13 abril 2024
Caminho inverso: os filmes que viraram livros
Os leitores que acompanham o blog desde os seus
primórdios, em 2011, sabem que não sou fã de novelizações de filmes. Como
posso explicar essa aversão... bem, acho que tudo se resume na perda da magia.
Isso mesmo: quando você vê um filme e sai do cinema extasiado com que acabou de
assistir, você viveu a magia de um enredo espetacular e de personagens
carismáticos. Mas quando algum escritor resolve adaptar um filme para as
páginas, você que já assistiu esse filme também já viveu essa magia, por isso
não há motivo de ler tudo o que você já viu nas telas. Sei lá, fica estranho.
Mas, você pode argumentar que o mesmo ocorre ao
inverso, quando um livro é adaptado para as telonas. Neste caso, é diferente;
pelo menos para mim. Quando uma obra literária vira um filme ou série de TV, eu
fico imaginando com seria ver em “carne e osso” o personagem que eu conheci
apenas nas páginas. Ver esse lado irreal - idealizado apenas por mim -transformado
em algo real é viciante. O mesmo vale para o enredo da história; ver as imagens
nas telonas de situações e locais que eu apenas imaginei nas páginas. Não sei
se consegui explicar de uma maneira clara, mas, enfim, é isso.
Mas, por outro lado, conheço leitores que adoram
novelizações. Alguns, até preferem essas novelizações aos filmes. Portanto,
esse post é dedicado principalmente para esses leitores-cinéfilos.
Uma curiosidade interessante é que as novelizações de
filmes já acontecem há muito tempo. Este método teve origem nos idos de 1920.
Verdade! Mas o processo se tornou popular somente na década de 1970, antes do
lançamento dos videocassetes. Esta era a única forma das pessoas terem contato
com o filme que por algum motivo deixaram de assistir.
Nesta postagem selecionei seis novelizações de filmes
famosos e de grande sucesso nos cinemas. Os filmes são fantásticos, quanto as
novelizações deixo para aqueles que apreciam o gênero julgarem. Vamos a elas.
01
– O Segredo do abismo (Orson Scott Card)
O Segredo do Abismo é uma das poucas, acho que... a única
novelização que gostei, na realidade amei. Após ler o livro, passei horas e
horas pesquisando na Internet detalhes sobre o trabalho de Orson Scott Card e
então entendi o porquê de ter gostado tanto do livro. O primeiro ponto que
considerei decisivo para o êxito da obra foi a declarada aversão que Orson
Socott Card tem as novelizações. Êpa! Mas espera aí? O sujeito tem aversão por
esse tipo de trabalho, mas acaba fazendo algo semelhante?!
Ok. Vou tentar explicar. Card relutou muito em aceitar
escrever a novelização do blockbuster O Segredo do Abismo lançado nos cinemas
em 1989. James Cameron, o diretor do filme, teve de intervir pessoalmente nas
negociações e chegou a manter vários encontros com o escritor na esperança de
convencê-lo a mudar de ideia, mas ele estava irredutível: “novelização jamais”,
dizia o escritor.
Acontece que o diretor James Cameron queria uma
novelização de seu filme de qualquer jeito e não abria mão de Scott Card para
escrevê-la. Seria ele ou ele. O respeito e a simpatia de Cameron pelo trabalho
do escritor de ficção científica norte-americano surgiu depois que ele leu O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos, diga-se de passagem,
duas obras primas da literatura de ficção científica. Depois disso, o conhecido
diretor de Hollywood se tornou um fã confesso de Scott Card.
Scott Card só aceitou escrever o livro do filme depois
que várias de suas exigências foram aceitas. A primeira delas: que ele tivesse
liberdade total para desenvolver a "novelização" da maneira que achasse
melhor. E diga-se que esse “da maneira que achasse melhor” significava mudar
destino de personagens, acrescentar detalhes extras no final da história, além
de incluir fatos e explicações impossíveis apresentar no filme. E pediu mais!
Ter acesso irrestrito as filmagens enquanto escrevia o livro. Isto deixou
evidente que Scott Card exigiu escrever o livro ao mesmo tempo em que o filme
“O Segredo do Abismo” era rodado, porque só assim livro e filme seriam lançados
juntos. Enfim, para aceitar escrever um livro sobre um filme, o escritor fez um
“caminhão” de exigências. E todas elas foram aceitas por James Cameron e também
pelos produtores da 20th Century Fox.. Pronto! Está explicado porque a
novelização de “O Segredo do Abismo” se transformou num verdadeiro sucesso de
crítica e leitores.
Filme e livro contam a história de uma equipe de
mergulhadores que trabalham numa plataforma civil de exploração de petróleo. De
repente, eles se vêem envolvidos em uma missão de resgate do submarino nuclear
Montana que afundou misteriosamente com 156 tripulantes e, após o ocorrido, não
houve mais contato.
02
– Labirinto do Fauno (Guillermo del Toro)
Lançado a cerca de 17 anos, O Labirinto do Fauno
talvez seja uma das obras mais amadas do diretor Guillermo Del Toro. O filme que
agradou público e crítica se passa na Espanha de 1944. Oficialmente a Guerra
Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte
de Navarra. Uma criança de 10 anos chamada Ofélia muda-se para a região com sua
mãe. Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para
exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a
amizade de Mercedes, jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos
rebeldes.
Certa noite, em seus passeios pelo jardim da imensa
mansão em que moram, Ofelia descobre as ruínas de um labirinto onde se encontra
com um fauno, uma estranha criatura que lhe faz uma incrível revelação: ela é
uma princesa, a última de sua estirpe, aquela que todos passaram muito tempo esperando.
Para poder regressar a seu mágico reino, a garota deverá passar por três provas
antes da lua cheia.
Simultaneamente ao filme, a Intrínseca lançou em
terras brasileiras a sua novelização contendo ilustrações e contos originais. Para
transpor os detalhes das telonas para as páginas, Guillermo Del Toro não esteve
sozinho. Ele chamou e juntou-se com a escritora de livros fantásticos Cornelia
Funke. Ela é mais conhecida pelo seu trabalho na trilogia Mundo de Tinta, na qual contém Coração
de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta. Os dois optaram por não
fugir da narrativa reconhecida e já clássica para alguns, contudo adicionaram
novos pontos a essa trajetória, além de expandir o mundo com contos.
03
– Era uma vez em Hollywood (Quentin Tarantino)
Acredito não passou pela cabeça das muitas pessoas que
assistiram “Era Uma Vez em Hollywwod” que o diretor Quentin Tarantino também
iria se aventurar nos “mares” da literatura, ainda mais... lançando um romance
do seu filme. E, de fato, isso aconteceu.
O livro, publicado no Brasil pela Intrínseca em 2021 –
dois anos depois do filme – explora as facetas inéditas dos personagens Rick
Dalton (Leonardo DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt) e a trajetória desses
personagens no universo dos spaghetti westerns.
Em sua novelização, o diretor e agora romancista
bagunça a linha temporal do filme, dando mais tonalidades aos personagens e
expandindo sua sacada de revisar a morte de Sharon Tate pela seita de Charles
Manson.
Lançado em 2019, a produção cinematográfica arrecadou
mais de US$ 370 milhões nas bilheterias ao redor do mundo e venceu dois Oscar
(melhor ator coadjuvante para Pitt e melhor direção de arte) a partir de 10
indicações.
04
– A Forma da Água (Guillermo del Toro e Daniel Kraus)
A Forma da Água tem uma premissa semelhante ao
“Segredo do Abismo”: Nos dois casos, filme e livro foram criados
simultaneamente, não se tratando, portanto, de uma simples novelização. Dessa
maneira, ambos apresentam diferenças entre si. Por isso mesmo, vale muito a
pena assistir ao filme e também ler o livro para analisar essas nuances.
No enredo, um oficial do governo dos Estados Unidos
chamado Richard Strickland é enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e
misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência
militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim
retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um
homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor ―
o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser.
Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de
pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a
esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e
invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto
para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado,
para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz,
alguém cuja existência deve ser preservada.
A narrativa literária revela ao leitor as
particularidades de personagens que não são apresentadas de forma detalhada no
filme intensos. Há vários pontos de vistas de personagens diferentes. Os
leitores acompanham o percurso de todos esses pontos de vistas se desenrolarem
e se entrelaçarem em algum momento da trama e também compreender as suas
motivações. A produção cinematográfica de 2017 levou quatro estatuetas, incluindo
Melhor Filme e Diretor (Guillhermo del Toro).
05
– Instinto Selvagem (Richard Osborne)
Você quer ler um filme? Isso mesmo: ler e não
assistir. Se quiser é só comprar o livro Instinto
Selvagem. A novelização de Richard Osborne é uma cópia fiel do roteiro de
Joe Eszterhas. Não muda absolutamente nada. Quando li o livro, a impressão que
tive foi a de que estava assistindo ao filme através das páginas, sem nenhuma
mudança. Até cruzada de pernas fatal da personagem vivida por Sharon Stone está
nas páginas do romance.
Para aqueles que não se lembram do filme; no enredo,
Sharon Stone vive Catherine Tramell, uma sensualíssima escritora de livros de
mistério, suspeita de matar um famoso cantor de rock. Além de ser amante da
vítima, seu assassinato é idêntico a um crime que ela descreve em um de seus livros.
O policial encarregado do caso é Nick Curran (Michael Douglas), que não resiste
à beleza e ao poder de manipulação da moça e acaba se envolvendo com ela.
Porém, mortes continuam a acontecer e tudo indica que Nick será a próxima
vítima. Mas ele está atraído demais por Catherine para se manter longe dela.
Apesar da crítica negativa, “Instinto Selvagem” (Basic
Instinct) tornou-se um dos filmes de maior sucesso financeiro dos anos 90,
arrecadando US$352 milhões em todo o mundo. Quanto ao livro, por ser um simples
copião do filme passou despercebido.
06
– Interestelar (Christopher Nolan, Jonathan Nolan e Greg Keyes)
Além de Instinto
Selvagem, quer outro exemplo de novelização que adaptou ao pé da letra o
roteiro de um filme? Anote aí: Interestelar
de Christopher Nolan que fez um grande sucesso nos cinemas em 2014.
São 268 páginas de puro filme. A obra literária
escrita a três mãos pelo diretor Christopher Nolan, seu irmão Jonathan Nolan e
o autor Greg Keyes foi publicado há quase dois anos depois do filme.
Para quem não assistiu a produção nos cinemas (e, por
consequência, perdeu um show visual), Interstellar acompanha a história de
Cooper, um ex-piloto da NASA que é convocado em uma missão espacial secreta
para encontrar outros planetas para perpetuar a vida humana. Com a Terra no
limite de sua reserva natural, uma saída precisa ser encontrada.
Acontece que essa missão, graças a relatividade do
tempo, pode significar décadas no espaço, sem que os astronautas vejam suas
famílias. Enquanto Cooper atravessa o espaço e procura buracos de minhoca para
fazer a travessia para outras galáxias com sua equipe, sua filha mais nova,
Murph, cresce e também se envolve com a NASA para encontrar uma forma de ajudar
a salvar a população.
Taí galera, dúvida cruel não é mesmo? Filme ou
novelização? No meu caso, eu ainda prefiro o caminho inverso, ou seja, livros
que viraram filme e não filmes que viraram livros.
Inté!
07 abril 2024
Reflexões de um blogueiro literário que pensou em desistir, mas continua por aqui “falando” de livros há mais de 13 anos
Hoje pela manhã, assim... sem querer; fui parar nas
primeiras postagens que havia publicado no blog, lá pelos idos de 2011. Gente,
2011! Não imaginava que o “Livros e Opinião” havia completado no mês passado,
13 anos de atividades. Cara, mais de uma década! Na realidade, foram quase uma
década e meia, dedicando parte da minha vida para esse espaço que você está
visitando agora e quem sabe, até mesmo seguindo.
Parei também para pensar nas pedradas que lei da vida
nestes mais de dez anos, algumas dessas pedradas vieram fortes e quase me
levaram a desistir do blog. Rememorei também as dificuldades que surgiram ao
longo dos anos em conciliar o meu trabalho que é o meu ganha pão e que exige
muito de mim - inclusive engolindo muitos de meus finais de semana - com o meu
tempo livre dedicado ao blog e a leitura. Confesso que cheguei a pensar em
abandonar o blog e me dedicar somente para as minhas leituras, muitas delas
atrasadas. Mas então... quando as pedradas se vão, chega a aragem e uma aragem
tão gostosa que afugenta todas essas dúvidas e negatividade envolvendo “blog
versus tempo disponível em minha vida”.
Esta aragem me diz que se parar com o blog estarei
jogando no lixo 13 anos de parte da minha vida, uma pequena parte, mas que
trouxe momentos de muita alegria. Parte dessa alegria se resume às interações
que mantive com vários seguidores que renderam bate-papos gostosos e as
amizades que fiz com alguns desses seguidores; algumas dessas amizades,
inclusive, mantenho até hoje.
Acredito que muitos blogueiros literários estão
enfrentando, nesse instante, a mesma crise que bateu em minha porta há algum
tempo, talvez levando pedradas piores do que as minhas. Estas pedradas podem
ser o pequeno número de seguidores, a falta de tempo, um revés inesperado em
sua vida, uma crítica dura ao seu blog; podem ser tantas situações, né?
O que será que eu posso dizer para você que enfrenta
uma dessas situações ou algumas delas ou todas elas ou então, situações
parecidas com essas? A resposta é simples: pense na aragem, ou seja, nos
momentos felizes que o seu blog lhe trouxe. Tá difícil? Ok. Imagine, então, o
quanto o seu blog é importante para alguns de seus seguidores. E pode ter
certeza que independentemente do número desses seguidores, ele é muito
importante! Podem ser poucos, mas esses poucos, a partir do instante que eles
passaram a lhe seguir, eles passaram também a aguardar com expectativa as suas
postagens.
Vou tomar eu, José Antônio, como exemplo. Vamos lá.
Logo nos primórdios do “Livros e Opinião” eu comecei a seguir dois blogs que eu
amava. Eles não tinham muitos seguidores, poucos até; mas eu, simplesmente
amava. Ficava aguardando todas as semanas, as postagens de seus blogueiros com
as quais eu tanto me identificava. “Clique Neurótico” e “Gato Smucky” eram os
nomes dessas páginas. Quando soube que elas foram removidas pela Joelma e pelo
Augusto, respectivamente; fiquei triste porque era um grande fá desses sítios
literários na internet.
Pelo que vi em suas páginas no Instagram e no Youtube,
me parece que a Joelma se formou neurociências e o Augusto se tornou ator.
Tenho um contato maior com o Augusto e já vi vários de seus trabalhos como
ator, diretor ou produtor; achei fantásticos, mas... tanto o seu blog quanto o
da Joelma estão fazendo muita falta. E se estão fazendo falta para mim, certamente,
também estão fazendo falta para outros leitores.
Se esses argumentos ainda não convenceram os
blogueiros que estão desanimados com o pequeno número de seguidores, faça o
seguinte: acesse o “Livros e Opinião” e dê uma olhadinha do número de
seguidores da página. Viu lá? 526. Isso mesmo, 526 seguidores em 13 anos de
atividades. Tudo bem que na fanpage do blog no Facebook o número seja maior,
mas na página direta, não chegam a 550 seguidores. Entonce... mas eu acredito
que muitas dessas 526 pessoas tem o hábito de ler as minhas postagens.
Vamos agora para a “pedrada da falta de tempo”. Não
querendo ser egocêntrico – longe disso – mas tomando a mim, novamente, como
exemplo. Sou jornalista e o nicho dessa profissão é muito estressante; aliás,
tenho o hábito de dizer que no momento em que entro na sala de redação ou
edição em meu trabalho, o estresse também entra junto comigo com as mãos em
meus ombros dizendo: “amigo, cá estamos nós outra vez para enfrentarmos as
‘amadas’ discussões de pautas, tempo de fechamento de matérias, pressões
políticas, divergências de ideologias e pressão dos patrões”. Quem é
jornalista, principalmente em cidades pequenas ou médias, sabe o que é tudo
isso.
Lulu vive me dizendo que a minha Síndrome do Intestino
Irritável que me premiou com ansiolíticos, os quais nunca havia tomado em minha
vida, tem como causa o estresse e a correria em meu trabalho.
Mas mesmo com toda essa agitação e falta de tempo
nunca desisti do blog, revelo que cheguei perto disso, mas não desisti.
Quanto aos momentos difíceis, foram muitos: a doença e
consequentemente o falecimento de meu pai, o saudoso ‘Kid Tourão’ que foi assunto
em tantos posts publicados aqui; batalhas judiciais; problemas de saúde
envolvendo pessoas queridas e amadas; ufaaa! Muitas pedras rolaram; também
cheguei perto de parar; mas... estou aqui.
No que diz respeito ao tempo curto para as minhas
leituras, encontrei uma maneira de resolver o problema, criando certos hábitos os
quais procuro seguir, algo do tipo: preparo as minhas postagens nas
terças-feiras a noite e aos sábados de manhã, e procuro ler os meus livros nos
outros dias da semana durante a noite e nos domingos à tarde. Resumindo: é tudo
uma questão de jeito.
Mas nada, absolutamente nada, supera as aragens
proporcionadas pelo “Livros e Opinião” ao longo desses 13 anos. Se eu tivesse
desistido, com certeza, hoje eu estaria muito arrependido.
Agradeço também a Lulu que está nessa luta comigo
desde o início do blog, em 2011; se não participando diretamente da página, mas
apoiando o que eu faço. Assim, você que
é blogueiro literário e está pensando em desistir de seu blog, descubra alguém
importante para ficar ao seu lado (brincadeirinha).
Valeu galera!
Muita força para mim e também muita força para todos
os blogueiros literários que estão passando por uma crise semelhante a que
passei.
03 abril 2024
“Filho de peixe, peixinho é”: Cinco pais e filhos escritores talentosos
Conhecem aquele ditado popular: “Filho de peixe,
peixinho é”? Entonce, acho que esse ditado nunca serviu tão bem quanto na
relação “escritor pai-escritor filho”. Vocês já pararam para pensar quantos
filhos de escritores famosos resolveram seguir os passos do pai? Galera, são
muitos.
Na postagem de hoje, selecionei alguns escritores que
seguiram a mesma profissão de seus pais e ficaram tão conhecidos com o eles.
Vamos nessa.
01
– Alexandre Dumas e Alexandre Dumas Filho
Muitos leitores acreditam que existe apenas um
Alexandre Dumas, mas não. Na realidade existem dois: pai e filho. Isso mesmo,
Dumas é um sobrenome dividido entre dois escritores. Alexandre Dumas foi o responsável
por obras como O Conde de Monte Cristo
e Os Três Mosqueteiros.
Alexandre Dumas Filho, inspirado pela carreira do pai,
escreveu um verdadeiro clássico da literatura chamado A Dama das Camélias. O curioso é que ele era filho ilegítimo de
Dumas com uma costureira e, por isso, o autor tirou a criança da guarda da
mãe.
02
– Stephen King e Joe Hill
Joe Hill poderia ter seguido qualquer outra profissão
mas preferiu trilhar os caminhos do pai famoso. Nasceu no dia 3 de junho de
1972 e já tem uma carreira literária bem sólida, podemos dizer.
Logo de cara faturou um Bram Stoker Award de Melhor
Coletânea de Ficção e o British Fantasy Award pela obra Fantasmas do Século XX,
de 2005, simplesmente na sua obra de estreia.
Esses foram apenas os dois primeiros prêmios de Joe
Hill, que tem ainda um Bram Stoker Award de Melhor Primeiro Romance (por A Estrada da Noite, de 2007), dois
British Fantasy Awards como Melhor Revista em Quadrinhos ou Graphic Novel (por Locke & Key, em 2009 e 2012) e um
Eisner Awards, como Melhor Escritor de HQs (2011).
Lembrando que Stephen King tem um outro filho que
também decidiu ser escritor: Owen Philip King. Ah! A mulher, Tabitha também
escreve. Já imaginaram uma família com quatro escritores?! Pois é,
apresento-lhes a “Família King”.
03
– Érico Verissimo e Luís Fernando Verissimo
Erico Verissimo, autor da icônica obra O Tempo e o Vento é um dos escritores
brasileiros mais consagrados. Seu filho, Luís Fernando Verissimo não fica atrás
e pode ser considerado um verdadeiro “monstro sagrado” da literatura brasileira,
autor de romances consagrados, e dono das melhores crônicas do país.
Em 1981, o seu livro O Analista de Bagé, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre,
esgotou sua primeira edição em dois dias, tornando-se fenômeno de vendas em
todo o país.
Em toda a década de 1980, Verissimo consolidou-se como
um fenômeno de popularidade raro entre escritores brasileiros, mantendo colunas
semanais em vários jornais e lançando pelo menos um livro por ano, sempre nas
listas dos mais vendidos, além de escrever para programas de humor da TV Globo.
04
- G. Wells e Anthony West
G. Wells é o célebre autor de A Guerra dos Mundos, livro de 1898 que fez milhares de pessoas
acreditarem que a Terra estava sendo invadida por alienígenas, ao ouvir uma
transmissão de rádio, em 1938. Não eram marcianos e sim, a divulgação do filme
que adaptou o livro.
O que poucos sabem é que o filho, Anthony West,
inspirado pelo pai talentoso e um dos mestres da ficção científica, também foi
escritor e a propósito, muito elogiado pela crítica de sua época. Ele escreveu
romances, ensaios e obras de não-ficção, e revisou livros para a The New Yorker
da década de 1950 até o final da década de 1970. West ganhou ainda o Prêmio
Houghton Mifflin por seu romance The
Vintage publicado em 1949.
05
– Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar
Carlos Nejar é um dos principais poetas brasileiros,
membro imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele deixou obras ricas de
vocabulário, como Sélesis. Nelas presenciamos o uso de aliterações, que
proporcionam uma musicalidade aos versos, construídas belamente pelo autor.
O filho do autor, o irreverente Fabrício Carpinejar, é
um dos principais escritores da literatura contemporânea, o qual aborda em seus
livros temas recorrentes ao cotidiano. E ainda, no livro, Um Terno de Pássaros ao Sul, Carpinejar faz o que a crítica
considera uma versão do clássico “Carta ao Pai,
de Kafka.
Por hoje é só. Valeu galera!