23 março 2014
Livros que sobravam nos sebos, mas agora... entraram para a lista de extintos
Gente, cheguei a uma conclusão que passou a valer como uma
lei imutável em minha vida de leitor inveterado e rato de sebo: "quando você
encontrar um livro que procura compre-o naquele exato momento, nunca deixe para
depois, mesmo sabendo que há outros exemplares à disposição em muitos outros
sebos". Sabe por quê? É simples! Mais dia, menos dia, esses livros irão se
esgotar porque outras pessoas também estarão à procura e elas não serão tão
lerdas e indecisas como você.
Temos de colocar na cabeça que essas obras literárias deixaram
de ser publicadas, estando com as suas edições esgotadas. Por conseguinte, os
livros que vc encontra por aí, em algum sebo, foram colocados nas prateleiras
empoeiradas por leitores que não tem espírito de colecionador. Por isso, quando
acabam de ler, vendem o livro para algum 'sebito' por preços irrisórios. Quanto
aos alfarrabistas que não são bobos revendem a jóia rara por verdadeiras
fortunas.
Portanto galera, se encontrarem um livro perdido nos ‘sebos
da vida’ e desejarem comprá-lo, comprem naquele momento. Jamais diga: -n “Ah! Depois
eu compro, tem mais por aí”. Saiba que um dia eles irão embora e não teremos
peças de reposição. Seguem algumas obras que vc encontrava, com facilidade, até
a pouco tempo em qualquer sebo, mas hoje estão esgotadas ou perto disso.
Cara, como doeu em minha alma o dia 15 de dezembro de 2001,
há exato um dia antes do menino aqui completar ‘quarentinha’. Estava numa
cidade vizinha realizando uma reportagem quando, num intervalo, resolvi visitar
alguns sebos para me presentear com um livro. “Vou comprar um presente para
comemorar os meus quarenta anitos”. Queria muito adquirir “A Hora do Lobisomem”
de Stephen King, livro que já não estava sendo publicado. No primeiro sebo que
visitei já vi logo de cara ‘uns’ 10 exemplares distribuídos na estante. Com
certeza, poderia ter mais. Na segunda loja que passei, vi mais ou menos a mesma
quantidade e pensei comigo: Bah!! Depois eu compro! E fui embora cuidar da
vida. Meu! Juro que me esqueci! Meu niver passou, outros nivers vieram, fiquei
mais velho e depois de ‘alguns dois ou três anos’ o tontão, aqui, tem um
insight atrassadérrimo: “Putz! O livro do King! Deixe-me comprá-lo logo, antes
que acabe”. Peguei o telefone e liguei para o primeiro sebo que havia visitado.
O alfarrabista disparou: - “Já não tenho esse livro há uns dois anos, você vai
ter que esperar algum leitor devolver para que possamos revende-lo”. Deu-me uma
vontade enorme de responder: “É! Revender não, explorar e por um preço
bombástico!”. Com o coração começando a disparar parti para o segundo sebo. -
“Não temos mais, esgotou”. Quase em prantos fui para a terceira loja. O dono,
talvez, percebendo a ansiedade misturada ao desespero de minha voz disse com
uma voz paternal: - “Filho, sinto muito, mas não tenho esse livro faz tempo”.
Arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
Uhhhhhhhhhhhhhhh!!! E por fim: Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!! Cara! Como
sofri naquele dia com a minha lerdeza, comodismo e sei lá mais o que. Confesso
que foi a pancada das pancadas, perto o nocaute que só viria tempos depois
quando começaria a pesquisar na Estante Virtual – portal que reúne uma
infinidade de sebos – e constataria que os poucos volumes de “A Hora do
Lobisomem” estavam sendo vendidos há R$ 150,00, R$ 180,00 e pasmem, até a R$
300,00!! Então, o nocaute chegou e posso garantir que o soco disparado pela
minha incompetência de leitor inveterado veio ‘babando’. Pôooo!!! “Ta lá um
corpo estendido no chão!”.
PQP!! “Deixei de pagar míseros R$ 8,00 naquela época e agora
tenho de aguentar isso. Que sirva de lição”, me martirizei.
Então, pintou a idéia de fazer um post para alertar a galera. Isso mesmo;
alertar. Se você ‘der de cara’ com um livro que goste, todo escarrapachado na prateleira empoeirada de um sebo, não pense
duas vezes compre-o. Nem precisa amar o tal livro; posso lhe garantir – por
experiência própria – que no momento em que resolver amá-lo, tardiamente, ele lhe
dará uma bela esnobada, como aquelas loiras fatais das novelas policiais noir.
Livros de sebos são assim. Pode acreditar.
Bem, vamos conferir algumas obras que até há pouco tempo marcavam
presença nos sebos, mas depois.... Zéfini. Esgotaram-se, deixando muitos
leitores com dor de cabeça e com um baita arrependimento de seu comodismo.
01 – A Hora do
Lobisomem (Stephen King)
Ano: 1987
Editora: LPM Pockets
Arghhhhhhhhhh!! Quanto mais quero esquecer esse livro, mais
lembro-me dele! Ele foi a causa da minha ruína psicológica que demorou uma
infinidade de séculos à ser recuperada. Volta e meia para não dizer: quase
sempre, aquela voz torturante, de anos atrás, do alfarrabista chega
bombardeando a minha memória: - “Filho, sinto muito, mas não tenho esse livro
faz tempo”. Uuuuãmmmm!! Putz, pior do
que um soco no fígado.
Cara, posso garantir que enquanto escrevo esse post consegui
localizar apenas um livro. Isso mesmo! Nem no Mercado Livre, nem no sebo da
vovó ou do vovô, nem no sebo da dona Raimunda e o escambau a quatro.
Encontrei “A Hora do
Lobisomem” apenas em um sebo cadastrado no portal da Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br) por
míseros R$ 100,00 ! E pensar que no dia 15 de dezembro de 2001, esse livro de
Stephen King estava sobrando, mas sobrando tanto que podíamos comprá-lo por R$
5,00 ou até menos. PQP!!!!!!!!!!!!!!!!!! Como fui burraldo!!! Deixe-me parar
por aqui porque a revolta comigo mesmo é tão grande, que eu não quero continuar soltando palavrões.
02 – Primeiro Sangue
(David Morrell)
Ano: 1972
Editoras: Record (1972)
e Nova Cultural (1988)
Há dois anos, encontrar “Primeiro Sangue” de David Morrel era
a barbada das barbadas. O portal da Estante Virtual estava, literalmente,
forrado de livros que choviam pra todos os lados. Para os interessados na obra,
parecia um oásis no meio do deserto. Cara, o livro de Morrel dava em pencas!
Mas agora, tente encontrar um único exemplar na net ou em algum sebo de sua
cidade? Vamos lá, eu faço esse desafio. Meu, você não vai encontrar bulhufas.
Ah! Minto, vai sim. Há dois dias, decidi digitar no “Santo Google” a palavra “livro
Primeiro Sangue” e só visualizei matérias sobre a obra de Morrell em blogs,
nadica de livros perdidos em sebos. Então, resolvi mudar e digitei “Rambo II –
A Missão, Nova Cultural”, ou seja, o nome do livro que foi lançado pela citada
editora após o sucesso do segundo filme do personagem. Viva! Viva! Aleluia!
Encontrei um. O livro de Morrel estava à disposição no Mercado Livre pela
bagatela de R$ 150,00!!
Quanto a edição original lançada pela Record em 1972 com o
título “Primeiro Sangue”, pode esquecer, virou dinossauro, quer dizer, um
produto extinto da face da terra. Acredito que aqueles que tenham a obra e
estejam cientes da sua importância e raridade jamais irão querer dispô-la.
Iahuuuuuuuuuuuuu!!! Depois da ‘marcada’ de “A Hora do
Lobisomem” acabei aprendendo a lição. Há ‘uns’ três anos quando vi o livro num
sebo virtual não pensei duas vezes e ‘mandei ver’. Hoje tenho em local de
destaque em minha estante, a primeira edição de “Primeiro Sangue” lançada em
1972.
Deus seja louvado!!!
03 – O Planeta dos
Macacos (Pierre Boule)
Ano: 2008
Editora: Agir
Outra relíquia que fisguei logo. Viu só como a amarga lição
deixada pela “A Hora do Lobisomem” valeu a pena? (rs).
Lembro-me que na década de 80 ou 90, não sei exatamente; as
bancas de revistas – inclusive, as de minha cidade – vendiam num pacote só,
filme (VHS) mais o livro no qual a história havia sido inspirada. Entre os
títulos lançados estava “O Planeta dos Macacos”. Na época não me interessei
muito, mas depois de quase uma década sai em disparada como um louco na captura
do livro de Pierre Boulle. Caramba! Não encontrava em lugar nenhum. Continuei a
minha procura, sem sucesso, nos sebos físicos e virtuais até 2008 quando a editora
Agir decidiu relançar a obra em terras tupiniquins. Pôoooo!!Buuummmm!! Soltei
rojões, foguetes e morteiros prá todos os lados. Meu amigo, como comemorei!
Acredito que fui um dos primeiros a comprar o livro.
No ano seguinte, os sebos já tinham à venda vários exemplares
da obra de Boulle à preços módicos, mas então num período de dois anos, “O Planeta dos
Macacos” sumiu das prateleiras “sebianas”. Simplesmente evaporou. Se não me
engano, em 2011, fiz uma varredura nas redes sociais e só descobri uma edição
em português de Portugal perdida num sebo e por um preço estrondoso: R$ 200,00,
creio eu. Ao preparar essa matéria, resolvi fazer uma nova pesquisa e encontrei
um único livro perdido num sebo chamado Ala dos Esquecidos, em São Paulo, por
R$ 69,90. Ah! Você que está achando o valor razoável, lembro que se trata de
uma edição pocket, de 182 páginas, ou seja, daquelas de bolso.
04 – Eu, Tina – A História
de Minha Vida (Tina Turner e Kurt Loder)
Ano: 1987
Quer um conselho de amigo? Então escute bem: Se estiver
interessado no livro da Tina Turner, COMPRE LOGO!!!. Não dou mais do que um mês
para que o livro atinja cifras astronômicas nos sebos e comece a desaparecer
das estantes.
No portal da Estante Virtual que agrega cerca de 1.300 sebos
de todo o país e mais de 11milhões de obras literárias, consegui encontrar
apenas sete livros de Tina Turner e Kurt Loder cadastrados. O mais barato custa
R$ 14,90 e o mais caro R$ 88,90. Com certeza, esse último livreiro já antevendo
– corretamente – que o livro começará a faltar dentro de pouco tempo, deiciu
jogar o preço lá nas nuvens.
Comprei essa autobiografia fantástica já faz tempinho, na
época das ‘vacas gordas’, quando os sebos estavam transbordando de ‘Tinas”, mas
agora os tempos são outros, porque quem tem o livro não está querendo se dispor
do produto. Siga o meu conselho de
amigo: Agarre logo um desses sete que estão sobrando.
05 – Elvis e Eu
(Priscilla Presley e Sandra Harmon)
Ano: 1986
Juro que me assustei... e muito, ao vasculhar na Estante Virtual quantos “Elvis e Eu” estariam disponíveis. Estava convicto de que encontraria um ou dois livros, não mais do que isso, mas acabei localizando 16 exemplares!
Juro que me assustei... e muito, ao vasculhar na Estante Virtual quantos “Elvis e Eu” estariam disponíveis. Estava convicto de que encontraria um ou dois livros, não mais do que isso, mas acabei localizando 16 exemplares!
Há três anos, a história escrita por Priscilla e Harmon
estava extinta, mas agora aperecem 16 livros ‘dando sopa’ nos sebos. Acho que algumas
pessoas que não tem o hábito de guardar os seus livros quando terminam a
leitura ou então algum familiar de um leitor inveterado já falecido que deixou
ao léu o seu arsenal de livros, decidiram revender as referidas obras para
limpar e desafogar o quarto. Que sacrilégio dizer uma coisa dessas!! Mas,
talvez, tenha acontecido isso mesmo.
Apesar dos 16 exemplares à disposição da galera no portal da ‘Estante’,
eles estão bem carinhos, variando de R$ 50,00 à R$ 70,00. Pelo que observei,
escampam dois com precinhos mais camaradas: R$ 29,00 e R$ 30,00.
É isso aí galera! Espero que o post tenha ajudado os ratos de
sebos indecisos a serem menos folgados. Viu um livro e gostou, pra que ficar
enrolando? Aproveite a chance que pode ser única em sua vida.
Inté!
18 março 2014
O Chefão
Há verdadeiras jóias raras da literatura que deveriam
permanecer intocadas, mas infelizmente isso não acontece. Quase sempre lá vem
um pedreiro (com todo respeito aos pedreiros) metido à escritor e com a
autorização dos familiares do autor falecido, acaba ganhando o direito de
escrever a continuação de uma história antológica que foi concluída com a maior
de todas as chaves de ouro. Então acontece aquilo que todos nós leitores
inveterados detestamos: personagens que tiveram o seu ciclo dentro do enredo
encerrados com toda maestria acabam retornando num copião vagabundo e mal feito,
completamente perdidos na nova história.
Cara fico puto da vida quando isso acontece. Tão puto que
acabo xingando em voz alta o infeliz que teve a idéia ‘burraldina’ de autorizar
a seqüência de um enredo sagrado que jamais deveria ter sido mexido. Foi assim
que fiquei quando tomei conhecimento de que “O Chefão”, de Mário Puzo, havia
ganhado uma seqüência e depois de algum tempo, mais outra. Costumo dizer que
mataram a história brilhante de Puzo por duas vezes.
Mas na realidade, não estou aqui para escrever sofre esses
dois fiascos literários – os leitores que quiserem saber alguma coisa sobre um desses
fiascos veja aqui – mas sim sobre a obra incomparável de Puzzio, a qual já li
‘zilhões’ de vezes.
Em “O Chefão”, publicado em 1969, Puzo escreve sobre uma
família de mafiosos de origem siciliana que imigra para os Estados Unidos. A
história se passa no período de 1945
a 1954. O autor destrincha (no bom sentido) todos os
integrantes dessa família, fazendo com que o leitor conheça em detalhes a
personalidade de cada um deles. Don Vito Corleone, Michael, Sonny, Fredo,
Connie e o consigliere Tom Hagen. Don Vito é o chefão que emana a sua
autoridade de uma maneira tranqüila quase pedindo ‘por favor’, mas por de atrás
da sua fachada de humildade encontra-se algo letal, predatório. Dessa forma, o
seu pedido extremamente educado e refinado funciona como algo do tipo: “Faça o
que estou mandando ou você morre”. Don Vito é o bom e bonachão vovô italiano e
ao mesmo tempo o assassino mais cruel da Máfia, capaz de mandar executar a
morte de um inimigo sem nenhum peso de consciência, como se fosse um negócio. É
essa aura ambígua que envolve o chefão siciliano da Cosa Nostra que acaba
atraindo o leitor. Cara! Puzo consegue fazer isso como um verdadeiro mestre;
mas um mestre de primeira qualidade. Tanto é verdade que com o ‘virar das
páginas’, você acaba torcendo pelo mafioso. Putz! Acredite, é isso mesmo! Já
com relação aos seus filhos, Puzo esquece essa ambigüidade e manda ver. Sonny é
o primogênito que tem a função natural de assumir o comando dos negócios da
‘Família’, sucedendo Don Vito após a sua aposentadoria ou morte; mas ele é um
egocêntrico, cabeça quente e autoritário. A sua arrogância pode colocar a
perder todos os negócios da “Família”. Connie e Fredo são os fracos ou seja, as
decepções dos Corleone. Connie é submissa ao marido e vive sendo espancada e
Fredo é o cachorrinho de estimação de sua estonteante esposa, uma atriz menor
de Hollywood. Quanto a Michael, bem... olha a aura de ambigüidade de Puzo
retornando! Ele é o terceiro dos quatro
filhos de Vito Corleone. No início é um sujeito pacato, tranquilão e que não
quer se envolver com os negócios escusos da “Família”, mas aos poucos começa a
mostrar a sua faceta implacável e cruel, provando estar pronto para substituir
o pai e assumir o seu posto como Don.
Esqueça o filme fantástico de Francis Ford Coppola, "O Poderoso Chefão", e se
delicie aprofundando-se nos personagens de Puzo. Quanto mais o autor os descreve,
mais você quer saber sobre eles. O romance é uma aula de narração e prende o
leitor ater mesmo nos momentos mais descritivos da história.
Outros detalhes que atraem no livro são as tramas secundárias
que acontecem paralelamente ao enredo principal da família Corleone. É
impossível não se prender à história do famoso cantor Johnny Fontane, um dos
protegidos de Don Vito. Ao contrário do filme, onde o personagem aparece numa
pequena ponta, logo no início, durante o casamento de Connie; no livro, o autor
‘escancara’ detalhes importantes sobre ele, se aprofundando ao máximo na sua
composição. Há ainda Nino Valenti, que tem tudo para se tornar um talentoso
cantor, mas acaba sendo engolido pela bebida e o clima inebriante de Hollywood,
quase perdendo tudo o que ganhou.
O livro de Puzo serviu como base para os três filmes da saga
“O Poderoso Chefão”, inclusive naquele em que mostra a infância e adolescência
de Don Vito.
Não vou escrever mais nada para não acabar me traindo com
spoilers. Basta dizer o seguinte: “O Chefão” de Mário Puzo, jamais merecia uma
continuação. A obra é especial demais
para isso. O seu ciclo já havia sido encerrado de uma maneira muito especial.
Uma pena que os familiares de Puzo, responsáveis pelo seu espólio,
não pensaram assim. Uma grande pena.
15 março 2014
Autor de “O Silencio dos Inocentes” revela o nome do serial killer que inspirou a criação de Hannibal Lecter
![]() |
| Lecter e Salazar |
Logo após o surgimento de Hannibal Lecter nas páginas começaram as especulações sobre
em quem o famoso serial killer canibal havia sido inspirado. Essas especulações
aumentaram de maneira significativa depois que o ator Anthony Hopkins imortalizou
o personagem na telas do cinema. Todos que assistiram ao filme tinham
curiosidade em saber se o Dr. Lecter teria sido apenas fruto da imaginação da
mente de um escritor, no caso, Thomas Harris ou se por de trás do personagem
fictício se escondia alguém de carne e osso.
Durante anos e até mesmo décadas, surgiram dois nomes que se tornaram
verdadeiras ‘pedras filosofais’: os
psicopatas Albert Fish e Ed Gein. Como o autor dos livros “Dragão Vermelho”, “O
Silêncio dos Inocentes”, Hannibal” e mais recentemente, “Hannibal - A Origem do
Mal” ficasse na dele, sem dizer ‘sim-nem-não’, criou-se uma lenda urbana em
torno de Lecter: a de que ele seria o espelho desses dois serial-killers.
Cara, confesso que fiquei decepcionado. Xinguei Harris de
todos os palavrões possíveis, inclusive aquele considerado o mais ofensivo de
todos, pelo menos para um escritor: “BURRO”!!!!
Meu, não entrava em minha cabeça que um vilão tão requintado,
inteligente e finesse – apesar de canibal - tivesse sido inspirado em dois
verdadeiros escrotos. Fish foi um pedófilo e masoquista da pior espécie. O
“Vampiro do Brooklyn” como ficou conhecido gabou-se de ter “tido crianças em
cada estado” e afirmou que molestou cerca de cem delas. Fish, que era
homossexual, gostava de ser agredido a chicotadas pelos seus amantes. O cara
tinha uma necessidade preemente de masoquismo e como na bastasse, ainda era
‘piradão da Silva’, daqueles que fazem coisas inacreditáveis, como, por exemplo,
pegar bolas de algodão, embebê-las em álcool, atear fogo e depois colocá-las no
anus. Depois começou a se espancar com um remo e por fim, já idoso, teve a
brilhante idéia de ficar espetando agulhas no seu corpo, entre o seu reto e o seu escroto.
Normalmente ele as retirava, mas começou a inseri-las tão profundamente que já
não as conseguiu tirá-las. Raios X feitos posteriormente revelaram 27 agulhas na sua região pélvica.
Quer mais? Ok. Tem ainda o lance das vozes. Ele acreditava
que Deus lhe ordenava torturar e castrar rapazes pequenos e então, ele mandava
ver. Suas vítimas preferidas eram meninos com doenças mentais ou negros, que
ele achava que não seriam procurados.
Cá entre nós; você viu alguma semelhança com Hannibal Lecter?
Com relação a Ed Gein, essa semelhança se torna ainda mais absurda.
O sujeito foi culpado pela morte de apenas 2 pessoas, desta maneira
tecnicamente não se encaixa na definição de serial killer. Ele sofria de
retardo mental e os seus crimes ganharam notoriedade quando as autoridades
descobriram que Gein exumava cadáveres
de cemitérios de sua cidade para conseguir alguns souvenirs. Resumindo,
ele era um ladrão de defunto! Pior: um ladrão de partes de defuntos!!
Repito a pergunta que fiz acima: Cá entre nós; você viu
alguma semelhança com Hannibal Lecter?
Tempos depois, Harris deu a entender nas entrelinhas que Ed
Gein serviu de inspiração para a composição do personagem Búfalo Bill, outro
serial killer, também presente no livro “O Silêncio dos Inocentes”. Quanto ao sósia
de Lecter, o autor continuava em silêncio. Mas no ano passado, esse mistério
chegou ao fim quando Harris decidiu abrir a caixa de Pandora e revelar em quem
se inspirou para compor o seu famoso personagem. Lecter ‘nasceu’, graças a um
médico mexicano chamado Alfredo Ballí Treviño ou simplesmente Dr. Salazar que
estava encarcerado numa prisão em Monterrey, no México.
Tudo começo quando Harris, ainda um jornalista de 23 anos,
foi até o presídio da cidade mexicana com o objetivo de entrevistar Dykes Askew
Simmons, um assassino que estava sob sentença de morte por ter matado três
pessoas. Mas por uma das diabruras do destino, ele acaba conhecendo um simpático
“Dr. Salazar”. E já viu né, conversa vai... conversa vem, então, Harris fica sabendo que o tal médico teria
salvado a vida de Simmons (o condenado, o qual ele queria entrevistar) quando
aconteceu um acidente numa tentativa de fuga da prisão no ano anterior. Simmons
havia sido baleado e o Dr. Salazar conseguiu, num ato heróico, evitar que o
companheiro de prisão morresse.
Ao cruzar com o diretor da prisão, o então jornalista, Thomas
Harris perguntou sobre o médico mexicano e ouviu a seguinte resposta: “- Ele
nunca vai deixar esse lugar. Ele é louco”. Ao ouvir isso, a sua percepção –
percepção que todos nós jornalistas temos - deu um salto e ele sentiu que ali estava
a sua chance de ‘fisgar’ uma boa matéria. Harris pediu para conversar com o
misterioso médico de gestos requintados e fala envolvente e acabou descobrindo os
seus mais íntimos e sombrios segredos. Vale lembrar que o Dr. Salazar mantinha
um consultório dentro do presídio. Após ouvi-lo, Harris não descansou até
descobrir o seu nome verdadeiro. Muitos anos depois, um conhecido escritor
mexicano, Diego Enrique Osorno que conhecia a fundo a prisão onde o verdadeiro Lecter
estava, recebeu por meio de seu editor uma carta de ninguém menos do que Thomas
Harris - nessa época um escritor hiper famoso, graças ao seu primeiro livro “Domingo
Negro” (1975) – que continha a seguinte mensagem:
“Preciso de informações sobre um
médico, conhecido pela imprensa como “O Lobisomem de Nuevo León”, detido na
Prisão Estadual de Nuevo León no final dos anos 1950 e pelos anos 1960. Não sei
seu nome. O médico foi condenado por matar caroneiros em Nuevo León,
desmembrando-os e desovando os corpos aos poucos à noite com seu carro. O
médico salvou a vida de outro detento na prisão, Dykes Askew Simmons, quando
ele foi baleado pelos guardas enquanto tentava fugir. O médico também tratou
pessoas pobres gratuitamente quando era prisioneiro e chegou a ter um
consultório dentro da cadeia.
Simmons era um texano condenado em
Nuevo León, em março de 1961, por matar três membros jovens da família Perez
Villagomez em outubro de 1959. Ele foi sentenciado à morte, uma sentença depois
comutada para 30 anos de prisão. Ele esteve na Prisão Estadual de Neuvo León de
1961 até sua fuga em 1969. O caso de Simmons, e provavelmente o caso do médico,
foi coberto pelos jornais El Norte de Nuevo León e El Sol de Nuevo León. Os
repórteres do El Norte que escreveram sobre Simmons foram Ricardo Bartres e
Esteban Ardines.
Qualquer ajuda será bem-vinda.”
Osoro saiu em busca de informações do misterioso Dr. Salazar e
acabou descobrindo o seu nome verdadeiro: Alfredo Ballí Treviño. Soube ainda
que o médico havia sido condenado a morte, mas que a sua pena tinha sido
comutada. Balli morreu em 2010 e até aquele ano praticou a medicina num
consultório numa colônia esquecida de Monterrey. De posse desses detalhes, o
escritor mexicano os enviou para Harris que o agradeceu imensamente; e então
Osoro saberia mais tarde que toda essa busca havia sido desencadeada para que o
conhecido autor pudesse completar o
prólogo da edição de aniversário de “O silêncio dos Inocentes”, onde finalmente
conta ao público a verdade por trás de Hannibal Lecter.
Harris, então, explica que o romance precisava de um
personagem com uma capacidade para compreender a mente criminosa de forma
peculiar e essa pessoa teria de ser “Dr. Salazar”, ou como sabemos agora, Dr.
Ballí.
Quanto a conversa que o Dr. Salazar teve com Harris nos anos
60, enquanto estava preso em Monterrey, ele confessou vários assassinatos, nos
quais as vítimas foram desmembradas, além de terem partes de seu corpo
saboreadas pelo médico canibal. Mas tudo indica que após as matanças e o surto ‘canibalístico’,
o Dr. Salazar ou Alfredo Ballí Treviño tenha se regenerado.
Pronto, tai a origem real de Hannibal Lecter.
E zéfini!
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