quarta-feira, 20 de março de 2013

Micro



Antes de começar escrever sobre esse thriller tecnológico de Michael Crichton e Richard Preston, gostaria de contar algo que aconteceu comigo e que talvez tenha alguma relação com o romance que acabei de ler.
Aproximadamente uma semana antes de encarar “Micro” fui convidado para o churrasco de aniversário de um amigo meu. Durante a festa, um ‘sádico infeliz’ me chamou: “Môra!! – Etchaaa apelidinho triste esse!! – vem aqui ver um negócio, corre cara!!” Pois é, do jeito que o tal sádico me chamou – aliás, só saquei que o sujeito era um sádico, de fato, depois da cena chocante que me mostrou – pensei que alguém estava passando mal e precisando de cuidados médicos. Mas ao chegar no local do “acidente” o que é que eu vejo? Vai! Diz aí mêo! O que é que eu vejo!! PQP!! O que aquele disgramado duma figa – pra não falar d-e-s-g-r-a-ç-a-d-o!!!! – ‘fio’  de uma ..... me mostrou? O cara %*&¨%$#@* teve a capacidade de mostrar com um sorriso prazeroso, o ataque de uma aranha (grandinha e esquisita) à uma ‘moscona’ enorme presa e indefesa numa teia!!! Ecaaaa! A tal aranha vinha com as suas mandíbulas que mais se pareciam tesouras de jardineiro mais afiadas do que navalha.
Esse sádico que nem por isso deixa de ser um sujeito legal... grande amigo (rs), talvez tenha se interessado pelos tamanhos cavalares da aranha e do inseto e por isso me chamou pra presenciar a cena, como se eu fosse o juiz responsável pela luta desigual. Credita!!! Eu juiz de um ‘UFC’ de insetos!! Ahahaha!
Bem, na verdade,  aquela cena acabou comigo. Pode parecer mentira, mas cheguei a ter um ‘mini-pesadelo’ na noite seguinte. Bem, dois dias depois, fuçando na Net, vejo nos sites das livrarias virtuais o novo livro de Michael Crichton, “Micro”. Não pensei duas vezes, fechei o pedido na hora.
Êpa! Pêra um pouquinho! Como explicar o meu desejo por essa obra, se eu não suportei ver uma aranha deglutir uma mosca?!! Calma gente; eu explico. Os motivos foram dois. Vamos começar com o menos importante. Bem, pela maioria dos comentários que havia visto nas redes sociais, acreditei que o enredo principal da história estaria ligado a nanotecnologia, ‘a exemplo de “Presa”, uma das melhores obras de Crichton que já li em minha vida. Jamais pensava que a história teria um festival de animais peçonhentos gigantescos atacando seres humanos menores do que um grão de areia!. Vamos agora, ao segundo motivo. Este mais importante. A obra em questão se trata de um livro póstumo do meu ídolo. Portanto, que venham as aranhas, vespas, centopéias e o escambau a quatro! Que venham com trinta, quarenta, cinqüenta ou cem metros de altura! Eu coloco os meus medinhos, medões, toque e retoques dentro de uma sacola e encaro as páginas. Afinal de contas, estou me referindo a Michael Crichton. O cara... a lenda... Ihh.... desculpe a empolgação, é que o sujeito é fera.
Olha galera, mas apesar de estar com um tesão incrível pelo livro, confesso que tive de dominar todos os meus medos de aranhas, vespas, gafanhotos e outros “bichinhos” para ler as 411 páginas do romance. E quer saber de uma coisa?? Valeu à pena!! Uhauuu!! E como valeu! Pode acreditar: li “Micro” em três dias, apesar de estar entupido de serviço. Varava madrugadas, lia nos intervalos do meu trabalho, no trânsito, no consultório médico, no toalete; enfim, nos mais diferentes lugares. O enredo desenvolvido por Crichton e concluído por Preston é uma verdadeira montanha russa que impede o leitor de desviar os olhos das páginas. Imagine uma história com aventura, intrigas, traições e romance, temperada com ficção científica da melhor qualidade. “Micro” é tudo isso e um pouco mais.
Há rumores de que Crichton teria escrito apenas 73% da obra antes de morrer. O restante da história teria sido completado por Preston. Ocorre que para o leitor é como se Crichton tivesse escrito todo o livro, o que deixa evidente o talento e competência de Preston que já havia provado que, de fato, é o “cara”, quando escreveu em 1994 “The Hot Zone”, um thriller de não ficção sobre um surto do vírus Ebola num laboratório especializado no estudo de primatas, localizado em Virginia. Este fato chamou a atenção do mundo em 1989 e mobilizou as autoridades médicas e sanitárias de vários países. “The Hot Zone”, lançado no Brasil pelo Rocco, é uma leitura obrigatória para aqueles que gostam de obras de qualidade escritas em estilo jornalístico.
Quando soube que Preston havia sido escolhido pelos herdeiros de Crichton para concluir a sua obra póstuma, encostei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei com os anjos, pois tinha certeza que seria uma mistura de qualidade.
O enredo estilo montanha-russa de “Micro” descreve a aventura de sete promissores estudantes, cada um deles, graduado em determinado campo da ciência (aracnologia, entomologia, bioquímica, envenenamento, etc) que acabam sendo convidados por Eric Jensen, irmão mais velho de um deles,  a iniciarem um estágio na empresa da qual é sócio: a NaniGen, especializada na fabricação de micro-robôs. Chegando nesse conglomerado empresarial, eles descobrem que a pesquisa da NaniGen vai muito mais além. Na realidade, eles conseguiram dominar a tecnologia da miniaturização, conseguindo reduzir seres humanos e máquinas à proporções microscópicas.  O objetivo da NaniGen é enviar grupos de pesquisadores com equipamentos de última geração ao chamado micro-mundo habitado por  insetos, bactérias e outros animaizinhos nada legais para recolher amostras que podem ser utilizadas na fabricação de medicamentos que futuramente poderão acabar com moléstias incuráveis.  Com o avançar das páginas, os leitores vão chegando a conclusão de que na verdade as intenções da empresa são bem diferentes  e nada altruistas. Pelo contrário;  a exploração do micro-mundo é um disfarce para despitar o seu verdadeiro objetivo. É evidente né ‘migo’  que não vou revelar qual objetivo néee....
Quando  Éric é assassinado pelo seu sócio inescrupuloso, Vin Drake, por ter descoberto as verdadeiras intenções da NaniGen, seu irmão Peter Jensen se torna um alvo em potencial. Resultado: ele e seus amigos são miniaturizados, pelo vilão, e enviados ao chamado micro-mundo.  Pronto! A partir daí, prepare o seu coração para as emoções. E que emoções! Os nossos sete protagonistas micro-humanos são, literalmente,  abandonados em uma vasta floresta tropical na grande ilha do Havaí de Oahu, ficando à mercê  de um “Mundo Perdido” .  Os jovens cientistas encontram uma natrureza hostil e a cada instante deparam com perigos  intensos e surpreendentes. Armados apenas com o conhecimento do mundo natural, de repente, são obrigados a enfrentar predadores terríveis que até há poucos instantes não passavam de simples insetos ou bichinhos inofensivos. Eles tem que vencer esses obstáculos para tentar impedir que Vin Drake coloque em prática o seu plano diabólico. 
Gostaria de alertar os leitores  com estômagos mais fracos que existem trechos que realmente causam náuseas, mas daquelas náuseas instantaneas em que  o vômito vem logo a seguir (rs). Um deles  é o ataque de uma vespa que após ferroar  e paralisar  a sua vítima humana com veneno, carrega-a  ainda viva para dentro do ninho para que sirva de alimento para... digamos... os seus filhotinhos.  Outra passagem  “braba” é o ataque organizado das formigas cabeçudas, uma das espécies carnívoras  mais predadoras do mundo.  A sua forma de atacar é semelhante ao dos velociraptores em “O Parque dos Dinossauros”, também de Crichton. Elas são extremamente inteligentes e... letais. Mas nada se compara  a dois momentos  por demais asquerosos. O primeiro deles quando uma vespa parasitária pega de supresa um dos cientistas dormindo num pequeno galho de uma árvores e simplesmente.... confunde o seu braço com uma larva. Sente só o drama: “ Ele ouviu uma aproximação ruidosa que planou por cima como um helicóptero... Era uma vespa... Ela desceu.... tocou suavemente a antena em seu braço esquerdo e sentiu a textura macia e o gosto da pele... Era uma pele branca e macia como uma lagarta... Então, de repente, a vespa”.... Aii Aii Aii!!! Mãêeeeeeeeeee!!! Quero lembrar disso não!!!  E quero lembrar menos ainda do trecho em que os caras já ‘mortos’ de fome no micro-mundo – no desespero – resolveram matar um...... (pontinhos) e provar a carne esbranquiçada e gosmenta do ... (pontinhos novamente). Ecaaaaaaaaaa!!! Ah! E comeram ainda os bifes crus e disseram que: - “bem, até que é saboroso”. Ecaaaaaa novamente!!!
Cara! Chega vai! Enfim, “Micro” é isso aí. Perto do final do livro, há revelações surpreendentes que mudam de maneira quase que total o contexto da história. 
E se esses poucos trechos que descrevi no post já serviram para acelerar o seu coração ou então causar náuseas, espere só quando ler os demais, principalmente o ataque de um micro-robô que por engano entra na sala de miniaturização e recupera o seu tamanho normal. Bem... melhor esquecer.
Inté e boa leitura!

Um comentário:

  1. Olá, indiquei um selinho para você no blog.
    http://eisaminhahistoria.blogspot.com.br
    To seguindo aqui ;)

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