06 maio 2025
Um veto cruel que precisa ser derrubado. Os aposentados por invalidez e pessoas com deficiência não mereciam tanto descaso
Sei que nem todos os seguidores do blog gostam quando
fujo das resenhas, listas, lançamentos e opiniões literárias e começo a publicar
temas bem distintos da proposta do “Livros e Opinião”, ou seja, quando começo a
viajar. “Viajadas” que eu batizei, carinhosamente, de “divagações”. Tanto é
verdade, que no início queria até colocar um link no menu do blog com esse
nome, mas Lulu achou que eu estaria fugindo muito da proposta dessa página;
acabei concordando. A saída para esse impasse foi a criação no menu do “Livros
e Opinião” de uma aba chamada “Pinceladas” onde publico as minhas divagações.
Pronto, expliquei; e agora deixe-me divagar um pouquinho
nesse espaço. Quero voltar a “falar” sobre o veto do governo federal ao Projeto
de Lei 5332 que beneficiaria mais de 9 milhões de aposentados por invalidez
permanente, incluindo aqueles que fazem parte do BPC Loas. ‘Volta e meia’ algum
amigo meu me questiona: “Jam, porque ‘abraçou’ essa causa se você não é
aposentado por invalidez?”. Pois é galera, é uma pergunta que eu ouço com uma
certa frequência.
O motivo de ter me engajado nessa luta para a
derrubada do chamado “Veto 38” foi que como jornalista tive a oportunidade de acompanhar
de perto o sofrimento dessa classe. Vi aposentados por invalidez permanente com
laudos médicos definitivos de peritos judiciais e também do próprio INSS, sendo
obrigados a se arrastarem até uma agência apoiados em seus cuidadores ou então
em uma cadeira de rodas para passarem por periciais revisionais humilhantes,
simplesmente para provarem que nunca mais terão condições de trabalho porque
possuem uma doença incapacitante e irreversível ou então uma deficiência.
* Seo perito, como vou poder voltar a exercer a minha profissão
se eu perdi uma perna.
* Doutor, não posso voltar ao trabalho porque fiquei
dependente desse andador para sempre.
* Doutor, o meu filho tem esquizofrenia grave. Ele tem
delírios de perseguição, ouve vozes e tem ideias de suicídio.
Agora imagine o absurdo das pessoas envolvidas nessas
três situações – até mesmo aquele paciente que perdeu uma perna - entregando
laudos médicos de especialistas que comprovam as suas limitações, além de
receitas médicas e etc.
Cara, não posso concordar com isso. É muita crueldade
com essas pessoas, por isso mesmo batizei o Veto 38/2024 de “Veto Cruel”. Tão
cruel que chega a ser surreal. Até agora, estou pasmado com a atitude do
presidente Lula que optou por vetar um Projeto de Lei (PL) tão importante como
esse. Tão importante que já havia sido aprovado por todos os deputados e
senadores, inclusive parlamentares da base do próprio governo. O PL 5332 passou
com louvores pelas duas Casas de Lei (Câmara e Senado) e quando todos tinham a
certeza da sua sanção presidencial, o governo veta o PL. Repito: juro que estou
pasmo até agora. Pasmo, pasmado – sei lá – e principalmente decepcionado.
Decepcionado porque o nosso presidente, em sua solenidade de posse, subiu a
rampa do Planalto tendo ao seu lado uma pessoa com deficiência. E agora, com
esse veto, a impressão que fica é que ele virou as costas para as pessoas com deficiências
e os aposentados por invalidez – conhecidos pela sigla PCD.
Confesso que fiquei decepcionado e muito triste com o
VETO 38 ao Projeto de Lei 5332 dado no dia 28 de novembro de 2024 pelo
presidente Lula. Os aposentados por invalidez permanente e as pessoas com
deficiência não mereciam isso. Só os familiares de um paciente com Esclerose
Lateral Amiotrófica, Parkinson, Esquizofrenia grave e evolutiva, Alzheimer e
outras doenças irreversíveis e incapacitantes para entender a gravidade desse
veto. Quero deixar claro que não se trata de uma questão partidária ou política,
mas de empatia.
Cobri casos de trabalhadores com esquizofrenia e
outros transtornos mentais que após terem passado por perícias médicas
constrangedoras, perderam não só o seu benefício mas também o seu tratamento,
pois sofreram recaídas e quase precisaram ser internadas; um advogado me contou
o caso de um pedreiro com problemas cardíacos que foi considerado apto ao
trabalho por um perito despreparado, ele voltou às suas funções e acabou sofreu
um ataque cardíaco. Cobri jornalisticamente casos de aposentados por invalidez
permanente com muitas dores e que mal se locomoviam sendo obrigados a deixar as
suas casas e percorrer uma longa distância escorado em seus cuidadores até
chegar a uma agência do INSS distante de suas moradias ou até mesmo em outras
cidades para serem periciados. Poderia citar outros casos, mas paro por aqui.
Estas pessoas já sofrem demais com as suas
enfermidades, então para que acrescentar mais uma cruz em seu calvário?
Infelizmente, ao vetar o PL 5332, Lula acabou dando
mais importância para um grupo de pessoas que tenta fraudar a Previdência ao
invés de pensar em milhares – mais de 9 milhões – de brasileiros que, de fato,
estão doentes e dependem desse benefício para a sua sobrevivência,
principalmente no que se refere a compra de medicamentos. O governo,
simplesmente, inverteu a lógica dos fatos, já que o correto e o mais humano
seria ter se preocupado em primeiro lugar com esses doentes.
Aqui cabe uma mensagem: “Sr. presidente, fique
tranquilo porque o INSS tem mecanismos eficazes para identificar fraudadores,
principalmente nos auxílios por incapacidade temporária (auxílios doenças), que
é onde se encontra o maior número de fraudes. Entenda que o PL 5332 que o sr.
vetou não vai atrapalhar em nada nesse sentido. Ele veio para mitigar o
sofrimento dos aposentados por invalidez permanente e daqueles que são portadores
de deficiência e não podem mais exercer as suas atividades profissionais. Por
isso, pense em primeiro lugar nessas pessoas, naquelas que dependem muito desse
benefício.”.
Por outro lado, fiquei muito feliz ao saber que vários
influenciadores digitais e youtubers também abraçaram essa causa o que deixa
evidente a grande indignação com esse veto.
Não há como negar que o PL 5332 traria maior qualidade
de vida aos brasileiros com doenças graves e deficiências permanentes. As
famílias não deveriam ser submetidas à burocracia desumana de levar pessoas com
sérias dificuldades de locomoção a perícias recorrentes para acessar um
benefício que garante o mínimo de dignidade humana.
Agora, no dia 27 de maio, o Congresso Nacional estará se
reunindo para analisar e votar vários vetos do governo e, com certeza, o Veto
38/2024 também estará no pacote. O Congresso tem o dever de corrigir essa
injustiça, garantindo que a avaliação biopsicossocial seja utilizada como
instrumento de inclusão e não como barreira ao acesso aos direitos dessas
pessoas.
Penso dessa
maneira e continuarei lutando para que esse “Veto Cruel” seja derrubado.
04 maio 2025
Dia das mães: 8 livros sobre relações maternais para celebrar o amor entre mães e filhos
Tenho o hábito de publicar as minhas postagens a cada
quatro ou cinco dias e quando estou no sufoco, por causa de alguns afazeres
profissionais, os post podem demorar até uma semana para “pingar” aqui no blog –
‘coisas’ de quem mantem sozinho um blog – mas acontece que esse mês de maio foi
atípico para o “Livros e Opinião”. Explico o porquê. Depois de ter dado uma
pausa no blog (como conto melhor aqui) resolvi retornar justamente no final de
abril, para ser exato no dia 24; e assim, lá vou eu escrever um texto sobre o
tal retorno e os motivos da minha pausa. Três dias antes, os meios de
comunicação em todo o mundo soltaram a bomba: “O papa Francisco morreu!”. Então
pensei comigo: “tenho que aproveitar a atualidade do assunto para prestar a
minha homenagem a esse papa tão especial. E adivinhem? Lá vou eu, novamente,
preparar um post, dessa vez sobre a morte do papa (ver aqui). “Entonce” me
lembrei de uma causa muito importante que abracei há algum tempo – sem nenhuma
conexão com literatura. Trata-se de um projeto de lei que beneficiaria todos os
aposentados por invalidez e pessoas com deficiência, mas que de maneira
surpreendente e decepcionante foi vetado pelo presidente Lula. Como esse veto
cruel vai ser analisado e votado pelo Congresso Nacional no próximo dia 27,
decidi escrever um post sobre o assunto, já que estou engajado nessa luta (o
post vai ser publicado nesta terça-feira, dia 6). Acabou? Não; tem mais. Vejam
só, enquanto preparava essas postagens chegou a informação de que o Vaticano havia,
finalmente, definido uma data para a realização do conclave que escolherá o
novo papa que irá substituir Francisco. E, adivinhem??? Lá vou eu escrever um
post sobre isso e que já foi publicado anteriormente (confira aqui).
Ufa! Quando estava começando a respirar... Êpa! Tá faltando
alguma coisa aí – pensei. É isso! O Dia da Mães, caramba! 12 de Maio está
praticamente aí e eu não preparei nenhum post! – exclamei. Lembrando que se eu
fosse publicar uma lista sugerindo livros para as mães – como de fato, estou
fazendo nessa postagem - teria de publicar essa lista com uma antecedência - já no aperto e passando da hora – de pelo
menos sete dias para que as mães ou os seus filhos tivessem tempo de hábil de
comprar as obras pela Internet.
Taí a galera, o motivo de ter publicado um post ontem
e, imediatamente, outro no dia seguinte. Lembrando que para aqueles que estão
lendo esse texto no dia 4 de maio/2025 ainda verão mais uma postagem na terça-feira
(6).
Mas não fiquem alegres ou tristes, depende (rs).
Passados esses dias atípicos, o “Livros e Opinião” voltará a seguir o seu
cronograma habitual de postagens.
Mas vamos nessa galera, vamos “falar” de livros para o
Dia das Mães que está chegando. Neste post indiquei 8 obras sobre a relação “Mãe
& Filhos”. Os enredos abordam relações familiares, a educação de filhos e o
que eles podem ensinar às mães, adoção, criação de expectativas e sonhos, a
vida além da maternidade das mulheres.
Ah! Antes que me esqueça, deixe-me revelar um dado
interessante. Vocês sabiam que as mulheres – tenham filhos ou não - são 57% dos
leitores brasileiros, segundo a pesquisa “Panorama do Consumo de Livros”, feita
no final de 2023 a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL)? Pois é;
interessante, não acham?
Conheça abaixo oito livros sobre relações maternais
para dar de presente neste domingo (12), Dia das Mães.
01
– Minha mãe é um sucesso (Maria Alícia Lima Peralta)
O livro organizado pela executiva Maria Alicia Lima Peralta
ensina como conciliar uma carreira de sucesso com a maternidade reunindo 21
relatos de mães que são destaques no mundo corporativo e compartilham os seus desafios,
escolhas e sacrifícios na busca por esse equilíbrio.
A obra traz ainda uma perspectiva inédita a essa
jornada: a emocionante narrativa dos filhos dessas executivas, dando voz às
suas experiências e revelando como o percurso profissional das mães influenciou
suas próprias trajetórias.
Quem já leu Minha
mãe é um sucesso afirma que o livro é um convite para enxergar o lado mais
humano, afetivo e transformador da jornada de mulheres que equilibram grandes
responsabilidades profissionais com a missão de educar, acolher e inspirar
dentro de casa.
Editora: Labrador
Páginas: 272
Ano de edição: 2025
Encadernação: Brochura
Formato: 16 x 23 x 1,5
02
– A culpa é da mãe? (Elizabeth Monteiro)
Elizabeth Monteiro é psicoterapeuta, escritora e
palestrante internacional. Foi colunista da revista “Pais e Filhos” e já teve
um quadro no programa “Domingão do Faustão”, na rede Globo, e um programa de
TV, com sua filha Gabriela Monteiro, chamado “Acontece Lá em Casa”, no SBT.
Trabalhou como monitora da cadeira de Psicologia Médica, no Instituto de
Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
É autora de vários livros sobre a relação pais e
filhos, entre os quais: Criando filhos em
tempos difíceis e Cadê o pai dessa
criança?, mas sem dúvida a sua obra mais conhecida é A culpa é da mãe?.
Neste livro, a autora conta desde a época que em que
foi neta, como eram as relações familiares antes e como foram se desenvolvendo
até o período em que publicou o seu livro, em 2012. Ela praticamente faz um
manual para mães e pais sobre a família no que se refere a educação dos filhos.
Trata-se de um livro catártico onde a escritora e psicoterapeuta
relata suas experiências – muitas vezes desastradas – como mãe de quatro
filhos. Como já escrevi acima, ela parte das relações familiares na época de
sua avó e passando pela própria infância, onde mostra que as mães
independentemente da geração erram, mas não devem se sentir culpadas por isso.
Detalhes
técnicos:
Editora:
Grupo Summus Editorial
Páginas:
280
Ano
de edição: 2012
Encadernação:
Brochura
Formato:
21 x 14 x 1,8
03
– As primeiras quatro estações (Fernada Witwytzky)
Neste livro, Fernada Witwytzky relata como ela sentiu
e viveu o primeiro ano de vida de seus filhos, compartilha suas angústias e
estratégias, além de mostrar como foi sua relação com Deus durante todo esse
período – as mudanças e novas responsabilidades e os momentos mais difíceis e
cansativos. Frisando que em sua primeira gravidez, ela acabou descobrindo que
esperava não apenas um, mas dois bebês de uma vez só.
Segundo a autora, assim como as estações do ano, a
maternidade também traz consigo um novo olhar sobre a passagem dos dias. Cada
estação tem suas peculiaridades: dias frios ou quentes, folhas coloridas ou
secas. Mas Deus quer trabalhar “em cada uma de nós na exata estação em que
estamos”. Fernanda diz que “no inverno ou no verão, no outono ou na primavera,
podemos sempre contar com a ajuda de Deus, que é o dono de todas as estações”.
Para a autora esse livro é um abraço para todas as
mães que se sentem inseguras em seu primeiro ano de vida com um bebê em casa. Segundo
ela, a obra não serve para trazer respostas para essas mães e também falar o
que fazer o tempo inteiro com um bebê. “O objetivo de As primeiras quatro estações é fazer com que as mães enxerguem a
maternidade sob a perspectiva de um Deus que quer trabalhar nessas mulheres o
dom de ser mães, em qualquer estação”.
Detalhes
técnicos:
Editora:
Thomas Nelson Brasil; Pilgrim
Páginas:
160
Ano
de edição: 2021
Encadernação:
Capa dura
Formato:
21,4 x 14 x 1,4
04
– Uma mulher (Annie Ernaux)
O livro de apenas 64 páginas é o último lançamento da
autora no Brasil e foi publicado pela editora Fósforo. A escritora francesa Annie
Ernaux ganhou prêmio Nobel pelo conjunto de sua obra em 2022.
Os leitores que já leram Uma mulher acharam a narrativa impecável, sensível e humana. Há
melancolia, tristeza, negação dos fatos e muita emoção envolta da protagonista.
Estes leitores adoraram mãe e filha.
Em Uma Mulher,
a autora faz um breve histórico reflexivo sobre sua convivência com a mãe,
enfatizando os momentos que marcaram esse convívio.
À flor da pele, Annie Ernaux atenta para as muitas
facetas da dor, desde as mais ínfimas. “Alguns pensamentos deixam um buraco em
mim: pela primeira vez, ela não vai ver a primavera.” Apesar disso, ela reconhece
a dimensão social de seu luto: “perdi o último vínculo com o mundo do qual
vim”. Nascida no início do século 20, sua mãe foi operária desde os doze anos.
Tinha orgulho do ofício e de buscar a independência. “Ir longe”, assim Ernaux
define o princípio que regeu a vida dessa mulher. Depois de se casar, abriu com
o marido o café-mercearia onde trabalhou até a terceira idade.
Leitora voraz e aberta para o mundo, estimulava os
estudos da filha na tentativa de lhe prover o que nunca tivera. Quando, já
viúva, vai viver com Ernaux e os netos. A partir daí, mãe e filha experimentam
nas miudezas do cotidiano a distância que a ascensão social da filha singrou
entre as duas. Com precisão cirúrgica, a autora recupera os detalhes dos gestos
maternos, as expressões, a inquietude e a vivacidade que a mãe manteve até o
fim da vida, numa casa de repouso, já acometida pelo Alzheimer. Um livro
comovente na opinião dos leitores.
Editora: Fósforo Editora
Páginas: 64
Ano de edição: 2024
Encadernação: Brochura
Formato: 13,5 x 1 x 20
05
– Minha criança trans (Thamirys Nunes)
Lançado em 2022 de forma independente, a obra é um
relato de uma mãe que percebe a transgeneridade da filha ainda criança e muda
as próprias crenças e seus sonhos para acolher a menina.
Thamirys ― dona de um perfil de mesmo nome nas redes
sociais, onde fala sobre a relação com a filha chamada Ágatha ― aborda o quanto
foi desacreditada por todos que estavam a sua volta, além de suas dúvidas e
incertezas.
Mas, principalmente, fala sobre a felicidade e o
bem-estar que percebia na filha quando ela podia brincar com determinados
brinquedos e usar algumas roupas específicas, dentre outros elementos que
observou.
Apesar de muitas dúvidas e incertezas, totalmente
desacreditada por todos que a rodeavam, Thamirys Nunes não se bastou. A
felicidade, o amor e o bem-estar de sua criança eram a sua prioridade
Enfim, Thamirys conta com detalhes as mudanças em sua
vida ao perceber que era mãe de uma criança trans num livro autobiográfico e
emocionante.
Além do livro, Thamirys também fundou em 2022 a “ONG
Minha Criança Trans”, uma organização não governamental que trata
exclusivamente das questões que envolvem crianças e adolescentes transgêneros.
Detalhes
técnicos:
Editora:
Autores Paranaenses
Páginas:
236
Ano
de edição: 2021
Encadernação:
Brochura
Formato:
16 x 23
06
– Extraordinário (R.J. Palacio)
No best seller publicado em 2012, Raquel Jaramillo,
sob o pseudônimo R. J. Palacio. conta a história de Auggie Pullman, um garoto
que sofre da síndrome de Treacher Collins, que causa deformação facial.
Palacio escreveu o livro após um incidente onde ela e
seu filho, então com três anos de idade, estavam numa fila para comprar
sorvete. Seu filho viu uma menina com deformidades faciais e começou a chorar.
Tentando controlar a situação, Raquel tentou ir para longe com seu filho para
não chatear a menina ou a família dela, mas isto acabou piorando a situação.
Após ouvir a canção "Wonder", de Natalie Merchant, a autora se deu
conta de que o incidente poderia ensinar uma lição à sociedade, e assim começou
a escrever o livro, que leva o nome da canção.
Em Extraordinário,
o personagem Auggie é um menino que nasceu com uma síndrome genética rara e
precisou passar por diversas cirurgias no rosto. A mãe dele ensina-o, com seu
amor e criatividade, a usar a imaginação para lidar com problemas e
preconceitos.
Sendo o primeiro livro lançado da escritora R. J
Palacio, Extraordinário é
narrado em primeira pessoa, e possui uma linguagem simples que reflete
exatamente a idade do personagem.
Possuindo uma relação admirável com os pais, a irmã e
os amigos Summer e Jack Will, August é um garoto consciente, compreensível, e
com o decorrer do livro só fica cada vez mais maduro, e o leitor mais
apaixonado pelo personagem.
O livro foi adaptado para o cinema em 2017 e fez um
grande sucesso.
Detalhes técnicos:
Editora:
Intrínseca
Páginas:
320
Ano
de edição: 2013
Encadernação:
Brochura
Formato:
22,8 x 16 x 2 cm
07
– Mika na vida real (Emiko Jean)
Dezesseis anos após entregar Penny para adoção, Mika,
35 anos, recebe um telefonema da filha, que está determinada a construir uma
relação com a mãe biológica.
A vida de Mika está uma bagunça, mas, para
impressionar a adolescente, se vê forçada a inventar outra realidade.
Ela finge ser uma mulher madura e bem-sucedida na vida
profissional e amorosa. Mas, apesar dos detalhes não serem verdadeiros, tudo o
que compartilha com Penny é real: desejos, sonhos, medos e a relação com a
cultura japonesa.
O livro, lançado em 2024 pela editora Intrínseca, é a
mais nova obra da autora best-seller do New York Times Emiko Jean. De acordo
com a maioria dos comentários de leitores nas redes sociais, trata-se de uma
obra divertida e emocionante sobre maternidade e o verdadeiro significado de
família.
Páginas: 368
Ano de edição: 2024
Encadernação: Brochura
Formato: 13,5 x 2,4 x 21 cm
08
– Mães atípicas: A maternidade que ninguém vê (Mariana Sotero Bonnás)
Ninguém melhor do que Mariana Sotero Bonnás para
escrever um livro com esse conteúdo. Ela é psicóloga e pedagoga e atende
exclusivamente mulheres que têm filhos com necessidades específicas.
Segundo release da editora Gente, Mães atípicas: A maternidade que ninguém vê oferece ferramentas e
reflexões para que as mães nessa situação encontrem força e resiliência, além
de apresentar maneiras para que elas vivenciem momentos de felicidade genuína
na sua trajetória.
Com base nas próprias vivências e em relatos de muitas
outras mães, Mariana lembra que o amor e a coragem podem superar qualquer
obstáculo e que ter um desenvolvimento atípico é, em todos os aspectos, ser
extraordinário.
Editora:
Gente
Páginas:
192
Ano
de edição: 2025
Encadernação:
Brochura
Formato:
16 x 1 x 23 cm
Taí, espero ter ajudado os filhos que ainda estão
pensando qual livro deverão comprar para presentear as mamães leitoras. Por
outro lado, você que é mãe e leu essa postagem, não precisa esperar pelo
presente do filho. Basta visitar qualquer livraria física ou virtual e escolher
o tema que mais lhe interessou. Quem sabe, você não acabe ganhando dois livros
(rs)?
Inté!
03 maio 2025
Explorando os bastidores do Vaticano: 8 livros sobre papas e conclaves
Vocês se lembram do que escrevi no final da postagem
anterior? Eu “disse” que alguém havia assoprado em meu ouvido direito para que eu
fizesse um post indicando livros sobre papas e conclaves. E justamente, poucos
dias depois, os meios de comunicação divulgaram que já havia uma data para a
realização do conclave que irá escolher o novo papa que substituirá Francisco.
Cara, entenda como um sinal, uma oportunidade, um isso ou aquilo, mas se eu não
aproveitasse esse momento, correria o risco de perder a empolgação de escrever
algo do gênero, então vamos nessa, aproveitando as oportunidades que surgem.
Ah! Vocês querem saber de quem é aquela voz misteriosa
que assoprou em meu ouvido? Tenho a certeza de que todos aqueles que acompanham
as postagens do Livros e Opinião há anos já descobriram (rs). Logo, não preciso
revelar (rs).
Mas chega de divagações e vamos ao que interessa.
Escolhi seis livros que tenham papas em seus enredos – sejam eles de ficção ou
biográficos – além de histórias que exploram os bastidores do Vaticano,
incluindo os conclaves. Na verdade não podemos deixar de admitir que a morte do
Papa Francisco, aos 88 anos, reacendeu a curiosidade da galera leitora pelos
bastidores da Santa Sé. E acreditem, tem muitas opções incríveis ne que
certamente irão agradar até mesmo aqueles que não são tão fãs dos temas.
Anotando aí galera.
01
– Conclave (Robert Harris)
Talvez, o livro do britânico Robert Harris seja o mais
comentado e consequentemente o mais famoso (pelo menos, por ora) e tudo por
causa do filme homônimo baseado na obra literária lançado nos cinemas neste ano
de 2025 e que concorreu ao Oscar de “Melhor Filme”.
Na época de seu lançamento, em 2020, o livro de Harris
não chamou tanto a atenção dos leitores, mas após a explosão do filme, a obra
escrita bombou nas livrarias conseguindo assim, a sua redenção; redenção – que
por sua vez, também bombou com a morte do Papa Francisco. A conjunção desses
dois fatores fez o livro explodir em vendas.
Se Conclave é bom ou ruim? Infelizmente, não posso responder
essa pergunta porque ainda não o li e tampouco assisti ao filme com Ralph
Fiennes. Por isso, não posso dar a minha opinião.
No enredo idealizado por Harris, após a morte do papa,
o cardeal Lawrence reúne um grupo de sacerdotes para eleger seu sucessor.
Cercado por líderes do mundo todo nos corredores do Vaticano, ele descobre uma
trilha de segredos profundos que podem abalar a própria fundação da Igreja.
Juro que me interessei pelo enredo, tanto é verdade
que comprei o livro recentemente. Tão logo conclua a leitura, prometo que
publicarei a resenha. Ele será o próximo da minha lista, taõ logo termine a
releitura de Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.
02
– A estrada para Gandolfo (Robert Ludlum)
Imagine esta situação: Francisco ou João Paulo II, os
papas mais queridos da história e amados por todos, sendo sequestrados. Suponha
que os criminosos consigam ludibriar o forte aparato de segurança de um desses
pontífices e levá-los para um lugar desconhecido onde o mantém refém. O preço do
resgate: um dólar por cada católico existente no mundo.
Esta situação, como exceção dos dois papas, saiu da
cabeça do consagrado autor de livros de espionagem Roberto Ludlum, criador da Saga Bourne (ver aqui e mais aqui).
Ludlum que faleceu em 2001, fez dessa situação
fictícia, mas dramática, uma história leve e por incrível que possa parecer:
engraçada. Isso, mesmo! Engraçada! Não estou delirando. O mestre dos romances
de espionagem e contra-espionagem “da pesada”, com muitas intrigas, mortes,
traições e violência, criou um enredo carregado no humor.
Em A estrada para Gandolfo, o autor conta a história
fictícia do espetacular seqüestro do também fictício papa Francisco I, o mais
querido pontífice depois de João XXIII, este real.
A história do advogado atrapalhado Samuel Devereaux e
de um general de meia idade aposentado e também ‘maluco de pedra’’, Mackenzie
Hawkins, que um dia resolvem sequestrar
o famoso Papa é hilariante. Mas não se enganem os leitores acreditando que o
enredo só trás risadas e trapalhadas. Nada disso. Afinal de contas, a história
foi escrita por um dos maiores autores de romances de espionagem do mundo e que
num belo dia, sofreu uma recaída e resolveu escrever um “textinho” diferente,
saindo da sua rotina de tiros, traições, mortes e espiões perigosos. Nasceria,
assim, “A Estrada para Gandolfo”.
A estória de Devereaux, Mackenzie e Francisco I tem muito humor sim;
mas também tem doses na medida exata de suspense, intrigas e porque não,
espionagem; mas no final o que prevalece mesmo é o humor e aquele humor leve,
gostoso que prende o leitor do começo ao fim, fazendo com que devore as páginas
do livro rapidamente.
Li A estrada para Gandolfo e adorei! Confiram a
resenha do livro aqui.
03
– As sandálias do pescador (Morris West)
Taí mais um livro sobre papas da hora e que eu
recomendo. Muitos definem As sandálias do pescador, lançado em 1963, como um
livro profético. No romance ficcional escrito pelo autor e jornalista
australiano, Morris West, um bispo russo se torna cardeal e em seguida papa – o
primeiro papa não italiano em mais de 400 anos. Por que As sandálias do pescador foi considerado por
muitos leitores e críticos, uma obra profética? Eu conto: uma década e meia
após West ter escrito a sua principal obra, eis que o Vaticano também ganharia,
após 400 anos, o seu primeiro papa não italiano, o polonês Karol Wojtyla, o
nosso saudoso e icônico João Paulo II.
Não há como negar as semelhanças entre o fictício
Lakota e o real Wojtyla, A personagem do livro é um cardeal ucraniano que, após
lutar contra os nazistas, torna-se perseguido e encarcerado pelos soviéticos.
Após 20 anos, recebe a liberdade graças a um acordo do premiê russo com o
Vaticano, mas carrega as marcas de seu
sofrimento na memória, na alma e no rosto com uma notável cicatriz. Bem, vamos
agora voltar a realidade: o polonês, João Paulo II também veio do leste europeu
e enfrentou os mesmos regimes totalitários, mas sem o cárcere. Assim como
Lakota que intermediou negociações com Kamenev (chefe do Kremlin no romance);
Wojtyla negociou e atendeu Gorbachev.
A obra ficcional tem muitas outras semelhanças com a
vida real, basta ler para tirar as dúvidas. Resumindo: As sandálias do pescador é o tipo do livro que imita a arte. Veja resenha aqui.
04
– O último papa (Malachi Martin)
O romance de Malachi Martin publicado em 1996, relata
a conspiração para subverter a Igreja Católica, com o objetivo de que o papa
renuncie e seja substituído por uma pontífice apoiador de uma Nova Ordem
Mundial.
Um antigo colega de trabalho leu o livro e disse que o
enredo prende a atenção mas é bem “pesadinho” – palavras dele. Por outro lado
vi algumas opiniões nas redes sociais, incluindo comentários na Amazon e Skoob
de leitores que acharam que o autor “viajou na maionese”. Um desses leitores
disse que no momento em que começou um culto ao demônio, ele parou
definitivamente a leitura porque a “viajada do autor” atingiu o ápice. Mas...
apesar dessas opiniões divergentes, fica registrada a sugestão de leitura.
No enredo, terminada a Guerra Fria, eclesiásticos,
políticos e empresários se unem em um complô maçônico na tentativa de implantar
um novo governo global, no qual a Igreja Católica se tornaria um mero e
complacente servidor da nova ordem mundial, aderindo a um catolicismo sem mais
nenhum vínculo com a tradição. Para tanto, os integrantes dessa conspiração
precisam derrotar seu obstáculo final: o último papa, um notável jogador
geopolítico e profundamente fiel à doutrina e à moral católica.
Cercado dentro do Vaticano e pressionado a abdicar por
seus inimigos, o “papa eslavo” terá de confiar em um jovem sacerdote para
enfrentar a batalha decisiva na guerra contra o mal.
05
– O Homem Que Não Queria Ser Papa (Andreas English)
Agora, vou dar um tempo nos romances ficcionais para
incluir em nossa Toplist uma biografia. Em “O homem que não queria ser papa”,
Andreas English escreve a biografia jornalística de Joseph Ratzinger, o Papa
Bento XVI, desde sua juventude na Alemanha até a surpreendente renúncia.
O autor, considerado um especialista em Vaticano,
traça o perfil de um homem reservado e erudito, com conflitos internos e
resistência à exposição pública.
O autor, considerado um especialista em Vaticano,
traça o perfil de um homem reservado e erudito, com conflitos internos e
resistência à exposição pública.
De acordo com vários críticos literários, são páginas
de uma das mais críticas e corajosas análises sobre a história recente da Igreja.
A riqueza das contextualizações e as análises dos discursos e da postura do
papa Ratzinger somado aos eventos recentes do papado nos levam a crer no complô
estabelecido dentro da Cúria Romana contra o próprio papa. Portanto, a história
aponta para um boicote praticado pelos poderosos da Cúria contra seu próprio
papa. Acusado de reacionário, o papa demissionário deixa claro com seu gesto
que o cargo não é nem vitalício nem sagrado. É político. Surpreende e afronta a
poderosa Cúria Romana, causando-lhe estupor. Ao mesmo tempo que ‘joga a
toalha’, desistindo de enfrentá-la e de se deixar manipular.
O livro publicado no Brasil em janeiro de 2020 foi
muito elogiado pelos leitores e também pelos críticos literários.
06
– Esperança – Papa Francisco
O livro lançado no Brasil em fevereiro de 2025 pela
editora Fontanar foi um dos mais vendidos na Amazon atingindo o primeiro lugar
na categoria Religião e Espiritualidade.
Esperança – Papa Francisco pode ser considerada a
primeira autobiografia de um papa. O livro revela detalhes pessoais do Papa
Francisco, sua infância, vocação, crises de fé e visão para o futuro da Igreja.
Um livro sensível e direto, que reforça a mensagem de compaixão e humildade.
Ao narrar suas memórias com coragem e franqueza,
Francisco aborda questões cruciais do pontificado sem deixar de lado alguns dos
temas mais candentes da contemporaneidade: as guerras, a migração, a crise
ambiental, políticas sociais, a condição das mulheres, a sexualidade e o
desenvolvimento tecnológico, bem como o futuro da Igreja e das religiões.
Escrita a partir de depoimentos dados pelo sumo
pontífice ao editor Carlo Musso de 2019 a 2024 — ele assina como coautor —, a
ideia era que a obra fosse publicada somente após a morte do religioso.
No livro, ao contar sua história desde a infância em
Buenos Aires até o conclave que fez dele o primeiro papa latino-americano — bem
como momentos que viveu no comando da Igreja —, Francisco promove reflexões
sobre temas que lhe são caros, como a importância da preservação do meio ambiente,
o acolhimento das minorias, a inserção dos imigrantes e a simplificação da
hierarquia da Igreja, com redução de privilégios dos que gravitam na sua esfera
de poder.
07
– O nome da rosa (Umberto Eco)
O
nome da rosa, romance de Umberto Eco é muito mais
completo e abrangente do que o filme, ampliando o seu foco para questões
históricas e teológicas do século 14. A reunião entre diferentes ordens de
monges realizada em um mosteiro medieval é uma tentativa de arbitrar a então
corrente disputa entre o papa João XXII, instalado em Avignon, na França, e o
imperador Luis II, da Baviera. Eco retrata o conflito como um choque primordial
entre Igreja e Estado.
A história se passa por volta de 1300, época da
inquisição, em uma abadia, na Itália, onde estão ocorrendo mortes inesperadas.
O momento dessas mortes não poderia ser pior, já que a abadia vai sediar uma
reunião entre dois grupos rivais da igreja. De um lado, estão os franciscanos e
aqueles que acreditavam que a igreja deveria ser desprovida de qualquer bem
material como foi Jesus Cristo, grupo este apoiado pelo imperador Ludovico. E
do outro lado, os que repudiavam essa ideia, ambicionando bens e poder e
liderados pelo papa francês João XXII.
A narrativa começa com a chegada do frei franciscano
Guilherme de Barkeville à abadia italiana na companhia de seu discípulo e
escrivão, um jovem noviço beneditino chamado Adso, e será esse noviço que vai
narrar todos os acontecimentos.
08
– Dois papas (Anthony McCarten)
Livraço! Já tinha assistido ao filme da Netflix com
Anthony Hopkins no papel de Bento XVI e Jonathan Pryce como Francisco, mas o
livro de Anthony McCarten – que também é o roteirista do filme dirigido pelo
brasileiro Fernando Meirelles – é muito superior. Os detalhes sobre a vida dos
dois pontífices que na produção cinematográfica são tratados de maneira bem
superficial, sobram no livro. Confiram aqui resenha de Dois papas que escrevi
em 2020.
Talvez para deixar o filme mais maleável, alguns
assuntos polêmicos como o acobertamento
de casos de pedofilia cometidos por alguns padres, bispos e até mesmo cardeais
no pontificado de Bento XVI receberam somente citações e bem diluídas na produção cinematográfica.
Já no livro, esse e outras temas pesados são abordados e analisados de maneira
minuciosa. O polêmico envolvimento do Papa Francisco - na época em que era
cardeal em Buenos Aires - com a ditadura argentina também foi outro ponto
amenizado no filme, mas tratado em detalhes nas páginas de Dois Papas.
Podemos dizer que McCarten, em seu livro, analisa a
fundo a trajetória dos dois pontífices, baseando-se em depoimentos de pessoas próximas
a Francisco e Bento XVI, além de documentos confiáveis conseguidos na época da
ditadura argentina e também junto à Santa Sé.
Taí galera, espero que apreciem a leitura. Vamos ver
agora, qual será a próxima sugestão dessa “vozinha” no pé do ouvido (rs).
Inté!





















