O Enigma de Andrômeda


Sou suspeito para falar dos livros de Michael Crichton. Aliás, muito suspeito já que me tornei um grande fã do cara. Tão fã que fiquei muito acabrunhado no dia em que ele morreu: 04 de novembro de 2008.  – Putz, adeus grandes enredos e grandes personagens – lamentei naquela época.
Se Crichton estivesse vivo – hoje, teria 76 anos de idade -  com certeza ele estaria produzindo grandes clássicos como esse que hoje escolhi para postar no blog.
“O Enigma de Andrômeda”, escrito em 1969, é um grande livro. Daqueles que fazem o leitor entrar nas páginas e viver a história junto com os personagens, como se estivesse ao lado deles.
No enredo de Crichton, um satélite dos Estados Unidos cai numa pequena cidade e uma bactéria fatal e desconhecida começa a matar a população. Misteriosamente apenas um bebê e um bêbado conseguem sobreviver. Uma equipe de quatro cientistas é convocada para estudar as causas da morte. A partir daí, eles passam a correr contra o tempo tentando encontrar uma solução para o enigma e assim salvar a humanidade. A pergunta raiz da questão é a seguinte: “o que defendeu o bebê e o bêbado da ação da bactéria  mortal que se apossou do satélite e dizimou todos os habitantes da cidade?
Este enredo seria um prato cheio para escrever uma história parecida com uma montanha russa com os cientistas correndo desesperadamente atrás da resposta. Como pano de fundo, teríamos uma conspiração tramada pelo governo o que acrescentaria ainda mais agito e correria no enredo. Não. Esqueça toda essa loucura desenfreada. 

“O Enigma de Andrômeda” não tem epidemias, catástrofes e correrias. Crichton escreve de uma de tal maneira que faz com que o leitor se sinta parte da equipe de cientistas, como se ele estivesse ali, ao lado dos quatro pesquisadores, também descobrindo detalhes importantes que podem ajudar na investigação do fato. Cada descoberta é minuciosamente explicada aos leitores como se corpo científico estivesse falando conosco.
Por todas essas características, o livro cria uma cumplicidade impar com os leitores, como se os convidasse a ajudar os pesquisadores em suas descobertas.
Outro detalhe que chama a atenção são os questionamentos lançados pelo autor, como: “O que é a vida?” Por que a inteligência humana deveria ser considerada uma vantagem evolutiva?” “Uma pedra não pode ser algo vivo?”. Os debates sobre esses questionamentos vão evoluindo e se aprofundando com o desenrolar da trama, fazendo com que o leitor passe a refletir sobre essas dúvidas.
Enfim, um livraço com leitura obrigatória.


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