O Caso de Charles Dexter Ward


Às vezes milagres acontecem, inclusive milagres
literários. E foi um desses milagres maravilhosos que acabou me atingindo em cheio. Depois da grata surpresa, passei a crer que o meu anjo da guarda também é um grande devorador de livros.
Galera, vejam só se esse meu amiguinho de asas não gosta de ler... Há dois meses, recebi um telefonema de um amigo que estava se mudando para outra cidade. Ele me perguntou na lata: - Moreira, quer uns livros? – e na sequencia já emendou – Se for ocupar muito espaço em sua estante, eu despacho para a biblioteca municipal. - Imediatamente eu soltei um sonoro “Nãaaaaaaaaaaaaao!!!!” no telefone.
Quando fui até a sua casa para ver os tais livros, encontrei verdadeiras obras de arte, entre elas, vários Lovecraft, Crichton e King, entre outros. Cara, saí com a sacola cheia!
Entre os livros presenteados estavam: “O Caso de Charles Dexter Ward”, “A Cor Que Caiu do Céu” e “Horror em Dunwich”. Nem esquentei a cabeça por já ter gastado, no mês passado, mais de sessenta paus no livro “Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft” da editora Hedra que por coincidência já traz em sua coletânea essas três histórias.
Dos três livros de Lovecraft que ganhei, optei por ler primeiramente: “O Caso de Charles Dexter Ward”, e não me arrependi. Escrito em 1927 é considerado por muitos leitores e críticos do autor como um de seus melhores contos de terror. Tanto é, que alguns chegam a considera-lo uma verdadeira “obra-prima”.
Acredito que o status de obra prima cabe melhor para o “Mito de Cthulhu”, mas que “O Caso de Charles Dexter Ward” não nega fogo, isso é fato comprovado. O enredo que saiu da mente de Lovecraft é fantástico e provoca ondas de calafrios. É o tipo de conto que incomoda e causa desconforto por causa de sua atmosfera tétrica, sinistra e aterradora; e pode ter certeza de que não estou exagerando.
O conto narra a história de um jovem apreciador de arqueologia – o tal Charles Dexter do título – que fascinado com o passado de seu tetravô, Joseph Curwen, decide ir à fundo e vasculhar a vida enigmática do sujeito. Ao descobrir que o seu descendente era um bruxo poderoso e maléfico, Dexter tenta imitar as suas façanhas cabalísticas e alquímicas, sem saber que isso pode leva-lo à destruição. Não quero estragar o enredo desse conto assustador e maravilhoso, por isso vou evitar ficar dando detalhes do enredo para não soltar os malditos spoilers.
Quero dizer apenas que o conto fica “trucão pesado” a partir do momento que um psiquiatra, Dr. Willett – amigo de Charles - começa investigar e estudar o caso. Quando o médico descobre o covil onde vivia o feiticeiro, o que ele vê é tão horripilante que por pouco não perde a razão, indo a loucura.
Podemos dividir o conto de Lovecraft em duas partes distintas: passado e presente. A primeira parte é reservada à Curwen. Nela, o leitor conhece as origens do bruxo e todo o seu legado do mal. Na segunda parte, o autor passa a desenvolver melhor o personagem que dá título ao conto, mas sem se esquecer do maléfico Curwen.
No final da história temos um confronto de gelar os nervos, mas novamente, não vou dar mais detalhes para não estragar o enredo e tampouco dizer quem estão envolvidos nesse embate cabalístico, mas já adianto que Charles está fora. Trata-se de um outro personagem que irá medir forças com...
Paro por aqui.
Leiam, vale a pena. Um conto terrivelmente assustador.
Fui!

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