01 agosto 2026
As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro
Dependendo do ponto de vista de cada leitor, existem
livros quentes, mornos e frios. Na minha concepção, “As
Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro” tem um enredo morno que, em
muitos momentos, não chegou a me empolgar ou ao menos despertar o meu
interesse. Se teve passagens boas? Sim, claro. Prova disso foi a postagem que
escrevi em junho de 2026, logo que comecei a ler a obra. Aqueles que viram o post
perceberam que, após os dois primeiros capítulos, a leitura havia engatado, mas
depois o meu nível de atenção caiu para a primeira marcha. Confesso que meu
foco na história sofreu muitas variações: ora ficava interessado, ora esse
interesse caía lá no chão.
A culpa dessas oscilações é do enredo, que às vezes é
fluido e, em outras, frio. Ele se torna frio quando a autora interrompe trechos
interessantes com outros cansativos, tais como diálogos enfadonhos entre os
personagens e longas explicações sobre a origem, os costumes e o dia a dia da
tradicional família Ribeiro de Castro. Um desses momentos acontece quando os
primos de Cristina se encontram pela primeira vez na casa da avó — um encontro
recheado de diálogos monótonos e insípidos.
As interações entre Cristina e uma entidade
sobrenatural, que ocorrem várias vezes no decorrer da história, também não
causam um grande impacto. Não estou dizendo que esses encontros deveriam ser
puramente fantásticos, mas ao menos deveriam ter um tom um pouco mais
sobrenatural — algo que só acontece em duas ou três linhas no final do livro.
Entendo que a autora tenha optado por humanizar a entidade, mas acredito que,
ao fazer isso de forma quase completa, perdeu-se a aura de impacto nos
leitores.
O mesmo não aconteceu com outra entidade muito
conhecida do folclore brasileiro que também aparece na história. Neste caso, a
autora foi muito feliz ao criar um personagem que equilibra na medida certa o
sobrenatural e a realidade. Aliás, a reviravolta no enredo (plot) que
marcou o encontro desse ser folclórico com o padre da cidade, na porta da
igreja, foi fantástica. Como eu já conhecia a origem da lenda dessa
“assombração”, acabei adivinhando de cara qual seria a reviravolta. Apesar
disso, achei o trecho muito bem escrito.
As inúmeras descrições da rotina dos trabalhadores e
das pessoas que frequentam uma tradicional festa folclórica na pequena cidade
de São Pedro da Serra Alta também contribuíram para deixar a leitura cansativa.
Mas é evidente que a obra também tem momentos bons,
que despertaram bastante o meu interesse. O início, por exemplo, já começa
acelerado quando a avó da personagem principal pede que ela e a irmã jamais
pensem em sair de casa na primeira noite da festa folclórica da cidade. Quando
a neta caçula desobedece e sai, a avó fica desesperada e pede para Cristina
encontrar a irmã e trazê-la imediatamente de volta para a segurança do lar.
Pimba! Logo nas primeiras páginas, Laura Pohl consegue fisgar a atenção do
leitor.
Outras passagens que mantêm a leitura em quinta marcha
são as três tarefas que Cristina deve cumprir para salvar sua irmã caçula. A
última delas reserva uma reviravolta (plot twist) que me surpreendeu bastante.
Juro que não esperava por aquilo. Leiam o que está escrito no sino da igreja e
depois me digam se concordam comigo!
Portanto, em minha opinião, se não fossem os diversos
trechos e diálogos desinteressantes que quebram o ritmo da história — além da
falta de uma “pitada” a mais na composição da entidade sobrenatural que divide
o protagonismo com Cristina —, certamente eu teria gostado muito mais do
enredo.
Acredito que, por focar bastante em desenvolvimento
pessoal, espiritualidade e autoconhecimento, a narrativa de “As Três Tarefas
de Cristina Ribeiro de Castro” ganha um ritmo mais lento em alguns trechos.
Outro detalhe que contribui para isso é o foco nos diálogos familiares e nos
dilemas da protagonista antes das provas sobrenaturais.
É isso, galera! Leiam e depois me digam o que acharam.
Até mais!
08 julho 2026
6 livros de terror de autores brasileiros para serem lidos neste segundo semestre de 2026: Devorei todos eles
Sou um grande fã da literatura de terror — mas fã
mesmo! Por isso, quando percebo que o gênero está crescendo cada vez mais no
Brasil com o surgimento de novos autores, fico mais feliz ainda. Além desse
“boom” que nos trouxe César Bravo, Douglas Lobo e Marcos DeBrito, entre outros,
o engajamento de novos leitores que estão aderindo ao gênero também me deixa
animado. Consigo notar esse engajamento nos comentários sobre as obras desses
autores nas redes sociais. Percebo que cada vez mais pessoas que não liam
autores nacionais, ou que não tinham a literatura de terror como preferida,
agora estão mudando de opinião.
Hoje, enquanto tomava café da manhã com a Lulu,
revelei que pretendia escrever uma postagem indicando alguns livros de terror
que havia lido e gostado. Então, ela me questionou, perguntando quantos livros
de terror de autores nacionais eu já havia lido. Pronto! Novamente, a Lulu me
salvou (rs).
— Li vários deles e gostei da maioria. Brigado,
amor da minha vida!!!
Galera, taí como surgiu este post que você está
lendo neste momento. Portanto, se gostarem do conteúdo, agradeçam primeiramente
à Lulu (rs).
Neste espaço, vou indicar seis obras de terror de
autores nacionais que li e gostei bastante. Algumas me incomodaram, outras me
arrepiaram, teve ainda aquelas que me tiraram o sono... e por aí vai. Espero
que essa lista sirva para introduzir, dentro do contexto da literatura de
terror nacional, aqueles leitores que apreciam o gênero, mas ainda não tiveram
a oportunidade de “devorar” a narrativa de um autor brasileiro. Pois é... vocês
não sabem o que estão perdendo!
01 – Terra
Amaldiçoada (Douglas Lobo)
Abro a nossa lista com o livro desse romancista e
jornalista do Piauí, conhecido por escrever histórias sombrias que transitam
entre os gêneros de terror e sobrenatural. Douglas Lobo consolidou sua carreira
literária escrevendo tramas que misturam tensão psicológica, terror e elementos
da realidade rural brasileira.
Sua obra de estreia foi Terra
Amaldiçoada, publicada originalmente em 2015 de maneira
independente. Mesmo não contando com o apoio de uma editora, o livro explodiu
em vendas e ganhou muitos elogios nas diversas plataformas literárias,
incluindo a Amazon.
Li o livro, amei e resenhei. Confiram aqui! Lobo
escreveu um drama rural com pitadas místicas e de terror que fisga a atenção do
leitor. Considerado um de seus maiores sucessos, este terror psicológico
acompanha Fabrício, um homem que perde o emprego em São Paulo e retorna ao
interior do Piauí. Lá, ele se depara com assassinatos brutais e lendas urbanas
que se misturam com a política local e tradições familiares sombrias.
Diferente do terror tradicional, a obra utiliza o
sertão piauiense e a cultura local como um cenário sombrio. Por trás do horror
sobrenatural, o livro toca em assuntos profundos como preconceito, disputas
agrárias e a ganância das elites. Terra Amaldiçoada
explora raízes folclóricas brasileiras e o conceito de lobisomem, mostrando a
entidade como um guardião sanguinário e furioso da natureza. O livro é
frequentemente elogiado pelo plot twist final
surpreendente. Enfim, recomendo muito!
02 – VHS:
Verdadeiras Histórias de Sangue (César Bravo)
Escrever o que de César Bravo? Basta dizer que o
cara é fera e um dos principais nomes do time de autores da DarkSide, uma das
editoras mais famosas e respeitadas do Brasil. Seu livro VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue é fodástico!
Costumo escrever em minhas resenhas que, para ler as obras do César Bravo, o
leitor tem que desarmar todos os seus gatilhos e se despir de alguns
paradigmas; caso contrário, vai ficar difícil.
A linguagem sem meias palavras, somada às
situações-limite vividas pelos seus personagens, mexe com o psicológico. Os
textos são "trucões", já que dão ênfase ao lado obscuro da psique
humana, onde muitas vezes está arraigada toda a maldade das pessoas.
Estas características podem ser constatadas em
todas as suas obras, incluindo a duologia VHS: Verdadeiras Histórias de
Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D (tem
resenha aqui e também aqui). Gostei muito dos dois livros, que exploram o universo da
fictícia cidade de Três Rios, criada pelo autor. VHS foi o que mais
me agradou. O livro é escrito no formato de contos — são 18 histórias curtas —
com base em registros orais, casos sinistros e uma porção de detalhes que
rodeiam a vida dos moradores de Três Rios. As histórias giram em torno de
mandingas macabras, crimes brutais, animais soturnos, notícias de jornais e
anúncios que compõem o imaginário de um local esquecido pelo tempo.
A impressão que temos é de que algumas dessas
histórias realmente ocorreram na vida daqueles moradores. O estilo narrativo de
Bravo — que inclui muitos diálogos — contribui para fisgar o leitor.
03 – A Sombra da
Lua: O Mistério de Vila Socorro (Marcos DeBrito)
Cara, que livro! Esqueça aquelas histórias
caricaturais de lobisomens. Nada a ver. O livro que marcou a estreia no terror
do diretor, roteirista e escritor brasileiro Marcos DeBrito tem outra vibe. A Sombra da Lua: O Mistério de Vila Socorro traz uma
abordagem visceral, tétrica e, acima de tudo, madura sobre o clássico mito do
lobisomem ambientado no interior do Brasil.
A trama acompanha uma série de assassinatos brutais
e misteriosos cometidos por uma criatura selvagem e inclassificável. A
narrativa se desenrola na fictícia e isolada Vila Socorro, no interior de São
Paulo, e é contada em duas linhas temporais.
Como expliquei na resenha do livro, DeBrito mostra
a chegada de Bastiano e Clemenzia Cesari, imigrantes italianos que tentam
construir uma nova vida como pequenos agricultores. É neste período que as
sementes do mistério e da maldição são plantadas.
A espinha dorsal do enredo é focada no proibido e
intenso romance entre Alana e Álvaro, enquanto a vila é assolada pelo pânico
dos ataques sanguinários da besta durante os ciclos lunares. O livro usa o
terror da criatura como um pretexto para explorar a psicologia humana, expondo
os segredos obscuros, preconceitos, paixões e o verdadeiro "eu" dos
moradores diante do medo extremo. Recomendo muito!
04 – A Corrente - Passe Adiante (Estevão Ribeiro)
O livro de Estevão Ribeiro fala de um hacker chamado Roberto Morate que, ao repassar um
e-mail recebido de uma garota desconhecida, descobre que salvou a vida dela,
mas, por outro lado, condenou a sua própria alma e a de todos que receberam a
corrente.
Explicando melhor: num belo dia, Roberto, que tem
como profissão roubar senhas bancárias de incautos internautas, recebe um
e-mail misterioso de uma garota que diz ter morrido. Algo do tipo: “Passe esse e-mail para outras sete pessoas e você terá muita sorte.
Nem pense em mandar essa mensagem para a lixeira. Se você apagá-la, em 48 horas
eu irei atrás de você, onde estiver...”
Ok, se coloque no lugar de Roberto: o que você
faria? Apagaria a mensagem? Tudo bem. Vamos supor que você excluísse a corrente
para a lixeira e, imediatamente, ouvisse o sinal do seu computador lhe avisando
da chegada de uma nova mensagem. Neste momento, você até já se esqueceu do
suposto “trote virtual”, então a nova mensagem chega ‘rasgando’: “Eu não lhe avisei para não jogar a mensagem na lixeira?! Vou lhe
dar uma nova chance de viver. Repasse, agora, essa corrente para outras sete
pessoas, senão irei atrás de você!! Vai querer contrariar a vontade de uma
morta?”
Ehehehe.... Pergunto-lhe novamente: o que faria?
Mandaria a mensagem, mais uma vez, para a lixeira ou a enviaria para os
endereços de sete amigos virtuais?
Cara, esse foi o drama do Roberto. Mesmo pensando,
ainda, se tratar de algum trote, aquele friozinho na base da espinha o alertou
de que seria melhor ‘despachar’ a corrente. E foi o que fez.
É a partir desse ponto que a vilã Bruna começa a
aprontar na história, provocando um festival de calafrios nos leitores. A
personagem criada por Estevão Ribeiro é muito parecida com a Samara do filme “O
Chamado” — aquela menina que sai rastejando, como se fosse uma aranha, de
dentro de um televisor, como expliquei neste post onde dou a minha opiniãosobre “A Corrente”. Mas tem um detalhe: achei a Bruna muito mais assustadora e
sinistra do que a própria Samara. Preciso escrever mais?
05 – Contos
Macabros: 13 Histórias Sinistras da Literatura Brasileira (Vários Autores)
O livro Contos Macabros: 13 Histórias
Sinistras da Literatura Brasileira é uma coletânea pioneira de
terror e suspense psicológico organizada pelo professor e doutor Lainister de
Oliveira Esteves. Publicada originalmente em 2010 pela editora Escrita Fina, a
obra reúne textos sombrios produzidos por grandes mestres da nossa literatura
entre o final do século XIX e o início do século XX.
As 13 histórias são ordenadas cronologicamente e
trazem contos de 9 autores fundamentais, considerados verdadeiros cânones da
literatura brasileira. São eles: Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães,
Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Gonzaga Duque, Lima Barreto, João do Rio,
Humberto de Campos e Thomaz Lopes.
Quando soube que escritores célebres como Machado
de Assis, Aluísio Azevedo, Bernardo Guimarães, entre outras feras da literatura
tupiniquim, decidiram se embrenhar por um terreno pouco explorado em seus
romances tradicionais — a terra do medo —, não pestanejei e comprei logo o
livro.
Fiquei imaginando Bernardo Guimarães, autor de A Escrava Isaura, escrevendo um conto macabro durante
os intervalos da redação do seu famoso melodrama que conquistou o Brasil; ou
então Machado de Assis esquecendo um pouco de Dom Casmurro e
‘atacando’ de Edgar Allan Poe, de quem era um leitor ávido (tanto é que foi o
tradutor do poema O Corvo).
Tinha muita curiosidade para conhecer o lado mais
sombrio desses autores brasileiros famosos. Assim, comprei o livro após descobri-lo
num sebo por um preço bem módico. Resultado final: amei os contos! Em 2019
postei uma resenha sobre a obra (confiram aqui).
06 – Canibais:
Paixão e Morte na Rua do Arvoredo (David Coimbra)
A obra do renomado jornalista e escritor gaúcho
David Coimbra, que faleceu em 2022, mistura múltiplos gêneros literários, entre
os quais o terror, para recontar um dos casos criminais mais famosos e macabros
do Brasil do século XIX.
O pano de fundo é essencialmente aterrorizante. A
trama acompanha crimes reais cometidos pelo casal José Ramos e Catarina Palse,
que assassinavam pessoas para transformar seus corpos em linguiça na Porto
Alegre de 1863.
O caso foi tão macabro, mas tão macabro, que apesar
de ter ocorrido no século XIX, quando Porto Alegre ainda estava engatinhando —
contando com menos de 20 mil habitantes —, nem mesmo a aura de tecnologia
ultramoderna do século XXI conseguiu apagar o crime que intrigou as autoridades
policiais.
Naquele fatídico ano de 1863, a polícia de Porto
Alegre deparou-se com uma cena horripilante: no porão da casa de José Ramos e
Catharina Palse, na Rua do Arvoredo, onde também funcionava o açougue do casal,
estavam enterrados os pedaços de um corpo humano, já em avançado estado de
decomposição. O cadáver havia sido retalhado, com a cabeça e os membros
separados do tronco, e este, por sua vez, repartido em vários pedaços para...
ser transformado em linguiça e... ser vendida aos moradores. Arghhhhhhh!!!
Há uma exploração crua da morbidez, da obsessão e
do canibalismo. A narrativa adota a estrutura de uma investigação criminal e de
um suspense psicológico. Acompanhamos personagens que, aos poucos, descobrem o
segredo nefasto do porão da Rua do Arvoredo. O autor recria detalhadamente o
cenário, os costumes, o vocabulário e o cotidiano da Província de São Pedro
(Rio Grande do Sul) no século XIX.
Portanto, embora os elementos de terror gráfico e
psicológico sustentem a história, a obra de Coimbra se destaca justamente por
transitar entre o horror real, a ficção policial e a comédia de costumes da
época, como expliquei nessa resenha.
Se você aprecia o gênero terror, mas ainda não teve
a oportunidade de ler nenhum autor nacional, faça essa experiência. Escolha um
desses seis livros. Certamente, você irá amar!
21 maio 2026
Em clima de copa do mundo, escritora brasileira lança “Camisa Onze” que une romance e futebol
Copa do Mundo tem todo aquele clima né galera? Quando ‘digo’
“todo aquele clima” estou me referindo aquela aura com o poder de contagiar vários
setores da sociedade e também do comércio. São empresas que planejam “saídas” legais
para dispensar os seus funcionários para que possam acompanhar as partidas da
seleção brasileira. São empresas que aproveitando a mística da competição
preparam promoções especiais visando aumentar a venda de televisores ou artigos
esportivos. São lanchonetes e restaurantes que inventam lanches curiosos com
nomes de seleções ou jogadores da copa.
Pois é, o clima de copa do mundo que vivemos a cada
quatro anos é fodástico, mas um fodástico no bom sentido. E a editora Verus
aproveitando o momento também decidiu entrar nesse clima lançando uma comédia
romântica com dois personagens batizados com nomes que certamente estão
guardados na memória de todos os esportistas brasileiros: Bebeto e Romário.
O livro Camisa
Onze da escritora baiana Vanessa Reis conta a história de Ana Romário e
Bebeto, batizados com nomes de craques, que envolve amizade, autodescoberta, relações
familiares e, claro, futebol. De acordo com o release promocional da editora
Verus, Camisa Onze traz uma narrativa
sobre o amor adormecido pelo tempo e o reencontro de dois jovens de
personalidades totalmente diferentes, mas que são unidos pela paixão de suas
famílias pela Copa.
Vanessa Reis mostra que o futebol sempre esteve
presente na vida de Ana Romário e Bebeto – ela, uma zagueira de temperamento
explosivo; ele, um fisioterapeuta retraído. A história dos dois vai sendo
contada de Copa em Copa, até que um inesperado reencontro evidencia quantos
números onze cabem nas memórias de uma vida inteira.
Depois de anos jogando fora do país, Ana volta ao
Brasil para ficar mais perto da família, na Bahia. A sensação de voltar para
sua casa se mistura com as dúvidas na carreira. ‘Entonce’, surge Bebeto e a
partir daí... só lendo o livro (rs).
Vanessa Reis Nasceu no finalzinho dos aos 80 no interior
da Bahia e sempre esteve próxima à literatura. Como filha de professora, os
livros fizeram parte de seu cotidiano desde pequena, e sua criatividade foi
incentivada não apenas em casa, mas também na escola, onde fazia textos para
feiras culturais e adaptações de peças clássicas.
Ela é conhecida por escrever romances contemporâneos
com forte representatividade PCD (Pessoa com Deficiência). Formada em Serviço
Social, ela tem osteogênese imperfeita (ossos de vidro) e utiliza cadeira de
rodas. Começou a escrever para preencher uma lacuna que sentia como leitora: a
falta de protagonistas com deficiência em histórias de amor.
É também autora do romance de sucesso Interseção também publicado pela editora
Verus.
Taí, uma dica de leitura para a galera que gosta de
futebol e ama uma comédia romântica. Sugestão? Aproveite para ler o livro
enquanto você aguarda os jogos do Brasil nesta copa. Depois você me conta se
gostou do enredo. Combinado? (rs).
23 março 2026
Sete gritos de terror
São sete contos mornos que não “metem” medo e tampouco
causam aquele arrepio na espinha como nos momentos em que lemos histórias do
tipo “trucão pesado”. Podemos classificar Sete
Gritos de Terror de Édson Gabriel Garcia como uma leitura direcionada ao
público infanto-juvenil. São histórias com a mesma pegada de O homem do saco, A loira do banheiro e outras do tipo. Enfim, uma leitura de terror
bem leve. Recomendo para a galera que está aguardando a chegada de algum livro que
comprou e nesse espaço de tempo pretende ler alguma obra com poucas páginas. Sete Gritos de Terror e uma opção já que
tem apenas 103 páginas.
Os contos lembram muito aquelas histórias que ouvíamos
das pessoas mais velhas quando ainda éramos crianças e por isso, o livro tem
uma certa magia, mas repito, não esperem enredos de terror e personagens desenvolvidos.
Segure, também, a expectativa por grandes sustos.
Segundo o autor da obra que nasceu em Nova Granada, pequena
cidade do interior paulista, os contos foram recolhidos da boca do povo. Édson
Gabriel quando garoto, ouviu do povo pobre da região onde nasceu uma série de
histórias de medo e de sustos. As histórias foram recolhidas aos poucos e
guardadas. O autor explica que essas histórias voltaram muito tempo depois,
contadas e recontadas para os filhos, e escritas para serem publicadas.
Confiram um resumo das sete histórias do livro para
que vocês tenham uma noção do que ‘rolam’ nas páginas.
01
– A mais bela noite de Margarida
Uma típica história de fantasma. Um vendedor ambulante
faz parada na oficina de uma pequena cidade do interior após o seu velho Fusca
apresentar problemas mecânicos. Até que as peças cheguem, ele é obrigado a
esperar alguns dias numa pensão. Para “matar” o tempo, ele resolve participar
de um baile no salão de festas da cidade. É neste baile que ele conhece uma
moça chamada Margarida.
Ele fica encantado com a sua beleza e acaba se
apaixonando. No dia seguinte, o rapaz resolve visita-la, entonce... Bem, leiam o
conto antes que eu libere spoiller (rs).
02
– O casal de velhos
Manezinho caminhava sozinho no final da tarde por uma
estrada deserta. Quando viu o tempo escurecer com a aproximação de uma
tempestade, ele resolveu apressar o passo na esperança de encontrar um local onde
pudesse se abrigar. De repente, ele avista uma velha casinha na beira da
estrada e resolve pedir abrigo até que o tempo melhore. Ele é muito bem
recebido por um casal de velhos. Quando ele descobre quem, de fato, são as
pessoas que o receberam, Manezinho solta um dos sete gritos de terror do livro.
Um grito bem alto.
03
- O anel da falecida
Tonico Ramos era um jardineiro que trabalhava na casa
de uma rica e tradicional família. Ele era muito querido pelos proprietários do
imóvel: Gabriel e sua filha, Nica. Tão querido que Nica lhe prometeu todas as
suas joias – que eram muitas – quando ela morresse. As joias ficariam para
Tonico como gratidão pelo seu empenho e fidelidade no trabalho.
Quando Nica “morre”, Tonico decide tomar uma atitude deplorável
que trará sérias consequências provocando o terceiro grito de terror do livro.
04
– O jardim de inverno do Barão
E vamos para o quarto grito de terror. Um enigmático homem
de meia idade que tem o título de Barão se muda para uma pequena cidade e vai
morar num palacete que fica no alto do morro onde há um belo jardim. O homem
esconde um segredo que envolve uma trágica história de amor. Nesta cidade, ele
conhece um comerciante muito convencido e tagarela. A vida desses dois homens
esteve entrelaçada no passado e agora eles voltam a se encontrar. Quando o
segredo que ambos guardam for revelado, um dos dois terá de pagar bem caro.
05
– A aposta
Juca Bagaceira é conhecido em sua cidade como o “homem
sem medo”; aquele que não teme nada. E por ser considerada a pessoa mais
destemida do mundo – como ele próprio diz – vive desafiando os outros. Esta sua
falta de medo valeu até mesmo uma reportagem num grande jornal o que acabou
deixando Juca Bagaceira ainda mais convencido e metido. Então, certo dia
aparece em sua cidade, um homem que o desafia para uma posta. Evidentemente, o
Juca aceita, então... ‘as coisas mudam’ já que ele terá uma surpresa nada
agradável.
06
– Os dentes de Madalena
Um comerciante do interior chamado Edrualdo conhece
uma mulher feia e desgastada pela vida que vai até a sua loja comprar uma
escova de dentes. Quando ela olha para o homem e sorri mostrando os seus belos
dentes, ocorre uma mudança inesperada, algo mágico. Os seus dentes são tão
bonitos, mas tão bonitos que tem o poder de eclipsar a feiura da mulher. A
partir daí, Edrualdo fica obcecado por aqueles dentes e resolve tê-los de
qualquer maneira. Este acaba sendo o seu erro fatal que acaba rendendo o sexto
grito de terror.
07
– A última história
Uma autora de terror e suspense não consegue vender os
seus enredos para as revistas do gênero que sempre acabam recusando, demonstrando
pouco ou nenhum interesse. Quando o dinheiro vai acabando, Suzete fica desesperada,
até que ela recebe uma carta que muda o rumo de sua vida. A carta vem assinada
por uma pessoa que diz ser leitor e admirador de suas histórias na época em que
elas eram publicadas. Numa dessas cartas, o fã misterioso suge que Suzete
escreva uma história tendo por personagem principal um espantalho. Acaba lhe dando
algumas ideias e argumentos convencendo-a. A escritora concorda. Resultado: sua
história é aceita por uma editora e acaba se tornando um grande sucesso. Suzete
não imagina a enrascada que ela está se envolvendo.
Bem galera, tá aí um breve resumo dos contos.
Infelizmente, quando fechei o livro não consegui dar o oitavo grito de terror. Na
realidade, trata-se de um livro bem escrito, mas com historias simples e
direcionadas para os leitores infanto-juvenis.
Ah! Antes de finalizar esse post, não posso me
esquecer de destacar as ilustrações do quadrinista e ilustrador gaúcho, Henrique Antônio Kipper, ou simplesmente Kipper
– como é mais conhecido. Conhecido por ter publicado seus trabalhos em dois
grandes jornais do Brasil - Folha de S.Paulo e Diário Catarinense – foi também um
dos roteirista do retorno do antológico personagem Amigo da Onça em tiras de
jornal. As sduas ilustrações em Sete Gritos
de Terror são fantásticas.
20 dezembro 2025
Fase de releituras: amei ter reencontrado Beatriz Prata e Charles Chaplin em “Vende-se este Futuro”
Como já adiantei neste espaço, estou vivendo a minha
fase de releituras; uma fase pela qual todos nós, devoradores de livros passamos.
Cara... e que fase gostosa! Simplesmente adoro! Da mesma forma que sentimos
saudades de uma pessoa que amamos, mas depois por algum motivo nos deixa, também
sentimos essa mesma nostalgia com um livro que marcou a nossa vida.
Fazendo uma analogia, pense da seguinte maneira: os
anos vão passando, a saudade vai crescendo, até que o chega o momento de
reencontrar essa pessoa para matar saudades de lembranças das quais você se
recorda apenas vagamente. Pois é galera, também é assim com os livros.
E nesta minha fase de releituras, escolhi reler
algumas obras que me proporcionaram viagens inesquecíveis. Terminei uma delas
ontem e que viagem! Estou me referindo ao livro Vende-se este Futuro do escritor brasileiro Bruno Miquelino.
Como foi bom ter reencontrado Beatriz Prata. Que
‘menina’! Como já havia escrito, há alguns anos, quando resenhei o livro (ver
aqui), Beatriz já entrou para o rol das minhas personagens femininas fodásticas
da literatura. Ela se parece muito com uma Guinevere dos tempos modernos – como
a Guinevere idealizada por Bernard Cornwell em a saga As Crônicas de Artur (ver
aqui, aqui, aqui e mais aqui). À exemplo da personagem arturiana reescrita por
Cornwell, Beatriz é destemida sem ser incauta, inteligente mas nem por isso
arrogante, além de carismática e corajosa, aliás muito corajosa, ao ponto de
romper paradigmas considerados imutáveis quando se vê acusada por algo que não
cometeu.
Beatriz é uma espécie de agente de viagens temporais.
Explicando melhor: ela trabalha para uma agencia que promove viagens no tempo
chamada Déja Vu que surgiu 2097 em São Paulo, numa época em que esse tipo de
viagem era comum. A principal função da Déja Vu é transportar pessoas do
passado para o futuro, para que elas adquiram outra identidade, longe dos
holofotes, da polícia, de seus problemas, enfim, do que for. No futuro que elas
escolhem, então lhes é concedida uma nova identidade e consequentemente uma
nova vida. Mas chega um determinado momento que Beatriz descobre uma
conspiração na Deja Vu que pode colocar em risco a vida de muitas pessoas.
Além de amar o gênero ficção científico, também amo
enredos que misturam personagens históricos com personagens fictícios. É
inebriante – pelo menos, para mim – ler um enredo onde um personagem famoso e
real interage com outro protagonista fictício, mas querido pelos leitores. Vende-se este Futuro tem esse carisma.
Amei ver Elvis Presley, Charles Chaplin e até mesmo Getúlio Vargas se
interagindo com outros personagens fictícios, entre os quais, Beatriz Prata.
Para finalizar, não entendo porque Bruno Miquelino não
lançou mais nenhum livro depois do sucesso de Vende-se este Futuro que foi
publicado em 2018 e muito elogiado nas redes sociais.
Taí, uma releitura que valeu muito a pena. Acreditem: amei!!
Recomendo!
06 dezembro 2025
César Bravo retorna com Ultra Carnem II, sequência de seu maior sucesso. Obra em pré-venda chega nas livrarias em 19 de dezembro
Acompanho a carreira literária de César Bravo desde os
primórdios do blog, ou seja, desde 2013 quando ele me enviou o PDF de Calafrios da Noite para que eu lesse e depois
publicasse uma resenha. Mesmo após mais de uma década – 12 anos para ser exato
- ainda me recordo das palavras ditas por ele: - “Vou lhe enviar o PDF, mas
quero que você seja sincero. Lá vai a bomba!”. Foram exatamente essas as
palavras ditas pelo escritor. Cara, e que bomba!! Mas uma bomba no melhor dos
sentidos. Adorei o enredo! Os
personagens dos contos de Calafrios da
Noite pertencem ao mundo marginal. É o cara revoltado que foi demitido do
emprego por ter agredido o patrão; o sujeito que foi traído pela mulher,
perdendo a esposa para um verdadeiro lixo, uma escória da sociedade; o bêbado
sem amor próprio que se mete numa enrascada; o profissional fracassado em sua
área que quer dar a volta por cima, prejudicando outras pessoas, nem que seja a
própria mãe e por aí vai. Por isso mesmo, a linguagem usada por esses
personagens também é bem marginal.
Apesar desses personagens pertencerem ao submundo,
eles possuem carisma e por isso, o leitor acaba se identificando com a maioria
deles e até mesmo torcendo para que muitos acabem levando a melhor.
Devorei o PDF mesmo odiando livros em PDF. E foi a
partir de Calafrios da Noite que César
Bravo não parou mais de crescer: vieram, então, outros PDF’s, incluindo Ouça o que eu digo e Navio Negreiro que foram parar na Amazon
e em pouco tempo se tornaram os mais vendidos do gênero naquela plataforma. Tão
vendidos, mas tão vendidos, que despertaram o interesse de uma das editoras
mais respeitadas do País: a Darkide, especializada na publicação de histórias
de terror.
Ao chegar na DarkSide, o escritor não sentiu o peso da
responsabilidade e escreveu Ultra Carnem
– conhecido como o “Livro do Garfo” - que em pouco tempo se transformou numa
das obras de terror mais vendidas do País. Desde então, Bravo passaria a
integrar o grupo seleto de escritores considerados os cânones da literatura de
terror e suspense no Brasil.
Ultra
Carnem expande em muito a mitologia criada por Bravo ao
longo de suas obras publicadas anteriormente em PDF, dando detalhes
assustadores sobre a infância e a obra maldita de Wladimir Lester, o estranho
menino pintor que aparece em narrativas anteriores. Além disso, o autor mostra
até onde vai a fome de um homem desesperado pela fama ou por uma vida mais
digna por direito. A caminhada segue sem pudores expondo a fragilidade de cada
um de nós. Por fim, o leitor fica com a sensação de que nós, humanos, não
devemos bancar os espertos. E que não existe a possibilidade de enganarmos o
céu e o inferno.
E a boa notícia para todos os amantes do gênero terror
é que no dia 19 de dezembro, chega as livrarias físicas e virtuais a sequência
do megassucesso UltraCarnem. A
DarkSide confirmou para 19 de dezembro a publicação de Ultra Carnem II. A obra marca o retorno do personagem principal do
primeiro livro: Wladimir Lester, filho de um casal cigano consumido em rituais
profanos. Amaldiçoado ao não envelhecer, nutrido por uma tinta sobrenatural que
transforma sua arte em instrumento de um demônio, Wladimir carrega dentro de si
um poder que fascina e ameaça sua própria comunidade. Ao lado da irmã Iolanda e
da amiga Sarah - marcada pelo mesmo pacto de sangue - ele atravessa o país em
deslocamentos forçados, entre perseguições, epidemias e fanáticos religiosos.
Lembrando que a obra já está em pré-venda nos portais
da Amazon e DarkSide.





















