser rei; e esqueça também a misteriosa dama do lago, guardiã e protetora da famosa espada. Todos esses personagens são desmistificados pelo autor que optou por uma narrativa da saga arturiana mais realista. E quer saber? Esta iniciativa de Cornwell deu a obra o status de antológica ganhando o respeito e admiração da maioria dos leitores que a transformaram numa das sagas mais vendidas dos últimos anos desde o lançamento de seu primeiro livro em outubro de 1995.

Finalizando essas releituras, partirei para as obras inéditas, pelo menos para mim (rs). Acho que vou “atacar” primeiramente de Circe: Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens de Madeline Miller me apaixonei. A autora seguiu a mesma linha narrativa de Conwell, ou seja, desmistificou o mito da famosa feiticeira da mitologia grega fazendo uma releitura mais profunda de sua vida, apresentando detalhes desconhecidos de sua infância e trajetória de vida, rompendo o estigma de bruxa má e invejosa. Neste livro vemos uma nova Circe, com tons “menos cinza”.

Circe é uma bruxa que morava na ilha de Eana, filha do titã Hélio e da ninfa Perseis. E de acordo com a sinopse que li, Miller nos mostra a história de uma filha que não era tão amada, que vivia nas sombras dos irmãos e que tinha curiosidade sobre os mortais. Em sua solitária trajetória, Circe mergulha no autoconhecimento e começa a descobrir seu verdadeiro poder. O livro acaba por ser dividido em subtramas, marcando os momentos mais significativos de Circe.

Terminando Circe: Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens será a vez da duologia Meu Nome é Ninguém que narra as aventuras de Odisseu ou Ulisses, um dos personagens mais famosos da mitologia grega. Alguns de vocês podem estar se perguntando: “mas todos aqueles que apreciam mitologia grega já conhecem de cor e salteado a saga desse herói”. Entonce... ocorre que os livros O Juramento e O Regresso são uma... advinhem? Releitura. Isto mesmo, como Circe e As Crônicas de Artur, Massimo atualiza a saga de Ulisses, narrando detalhes de sua infância e adolescência, além de fornecer informações que não constam nos mitos tradicionais envolvendo a “Guerra de Tróia”. Capiche? Além do mais, os dois livros foram muito elogiados nas resenhas e opiniões que eu vi nas redes sociais.

Taí galera, um pouquinho da minha “saga literária para vocês”.

Torçam por mim (rs). Depois conto tudo por aqui.

Inté!

12 agosto 2023

Flores partidas

Flores Partidas acabou entrando em minha lista de leituras, aliás na ponta de cima dessa lista, por influência dos comentários que vi no Skoob e também em alguns blogs que eu havia visitado. Falavam tão bem da obra de Karin Slaughter que acabei não resistindo e... comprei, mas confesso que não preencheu a minha expectativa. Pelos comentários nas redes sociais serem quase uma unanimidade, eu esperava muito, mas muito mais; só que esse “muito mais” acabou não vingando, pelo menos para mim. 

Tá bem, cá estou eu novamente nadando contra a maré porque enquanto a maioria aprova, eu desaprovo. Me desculpem aqueles que acharam o livro um dos melhores thrillers policiais dos últimos anos; para mim, foi apenas uma leitura mediana. Vejam que não estou condenando a obra, mas apenas afirmando que achei razoável, nada mais que isso. Digamos que seu fosse um professor à moda antiga, daria um C+ ou até um C – sem louvor.

Flores Partidas tem um plot muito bom, reviravoltas também muito boas e personagens com um certo carisma, mas peca e muito num detalhe: a enrolação que acaba causando a dispersão da leitura. Cara, é muito blá-blá-blá, a autora floreia demais e com isso a leitura se torna exaustiva. Revelo     que me irritei bastante em muitos momentos porque nos trechos em que a narrativa estava bem “up”, muito perto de atingir o clímax, a história dava aquela broxada. O que estou querendo expor é que esse momento “up” era arrebentado com muito blá-blá-blá. “Coisa” do tipo: ‘as personagens estão seguindo de carro para um determinado local que pode guardar um terrível segredo com o poder de mudar uma das sub-tramas dentro do contexto da história, mas antes que elas alcancem o seu destino, a autora começa a explicar o modelo do carro, como o carro funciona, sem contar que os personagens começam a relembrar detalhes de suas vidas que não acrescentam nada a trama. Outro detalhe que causa dispersão e torna a leitura cansativa é o sofrimento além da conta de alguns personagens. Vamos lá, vou tentar explicar. Mais ou menos assim: fulano colocou um capuz no rosto de fulana e ao molhar o capuz tentava afoga-la. Só que essa tentativa de afogamento, por parte do vilão, se repetia várias e várias vezes. Depois vinham outras formas de tortura com as mesmas personagens que adivinhem? Se repetiam muuuitas outras vezes. Ufa! Neste caso, além da dispersão causada pelo blá-blá-blá, o excesso de masoquismo esgota o ânimo e a paciência do leitor.

Fiquei decepcionado sim. Fiquei, porque Flores Partidas tinha tudo para ser um livraço por causa de seu plot fantástico e de suas reviravoltas, mas as descrições em excesso e nas horas erradas “podando” os pontos de clímax da narrativa, impediram que isso acontecesse.

Por outro lado, se discordei da maioria das críticas que endeusaram a obra,  concordo em gênero, número e grau com as opiniões que reputam o livro de Slaughter com um dos mais pesados, tensos e violentos dos últimos anos. Flores Partidas parece uma metralhadora de gatilhos e por isso não recomendo para os leitores impressionáveis ou que estejam passando por algum momento “down” em suas vidas. A trama é muito violenta, achei alguns trechos, inclusive, até desnecessários, por isso, a leitura exige cabeça e estômago fortes. Os gatilhos estão relacionados a violência sexual, torturas, estupros, mutilações, etc.

Por fim, fica aqui um aviso para aqueles que pretendem encarar o romance, evitem ler a maioria das resenhas publicadas nas redes sociais, incluindo o resumo da história liberado pela editora Harper Collins que contém muitos spoilers. Dessa forma, vou omitir vários detalhes da trama nessa resenha e dizer apenas que se trata da história de duas personagens Claire e Lydia que tentam encontrar respostas para o desaparecimento de sua irmã Julia que ao que tudo indica foi sequestrada. Este desaparecimento envolve muitos segredos, alguns muito surpreendentes. Pena que eles foram “minados” pela enrolação da narrativa.

Inté!

09 agosto 2023

10 bruxas e feiticeiras famosas dos livros

Maldosas; narizes grandes e tortos; voando em vassouras durante as noites de lua cheia com os seus chapéus no formato de cone lançando os seus feitiços; e principalmente... feias, muito feias. Não me diga que após ler essa breve descrição, você, imediatamente, se lembrou de uma bruxa? (rs). Pois é, essa é exatamente a imagem que temos dessas personagens tanto nos filmes quanto nos livros, mas saiba que nem todas as bruxas são más ou feias ou ainda com narizes grandes, pontudos e tortos. Várias delas são bonitas, algumas, aliás, donas de uma beleza estonteante. Outro detalhe importante é que antes de se tornarem más, “poucas” ou quem sabe até “muitas” delas tinham uma personalidade altruísta até o momento em que determinada situação acabou modificando essa personalidade.as bruxas literárias são complexas e ao mesmo tempo encantadoras. Tudo bem, encantadoras a sua maneira e com as suas peculiaridades, mas são. Como escrevi anteriormente um post sobre os magos e mágicos famosos dos livros, é evidente que não poderia deixar as bruxas e feiticeiras de lado. Por isso, na postagem de hoje selecionei dez dessas personagens que mercaram época na literatura. Vamos conferir?

01 – Nimue

Na minha opinião, a releitura da lenda arturiana feita por Bernard Cornwell é fantástica e acima de tudo viciante. Não há como negar que ao trocar os aspectos mágicos e mitológicos por um contexto mais próximo da realidade, Cornwell conseguiu transformar a sua trilogia num dos maiores – se não, no maior – sucessos de sua carreira literária. Outro ponto positivo das Crônicas de Artur foi a mudanças de algumas características da personalidade de personagens centrais da trama, entre eles, Nimue.

Esqueça a Nimue benevolente que ficou conhecida como a “Dama do Lago” nas lendas arturianas tradicionais. A personagem reescrita por Cornwell foge desse padrão.

A metamorfose drástica sofrida por Nimue, amante e depois sacerdotisa de Merlin é impactante e mexe com os leitores. No primeiro livro da trilogia (O Rei do Inverno), vemos uma Nimue contida, centrada e de uma beleza rara e exótica (mesmo tendo perdido um olho) e que chegou a “virar” a cabeça de Derfel. O guerreiro e amigo de Artur queria fugir com a sacerdotisa que o entorpeceu de amor. Mas, nos dois últimos livros da saga (O Inimigo de Deus e Excalibur), a outrora bela Nimue vai sofrendo uma transformação que deixa os leitores perplexos. Este impacto fica evidente nas próprias palavras de Derfel: ...“a beleza intrigante que possuía um dia estava escondida sob a sujeira e feridas, e sob a massa de cabelos pretos e embolados, tão grudada de sujeira que até mesmo os camponeses que vinham em busca de suas adivinhações ou curas costumavam se encolher com o fedor”. Derfel finaliza dando o golpe de misericórdia: ...“até eu, ligado à ela por juramento e que um dia fora seu amante, mal suportava estar perto dela.”

Como revelei no início, Nimue era uma bruxa boa e centrada, mas aos poucos ela vai se transformando num ser repulsivo, mau e enlouquecido.

Livros: Trilogia “As Crônicas de Artur” – “O Rei do Inverno”, “O Inimigo de Deus” e “Excalibur (Bernard Cornwell)

02 – Jadis, a Feiticeira Branca

Jadis ou a Feiticeira Branca é uma mulher extremamente poderosa, responsável pela destruição de diversos mundos, entre eles Felinda, Bramandin, Soloris e Charn. Quando chegou em Nárnia pela segunda vez, em 898, condenou-a a um inverno de cem anos, até a chegada de Pedro, Lúcia, Edmundo e Susana.

Ela é muito bela e possui a pele extremamente branca, branca como o sal ou o açúcar. Os lábios são de um vermelho vivo e os cabelos são muito negros. Muito alta, com cerca de dois metros de altura é descendente de Liliti e dos Gigantes. É uma feiticeira nata e uma estrategista astuta, além de arrogante e cruel, considerando-se acima de todas as regras e vendo os outros como ferramentas a serem usadas ou obstáculos a serem demolidos.

Jadis é a principal antagonista de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950) e O Sobrinho do Mago (1955) na série de CS Lewis, As Crônicas de Nárnia. Por ter congelado Nárnia no Inverno dos Cem Anos, ela é comumente referida como a Bruxa Branca.

Livros: Saga “As Crônicas de Nárnia” – “O Sobrinho do Mago”, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, “O Cavalo e seu Menino”, “Príncipe Caspian”, “A Viagem do Peregrino da Alvorada”, “A Cadeira de Prata” e “A Última Batalha” (Lewis Carroll)

03 – Morgana

Morgana das Fadas, é um dos personagens mais intrigantes das antigas lendas arturianas, as quais contam que a personagem era filha de Igraine e Gorlois, Duque da Cornualha. Morgana era uma sacerdotisa da Ilha de Avalon, sendo treinada por sua tia Viviane para se tornar a Senhora do Lago ou Senhora de Avalon.

Ainda, de acordo com essas lendas, Morgana teve um filho com seu irmão Arthur depois de um ritual sagrado. Essa criança se chamava Gwydion, tornou-se adulto e foi para a corte de Arthur, passando a se chamar Mordred. Mais tarde pai e filho se enfrentam como inimigos e se matam um ao outro em um duelo pela disputa do Reino.

Acredito que As Brumas de Avalon pode ser considerada uma das obras mais expressivas relacionadas ao personagem. Nela, a autora Marion Zimmer Bradley retrata Morgana como uma sacerdotisa da Grande Mãe em uma cultura matriarcal e pagã. A obra coloca Morgana em uma posição de poder e conhecimento e relata a importante passagem do matriarcado pagão para o patriarcado cristão.

Poderosa, melancólica ou temida, seja qual for a versão, ela é encantadora. Em As Brumas de Avalon, é Morgana quem narra a história, nos seus termos e interpretações.

Livro: Saga “As Brumas de Avalon” -  “A Senhora da Magia”, “A Grande Rainha”, “O Gamo-Rei” e “O Prisioneiro da Árvore” (Marion Zimmer Bradley)

04 – A Bruxa Malvada do Oeste

A Bruxa Malvada é a principal antagonista de O Maravilhoso Mágico de Oz, primeiro romance da conhecida série “Oz”. Em O Mágico de Oz, clássico da literatura mundial escrito por L. Frank Baum, a personagem é uma bruxa muito má e a arqui-inimiga de Dorothy, além de governar o País Winkie com maõs de ferro e para variar... com muita maldade.

A maior parte de seu poder reside nas criaturas que ela controla: um bando de 40 grandes lobos, um bando de 40 corvos, um enxame de abelhas negras e um exército de Winkies.

Quando Dorothy se vê diante do desafio de derrotar a Bruxa Má do Oeste, em O Mágico de Oz, vemos a história se desenrolando pelo lado da heroína. Mas e a história de sua arqui-inimiga, a misteriosa bruxa? De onde ela surgiu? Como se tornou tão perversa? Em Wicked, Gregory Maguire revela tudo isso por meio de um mundo fantástico tão rico e intenso que os leitores poderão começar a olhar para Oz da mesma forma.

Viajando por uma terra encantada, o autor mostra todos os detalhes da história dessa garota de pele verde que cresce em meio a desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame – uma esperta, irritadiça e incompreendida criatura que desafia todas as noções sobre a natureza do bem e do mal.

Maguire, mostra em seu livro que a Bruxa Malvada do Oeste possui uma complexidade que nos permite, até mesmo, a admirar a vilã de O Mágico de Oz, tanto quanto lamentá-la. Elphaba é espinhosa, ciumenta e difícil; eventualmente, seus traumas levam-na a atos cada vez mais vingativos e perturbadores. Mas, acreditem que ela também é uma pessoa de convicção, que se preocupa profundamente com os direitos dos animais e da justiça social. Ela até pertence a um movimento de resistência que luta contra políticas opressivas do Mágico de Oz.

Livro: “Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz” (Gregory Maguite)

05 – Circe

Quem leu A Odisseia de Homero que retrata a tumultuada viagem de volta para casa enfrentada pelo guerreiro Ulisses, com certeza, irá se se lembrar de Circe. Em A Odisseia, Circe é citada apenas como uma bruxa que transforma homens em porcos, mas no livro de Madeline Miller podemos vê-la em constante crescimento enquanto descobre a si mesma e seu potencial enquanto deusa, feiticeira e mulher. A obra mostra como o poder da mulher se fortalece com o amadurecimento.

Miller inicia sua narrativa abordando o nascimento de Circe na casa do grande Hélio, divindade do Sol e o mais poderoso da raça dos titãs. A menina é uma garotinha estranha: não parece ter herdado uma fração sequer do enorme poder de seu pai, muito menos da beleza estonteante de sua mãe, a ninfa Perseis. Deslocada entre deuses e seus pares, os titãs, Circe procura companhia no mundo dos homens, onde enfim descobre possuir o poder da feitiçaria, sendo capaz de transformar seus rivais em monstros e de aterrorizar os próprios deuses.

Sentindo-se ameaçado, Zeus decide bani-la a uma ilha deserta, onde Circe aprimora suas habilidades de bruxa, domando perigosas feras e cruzando caminho com as mais famosas figuras de toda a mitologia grega: o engenhoso Dédalo e Ícaro, seu filho imprudente, a sanguinária Medeia, o terrível Minotauro e, é claro, Odisseu. E os perigos são muitos para uma mulher condenada a viver sozinha em uma ilha isolada.

Para proteger o que mais ama, Circe deverá usar toda a sua força e decidir, de uma vez por todas, se pertence ao reino dos deuses ou ao dos mortais que ela aprendeu a amar.

A releitura de Circe nesse livro de Miller mostra o grande empoderamento das mulheres.

Livro: Circe: Feiticeira. Bruxa. Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens (Madeline Miller)

06 – Medéia

Na mitologia grega, Medéia era uma feiticeira e bruxa que usou seus poderes mágicos para ajudar Jasão e os Argonautas em sua busca do Velocino de Ouro.

Medéia era filha de Eetes, rei da Cólquida. Eetes possuía o velocino de ouro, que Jasão e os argonautas buscavam, e o mantinha guardado por um dragão. A maga Medéia apaixonou-se por Jasão e, depois de ajudá-lo a realizar sua missão, lançando um feitiço e adormecendo o dragão para que o herói o matasse, seguiu com o grupo para a pátria de Jasão, na Tessália.

Mais tarde, Jasão apaixonou-se por outra mulher e abandonou Medéia. Inconformada, ela tramou uma vingança terrível que marcou para sempre, da pior maneira, a vida do marido infiel.

O mito de Medeia fala sobre o arquétipo da bruxa, uma mulher independente, invadida por grandes paixões e com uma grande capacidade de decisão. No momento em que essa personagem foi criada, ela representava o completo oposto do que uma “mulher modelo” deveria ser. Talvez por esse motivo tenha despertado um grande interesse e tenha tido um enorme impacto entre os autores trágicos.

A história conta que essa feiticeira aprendeu as artes da bruxaria com sua tia Circe. Além disso, ela tinha grandes poderes e conhecia poções mágicas que lhe permitiam transformar os seus inimigos em animais e curar doenças graças ao seu conhecimento de ervas e remédios.

Livro: Jasão e os Argonautas (Menelaos Stephanides)

07 – Rainha Má

A Rainha Má é considerada a primeira vilã da Disney. Apesar da beleza exuberante, é invejosa e extremamente má. Capaz até de pedir a um caçador o coração da doce e ingênua princesa do reino, ela chega a envenenar uma maçã para conseguir se livrar de sua rival. Mas toda história tem dois lados, concordam? 

Em A mais Bela de todas: A história da rainha má, a escritora Serena Valentino destrincha toda a origem dessa personagem antológica das histórias e animações da Disney lidas por crianças de várias gerações.

O livro que faz parte de uma série que conta a história particular dos personagens da Disney com duas metades, em sua maioria vilões, revela uma história desconhecida até então.

Valentino mostra como Rainha Má, madrasta da Branca de neve, era uma pessoa amável antes dos fatos trágicos e tristes que modificaram a sua vida.

No filme, tal como na história original escrita por Walt Disney, a Rainha Má é extremamente fria, cruel e vaidosa, mantendo ainda uma constante obsessão em ser "a mais bela mulher de todas". Eventualmente, a Rainha tem um ciúme doentio por Branca de Neve, sua enteada. Enlouquecida com a ideia de ser superada em sua beleza, a Rainha planeja a morte de Branca de Neve, transformando-se numa velha bruxa para depois... Bem, com certeza, você já conhece o fim da história “Branca de Neve e os sete anões”.

Portanto, se você estiver afim de conhecer a origem da Bruxa Má, o livro de Valentino é a pedida certa.

Livro: A mais Bela de todas: A história da rainha má (Serena Valentino)

08 – Hermione Granger

Hermione Granger ou simplesmente Hermione, foge do estereótipo das bruxas feias e más. J. K. Rowling criou uma bruxinha com um jeito “nerd” e, bonita. Ela apareceu pela primeira vez em Harry Potter e a Pedra Filosofal, como uma nova estudante em direção a Hogwarts. Depois de Harry Pottter e Ron Weasley a salvarem de um troll, torna-se a melhor amiga deles e costuma usar seu raciocínio rápido, lembrança rápida e conhecimento enciclopédico para ajudar em situações terríveis. A personagem dos livros e filmes da saga Harry Potter se tornou imensamente popular.

Hermione é muito, mas muito inteligente. Quer uma prova? Nos livros de Rowling, o professor de magia Remo Lupin disse a ela o seguinte: “Das bruxas de sua idade, você é a mais inteligente”. É mole?! E não seria a última vez que a garota ouviria algo do gênero. Após o fim da saga Harry Potter, a menina conseguiu fazer jus a todo o seu potencial, tendo chegado até mesmo a assumir o cargo de ministra da magia em 2019.

Por todas essas virtudes, Hermione Granger merece, e muito, fazer parte dessa top list.

Livros: Saga “Harry Pottrer” – “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, “Harry Potter e aCâmara Secreta”, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, “Harry Potter e oCálice de Fogo”, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, “Harry Potter e o Enigma doPríncipe”, “Harry Potter e as Relíquias da Morte" (J.K. Rowling)

09 – Bruxa Onilda

A bruxinha mal-humorada de 700 anos e sua fiel companheira, uma corujinha roxa, surgiram pela primeira vez em 1985 em uma coleção de livros infantis denominada As Trigêmeas. Nas obras, Onilda trabalha como babá de três irmãs bagunceiras, que têm como hábito a irritante mania de pregar peças na bruxinha.

Como lição, Onilda as envia para contos clássicos da literatura (como Frankenstein e O fantasma da ópera), onde as irmãs aprendem valiosas lições de comportamento.

Após o estrondoso sucesso da personagem, Bruxa Onilda ganhou sua própria coleção de livros e hoje conta com 18 títulos publicados no Brasil, além de ter sido traduzida para mais de 30 países.

A famosa bruxinha que encantou gerações de leitores e leitoras ao longo de anos, agora, está de volta nesse novo livro para encantar as crianças de hoje.

Em As Memórias da Bruxa Onilda de Enric Larreula vamos conhecer mais a fundo essa bruxinha sapeca, e por ela mesma. Desde criança, Onilda apronta poucas e boas. Ela estava sempre atenta às magias de sua mãe e por isso acabou aprendendo cedo como utilizar seus poderes. Em seu primeiro aniversário, ela ganhou um bolo e um grande ovo, de onde saiu a coruja Olhona, que virou sua grande amiga e companheira de muitas aventuras.

Livro: As Memórias da Bruxa Onilda (Enric Larreula)

10 – Tituba, A Bruxa Negra de Salém

Durante o século 17, depois que as filhas de um conhecido reverendo naquela época chamado Samuel Parris disseram estar sendo mordidas, beliscadas e picadas por seres invisíveis, um enorme movimento de Caça às Bruxas começou em Salem. Mais de 300 pessoas foram investigadas e acusadas de bruxaria na Massachusetts da época — 19 delas foram condenadas à forca.

A maioria das pessoas julgadas era composta por mulheres, muitas vezes por terem poucos filhos, ou muitos filhos, ou por serem pobres, ou por serem ricas demais. De jovens que moravam nas ruas até mães de sete crianças, diversas mulheres foram levadas ao tribunal, acusadas de praticar feitiços. Uma delas — entre as três primeiras acusadas — foi Tituba, a “Bruxa negra de Salem”, como ficou conhecida depois.

De acordo com o site “Aventuras na História”, O nome de Tituba foi diretamente ligado aos testemunhos das filhas do Reverendo, porque, na época, ela havia sido vendida de Barbados para ser escrava na residência do homem. Tituba vivia em contato com as meninas e era negra — o que a tornava um alvo fácil. Para alguns, foi ela quem começou a espalhar a bruxaria por Salem, ensinando feitiços e rituais às mulheres e meninas do vilarejo.

Agora, Tituba, essa mulher do século XVII, renasce, três séculos depois. Torna-se outra vez real, pelas mãos da premiada escritora Maryse Condé, vencedora do New Academy Prize 2018 (Prêmio Nobel Alternativo) no livro Eu, Tituba, A Bruxa Negra de Salém.

No livro de Condé, essa personagem fascinante, é retirada do silêncio a que a historiografia lhe destinou. Filha de uma mulher negra escravizada, viveu cedo o terror de ver a mãe assassinada por se defender do estupro de um homem branco e de saber que o pai se matou por causa do mesmo homem branco. Cresceu sob os cuidados de uma mulher que tinha o poder da cura e que a iniciou nos mistérios. Adulta, apaixonou-se por John Indien e abdicou, por ele, da própria liberdade. Uma história de força, coragem e superação.

Livro Eu, Tituba, A Bruxa Negra de Salém.

Taí galera, espero que tenham se interessado pela história de algumas dessas “bruxas”. Fiquem a vontade para conhece-las mais a fundo através das sugestões literárias indicadas nesse post.

Inté!

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