segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O Livro dos Mortos do Rock

Alguns leitores consideram o livro de David Comfort sensacionalista, mas uma coisa eles não podem negar: “O Livro dos Mortos do Rock” tem muitas informações interessantes e que conseguem prender a atenção da galera até a ‘última gota’. O autor foi minucioso em suas pesquisas e vasculhou a fundo a vida das sete saudosas celebridades do mundo do rock. A escrita no formato ‘jornalismo investigativo’ aguça a curiosidade dos leitores fazendo com que eles devorem em pouco tempo as 408 páginas recheadas de informações bizarras, engraçadas, chocantes e tristes envolvendo o lado secreto – desconhecido dos fãs – dessas lendas do rock.
Com relação ao carma de sensacionalista que a obra carrega; olha... não concordo. Comfort escreveu o seu livro baseado em depoimentos de pessoas próximas dos sete artistas. Entenda ‘pessoas próximas’ como: empresários, filhos, esposas, amantes, amigos, pais, mães, avós e o escambau a quatro. Uma miscelânea de informações dadas por fontes confiáveis que tiveram a oportunidade de conviver ao lado das sete feras. Comfort completou essas informações com uma vasta bibliografia, incluindo livros e reportagens publicadas em jornais conceituados. Portanto, não vejo onde está o sensacionalismo.
Agora, falando da obra em si, trata-se de um livraço. Prato cheio para os fãs que quiserem conhecer detalhes curiosos sobre a vida de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, John Lennon e Jerry Garcia, ou seja, as sete feras a que me referi no início do post.
Valendo-se de diversos pontos de vista, tanto de pessoas próximas quanto dos próprios astros, Comfort mostra que, apesar de personalidades diferentes, suas histórias de vida tiveram muito em comum.
Ao desafiar os limites da liberdade e da rebeldia, os sete conheceram o céu e o inferno do estrelato, a mais completa euforia e a depressão arrasadora. Tornaram-se solitários e autodestrutivos, entregues ao vício e às pressões por parte de amigos, fãs e empresários.
“O Livro dos Mortos do Rock” pode ser considerada uma obra desmistificadora já que rompe inúmeros paradigmas, mostrando o chamado ‘lado negro da força’ desses roqueiros. Depoimentos de pessoas ligadas a Elvis Presley revelam, por exemplo, a intenção do rei em contratar um assassino de aluguel para eliminar um sujeito que teria saído com uma de suas garotas. O livro dá detalhes sobre esse fato e o que motivou Elvis a tomar essa atitude drástica, que felizmente não se concretizou.
O capítulo sobre John Lennon, mostra um ex-beatle dependente de sua mulher Yoko Ono que determinava tudo o que ele devia ou não fazer, das coisas mais simples as mais complexas. Vemos, ainda, um John que não gosta de ter amigos e nem vê importância nisso. – Quando preciso de um amigo, eu alugo – diz ele.
O livro simula – através de depoimentos – como teria sido os últimos instantes  do chamado ‘Grupo dos Sete”. Hendrix, Morrison e Cobain teriam sido assassinados? Juro que fiquei na dúvida, principalmente com relação a Cobain. As provas apresentadas por detetives e perito legistas, de fato, conseguem plantar a semente da dúvida no leitor.
As brigas homéricas entre Morrison e Joplin quando estavam no auge de suas carreiras – eles eram inimigos ferrenhos que se odiavam – também são relatadas; a morte de Elvis que poderia ter sido evitada pela sua última namorada, Ginger Alden, que dormia no quarto ao lado do banheiro onde The King teve o suposto enfarte; a mania bizarra do Grateful Dead, grupo de Jerry Garcia, em querer drogar todas as pessoas que tivessem contato com eles. Estas são apenas algumas passagens curiosas do livro.
Todos os Sete, exceto um, tentaram suicídio ou ameaçaram cometê-lo. Todos os Sete tornaram-se viciados. A maioria morreu por excesso de drogas. Se um deles não tivesse morrido baleado, poderia muito bem ter tido o mesmo fim.
Seis dos sete imortais foram presos diversas vezes. Foras da lei, rebeldes, pregadores da liberdade, tiveram uma postura gloriosa contra o establishment. O sétimo foi o único de sua espécie, fazendo sua própria lei - afinal, ele era o establishment: o Rei. O presidente Nixon o nomeou agente federal de narcóticos. O Rei nunca se permitiu ser um drogado de rua: nos últimos 20 meses de vida, consumiu 12 mil tipos diferentes de analgésicos, todos receitados por médicos.
A morte também assombrou a vida da maioria deles desde a infância. A mãe de dois deles faleceu em acidente de automóvel. A mãe de outros dois bebia até cair. Aos 5 anos de idade, um deles viu o pai se afogar. Outro astro insistia em dizer que possuía os "genes do suicídio" porque os membros de sua família haviam tirado a própria vida.
Achei o livro impactante.

Recomendo.

Detalhes
Livros dos Mortos do Rock
Autor: David Comfort
Editora: Aleph
Páginas: 408
Preço: R$ 55,00 em média

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