domingo, 11 de junho de 2017

O Portador do Fogo (Crônicas Saxônicas – Livro X)

Acredito que a mesma ‘máxima’ que utilizo para Stephen King sirva para Bernard Cornwell: “Nem mesmo quando o cara erra a mão, seu livros deixam de ser bons”. Pois é amigo, responda-me com toda sinceridade, se alguma vez, você já teve coragem de abandonar uma história do mestre do terror, mesmo sendo ela 'terribile', no sentido qualidade? Pra ser sincero, nem mesmo aquele carro chato e xarope do “Buick 8” – uma das piores histórias escrita por King – tem o poder de fazer o sujeito encerrar a leitura antes de chegar ao seu final. Com Cornwell acontece a mesma coisa.
Na minha opinião, “O Portador do Fogo” – lançado recentemente - é o pior dos 10 livros da saga “Crônicas Saxônicas’. O autor errou a mão e justamente no livro mais aguardado de toda a série. É neste volume que Cornwell deixava escapar em suas entrevistas que o personagem Uhtred, finalmente, travaria a batalha mais importante de sua vida: a reconquista de  Bebbanburg, o seu antigo lar. Vale lembrar que essa fortaleza havia sido surrupiada do guerreiro pagão, ainda criança, pelo seu tio considerado um usurpador. Portanto, os leitores vinham aguardando na maior ansiedade, o dia em que Uhtred e seu exército conseguiriam realizar essa proeza, considerada por muitos como a ultima grande batalha de sua vida. Entonce... chega “O Portador do Fogo” e chuáaaa! Chega junto, também, uma ducha de água fria. A preparação, as táticas, os personagens, enfim, as batalhas travadas não satisfazem o grau de expectativa dos fãs da série.
Mas no centro de todos esses desacertos não podemos esquecer que existe um escritor chamado Bernard Cornwell que, à exemplo de King, tem o dom de criar uma boa história, mesmo quando os seus neurônios entram em greve. E foi o que aconteceu com o 10º volume das “Crônicas Saxônicas”. Podemos dizer que deu para o gasto, como se estivéssemos com sede e precisássemos de um copo cheio de água, então chega um bom samaritano e nos dá apenas meio copo.
Se o autor consegue manter com maestria aquelas reviravoltas na trama que deixam os seus leitores de queixo caído, por outro lado comete três grandes pecados: a falta de punch na batalha pela conquista de Bebbanburg – como um lutador de boxe que só aplica jabs em seu oponente, se esquecendo de nocauteá-lo – o mau desenvolvimento de personagens importantes, entre eles: Sigtryggr, Stiorra, Eduardo e Aethelflaed que ficaram sem nenhuma função na história – e finalmente o maior de todos os pecados: a falta de um inimigo à altura de Uhtred. Os vilões Constantin, Uhtred (filho do usurpador), Aethelhelm, Waldhere, Domnall e Einar chegam a ser patéticos.  Juro que fiquei animado com a entrada presunçosa e arrogante de Constantin no enredo. Disse comigo mesmo: Caraca, esse cara vai dar trabalho! Mas depois... Bem, melhor esquecer.
Perceberam que eu citei seis vilões? Pois é galera, seis vilões numa mesma história!! E apesar disso, eles não conseguiram fazer o papel de um único vilão. Confesso que deu uma saudade enorme de Kjartan, Ubba, Harald – Cabelo de Sangue e principalmente de Cnut que foi vencido por Uhtred com muito custo, não sem antes, quase ter conseguido despachar o guerreiro pagão para o Valhala (salão dos mortos na mitologia nórdica).
Mas apesar desses deslizes, “O Portador do Fogo” não deve decepcionar,  totalmente, os fãs de Crônicas Saxônicas, já que Cornwell conseguiu reservar alguns poucos trunfos que são as reviravoltas na trama.
Prestem atenção na aliança formada pelo ealdorman Aethelhelm e o primo de Uhtred (filho do usurpador) para derrotar o guerreiro pagão. Quando você menos espera, Cornwell mete a caneta no meio daquilo que parecia óbvio e pimba! Lá vem o inesperado que chega rasgando.
Outra surpresa daquela de deixar o leitor com um Ohhhh!!... parado no meio da boca, acontece no início da batalha pela conquista de Bebbanburg. Uma importante revelação, envolvendo um personagem ligado a Uhtred e que me deixou pasmado. Revelação que é seguida de uma luta de espadas – um desafio entre dois guerreiros, propriamente dito. Esta luta, de tirar o fôlego, é descrita em menos de uma página e engole as duas batalhas principais do enredo que ocupam inúmeras páginas.
Para finalizar, tenho uma excelente notícia para nós, fãs das Crônicas Saxônicas. Tudo indica que Cornwell deva dar sequência à saga de Uhtred, mesmo após a aposentadoria do famoso guerreiro, agora, direcionando o foco de seus romances para a rivalidade entre os irmãos Aethelstan e Aelfweard, sucessores do trono de Eduardo. O primeiro deles, filho bastardo do rei de Wessex e também o protegido de Uhtred.
Aguardemos.

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