23 outubro 2017

DarkSide relança Creepshow, obra rara de Stephen King

Lá pelos meus 20 anos, assisti a um filme no cinema de minha cidade que arrastou um grande numero de garotos. O Cine São Salvador tornou-se pequeno para receber toda a galera. Anos depois, na fase dos famosos e saudosos VHS’s, loquei o mesmo filme e deliciei-me novamente. Não satisfeito, há pouco tempo, sai desesperadamente a procura dos quadrinhos sobre o filme e... decepção: todos eles esgotados e assim;  acabei voltando para casa de mãos vazias.
E agora, após décadas, uhauuuuu!!!! Finalmente poderei realizar o meu desejo de consumo. A DarkSide, editora especializada no lançamento de livros de terror já colocou no mercado uma verdadeira lenda: Creepshow. E aí? Conhecem? Se você faz parte da minha geração, com certeza deve se lembrar e também  cultuar esta famosa histórias em quadrinhos do mestre da literatura de terror, Stephen King.
Deixe-me contar um pouquinho da história de Creepshow. Garanto que valerá a pena. Lá pelos idos de 1982, o grande mestre do terror, já famosíssimo na época, propôs ao seu grande amigo George Romero - considerado uma verdadeira lenda por causa de sua obra prima “A Hora dos Mortos Vivos” (1968) – um projeto cinematográfico onde ele, King, escreveria o roteiro e Romero, entraria com a direção. Resultado: o nascimento de um dos filmes de terror mais idolatrados de todos os tempos.
Participação de Stephen King no conto "A Morte Solitária de Jordy Verrill"
“Creepshow” chegou ao primeiro lugar de todas as bilheterias mundiais, enfim, um estrondoso sucesso de crítica e público. A obra cinematográfica dos dois amigos gastou poucos recursos e arrecadou muito dinheiro. O sucesso fez com que Romero e King se unissem novamente em uma continuação, “Creepshow 2: Show de Horrores”, em 1987, cinco anos depois do sucesso do primeiro filme, mas sem o mesmo impacto do projeto original.
No mesmo ano do lançamento do primeiro filme, ou seja, 1982, King decidiu transformar o roteiro de “Creepshow” numa história em quadrinhos. Para fazer as ilustrações, ele chamou outro amigo, mais uma  fera chamado Bernie Wrighston que algum tempo depois trabalharia em outro projeto literário do autor, o emblemático “A Hora do Lobisomem”.
A história em quadrinhos foi lançada pela Penguin Books e à exemplo do filme se tornou um sucesso instantâneo de vendas. O gibi de 64 páginas trazia a segunda incursão de  King ao universo dos quadrinhos. O autor já havia feito uma experiência em Bizarre Tales, da Marvel, em dezembro de 1981 em um conto com arte de Walt Simonson, deixando evidente que sempre manteve ligações a grandes nomes em seus projetos, seja nos quadrinhos ou no cinema.
A HQ “Creepshow” vendeu tanto, mas tanto que acabou se esgotando, entrando para o rol das obras extintas, deixando com água na boca muitos fãs do mestre do terror que, assim, tiveram de se contentar apenas com o filme. Inclusive, vale à pena lembrar que para aqueles que já assistiram a produção cinematográfica não haverá surpresas, já que a HQ foi adaptada literalmente do roteiro do filme. Mas galera... confesso que nada disso interessa. Eu quero é ter os dois!
Parte do meu sonho já foi  realizado há muito tempo quando consegui copiar o filme de um amigo, mas quanto a HQ, por estar extinta, a missão era considerada impossível.
George Romero e Stephen King no intervalo das filmagens de Creepshow
Vejam bem, “era”, porque agora, a DarkSide acabou de relançar as cinco histórias de Creepshow com um layout de ‘estontear’ (no bom sentido, é claro) qualquer leitor. Fazem parte do pacote: capa dura, ilustrações originais de Wrighston, papel de qualidade, enfim, um design de arrepiar, bem ao estilo da DarkSide.
Confiram o resumo das cinco histórias de “Creepshow”:
Na primeira, chamada "Dia dos Pais", um velho demente decide voltar a vida, após sete anos de sepultura, para comer o bolo de Dia dos Pais e vingar-se da filha que o matou, pois não suportava mais o seu jeito bruto.
No 2º conto, "A Morte Solitária de Jordy Verrill", que na adaptação cinematográfica contou coma presença de Stephen King, um pequeno agricultor vê  um meteorito cair nas suas terras. Ele pensa então em vendê-lo por 200 dólares para poder pagar as dívidas, mas ao tocar no meteorito contrai algo que gradativamente o transforma numa planta. Além disso um líquido que sai do meteorito faz a vegetação ao redor da sua casa crescer de forma assustadora.
No 3º conto, "Indo com a Maré", Richard Vickers, um vingativo marido , enterra a sua esposa e o amante dela na praia. Ambos ficam enterrados na areia até o pescoço para que sejam afogados pela maré, mas algo de imprevisto acontece, pois os amantes voltam como mortos-vivos afogados dispostos a se vingar na mesma moeda.
No 4º conto, "A Caixa", Mike é o segurança de uma faculdade, que liga para o seu professor dizendo  que achou uma caixa de 1834 escondida debaixo da escada. O mestre vai ao seu encontro e, ao abrirem a caixa, surge uma aterradora criatura que mata Mike. Apavorado com o sucedido, o professor sai a procura de auxilio, mas o seu pesadelo está apenas começando.
Na última história, "Vingança Barata", um intratável milionário que tem mania da limpeza, é atacado por uma infinidade  de baratas.
Beleza? Então corram e comprem logo esse presentão... para você.
Detalhes técnicos
Autor: Stephen King
Páginas: 64
Edição: 1ª
Tipo de Capa: Capa Dura
Formato: Livro
Editora: Darkside Books
Ano: 2017

Gênero: Terror

18 outubro 2017

O Jogo do Anjo (2º volume da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos)

Estava com um receio enorme em iniciar a leitura de “O Jogo do Anjo”. Tinha acabado de ler “A Sombra do Vento” e acreditava que Carlos Ruiz Zafón não iria conseguir escrever uma sequência tão boa quanto o primeiro livro da saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”. E advinha? Eu estava errado. Muito errado. Zafón conseguiu criar um enredo tão envolvente quanto “A Sombra do Vento”.
Apesar de ter escrito uma história com elementos sobrenaturais, fugindo das características de “A Sombra do Vento” que tinha um clima mais realista, o autor consegue prender da atenção do leitor da primeira a ultima página.
O sucesso de “O Jogo do Anjo” deve-se em grande parte a elaboração fantástica de seus personagens principais. Caraca, como Zafón é bom nisso! David Martin - o atormentado e talentoso escritor que para fugir de seu destino nada promissor decide, supostamente, vender a sua alma ao diabo – é o personagem mais instigante já criado por Zafón. Em determinados momentos, você o considera um verdadeiro calhorda, em outros, o melhor dos seres humanos. A partir do instante em que o leitor vai conhecendo a vida cheia de agruras e rejeições do personagem, inclusive dentro de seu lar com os próprios pais, passa a ter uma maior identificação com ele e até mesmo compreender algumas de suas atitudes menos comuns.
A minha admiração por Zafón vem da sua capacidade em conseguir transformar personagens pequenos em verdadeiros gigantes, como por exemplo Dom Basílio e Victor Grandes. O primeiro, subdiretor de um jornal decadente onde Martin começa a trabalhar e o segundo, um inspetor da polícia de Barcelona que fica nos calcanhares do protagonista após a ocorrência de uma onda de assassinatos estranhos na cidade.
Dom Basílio dá os ares de sua graça em poucas páginas, mas conquista o leitor com a sua antipatia de fachada, porque na realidade, ele é dono de um grande coração. Juro que ele com aquele inseparável lápis vermelho rabiscando os textos de seus redatores, encontrando erros existentes ou inexistentes, lembrou um antigo ex-editor que trabalhou comigo. Quanto a Victor Grandes, Zafón guarda um grande Ás na manga, dando uma reviravolta na vida do personagem, deixando o leitor de queixo caído. Ele começa pequeno e desinteressante na trama, mas de repente: Booom!! O personagem dá uma quinada de 360 graus, revelando um grande segredo.
Se você adorou as reviravoltas no enredo de “A Sombra do Vento”, com certeza, irá gostar de “O Jogo do Anjo” que segue a mesma linha. Quando tudo parece caminhar para um desfecho normal, envolvendo determinado personagem, eis que vem a surpresa e o que você pensava ser o óbvio, acaba se transformando em algo totalmente inesperado. Este estilo de escrita do autor espanhol faz com que o leitor se transforme num devorador de páginas, atravessando madrugadas lendo o livro; como eu fiz.
Em “O jogo do Anjo” você também terá a oportunidade de conhecer, em detalhes, a vida de Isabella, a mãe de Daniel Sempere, um dos protagonistas de “A Sombra do Vento”. Zafón resgata as origens da personagem, mostrando como foi a sua infância e adolescência e ainda como ela conheceu Sempere, o pai de Daniel. É prazeroso entrarmos na intimidade dos “pais adolescentes” de Daniel Sempere. Vale lembrar que todos esses personagens cruzam os seus destinos com o de David Martin.
A história de “O Jogo do Anjo” se passa bem antes de “A Sombra do Vento”, no primeiro ano do século XX.  O autor narra a saga do escritor David Martin que logo ao nascer, já começou a tomar golpes da vida. Seu pai, segurança de um jornal em Barcelona, morreu assassinado na porta da redação quando o autor ainda era uma criança. O jeito para a escrita logo se manifestou, mas as oportunidades nunca estiveram à altura do potencial do rapaz. As pancadas em sua vida continuaram acontecendo com freqüência, entre as quais, a perda de seu grande amor que foi parar nos braços de seu melhor amigo.
Aos 28 anos, cínico, habituado a vender barato o seu talento, vivendo sozinho num casarão em ruínas, David se descobre doente e com pouco tempo de vida. É quando resolve fazer um pacto com um  misterioso personagem que surge em sua vida, prometendo muito dinheiro e o restabelecimento de sua saúde. Este pacto terá grandes conseqüências na vida do personagem. Boas ou más? Só lendo o livro para saber.
O que posso dizer é que a história tem um final inesperado.
Podem conferir, sem medo.


14 outubro 2017

Jovem escritor brasileiro lança 1º volume de trilogia infantojuvenil. “Vince – A Busca de um Caminho” tem dragões, pântanos, castelo misterioso e muita aventura

Fico imaginando quantos escritores brasileiros de talento estão lutando para  lançar o seu primeiro livro e não conseguem. Já tive a oportunidade de ler vários originais escritos por alguns amigos que fiz ao longo dos meus mais de seis anos de blog. Posso afirmar que são histórias fantásticas e que segundo os seus autores foram recusadas por várias editoras.
Cara, as vezes penso que  a maioria dessas editoras, sequer lêem os originais que recebem. Na pior das hipóteses “batem os olhos” na introdução e param por aí. Esta é a única explicação plausível que eu encontro para tantas porcarias – geralmente de escritores americanos ou europeus - publicadas com grande estardalhaço e que não chegam aos pés dos originais ‘rejeitados’ que eu li.
Fazer o que? Só resta torcer para que as nossas grandes editoras passem a tratar com mais carinho e atenção os enredos que recebem de novos autores, aqui da terrinha, para serem analisados. Com certeza, esses editores  estão perdendo jóias raríssimas e de uma maneira displicente, ingênua e me desculpem a sinceridade, até mesmo burra, deixando passar a oportunidade de ganharem muito dinheiro com as vendas de boas histórias.
Por isso quando descubro que algum escritor tupiniquim conseguiu romper esse preconceito, com certeza comemoro com uma bateria de fogos.
Não poderia deixar de citar as editoras Multifoco, Chiado e Scortecci que são, na minha opinião, as únicas que ainda procuram dar uma chance para o novos talentos da escrita no Brasil. Pelo menos, por enquanto, elas ainda não aderiram a febre  das publicações de s youtubers.
Vinícius Varzim Cabistany
Torço muito por esses jovens escritores que lutam por um lugar ao sol e procuro ajudá-los, na medida do possível. Bem, mas vamos ao que interessa. Tem novo escritor brasileiro no pedaço que conseguiu publicar o seu livro. Trata-se de Vinicius Varzim Cabistany. Recebi o pdf da obra e apesar de ter parado de ler romances digitais, pois tenho que priorizar as obras físicas que recebo, resolvi acrescentar “Vince – A Busca de um Caminho” em minha lista de leitura. Confesso que fiz uma leitura dinâmica do pdf, mesmo assim, gostei.
“Vince – A Busca de um Caminho” é uma obra infanto-juvenil muito interessante. É o  primeiro volume de uma trilogia, ambientada em um mundo fantástico onde  os três protagonistas, Vince, Tom e Mike, são arrastados para uma realidade totalmente diferente do cotidiano
em que viviam, sendo obrigados a lutar pela sobrevivência e ao mesmo tempo, encontrar um caminho de volta para casa. Os três adolescentes precisam lidar com a realidade de viver em uma região vasta, tão bela quando perigosa e aparentemente esquecida do resto do mundo.
O autor busca o apoio de dragões e outros animais excêntricos, além de muitas peripécias, fugas e desafios  para deixar o enredo bem mais interessante. E consegue.
Os cenários incluem florestas densas, pântanos estéreis, desertos
escaldantes e até um castelo misterioso. A jornada avança motivada pela inabalável esperança de encontrar ajuda ou mesmo pistas que possam indicar um caminho a ser seguido.
Ao final, a procura culmina no objetivo traçado, logo nos primeiros diálogos, onde todos concordam em alcançar o ponto mais alto do vale.
O caminho até lá reserva surpresas incríveis, de encontros com criaturas
desconhecidas  à  descobertas  surpreendentes sobre o  vale, mas também revela a face mais egoísta de cada personagem.
Gostei do ritmo da narrativa e com certeza os leitores que apreciam histórias de aventura com muita adrenalina irão aprovar o lançamento do selo ‘Desfecho Romances’ da editora Multifoco.
Vinicius Cabistany nasceu em Rondonópolis e atualmente reside em Campos Grande (MS). É biólogo e professor de ciências naturais e segundo ele, viu na natureza das diferentes regiões onde viveu, os cenários perfeitos para as narrativas de “Vince – A Busca de um Caminho”.
Boa leitura. Acredito que irão gostar. 




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