A Profecia

Existem novelizações e cópias de roteiros. Com relação às primeiras, com muuuiito sacrifício e uma tremenda força de vontade ainda conseguimos lê-las, mas quanto as segundas... My God! São o terror de qualquer leitor, incluindo os mais contumazes.
“A Profecia” de David Seltzer se enquadra na primeira categoria, quantos aos outros dois livros posteriores (“Damien - A Profecia II” e “A Profecia – Conflito Final”) se encaixam com honras e méritos na categoria de cópias de roteiros cinematográficos. Portanto, se você assistiu aos filmes, esqueça esses dois livros, pois com certeza não conseguirá lê-los. O motivo é simples: tudo o que você viu na tela foi copiado para as páginas, desde falas às situações vividas por personagens. Basta imaginar-se assitindo, novamente, o filme no livro.
Quanto “A Profecia”, o tempero muda um pouco, para melhor. Seltzer que também escreveu o roteiro do filme tomou alguma liberdade com relação ao livro. Com isso, os leitores ganharam cenas adicionais – que não estão no filme – enredo mais descritivo e personagens um pouco mais profundos. O escritor e roteirista, por exemplo, explorou melhor o passado dos personagens principais, além de modificar as suas características físicas e também algumas atitudes com relação aos atores do filme. Estas peculiaridades ficam evidentes na personagem Srª Baylock, a babá do pequeno Damien, que na realidade pertence a uma seita satânica responsável pela vinda do anticristo. A Baylock do livro é uma mulher enorme, gorda, alta, já idosa e feia, enquanto a personagem do filme – interpretada pela atriz britânica Billie Whitelaw com 44 anos na época e ainda no auge de sua beleza – é totalmente a antítese da babá do cinema, pelo menos no que se refere aos atributos físicos.  
A cena da briga entre o pai de Damien e a babá que culmina com uma tragédia é mais violenta e melhor detalhada no livro do que no cinema.
O fotógrafo Jennings também é explorado em detalhes na obra escrita, enquanto no filme ficamos sabendo pouca coisa sobre a sua personalidade.
Mas apesar de Seltzer ter dado a devida atenção no momento de ‘enquadrar’ o roteiro do filme nas páginas de seu livro, a obra não deixa de ser uma novelização e com muitas semelhanças com o filme dirigido por Richard Donner em 1976 e que tinha Gregory Peck e Lee Remick nos papéis principais.
Por isso, se você viu o filme há apouco tempo e ainda se recorda da maioria das cenas, acredito que será uma baita perda de tempo ler a obra de Seltzer porque a  maioria do que você viu na tela do cinema também estará impresso nas páginas numa cópia; perfeita, mas que nem por isso, deixa de ser uma cópia.

Inté!

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