23 julho 2014
O Bicho-da-Seda, novo livro de J.K.Rowling, chega às estantes das livrarias brasileiras em 1º de novembro
Os fãs de J.K. Rowling que amam a “mãezona” de Harry
Potter vão adorar essa notícia. E como vão! A famosa escritora acabou de lançar
mais um livro. Pois é galera, a obra que acabou de ganhar o seu título em
português: “Bicho-da-Seda” chegou nas livrarias do Reino Unido em 19 de junho e
causou um verdadeiro alvoroço. Rapidinho se tornou um dos livros mais vendidos
por lá.
Além dos leitores que aprovaram a nova história
desenvolvida por Rowling, a crítica especializada também derramou elogios, inclusive
o famoso jornal britânico The Guardian que afirmou que o enredo proporciona uma
leitura irressistível.
Em “Bicho-da-Seda”, Rowling - que escreve sob o
pseudônimo de Robert Galbraith - promove mais uma vez a volta do detetive e
veterano de guerra Cormoran Strike juntamente com a sua jovem ajudante Robin
Ellacott. Por isso, “Bicho-da-Seda” pode
ser considerada a sequência de “O Chamado do Cuco”, livro escrito pela autora e
que apresentou esses dois personagens pela primeira vez aos leitores.
No livro, Leonora Quine, a mulher ‘mala’ e ‘deselegante’ do romancista Owen Quine,
contrata Cormoran Strike para investigar o
desaparecimento de seu marido que acaba de escrever
um romance polêmico onde revela segredos que podem
arruinar a vida de muitas pessoas famosas e poderosas. Quando
Owen é encontrado morto; o detetive e
sua bela auxiliar ‘mergulham’ de cabeça no mundo surpreendentemente decadente da publicação de livros em busca do
criminoso. A lista de suspeitos inclui o seu editor de
Owen; o seu
agente; o romancista literário
pomposo, além de outros.
De
acordo com o The Guardian, o novo livro de Rowling tem elementos semelhantes às
histórias de Agatha Christie e por isso mesmo conseguem prender os leitores
atéo fim.
A
obra será lançada no Brasil pela Editora Rocco no dia 1º de novembro. Enquanto
a tão sonhada data não chega, só resta esperar com muita ansiedade.
19 julho 2014
As Vinhas da Ira
Acabei de ler “As Vinhas da Ira” há uma semana, mas
ainda estou boquiaberto com o final da história. Mil vezes caraca!! O que é
aquilo?! John Steinbeck, de fato, caprichou, e encerrou a saga da família Joad
com chave de ouro. Fiquei loucamente apaixonado por aquele final inesperado, ousado
e poético. Admiro ainda a coragem e a audácia de Steinbeck que criou uma
situação inimaginável para os padrões morais do final da década de 1930,
período em que o livro foi lançado, rompendo assim, velhos paradigmas
relacionados à mulher. Posso afirmar com toda minha convicção que “As Vinhas da
Ira” nos brinda com um dos finais mais surpreendentes da literatura mundial de
todos os tempos.
Mas deixando o final fantastic de lado, é importante
frisar aos leitores que pretendem devorar “As Vinhas da Ira” que a obra de
Steinbeck não é para ser lida por diversão ou lazer. Nada disso. Se você estiver
essa intenção, fuja do livro porque ele é pura reflexão. Uma obra para o leitor
ler, parar e pensar. Uma história sobre a dignidade humana em condições
desesperadas num sistema capitalista selvagem.
Steinbeck utiliza a família Joad como instrumento
para contar o drama de milhares de pequenos agricultores americanos que durante
o período pós- depressão de 1939, foram obrigados a migrar da costa leste para
a oeste, principalmente para o estado da Califórnia. Esses agricultores eram
meeiros que plantavam diversas culturas em terras pertencentes às classes ricas
e abastadas. Eles já estavam nessas terras há muitas décadas, tendo crescido,
vivido e constituído famílias ali. Mais do que isso, a sua sobrevivência e o
seu sustento vinham daquelas terras. Então com a chegada da grande crise
econômica da década de 30, agravada pelo advento do trator e de outros
maquinários agrícolas que podiam substituir cinco ou mais trabalhadores no
plantio e na colheita, essas famílias de pequenos agricultores acabaram sendo
expulsas de suas casas pelos donos da terra. Assim, de uma hora para a outra, um
grande número de pessoas não tinham para onde ir.
Iludidas com as notícias enganosas de que na
Califórnia havia trabalho em abundância e ótimas remunerações, esses meeiros
iniciaram uma viagem de milhares de quilômetros na esperança de chegar à ‘terra
prometida’ onde corre o leite e mel e lá reiniciarem as suas vidas com
dignidade. Mas quando chegam ao local descobrem que a realidade é bem diferente
daquela que sonhavam e imaginavam.
Os Joads são uma dessas famílias que decidem buscar
a sorte nas terras do oeste americano. Para isso, vivem uma verdadeira odisséia
durante a longa viagem, onde conhecem pessoas más que se divertem com a
desgraça alheia, mas por outro lado também encontram verdadeiros exemplos de
solidariedade.
Com o virar das páginas, uma personagem vai se sobressaindo
bem mais do que os demais. Trata-se de Ma Joad, a matriarca da família que aos
poucos vai assumindo o seu papel de líder nessa odisséia, ganhando o respeito
de, todos. Nem mesmo o seu marido, considerado o chefe de família a quem,
naturalmente, caberia tomar as decisões mais difíceis, ousa questionar a
sabedoria e liderança de Ma Joad.
O autor nos mostra todas as nuances desse
relacionamento familiar formado por personagens dominadores, covardes, sábios,
fracos e temperamentais.
Além de Mãe e Pai Joad, temos também Tom Joad, o
filho mais velho que acabou de sair da prisão, após ter matado um homem; os
seus irmãos Al e Rosa de Sharon, o cunhado Connie; o avô e a avó Joad
(hiper-engraçados); enfim, cada um deles com a sua história e os seus segredos.
Enfim, os Joads são a essência daquelas famílias
americanas que sofreram com a depressão que assolou a economia do país,
atingindo em cheios os pequenos arrendatários rurais. Uma família que teve
coragem suficiente de colocar todos os seus pertencentes na carroceria de um
velho caminhão – com grande possibilidade de quebrar no caminho – e rodar mais
de dois mil quilômetros com destino à uma terra desconhecida.
Enfim, uma história espetacular e com um final mais
espetacular ainda. Não foi a toa que Steinbeck ganhou o Prêmio Nobel de
Literatura em 1962.
Inté!
15 julho 2014
Memórias de uma gueixa
Eu
me recordo que ao adquirir “Memórias de uma Gueixa” não estava com boas
expectativas com relação ao livro de Arthur Golden. Havia assistido ao filme em
2005 e sinceramente não gostei. Achei a história xôxa e os atores mais xôxos ainda,
mas ao passar por um shopping acabei comprando o livro influenciado pelo meu
primo que me acompanhava numa viagem até Aparecida do Norte. “Li o livro e é
muito bom! Pode comprar sem medo”, disse ele. Então, resolvi arriscar e não me
arrependi. O enredo envolvente que falta no filme, sobra no livro.
O
romance de Golden é narrado em primeira pessoa por Chiyo Sakamoto/Sayuri, a
mais famosa gueixa do Japão. Tão famosa que a sua vida chega a ganhar contornos
míticos; mas engana-se quem pensa que Chiyo
com a sua inteligência, perspicácia e beleza estonteante teve sempre do bom e
do melhor. Nada disso. A sua infância foi ‘braba’: com a mãe doente e o pai
idoso, sem condições de cuidar da família; a menina logo aos nove anos de idade
caiu no mundo, sendo vendida ao Okyia Nitta, nome dado as casas onde viviam as
gueixas no Japão.
No
Okyia, ela passa a conhecer uma nova realidade bem diferente daquela com a qual
estava acostumada. Chiyo passa a ser tratada como uma verdadeira escrava, além
de ser constantemente humilhada por Hatsmomo, considerada a mais bela gueixa de
sua época e que também mora, com todas as regalias, no Okyia. Aliás, Hatsumomo
nutre um ódio mortal por Chiyo, por enxergar naquela simples criança uma rival,
capaz de desbancá-la do trono de gueixa mais famosa do mundo. Por isso, a vida
da menina se transforma num inferno e muitas vezes ela chega a pensar em
desistir, mas como não tem nenhum lugar para ir ou ficar é obrigada a se
sujeitar as humilhações – verdadeiras pisadas na cara – de Hatsumomo e de também
uma “véia” danada de asquerosa e interesseira. A ‘véia treva’ é responsável
(quer dizer uma das responsáveis) pelo Okyia.
Olha
galera, vocês podem até me excomungar, me expurgar ou me matar, mas na minha
opinião, em alguns trechos do livro, o enredo lembra muito a obra de Frances
Hodgson Burnett: A Princesinha. – “Ahahahahaha!! Esse cara pirou!!”. É isso que
vocês estão gritando? Então, vamos aos fatos, capisce? O mais “incriminador”
deles é a luta de uma criança para sobreviver num mundo hostil com uma inimiga
pronta para comê-la viva. Tudo bem que os ambientes são bem distintos -
enquanto Sara Crewe, em “A Princesinha”, passa poucas e boas num internato; Chiyo sofre
numa casa para gueixas – mas as situações são semelhantes. As personagens comem
o pão que o diabo amassou num lugar hostil, onde todos as odeiam, mas conseguem
superar tudo isso com muita coragem e força de vontade. Tanto Chyio quanto Sara
fazem amizade com uma boa alma, uma espécie de tutor que se torna companheiro (a) inseparável nos
momentos de sofrimento. Esse “anjo da guarda” acaba sendo a responsável pela reviravolta
na vida das personagens sofredoras. Foi assim nos dois romances, por isso,
guardadas as devidas proporções, Sara Crewe e Chiyo Sakamato tem muitas
semelhanças entre si.
Uma
personagem, realmente, incrível no romance de Golden é Mameha, a tutora de
Chiyo e que lhe ensina todos os segredos para se tornar gueixa de verdade.
Mameha, além de bonita e sedutora é puro mistério, completamente segura de si,
inteligente e perspicaz; atributos que Chiyo passa a adquirir ao longo de seu
aprendizado. Quando Chiyo se transforma numa
autêntica gueixa, troca o seu nome para Sayiuri e a partir daí tem início o seu
reinado. É ela que narra todas as suas aventuras e desventuras no livro.
“Memórias
de uma Gueixa”, antes de ser um romance, um Bestseller, é um verdadeiro
mergulho na cultura japonesa, sobre os costumes daquele país, principalmente
durante e após a 2ª Guerra Mundial, período em que se desenrola a história.
Ah!
Antes que me esqueça: nós ocidentais, quase sempre confundimos gueixas com
prostitutas de luxo. Nada a ver. Bem, leiam o livro e entendam as diferenças.
Nas
minhas zapeadas pelas redes sociais, enquanto preparava o post, descobri que a
personagem Chiyo/Sayiuri foi inspirada numa ex-gueixa real chamada Mineko Iwasaki. Ela acabou ficando revoltada com a
história – tanto do livro quanto do filme – e decidiu mover um processo contra
autor e diretor, por ter sua "privacidade desrespeitada". Iwasaki não
gostou de ver divulgada a prática da "mizuage" que é a venda da
virgindade de uma jovem gueixa a quem der o lance mais alto. O autor do livro,
por sua vez, afirmou que foi fiel ao que a ex-gueixa lhe disse. Aproveitou
ainda para disparar na época do lançamento do livro: "O fato é que agora todos querem ganhar
um pouco de dinheiro com a publicidade em torno do livro de do filme."
Bem, deixando as polêmicas, discussões,
processos e ‘pega pra capá’ de lado, “Memórias de uma Gueixa” é fantástico. Um
livraço para não ser lido, mas sim, devorado.
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