segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Garota na Teia de Aranha

Acredito que fui um dos primeiros a adquirir “A Garota na Teia de Aranha”. Estava muito curioso para saber como David Lagercrantz se sairia como sucessor de Stieg Larsson na sequência de uma das sagas mais bem sucedidas da literatura policial contemporânea.
Como sabemos, após o sucesso da trilogia idealizada por Stieg Larsson – que morreu em 2004, aos 50 anos, vítima de ataque cardíaco, antes da publicação e do sucesso de seus três livros – os herdeiros do autor, excetuando a sua viúva que se posicionou contrária a idéia de dar novo fôlego à saga, concordaram que os personagens Blomkvist e Lisbeth voltassem a atuar sob nova batuta. O maestro dessa vez seria Lagercrantz.
Apo se tornar público,  o interesse dos familiares de Larsson em publicar um novo livro, o circo pegou fogo. A coisa fedeu! Enquanto o pai e o irmão de Larsson queriam de qualquer maneira a publicação de um quarto livro pelas mãos de um novo autor, a viúva Eva Gabrielsson se posicionava totalmente contrária á idéia.
Não pretendo entrar nos detalhes dessa briga familiar, que acabou se tornando uma ferrenha disputa judicial. Aqueles que quiserem saber os detalhes desse ‘péga prá capá’ podem acessar aqui onde dou mais informações. O que pretendo, agora, é falar sobre o livro que acabei de ler na quinta-feira passada.
Cara, “A Garota na Teia de Aranha” tem um enredo legal, mas...
Caraca, sei não se foi uma boa Lagercrantz ter aceito segurar esse rojão. Após ter lido o livro acho que o autor recebeu um verdadeiro presente de grego dos familiares de Larsson.
Existem dois tipos de personagens na literatura: comuns e antológicos. Os primeiros, apesar de fazer sucesso junto aos leitores, tem poucos traços marcantes em sua composição e por isso podem ser ‘tocados’ por muitos outros escritores, que não sejam o seu criador. Já o segundo tipo... pode mesquecer. Eles pertencem a uma elite de personagens intocáveis, que só podem ser ‘manuseados’ por aqueles escritores que lhe deram vida, ou seja, seus verdadeiros pais. Se algum outro metido a besta resolver mexer nesses personagens, acredite: vai dar merda. Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist – Lisbeth, bem mais – pertencem a classe dos antológicos.
Entenderam, agora, porque achei que a autorização para seqüenciar a trilogia de Larsson foi um ‘presentaço de grego’ para Lagercrantz?
Pois é, mas apesar disso, ele soube lidar, em parte, com esse presente indigesto. O enredo mesmo sendo um pouco enfadonho em alguns trechos, consegue prender a atenção do leitor. Os personagens secundários, também cumprem bem o seu papel. Mas toda vez que Lisbeth e Mikael são tocados pela ‘pena’ do autor, o negócio fica ‘meio que’ complicado. Larsson conseguiu imprimir uma personalidade própria a hacker e ao jornalista da revista Millennium, algo intocável.  Lagercrantz bem que tentou, mas não deu. A sua Lisbeth é mais pacata e insegura, enquanto a Lisbeth de Larsson é menos cordial e mais firme. Aliás, eu amava a personalidade dessa garota no passado (rs).
O que posso dizer é que entre mortos e feridos, alguns se salvaram – enredo e personagens menores -, por o porque daquela famosa frase: “o livro até que é bom, mas...”.

Inté!

3 comentários:

  1. O livro é bom mas está abaixo em minha opinião do primeiro volume da série, que é o único que pretendo reler.

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Concordo Maurilei,
      Também acho o primeiro volume o melhor de toda a série.

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  2. Concordo, principalmente sobre a Lisbeth. Não me empolgou como os 3 livros. Vale a leitura...mas sem muita expectativa.

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