14 janeiro 2013

Dois lançamentos que prometem agitar 2013: O terceiro diário de Bridget Jones e o novo livro do autor de O Caçador de Pipas



Não seria exagero de minha parte se afirmasse que um dos momentos mais marcantes da  minha vida de leitor inveterado foi o dia em que li o livro “O Caçador de Pipas”, do escritor e médico afegão Khaled Hosseini. Seguramente, uma das melhores histórias que li em toda a minha vida. Me emocionei pra caramba, mas prá caramba mesmo! Me respondam uma coisinha: É vergonha um homem chorar enquanto lê um romance? Se for, então eu paguei o maior mico, porque me debulhei em lágrimas. Aliás, quem não se emocionar com a história de Amir e Hassan é porque tem o coração de pedra, ou melhor, não tem coração.
Bem, do outro lado da ponta de “O Caçador de Pipas”, mas com o mesmo peso do livro de Hosseini, está “O Diário de Bridget Jones”. Outra jóia rara que li. Quando digo escrevo “do outro lado da ponta” estou me referindo ao contexto da história e não a sua importância. Enquanto “O Caçador de Pipas” tem um enredo dramático; “O Diário de Bridget Jones” possui um clima leve, bem teen, mas nem por isso, menos importante.
O 3º diário de Bridget Jones deve ser lançado no Brasil em outubro de 2013
O livro de Helen Fielding me ajudou muito num período de minha vida em que eu precisava desestressar. Estava entupido de reportagens e pautas ‘pesadas’: homicídios violentos, misérias sociais, rebeliões e isso e mais aquilo. E como não bastassem esses temas “atrativos” direcionados pelo meu editor, naquela época, a minha vida particular estava um pouco que, digamos, às avessas, com problemas de saúde em família, conflitos no emprego, etc. E somando tudo isso, já viu o que dá né? Mas aí, você me pergunta, o que o primeiro livro de Bridget Jones tem a ver com tudo isso? A resposta é simples. “É uma leitura leve e engraçada”. Tão leve e engraçada que aprendi a chamar a obra de Fielding de gargalhante. A personagem Bridget Jones trata os seus problemas e neuras de uma maneira hilária, por isso aprendi muito com ela.
E antes que os leitores metidos à machões comecem a dar aquele sorriso torto com o canto da boca, murmurando: “Esse cara é cuecão de coooouro!!” Eu digo que “O Diário de Bridget Jones” é uma leitura ‘unisex’ que serve para ambos os sexos.
Por esses detalhes, considero “O Caçador de Pipas” e “O Diário de Bridget Jones”, dois livros especiais em minha vida. Então, adivinhem qual foi a minha reação quando fiquei sabendo que Hosseini e Fielding iriam lançar novos livros? Nem preciso dizer, não é?
O novo romance do médico afegão que um dia decidiu se enveredar pelos caminhos da literatura – com muito sucesso, diga-se de passagem – vai se chamar And The Mountains Echoed (algo como "E As Montanhas Fizeram Eco", em tradução livre). A obra deverá ser lançada pela Globo Livros que também republicará, brevemente – “O Caçador de Pipas”. Vale lembrar que os títulos do autor vinham sendo editados pela Nova Fronteira que agora “passa” a batuta ou “perde” a batuta, sei lá o que houve nos bastidores editoriais, para a Globo Livros.
Como ocorre com o terceiro livro da personagem Bridghet Jones – que se nada for alterado, deverá ser lançado aqui no Brasil pela Record – a editora Globo deu ínfimos detalhes sobre a nova história de Hosseini. O que se sabe – e da boca do próprio autor – é que o enredo se centrará numa saga familiar. Pinçando um pouco aqui e ali, deu para descobrir que será uma história sobre várias gerações de uma família, girando em torno de irmãos e irmãs; das maneiras com que amam, machucam , traem, honram e sacrificam-se uns pelos outros.
Escritor e médico afegão Khaled Hosseini
A previsão de lançamento no Brasil de And The Mountais Echoed é para o primeiro semestre deste ano. Isto significa que até junho próximo ou quem sabe antes, poderemos encontrar em qualquer livraria a nova promessa de sucesso literário de Hosseini.
Já o terceiro livre de Bridget Jones vai demorar um pouco mais para chegar em terras tupiniquins. Se o cronograma dos editores não sofrerem nenhum furo, a obra de Fielding estará aterrissando nas livrarias brasileiras somente em outubro de 2013. Mas antes de ficar emburrada com o atraso, pense de uma maneira positiva, ou seja, mais importante do que o atraso é a confirmação de que a obra chegará bem traduzidinha por aqui.
A autora inglesa disse em entrevista para rádio BBC que o livro irá explorar "uma etapa diferente da vida de Bridget" e que a história será desenvolvida em Londres.  A famosa solteira revelará a sua obsessão  por seus seguidores no Twitter. Isso fará com que Bridget consulte, com exagerada freqüência,  aquela rede social  para verificar se o número de seguidores aumentou ou não e também o que estão ‘twittando’ sobre ela.  Por sua vez, o  tabaco,  o álcool e as calorias ingeridas continuarão  sendo as causas das maiores preocupações da protagonista. Fielding disse que Bridget Jones seguirá tentando deixar a bebida, o tabaco e continuará  com a dieta.
A escritora não revelou o título do novo livro e nem ao menos comentou se os personagens Mark Darcy e Daniel Cleaver, os dois homens com os quais Bridget tentou encontrar o amor nos livros anteriores, aparecerão nessa nova fase da protagonista. Revelou apenas que “alguns personagens permanecerão e outros desaparecerão.
Bem galera, agora só resta contar nos dedos a chegada de outubro para curtir a terceira sequência do hilariante diário de Bridget Jones. Quanto ao novo livro de Hosseini, acredito que a espera será bem menor. Já nesse primeiro semestre poderemos nos deliciar com E As Montanhas Fizeram Eco.

10 janeiro 2013

A Queda (Trilogia da Escuridão - Volume II)


Posso fazer uma pergunta ‘na lata’ prá você? Promete que, também, vai me responder ‘na lata’, sem parar prá pensar? OK, lá vai. “Qual foi o trecho do livro O Exorcista que mais lhe perturbou?”
Pêra aí um pouquinho; vou refazer a pergunta: “Qual foi o trecho mais perturbador do livro O Exorcista que após décadas ainda não saiu de sua cabeça provocando horrendos calafrios toda vez que se lembra da maldita passagem, impedindo-lhe que chegue perto, novamente, da obra de  Willian Peter Blatty?”
Me desculpem pela pergunta comprida, mal feita e um pouco sem nexo, mas foi a única forma que encontrei para expressar aos leitores o meu pavor com relação ao trecho em que a Regan começa... é... bem...putz!! Lá vai eu rebuscar essa ‘terrível’ lembrança nas profundezas mais recônditas da minha memória!! Olha só o que esse post sobre “A Queda”, do Del Toro e do Hogan me fez!! Mas já que comecei, não vou voltar atrás para ficar rotulado de ‘covardon’,  mas não posso negar que já tinha enterrado aquela visão horrível da Reagan possuída, toda encurvada para atrás, encostando as duas mãos no chão e descendo a escadaria de seu quarto igualzinha a uma aranha gigante. Logo em seguida, esse ser demoníaco parava atrás de um cara que conversava com a sua mãe e ficava olhando para o sujeito com aquela expressão bizarra no rosto.. Arghhhh!! PQP! O trecho do livro de Blatty é tão medonho e intimidador que rendeu uma cena horripilante no cinema. Tão horripilante que chegou a ser cortada pelo diretor do filme em sua versão que passou nos cinemas em 1973.
Tudo bem que para algumas pessoas, a cena em que a garota vira a cabeça sobre o tronco, num ângulo de 360 graus, dando uma volta completa, tenha sido a mais impressionante, mas para o blogueiro aqui, a “Regan-Aranha” foi a pior (no bom ou no mau sentido, sei lá).
Pois é, e quando pensei que estava livre desse meu medo interior, eis que chegam as crianças vampiras, conhecidas como “tateadoras”, do livro “A Queda”, o segundo que integra a chamada “Trilogia da Escuridão”. Podem acreditar, esses personagens bizarros chegam a superar a “Regan-Aranha” em várias cenas do romance de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan. Elas são horríveis, maléficas, algo que realmente impressiona o leitor. E quando digo impressiona, estou querendo dizer que impressiona mesmo!
As tateadoras são crianças cegas transformadas em vampiros pelo mestre e com uma percepção infinitamente sensível dos outros sentidos em substituição a visão. Elas não caminham normalmente, mas sobre “quatro pés” como se fossem aranhas humanas. São totalmente desfiguradas, com uma imagem assustadora, bem mais do que os vampiros adultos. Se movem de maneira estranha, todas desengonçadas, mas são rápidas e ágeis. Cara! O que deixa o leitor com aquele mal estar é a maneira como Del Toro e Hogan descrevem a movimentação desses seres demoníacos. A forma como elas mexem a cabeça vagarosamente de um lado para o outro, farejando a sua presa, lembra muito a cena do velociraptor no filme do Spielberg, “O Parque dos Dinossauros”, quando o dino invade cozinha da casa de controle do parque em busca daquele menino que se esconde dentro de um armário. As tateadoras da “Trilogia da Escuridão” não estão muito longe disso.
As crianças vampiras fazem o papel de “cães farejadores e caçadores” dos vampiros que as soltam para localizarem e atacarem os humanos fugitivos. Os melhores momentos do livro são os confrontos entre as tateadoras e os membros da resistência, com ênfase para a luta com a bióloga Nora que acontece num túnel subterrâneo do metrô, dezenas de metros abaixo do rio Hudson que corta Nova York, além do ‘pega prá capar’ antológico com um grupo de caçadores humanos que saem a procura do professor Setrakian para tentar salvá-lo de um momento crítico. Esta batalha acontece na casa do velho professor que acaba sendo destruída e lançada para os ares.
Mas “A Queda” não resume apenas as chamadas “crianças-aranhas” ou “crianças-vampiras”. O livro vai muito além disso. Aliás, considero o segundo volume da “Trilogia da Escuridão” uma ‘obra de amarra’. Escrevo isso, porque Del Toro e Hogan usaram o enredo para amarrar alguns fios - envolvendo personagens importantes – que acabaram ficando soltos em “Noturno”.
E agora cuidado com alguns pequenos spoilers. Se você ainda pretende ler “Noturno”, aconselho que pare por aqui. O primeiro fio que os autores amarram em “A Queda” diz respeito a Kelly, ex-esposa do Dr. Ephrain Goodweather, que após ser transformada em vampira pelo mestre inicia uma caçada desesperada por seu filho. Em “A Queda” você fica sabendo o motivo desse desejo alucinado da mãe de Zack, hoje uma perigosa vampira à serviço do mestre. Através de Kelly, você passa a entender também o comportamento social dos demais vampiros e o que faz com que eles voltem sempre à procura dos seus entes queridos após serem transformados.
O segredo do coração de um vampiro que o professor Abraham Setrakian traz guardado em um recipiente e que alimenta com o seu próprio sangue todos os dias, também tem a sua origem revelada. O misterioso “coração vampiro” é a porta de entrada para os autores explicarem os motivos que levaram Setrakian a se tornar um obsessivo caçador dessas criaturas malignas.
No capítulo final de “Noturno”, o destino do personagem Gus, membro de uma gangue mexicana, que acaba sendo capturado pelos caçadores dos três vampiros antigos, não é totalmente esclarecida. A final de contas o que aquelas criaturas que se opõem ao plano do Mestre de conquistar o mundo queriam com Gus? Em “A Queda”, Del Toro mata a curiosidade dos leitores de uma forma completa com relação a situação de Gus.
E assim vai, um festival de ‘amarrações de fios’ que nem por isso torna o livro maçante, ao contrário, acho que ele fica mais interessante ainda, porque matamos a curiosidade com relação ao destino de muitos personagens importantes.
Sei que nesse momento, alguns internautas já devem estar bradando: - “Pô! Mas e a ação onde é que fica?!” Pessoal, podem ficar tranqüilos que “A Queda”, apesar de em menor quantidade do que Noturno, não nega fogo no quesito ação. Como já disse o embate entre Nora e as tateadoras   comandadas por Kelly nos túneis do metrô é de tirar o fôlego. A fuga de Zack que tenta desesperadamente fugir das ‘crianças-aranhas’; o roubo do do Occido Lumen pela resistência, um livro secreto e amaldiçoado que guarda o segredo de como destruir o mestre e consequentemente livrar a terra do vírus vampírico; a caçada empreendida por Vasily nos túneis de Nova York, onde pretende instalar uma bomba para matar milhares de vampiros. Aqui, vale uma ressalva, porque esse momento é ao mesmo tempo cômico e trágico e tudo por culpa de um mendigo que vive há anos nos túneis do metrô. O trecho vale e muito!
“A Queda” termina com aquele gostinho de ‘quero mais’. Posso dizer que sou feliz por poder, logo ao término de A Queda, engatar a leitura de “Noite Eterna”. A ansiedade em saber como termina a saga de Eph, Nora, Zack, Vasily e cia é ... digamos que sufocante. Isso mesmo, sufocante!
E olha que não tenho o hábito de ler uma trilogia sequencialmente. “Noturno” e “A Queda” conseguiram mudar essa mania do ‘menino’ aqui.
Inté!

04 janeiro 2013

O Homem Terminal




Os livros de Michael Crichton sempre mexeram comigo; quero dizer, sempre me impressionaram... me encucaram. Após a leitura ficava pensando naqueles lances de nanotecnologia, micro-robôs capazes de entrar na corrente sanguínea e alterar todo funcionamento do nosso organismo; viagens no tempo, principalmente para o período medieval; bactérias oriundas de satélites que caíam na terra, capazes de dizimar toda a população e tecnologia suficiente para trazer perigosos animais pré-históricos de volta ao nosso século.
E para piorar ainda mais esse ‘encucamento’, Crichton apresentava argumentos científicos capazes de sustentar o seu enredo fantástico. Foi assim com aqueles nano-robôs assassinos de “Presa” que invadiam, sem pedir licença, qualquer orifício do corpo da vítima. Foi assim com aquele vírus letal de O Enigma de Andrômeda que chacinou todos os moradores de uma pequena cidade americana. E foi assim, também, com aquela experiência médica que abriu a cabeça de um sujeito para implantar eletrodos em seu cérebro com o objetivo de evitar que ele saísse por aí matando outras pessoas.
Fiquei impressionado com O Homem Terminal, logo no início dos anos 70, quando estava começando a curtir a minha adolescência. Tinha acabado de chegar em casa com os meus pais após uma viagem, acho que acabei ligando a TV, por acaso, e tava lá! O tal do filme baseado no livro de Crichton e que me impressionou pacas!
Ao final da exibição, mesmo sendo ainda um pirralho, refleti que o drama do personagem central que passou por aquela terrível experiência poderia acontecer com qualquer pessoa, inclusive... comigo!!
O cara teve um acidente de carro, bateu a cabeça, sofreu uma pane mental do tipo que desliga um botãozinho que inibe certas atitudes más e a partir daí passa a sofrer lapsos de memória. O problema é que durante esses lapsos, ele perde completamente a inibição contra atos violentos e assume uma postura agressiva, se tornando um perigoso homicida. E tudo culpa dessa lesão cerebral. Pode?! Os argumentos do autor impressionam tanto que até o nome da lesão: Lesão Desinibitória Aguda (LDA) sôa como algo verdadeiro.
Cara, fiquei tão impressionado com o filme que mesmo depois de décadas, ele ainda não saía da minha cabeça. Foi, então que decidi ler a obra de Crichton. Isso aconteceu há pouco tempo atrás e posso garantir que, voltei a ficar encucado. Logo no início do livro, o autor explica que no Japão em 1965 foi realizada um tipo de cirurgia semelhante em 98 pacientes com comportamento violento.
Não há como negar, os argumentos científicos apresentados durante o enredo são muito fortes e ao mesmo tempo que convencem também impressionam o leitor.
Em O Homem Terminal, Crichton narra o drama de Harry Benson, um cientista de computação especializado em vida artificial e que após um traumatismo craniano causado por um acidente, descobre ser portador de LDA – Lesão Desinibitória Aguda – uma espécie de lesão cerebral que o faz sofrer terríveis crises nas quais perde completamente a inibição contra atos violentos e assume uma personalidade agressiva, cometendo crimes dos quais nada lembra ao término da crise.
Por suas atitudes estranhas e por seus delírios, amigos o aconselham a procurar um especialista. É assim que Benson chega à Unidade de Pesquisa Neuropsiquiátrica do Hospital Universitário de Los Angeles e torna-se paciente da Drª Janet Ross. A equipe de cirurgiões, liderada por um gênio da neurocirurgia, transforma Benson na principal cobaia do projeto desenvolvido pelo hospital.
Na tentativa de curar a lesão, o paciente é submetido a uma cirurgia única e inacreditável, onde tudo pode certo ou ficar pior do que já está.
Se você está à procura de um livro de ação com corre-corre entre personagens fuja de O Homem Terminal, e leia Presa – também de Crichton – que certamente cairá melhor para o seu estilo; mas se o que deseja é uma obra tensa; um teste para os seus nervos, corra até uma livraria ou sebo e adquira já esse livro escrito em 1972 por Crichton, ainda no início de sua carreira como escritor.

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