Já vou logo avisando que estou escrevendo esta postagem
pensando na geração raiz, ou seja, na minha geração (rs). Com certeza, os mais novos
não irão se lembrar de alguns dos livros e filmes dessa lista e talvez nem
mesmo tenham ouvido “falar” dessas preciosidades literárias e cinematográficas.
Quem sabe eu consiga convencer a galera da “Geração Z” a ler e também assistir,
pelo menos, uma ou duas dessas obras que ganharam o status de antológicas.
Em 1997 quando grande parte desses jovens tinham
nascido, o VHS já estava na UTI dando os seus últimos suspiros. “Culpa” do DVD
que naquele ano acabava de ser introduzido no mercado. Em 2008, a distribuição
das saudosas fitas VHS seria descontinuada no Brasil com a tecnologia do DVD
invadindo as locadoras. Por isso, a “Geração Z” não teve a oportunidade de
viver essa época de ouro do nosso cinema e dos livros de romances, fossem eles
de qualquer gênero.
Quanto a “Geração Alplha” ou “Gen A” tenho menos
esperanças ainda. Não chego a descartar a hipótese de um jovem de 12 ou 15 anos
ler ou assistir a algum filme dessa lista, mas convenhamos... é muito, mas
muito difícil.
Uma das minhas inspirações para escrever essa postagem
foi uma antiga locadora chamada “Marcos Vídeo e Som” localizada perto da minha
casa; vizinha até. Viveu o seu auge nos anos 80 e que coincidiu com a minha
transição da adolescência para a fase adulta. Volta e meia, lá estava eu
“fuçando” nas dezenas de prateiras (a locadora era enorme) e selecionando os
filmes que iria assistir. Já assistia ao filme pensando em ler, logo na
sequência, o livro no qual ele havia sido baseado. Posso afirmar que já
escolhia o VHS com segundas intenções (rs). Neste texto quero reviver essa
época que deixou muitas saudades. Elaborei uma lista com cinco filmes que me
amei e que me levaram a ler 10 livros fantásticos. Vamos a eles.
01
- Filme: Conta comigo (1986)
Livro: As quatro estações / conto: “O
corpo” (Stephen King)
"Conta Comigo" (1986), dirigido por Rob
Reiner é baseado no conto O Corpo
escrito por Stephen King e que faz parte da coletânea As Quatro Estações publicada no Brasil pela editora Antônio Alves
em 1988. Muitos anos depois, a Suma relançaria o livro com uma nova tradução e
um novo layout (veja aqui), mas a edição da Antônio Alves é insuperável, principalmente
para nós da Geração X que tivemos a oportunidade de ter em mãos a icônica
coleção de livros Mestres do Horror e da Fantasia (veja a história dessa coleção aqui) da qual fez parte As Quatro Estações.
Assisti ao filme no meu televisor de tubo com o
aparelho de VHS acoplado quando tinha 23 ou 25 anos e ainda me lembro que no
início da projeção, nos letreiros, ‘dizia’ que o filme era baseado em um conto
escrito por Stephen King. Naquela época, já era um grande fã do escritor,
então... imagine o meu desespero em querer ler esse conto; o que só fui conseguir
em 1988, um ano após ter assistido o filme.
"Conta Comigo” e Corpo são verdadeiros clássicos sobre o amadurecimento e o valor
inestimável da amizade na infância. Quatro amigos inseparáveis (Gordie, Chris,
Teddy e Vern) embarcam em uma jornada para encontrar um corpo, enfrentando
medos, traumas familiares e a transição para a adolescência juntos.
02
- Filme: O Parque dos Dinossauros (1993)
Livro:
O Parque dos Dinossauros/Jurassic Park (Michael Crichton)
O filme “Jurassic Park” (O Parque dos Dinossauros),
dirigido por Steven Spielberg, foi lançado em VHS no Brasil em outubro de 1994,
aproximadamente um ano e meio após sua estreia nos cinemas. Eu tive a
oportunidade de assistir ao filme tanto no cinema quanto em VHS na
tranquilidade da sala de minha casa em meu saudoso televisor de tubo, acho que
da marca Telefunken.
O livro homônimo de Michael Crichton chegou ao Brasil em
1991, mas acabei assistindo a produção cinematográfica antes de ler a obra. Cara,
quando soube que existia um livro fiquei no transtorno (rs). – Preciso encontra-lo
de qualquer maneira! – exclamei, mas naquela época, nós leitores, não tínhamos
as facilidades que temos hoje; tanto é que o advento das livrarias virtuais
estava apenas no início. Prova disso é que a Amazon só começou a vender e
entregar livros físicos no ano de 2012. Pois é... era uma luta para todos nós
leitores adquirir um livro pela Intenet. Nesta postagem (veja aqui) conto como O Parque dos Dinossauros de Crichton foi
parar em minhas mãos.
Atualmente, você encontra varias edições e boxes
luxuosos contendo o livro de Crichton.
Quanto ao filme, o lançamento em VHS foi um grande
evento, permitindo que o público assistisse ao realismo dos efeitos especiais
em casa.
O enredo? Certamente, não preciso escrever absolutamente
nada porque todos, até mesmo a galera “Z” e “Alpha” conhecem o enredo. Ou...
será que vocês já se esqueceram dos temíveis velociraptores?!
03
– Duro de matar (1989)
Livro:
Duro de matar (Roderick Thorp)
“Duro de Matar” estreou nos cinemas no início do
segundo semestre de 1988 dando início a uma das franquias de filmes de ação
mais rentáveis de Hollywood. Franquia que garantiu a Bruce Willis o status de
astro de filmes de ação no mesmo patamar de outros atores do gênero como
Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger.
Logo após seu sucesso nos cinemas, “Duro de Matar”
chegaria aos lares brasileiros no início de 1989. A produção bombou nas
locadoras de viedeo com muitas delas chegando a elaborar filas de clientes
interessados em locar a fita. O VHS da 20th Century Fox tornou-se um clássico das
locadoras.
Assisti “Duro de Matar” no cinema da minha cidade e
meses depois em VHS. Acredite: tive que deixar o meu nome na fila de espera da
locadora.
Depois de assistir ao VHS, fiquei sabendo que o filme
havia sido adaptado de um livro desconhecido lançado, sem nenhum alarde, no
Brasil. Como gostei ‘pacas’ do filme resolvi sair à caça da obra de Roderick Thorp. Queria saber se o ritmo trepidante das
telas se repetia nas páginas e também se o diretor John Mc Tiernan havia feito
uma adaptação cinematográfica fiel ao texto de Thorp. m 2016 escrevi uma resenha sobra a obra onde dou a minha opinião Veja aqui.
Ao encontrar o livro num sebo não pensei duas vezes e
comprei. Queria matar a minha curiosidade o mais rápido possível. Pois é, excetuando
poucos detalhes, a produção cinematográfica é bem fiel ao livro com o diretor John
McTiernan promovendo poucas mudanças.
Adorei – tanto no cinema, no VHS e também nas páginas
– a história daquele policial durão que decide visitar a esposa que trabalha
num imenso arranha-céu justamente quando um grupo de terrorista invade o local.
Quer saber detalhes sobre o livro? Veja nest post que escrevi em 2016.
04
– 007 contra Goldfinger (1965)
Livro:
Goldfinger (Ian Fleming)
O terceiro filme do agente secreto britânico chegou
aos cinemas americanos em 17 de setembro de 1964. No Brasil chegaria poucos
meses depois, em 28 de janeiro de 1965.
Assisti “007 contra Goldfinger”, pela primeira vez, na
extinta TV Tupi em meados da década de 70 no auge dos meus 15 ou 16 anos.
Naquela época, os meus pais ainda não tinham comprado um aparelho de VHS,
aliás, acredito que esse equipamento estava ainda em seu primórdios, sendo
considerado uma novidade no Brasil.
Só fui assistir ao filme de James Bond em VHS na
década de 1980. Depois disso, resolvi comprar o livro. Encontrei Goldfinger em um sebo, já que a obra de
Ian Fleming, na época, estava esgotada e sem nenhuma previsão de relançamento
por parte de alguma editora. Hoje o panorama mudou, já que o título foi publicado
por várias editoras e pode ser encontrado facilmente em qualquer livraria.
Fiquei muito feliz ao ter fisgado a edição capa branca
da BestSeller lançada em 1965: uma verdadeira preciosidade. O livro, a exemplo
do filme, é muito bom e devorei as suas páginas em pouco tempo. A música de abertura
na vóz inconfundível de Shirley Bassey também se tornou inesquecível para mim.
Na minha opinião, a melhor abertura de todos os filmes de 007, mesmo tendo sido
produzida nas década de 60 sem a tecnologia de hoje dos efeitos especiais.
Quanto ao livro tão bom quanto o filme, senão, melhor.
05
– Rambo – Programado para matar
Livro: Primeiro Sangue (David
Morrell)
O filme original, “Rambo: Programado para Matar”,
chegou nas locadoras brasileiras em formato VHS entre 1983 e 1984, pouco depois
de sua estreia nos cinemas nacionais em novembro de 1982. Acho que não cheguei
a assistir ao filme de Sylvester Stallone nos cinemas; vi apenas em VHS. Quando
assisti nem passava pela minha cabeça que a produção, na realidade, havia sido
adaptada de uma obra literária. Consegui o livro muito, mas muuuuito tempo
depois de ter assistido ao filme. Foi uma luta localizar a obra de David
Morrell que estava completamente esgotada e, na época, sem previsão de
relançamentos. Depois de muita luta consegui encontrar num sebo uma edição de Primeiro Sangue ainda de 1972 publicada
pela Record. Não perdi tempo e agarrei o livro com unhas e dentes (rs).
Quando terminei a leitura fiquei em choque: livro e
filme são completamente distintos, por demais diferentes um do outro.
Enquanto nas telas o personagem de Stallone ganha o
status de herói, no livro não é bem assim. Primeiro
Sangue é uma obra que rompe esse paradigma. Morrell optou por um contexto
onde não existem heróis, mas apenas vilões. Rambo e o Xerife Teasle são
verdadeiros homens das cavernas que não aceitam mudar os seus princípios mesmo
quando estão errados. Esta desmistificação dos romances tradicionais torna a
leitura ainda mais interessante, pois você não tem aquele personagem certinho e
de princípios ou, então na pior das hipóteses um anti-herói para torcer. No
livro de Morrel, todo mundo é vilão mesmo! Caçado e caçadores. Um querendo ver
o sangue do outro. Isto faz com que as vezes você acabe torcendo para o
problemático Rambo e em outras, para o xerife Teasle que, cá entre nós, é uma
mala sem alças.
Taí galera! Por hoje é só.
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