11 março 2023

Poltergeist, o fenômeno: DarkSide relança em abril a novelização do filme em edição luxuosa

Um dos filmes que marcou a geração dos anos 80 foi “Poltergeist, O Fenômeno”. Eu estava no apogeu dos meus 21 anos de idade quando assisti o filme dirigido por Tobe Hooper que já tinha em seu currículo o antológico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). O filme teria ainda uma outra lenda atuando nos bastidores: Steven Spielberg, produtor e roteirista. Cara, com uma dupla dessas, o filme só poderia ser um arrasa-quarteirões e foi o que aconteceu.

Lançado por Metro-Goldwyn-Mayer em 4 de junho de 1982, a produção foi um grande sucesso comercial e de crítica, tornando-se o oitavo filme com maior bilheteria de 1982. Anos depois a seu lançamento foi reconhecido como um clássico dentro do gênero.

Além de ser indicado para três prêmios da Academia, Poltergeist foi nomeado pelos Chicago Film Critics Association como o 20° melhor filme de terror já feito em toda a história do cinema.

O filme fez tanto sucesso que passou a habitar o imaginário popular e com isso surgiram várias lendas urbanas a seu respeito, sendo a mais famosa a chamada “maldição do set de filmagem” que afirma ser o filme amaldiçoado por causa da morte de várias pessoas associadas a produção. Mesmo assim teve ainda duas sequências: “Poltergeist II - o Outro Lado” (1986) e “Poltergeist III - O Capítulo Final” (1988), além de um remake de mesmo nome lançado em 2015. Mas o “Poltergeist” de 1982 continua sendo imbatível, de fato, o melhor de todos.

Revi o filme várias vezes em VHS e DVD e cada vez que assistia ficava imaginando como seria um livro com esse enredo se não houvesse o filme. – Puxa vida, essa mesma história nas páginas faria um baita sucesso! – exclamei várias vezes. Mal sabia que já havia um livro escrito com o mesmo argumento e lançado no mesmo ano do filme.

Você deve estar se perguntando agora: “como surgiu esse livro”? Ok, eu conto. A obra foi escrita pelo médico e escritor James Kahn em 1982. Neste mesmo ano, Spielberg estava à frente de um outro projeto grandioso: “Et – O Extraterrestre”. Kahn foi contratado para ser consultor de assuntos médicos no filme, e foi então que conheceu Spielberg nos bastidores. Aproveitando a oportunidade, ele entregou ao produtor e diretor hollywoodiano, os originais de um romance que havia escrito apenas como passatempo. Spielberg leu e gostou. Resultado: convidou Kahn para escrever um livro baseado no roteiro do filme elaborado por ele. E mais, deu toda a liberdade para que ele mudasse ou acrescentasse o que quisesse na história. Pronto, nascia assim, o livro Poltergeist, o Fenômeno que foi lançado na mesma época do filme, mas somente nas livrarias americanas.

É esse livro que a editora DarkSide promete publicar em terras tupiniquins no dia 4 de abril numa edição luxuosa com várias ilustrações e em capa dura. A obra chegará nas livrarias brasileiras após 40 anos de seu lançamento original nos States. Outra dúvida que deve estar borbulhando na “moringa” de muitos leitores é se o livro é bom ou apenas uma novelização do tipo “cópia fiel do filme”. Os comentários nas redes sociais são os mais favoráveis possíveis. A galera que leu adorou. Acredito que o motivo dessa aceitação foi a rédea solta de Spielberg para que Kahn readaptasse o seu roteiro da maneira que achasse melhor.

Ao ter recebido o sinal verde, o médico e escritor não se fez de rogado e mandou ver. Entre outras coisas, adicionou cerca de 50% de uma nova história à novelização.

Mais tarde, Spielberg teria dito que Kahn escreveu a melhor novelização de qualquer um de seus filmes.

Agora só resta aguardar com a maior expectativa a chegada de 4 de abril para devorarmos mais esse presentaço da DarkSide.

 

07 março 2023

Livros de James Bond serão reeditados para excluir trechos considerados racistas

Sempre fui um grande fã de 007 nos livros e nos cinemas, mas como um bom devorador de livros confesso que viajo muito melhor através das páginas do que pelas telas. Por isso recebi com grande surpresa e alegria a informação de que todos os livros do famoso agente secreto inglês escritos por Ian Fleming serão reescritos e relançados. Pois é, fiquei curioso para saber o motivo desse parecer da empresa que gere o espólio do autor britânico morto em 1964 aos 56 anos.

Após várias sondagens na Net fiquei sabendo que a decisão foi tomada visando a remoção de conteúdo racista de suas páginas com o objetivo de acatar as recomendações feitas por leitores de sensibilidade.

As novas edições serão publicadas para comemorar em abril os 70 anos de Casino Royale, o primeiro da série. Os livros foram publicados originalmente entre 1951 e 1966.

De acordo com matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, a leitura sensível é uma prática recorrente do mercado livreiro contemporâneo. Ela consiste em profissionais fazerem análises para levantar possíveis pontos do texto de ficção em que o autor faz representações de grupos sociais marginalizados. A prática é geralmente adotada em casos nos quais o autor não pertence ao grupo retratado.

A Ian Fleming Publications Ltd, companhia que tem direito sobre as obras de James Bond, que recebe o nome de seu autor, informou que uma série de atualizações foi feita nesta edição de relançamento dos livros, mantendo o texto o mais fiel possível ao original e ao período em que ele se passa.

Entre as partes alteradas, por exemplo, está um momento em Com 007 Viva e Deixe Morrer, onde, no livro, Bond diz que os africanos que trabalham com o mercado ilegal de ouro ou diamantes são "homens que obedecem a lei, exceto quando bebem demais". Com a reedição, a última parte, sobre a bebida, é removida.

Outro exemplo é uma passagem da história que se passa em uma boate de striptease no Harlem, bairro novaiorquino conhecido pela grande quantidade de moradores negros. Nela, é dito que os homens ali presentes "soltavam grunhidos como se fossem porcos no cocho"; a nova versão, no entanto, diz apenas que o ambiente tinha uma "tensão eletrizante”.

Os livros, de acordo com o jornal, virão com uma mensagem aos leitores na qual lhes será explicado que as obras foram escritas em uma época quando era comum o uso de termos que "podem ser considerados ofensivos por leitores modernos" e que as alterações foram feitas de maneira a evitar ao máximo o distanciamento do texto original e do período em que os enredos se ambientam.

Além dessas alterações necessárias também estou curioso para conhecer o novo projeto gráfico desses relançamentos que, acredito, deverão aterrissar nas livrarias com capas novíssimas e de causar inveja.

Vamos aguardar, afinal de contas, abril está praticamente aí, batendo na porta.

03 março 2023

Apocalipse Z – O Princípio do Fim (Livro I)

E lá vou eu novamente na contramão, discordando da maioria dos leitores que amaram a obra de Manel Loureiro, escritor espanhol que escreveu uma trilogia pós-apocalíptica endeusada tanto por leitores quanto pela maioria dos críticos. Mas no meu caso, para ser sincero, a leitura demorou, mas demorou muito para engrenar. Comecei ler o livro e... cara, não ia! Foi duro sair da primeira marcha, aliás essa primeira marcha permaneceu até perto do final do livro, quando consegui passar, com muito custo, para uma segunda e depois para uma terceira marcha, mas confesso que só consegui engatar a quarta já nas ultimas páginas da obra. Quanto a quinta nunca chegou.

Apocalipse Z – O Princípio do Fim, primeiro livro de uma trilogia pós- apocalíptica sobre zumbis, é escrito em primeira pessoa e no formato de um blog e também de um diário. Praticamente não existem diálogos; tá bem, para não dizer que não existem diálogos, refaço o que “disse”; existe sim: acho que “uns” 15 ou pouco mais, e só.

Como não bastasse o texto “corridão”, os leitores ainda tem que conviver durante grande parte da história com apenas dois personagens: o advogado que escreve o blog/diário (isso mesmo, ele não tem um nome específico, já que  o autor se refere a ele apenas como advogado) e o seu gato (esse sim tem um nome: Lúculo). Não vou acrescentar um terceiro personagem porque o vizinho do advogado é um coadjuvante insignificante e permanece pouco tempo na história.

O que predomina é a interação advogado – zumbis, onde o personagem principal vive fugindo dos “não mortos” (é assim que Manel se refere aos seus zumbis) em busca de um lugar seguro onde possa existir outras pessoas consideradas normais.

O advogado e o seu inseparável gato só irão se encontrar com outros personagens no meio do livro. Foi a partir daí que consegui engatar uma segunda marcha.

O livro até começa bem, prendendo a atenção, mas esse clima termina logo. No início é interessante ler a narração dos fatos pelo personagem em seu blog. Ele descreve como uma experiência médica malsucedida realizada em um país que parece ser a Rússia, acaba saindo dos eixos e se espalhando. Resultado: os infectados acabam virando zumbis. Aos poucos o mundo vai tomando ciência da gravidade da situação, mas ao mesmo tempo os governos decidem por encobrir grande parte do problema para não espalhar o pânico até que a situação degringole de vez.

Este clima de expectativa, de fato, desperta o interesse do leitor, mas por muito pouco tempo. Depois, o enredo “afrouxa” ficando reduzido apenas a dois personagens: o advogado e o gato.

Da sua metade em diante, quando o advogado começa a se encontrar com novos personagens – bons e maus - o livro vai ganhando fôlego, pouco, mas vai. É uma pena, que a história só desencante perto do final, a partir do capítulo “Numância”. Foi aí que veio a quarta marcha, ou seja, foi a partir desse capítulo que a história começou a deslanchar e prender a minha atenção. Mas quando estava perto de engatar a quinta e última marcha, a história terminou. 

Fica a esperança de que o segundo livro da trilogia chamado Apocalipse Z – Os Dias Escuros consiga manter essa quinta marcha constante, sem reduzi-la ou que essas reduções sejam poucas. Tenho que torcer por isso porque empolgado com tantas críticas positivas acabei comprando a trilogia completa – e olha que suei para conseguir essa façanha, já que os dois últimos livros estavam praticamente esgotados. Pois é, por enquanto, Os Dias Escuros e A Ira dos Justos estão descansando em minha estante. Preferi dar um tempo na leitura da saga porque não estava tão empolgado com o ritmo da história e principalmente a falta de diálogos; aliás amo enredos recheados de diálogos. Com certeza, esse foi um dos motivos que fizeram com que eu torcesse o nariz para grande parte da história de Manel Loureiro.

Por enquanto, estou lendo alguns contos de terror, depois pretendo ler um outro livro – que tenha diálogos, claro – e, então, só depooooois é que penso em encarar o segundo livro da trilogia Apocalipse Z.

Quanto ao enredo desse primeiro livro, vamos lá.

Em uma pequena cidade espanhola, um jovem advogado leva uma vida tranquila e rotineira. Um dia, porém, começa a ouvir notícias sobre um incidente médico ocorrido em um país remoto do Cáucaso. Apesar de aparentemente corriqueiras, as notícias chamam tanto a sua atenção que ele resolve registrar suas impressões em um blog. Aos poucos, o que eram apenas acontecimentos incomuns ocorridos em um país distante começam a se espalhar por toda a Europa.

Em menos tempo do que poderia supor, o terror se instala. A partir daí a situação se torna um “pega prá capá”.

Beleza?

Inté galera!

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