04 maio 2025

Dia das mães: 8 livros sobre relações maternais para celebrar o amor entre mães e filhos

Tenho o hábito de publicar as minhas postagens a cada quatro ou cinco dias e quando estou no sufoco, por causa de alguns afazeres profissionais, os post podem demorar até uma semana para “pingar” aqui no blog – ‘coisas’ de quem mantem sozinho um blog – mas acontece que esse mês de maio foi atípico para o “Livros e Opinião”. Explico o porquê. Depois de ter dado uma pausa no blog (como conto melhor aqui) resolvi retornar justamente no final de abril, para ser exato no dia 24; e assim, lá vou eu escrever um texto sobre o tal retorno e os motivos da minha pausa. Três dias antes, os meios de comunicação em todo o mundo soltaram a bomba: “O papa Francisco morreu!”. Então pensei comigo: “tenho que aproveitar a atualidade do assunto para prestar a minha homenagem a esse papa tão especial. E adivinhem? Lá vou eu, novamente, preparar um post, dessa vez sobre a morte do papa (ver aqui). “Entonce” me lembrei de uma causa muito importante que abracei há algum tempo – sem nenhuma conexão com literatura. Trata-se de um projeto de lei que beneficiaria todos os aposentados por invalidez e pessoas com deficiência, mas que de maneira surpreendente e decepcionante foi vetado pelo presidente Lula. Como esse veto cruel vai ser analisado e votado pelo Congresso Nacional no próximo dia 27, decidi escrever um post sobre o assunto, já que estou engajado nessa luta (o post vai ser publicado nesta terça-feira, dia 6). Acabou? Não; tem mais. Vejam só, enquanto preparava essas postagens chegou a informação de que o Vaticano havia, finalmente, definido uma data para a realização do conclave que escolherá o novo papa que irá substituir Francisco. E, adivinhem??? Lá vou eu escrever um post sobre isso e que já foi publicado anteriormente (confira aqui). 

Ufa! Quando estava começando a respirar... Êpa! Tá faltando alguma coisa aí – pensei. É isso! O Dia da Mães, caramba! 12 de Maio está praticamente aí e eu não preparei nenhum post! – exclamei. Lembrando que se eu fosse publicar uma lista sugerindo livros para as mães – como de fato, estou fazendo nessa postagem - teria de publicar essa lista com uma antecedência  - já no aperto e passando da hora – de pelo menos sete dias para que as mães ou os seus filhos tivessem tempo de hábil de comprar as obras pela Internet.

Taí a galera, o motivo de ter publicado um post ontem e, imediatamente, outro no dia seguinte. Lembrando que para aqueles que estão lendo esse texto no dia 4 de maio/2025 ainda verão mais uma postagem na terça-feira (6).

Mas não fiquem alegres ou tristes, depende (rs). Passados esses dias atípicos, o “Livros e Opinião” voltará a seguir o seu cronograma habitual de postagens.

Mas vamos nessa galera, vamos “falar” de livros para o Dia das Mães que está chegando. Neste post indiquei 8 obras sobre a relação “Mãe & Filhos”. Os enredos abordam relações familiares, a educação de filhos e o que eles podem ensinar às mães, adoção, criação de expectativas e sonhos, a vida além da maternidade das mulheres.

Ah! Antes que me esqueça, deixe-me revelar um dado interessante. Vocês sabiam que as mulheres – tenham filhos ou não - são 57% dos leitores brasileiros, segundo a pesquisa “Panorama do Consumo de Livros”, feita no final de 2023 a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL)? Pois é; interessante, não acham?

Conheça abaixo oito livros sobre relações maternais para dar de presente neste domingo (12), Dia das Mães.

01 – Minha mãe é um sucesso (Maria Alícia Lima Peralta)

O livro organizado pela executiva Maria Alicia Lima Peralta ensina como conciliar uma carreira de sucesso com a maternidade reunindo 21 relatos de mães que são destaques no mundo corporativo e compartilham os seus desafios, escolhas e sacrifícios na busca por esse equilíbrio. 

A obra traz ainda uma perspectiva inédita a essa jornada: a emocionante narrativa dos filhos dessas executivas, dando voz às suas experiências e revelando como o percurso profissional das mães influenciou suas próprias trajetórias.

Quem já leu Minha mãe é um sucesso afirma que o livro é um convite para enxergar o lado mais humano, afetivo e transformador da jornada de mulheres que equilibram grandes responsabilidades profissionais com a missão de educar, acolher e inspirar dentro de casa.

Detalhes técnicos:

Editora: Labrador

Páginas: 272

Ano de edição: 2025

Encadernação: Brochura

Formato: 16 x 23 x 1,5

02 – A culpa é da mãe? (Elizabeth Monteiro)

Elizabeth Monteiro é psicoterapeuta, escritora e palestrante internacional. Foi colunista da revista “Pais e Filhos” e já teve um quadro no programa “Domingão do Faustão”, na rede Globo, e um programa de TV, com sua filha Gabriela Monteiro, chamado “Acontece Lá em Casa”, no SBT. Trabalhou como monitora da cadeira de Psicologia Médica, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. 

É autora de vários livros sobre a relação pais e filhos, entre os quais: Criando filhos em tempos difíceis e Cadê o pai dessa criança?, mas sem dúvida a sua obra mais conhecida é A culpa é da mãe?.

Neste livro, a autora conta desde a época que em que foi neta, como eram as relações familiares antes e como foram se desenvolvendo até o período em que publicou o seu livro, em 2012. Ela praticamente faz um manual para mães e pais sobre a família no que se refere a educação dos filhos.

Trata-se de um livro catártico onde a escritora e psicoterapeuta relata suas experiências – muitas vezes desastradas – como mãe de quatro filhos. Como já escrevi acima, ela parte das relações familiares na época de sua avó e passando pela própria infância, onde mostra que as mães independentemente da geração erram, mas não devem se sentir culpadas por isso.

Detalhes técnicos:

Editora: Grupo Summus Editorial

Páginas: 280

Ano de edição: 2012

Encadernação: Brochura

Formato: 21 x 14 x 1,8

03 – As primeiras quatro estações (Fernada Witwytzky)

Neste livro, Fernada Witwytzky relata como ela sentiu e viveu o primeiro ano de vida de seus filhos, compartilha suas angústias e estratégias, além de mostrar como foi sua relação com Deus durante todo esse período – as mudanças e novas responsabilidades e os momentos mais difíceis e cansativos. Frisando que em sua primeira gravidez, ela acabou descobrindo que esperava não apenas um, mas dois bebês de uma vez só.  

Segundo a autora, assim como as estações do ano, a maternidade também traz consigo um novo olhar sobre a passagem dos dias. Cada estação tem suas peculiaridades: dias frios ou quentes, folhas coloridas ou secas. Mas Deus quer trabalhar “em cada uma de nós na exata estação em que estamos”. Fernanda diz que “no inverno ou no verão, no outono ou na primavera, podemos sempre contar com a ajuda de Deus, que é o dono de todas as estações”.

Para a autora esse livro é um abraço para todas as mães que se sentem inseguras em seu primeiro ano de vida com um bebê em casa. Segundo ela, a obra não serve para trazer respostas para essas mães e também falar o que fazer o tempo inteiro com um bebê. “O objetivo de As primeiras quatro estações é fazer com que as mães enxerguem a maternidade sob a perspectiva de um Deus que quer trabalhar nessas mulheres o dom de ser mães, em qualquer estação”.

Detalhes técnicos:

Editora: Thomas Nelson Brasil; Pilgrim

Páginas: 160

Ano de edição: 2021

Encadernação: Capa dura

Formato: 21,4 x 14 x 1,4

04 – Uma mulher (Annie Ernaux)

O livro de apenas 64 páginas é o último lançamento da autora no Brasil e foi publicado pela editora Fósforo. A escritora francesa Annie Ernaux ganhou prêmio Nobel pelo conjunto de sua obra em 2022.

Os leitores que já leram Uma mulher acharam a narrativa impecável, sensível e humana. Há melancolia, tristeza, negação dos fatos e muita emoção envolta da protagonista. Estes leitores adoraram mãe e filha.

Em Uma Mulher, a autora faz um breve histórico reflexivo sobre sua convivência com a mãe, enfatizando os momentos que marcaram esse convívio.

À flor da pele, Annie Ernaux atenta para as muitas facetas da dor, desde as mais ínfimas. “Alguns pensamentos deixam um buraco em mim: pela primeira vez, ela não vai ver a primavera.” Apesar disso, ela reconhece a dimensão social de seu luto: “perdi o último vínculo com o mundo do qual vim”. Nascida no início do século 20, sua mãe foi operária desde os doze anos. Tinha orgulho do ofício e de buscar a independência. “Ir longe”, assim Ernaux define o princípio que regeu a vida dessa mulher. Depois de se casar, abriu com o marido o café-mercearia onde trabalhou até a terceira idade.  

Leitora voraz e aberta para o mundo, estimulava os estudos da filha na tentativa de lhe prover o que nunca tivera. Quando, já viúva, vai viver com Ernaux e os netos. A partir daí, mãe e filha experimentam nas miudezas do cotidiano a distância que a ascensão social da filha singrou entre as duas. Com precisão cirúrgica, a autora recupera os detalhes dos gestos maternos, as expressões, a inquietude e a vivacidade que a mãe manteve até o fim da vida, numa casa de repouso, já acometida pelo Alzheimer. Um livro comovente na opinião dos leitores.

Detalhes técnicos:

Editora: Fósforo Editora

Páginas: 64

Ano de edição: 2024

Encadernação: Brochura

Formato: 13,5 x 1 x 20

05 – Minha criança trans (Thamirys Nunes)

Lançado em 2022 de forma independente, a obra é um relato de uma mãe que percebe a transgeneridade da filha ainda criança e muda as próprias crenças e seus sonhos para acolher a menina.

Thamirys ― dona de um perfil de mesmo nome nas redes sociais, onde fala sobre a relação com a filha chamada Ágatha ― aborda o quanto foi desacreditada por todos que estavam a sua volta, além de suas dúvidas e incertezas.

Mas, principalmente, fala sobre a felicidade e o bem-estar que percebia na filha quando ela podia brincar com determinados brinquedos e usar algumas roupas específicas, dentre outros elementos que observou.

Apesar de muitas dúvidas e incertezas, totalmente desacreditada por todos que a rodeavam, Thamirys Nunes não se bastou. A felicidade, o amor e o bem-estar de sua criança eram a sua prioridade

Enfim, Thamirys conta com detalhes as mudanças em sua vida ao perceber que era mãe de uma criança trans num livro autobiográfico e emocionante.

Além do livro, Thamirys também fundou em 2022 a “ONG Minha Criança Trans”, uma organização não governamental que trata exclusivamente das questões que envolvem crianças e adolescentes transgêneros.

Detalhes técnicos:

Editora: Autores Paranaenses

Páginas: 236

Ano de edição: 2021

Encadernação: Brochura

Formato: 16 x 23

06 – Extraordinário (R.J. Palacio)

No best seller publicado em 2012, Raquel Jaramillo, sob o pseudônimo R. J. Palacio. conta a história de Auggie Pullman, um garoto que sofre da síndrome de Treacher Collins, que causa deformação facial.

Palacio escreveu o livro após um incidente onde ela e seu filho, então com três anos de idade, estavam numa fila para comprar sorvete. Seu filho viu uma menina com deformidades faciais e começou a chorar. Tentando controlar a situação, Raquel tentou ir para longe com seu filho para não chatear a menina ou a família dela, mas isto acabou piorando a situação. Após ouvir a canção "Wonder", de Natalie Merchant, a autora se deu conta de que o incidente poderia ensinar uma lição à sociedade, e assim começou a escrever o livro, que leva o nome da canção.

Em Extraordinário, o personagem Auggie é um menino que nasceu com uma síndrome genética rara e precisou passar por diversas cirurgias no rosto. A mãe dele ensina-o, com seu amor e criatividade, a usar a imaginação para lidar com problemas e preconceitos.

Sendo o primeiro livro lançado da escritora R. J Palacio, Extraordinário é narrado em primeira pessoa, e possui uma linguagem simples que reflete exatamente a idade do personagem.

Possuindo uma relação admirável com os pais, a irmã e os amigos Summer e Jack Will, August é um garoto consciente, compreensível, e com o decorrer do livro só fica cada vez mais maduro, e o leitor mais apaixonado pelo personagem.

O livro foi adaptado para o cinema em 2017 e fez um grande sucesso.

Detalhes técnicos:

Editora: Intrínseca

Páginas: 320

Ano de edição: 2013

Encadernação: Brochura

Formato: 22,8 x 16 x 2 cm

07 – Mika na vida real (Emiko Jean)

Dezesseis anos após entregar Penny para adoção, Mika, 35 anos, recebe um telefonema da filha, que está determinada a construir uma relação com a mãe biológica.

A vida de Mika está uma bagunça, mas, para impressionar a adolescente, se vê forçada a inventar outra realidade.

Ela finge ser uma mulher madura e bem-sucedida na vida profissional e amorosa. Mas, apesar dos detalhes não serem verdadeiros, tudo o que compartilha com Penny é real: desejos, sonhos, medos e a relação com a cultura japonesa.

O livro, lançado em 2024 pela editora Intrínseca, é a mais nova obra da autora best-seller do New York Times Emiko Jean. De acordo com a maioria dos comentários de leitores nas redes sociais, trata-se de uma obra divertida e emocionante sobre maternidade e o verdadeiro significado de família.

Editora: Intrínseca

Páginas: 368

Ano de edição: 2024

Encadernação: Brochura

Formato: 13,5 x 2,4 x 21 cm

08 – Mães atípicas: A maternidade que ninguém vê (Mariana Sotero Bonnás)

Ninguém melhor do que Mariana Sotero Bonnás para escrever um livro com esse conteúdo. Ela é psicóloga e pedagoga e atende exclusivamente mulheres que têm filhos com necessidades específicas.

Segundo release da editora Gente, Mães atípicas: A maternidade que ninguém vê oferece ferramentas e reflexões para que as mães nessa situação encontrem força e resiliência, além de apresentar maneiras para que elas vivenciem momentos de felicidade genuína na sua trajetória.

Com base nas próprias vivências e em relatos de muitas outras mães, Mariana lembra que o amor e a coragem podem superar qualquer obstáculo e que ter um desenvolvimento atípico é, em todos os aspectos, ser extraordinário.

Editora: Gente

Páginas: 192

Ano de edição: 2025

Encadernação: Brochura

Formato: 16 x 1 x 23 cm

Taí, espero ter ajudado os filhos que ainda estão pensando qual livro deverão comprar para presentear as mamães leitoras. Por outro lado, você que é mãe e leu essa postagem, não precisa esperar pelo presente do filho. Basta visitar qualquer livraria física ou virtual e escolher o tema que mais lhe interessou. Quem sabe, você não acabe ganhando dois livros (rs)?

Inté!

03 maio 2025

Explorando os bastidores do Vaticano: 8 livros sobre papas e conclaves

Vocês se lembram do que escrevi no final da postagem anterior? Eu “disse” que alguém havia assoprado em meu ouvido direito para que eu fizesse um post indicando livros sobre papas e conclaves. E justamente, poucos dias depois, os meios de comunicação divulgaram que já havia uma data para a realização do conclave que irá escolher o novo papa que substituirá Francisco. Cara, entenda como um sinal, uma oportunidade, um isso ou aquilo, mas se eu não aproveitasse esse momento, correria o risco de perder a empolgação de escrever algo do gênero, então vamos nessa, aproveitando as oportunidades que surgem. 

Ah! Vocês querem saber de quem é aquela voz misteriosa que assoprou em meu ouvido? Tenho a certeza de que todos aqueles que acompanham as postagens do Livros e Opinião há anos já descobriram (rs). Logo, não preciso revelar (rs).

Mas chega de divagações e vamos ao que interessa. Escolhi seis livros que tenham papas em seus enredos – sejam eles de ficção ou biográficos – além de histórias que exploram os bastidores do Vaticano, incluindo os conclaves. Na verdade não podemos deixar de admitir que a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, reacendeu a curiosidade da galera leitora pelos bastidores da Santa Sé. E acreditem, tem muitas opções incríveis ne que certamente irão agradar até mesmo aqueles que não são tão fãs dos temas.

Anotando aí galera.

01 – Conclave (Robert Harris)

Talvez, o livro do britânico Robert Harris seja o mais comentado e consequentemente o mais famoso (pelo menos, por ora) e tudo por causa do filme homônimo baseado na obra literária lançado nos cinemas neste ano de 2025 e que concorreu ao Oscar de “Melhor Filme”. 

Na época de seu lançamento, em 2020, o livro de Harris não chamou tanto a atenção dos leitores, mas após a explosão do filme, a obra escrita bombou nas livrarias conseguindo assim, a sua redenção; redenção – que por sua vez, também bombou com a morte do Papa Francisco. A conjunção desses dois fatores fez o livro explodir em vendas.

Se Conclave é bom ou ruim? Infelizmente, não posso responder essa pergunta porque ainda não o li e tampouco assisti ao filme com Ralph Fiennes. Por isso, não posso dar a minha opinião.

No enredo idealizado por Harris, após a morte do papa, o cardeal Lawrence reúne um grupo de sacerdotes para eleger seu sucessor. Cercado por líderes do mundo todo nos corredores do Vaticano, ele descobre uma trilha de segredos profundos que podem abalar a própria fundação da Igreja.

Juro que me interessei pelo enredo, tanto é verdade que comprei o livro recentemente. Tão logo conclua a leitura, prometo que publicarei a resenha. Ele será o próximo da minha lista, taõ logo termine a releitura de Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.

02 – A estrada para Gandolfo (Robert Ludlum)

Imagine esta situação: Francisco ou João Paulo II, os papas mais queridos da história e amados por todos, sendo sequestrados. Suponha que os criminosos consigam ludibriar o forte aparato de segurança de um desses pontífices e levá-los para um lugar desconhecido onde o mantém refém. O preço do resgate: um dólar por cada católico existente no mundo.

Esta situação, como exceção dos dois papas, saiu da cabeça do consagrado autor de livros de espionagem Roberto Ludlum, criador da Saga Bourne (ver aqui e mais aqui).

Ludlum que faleceu em 2001, fez dessa situação fictícia, mas dramática, uma história leve e por incrível que possa parecer: engraçada. Isso, mesmo! Engraçada! Não estou delirando. O mestre dos romances de espionagem e contra-espionagem “da pesada”, com muitas intrigas, mortes, traições e violência, criou um enredo carregado no humor.

Em A estrada para Gandolfo, o autor conta a história fictícia do espetacular seqüestro do também fictício papa Francisco I, o mais querido pontífice depois de João XXIII, este real.

A história do advogado atrapalhado Samuel Devereaux e de um general de meia idade aposentado e também ‘maluco de pedra’’, Mackenzie Hawkins,  que um dia resolvem sequestrar o famoso Papa é hilariante. Mas não se enganem os leitores acreditando que o enredo só trás risadas e trapalhadas. Nada disso. Afinal de contas, a história foi escrita por um dos maiores autores de romances de espionagem do mundo e que num belo dia, sofreu uma recaída e resolveu escrever um “textinho” diferente, saindo da sua rotina de tiros, traições, mortes e espiões perigosos. Nasceria, assim, “A Estrada para Gandolfo”. 

A estória de Devereaux,  Mackenzie e Francisco I tem muito humor sim; mas também tem doses na medida exata de suspense, intrigas e porque não, espionagem; mas no final o que prevalece mesmo é o humor e aquele humor leve, gostoso que prende o leitor do começo ao fim, fazendo com que devore as páginas do livro rapidamente.

Li A estrada para Gandolfo e adorei! Confiram a resenha do livro aqui.

03 – As sandálias do pescador (Morris West)

Taí mais um livro sobre papas da hora e que eu recomendo. Muitos definem As sandálias do pescador, lançado em 1963, como um livro profético. No romance ficcional escrito pelo autor e jornalista australiano, Morris West, um bispo russo se torna cardeal e em seguida papa – o primeiro papa não italiano em mais de 400 anos. Por que As sandálias do pescador foi considerado por muitos leitores e críticos, uma obra profética? Eu conto: uma década e meia após West ter escrito a sua principal obra, eis que o Vaticano também ganharia, após 400 anos, o seu primeiro papa não italiano, o polonês Karol Wojtyla, o nosso saudoso e icônico João Paulo II.

Não há como negar as semelhanças entre o fictício Lakota e o real Wojtyla, A personagem do livro é um cardeal ucraniano que, após lutar contra os nazistas, torna-se perseguido e encarcerado pelos soviéticos. Após 20 anos, recebe a liberdade graças a um acordo do premiê russo com o Vaticano,  mas carrega as marcas de seu sofrimento na memória, na alma e no rosto com uma notável cicatriz. Bem, vamos agora voltar a realidade: o polonês, João Paulo II também veio do leste europeu e enfrentou os mesmos regimes totalitários, mas sem o cárcere. Assim como Lakota que intermediou negociações com Kamenev (chefe do Kremlin no romance); Wojtyla negociou e atendeu Gorbachev.

A obra ficcional tem muitas outras semelhanças com a vida real, basta ler para tirar as dúvidas. Resumindo: As sandálias do pescador é o tipo do livro que imita a arte. Veja resenha aqui.

04 – O último papa (Malachi Martin)

O romance de Malachi Martin publicado em 1996, relata a conspiração para subverter a Igreja Católica, com o objetivo de que o papa renuncie e seja substituído por uma pontífice apoiador de uma Nova Ordem Mundial.

Um antigo colega de trabalho leu o livro e disse que o enredo prende a atenção mas é bem “pesadinho” – palavras dele. Por outro lado vi algumas opiniões nas redes sociais, incluindo comentários na Amazon e Skoob de leitores que acharam que o autor “viajou na maionese”. Um desses leitores disse que no momento em que começou um culto ao demônio, ele parou definitivamente a leitura porque a “viajada do autor” atingiu o ápice. Mas... apesar dessas opiniões divergentes, fica registrada a sugestão de leitura.

No enredo, terminada a Guerra Fria, eclesiásticos, políticos e empresários se unem em um complô maçônico na tentativa de implantar um novo governo global, no qual a Igreja Católica se tornaria um mero e complacente servidor da nova ordem mundial, aderindo a um catolicismo sem mais nenhum vínculo com a tradição. Para tanto, os integrantes dessa conspiração precisam derrotar seu obstáculo final: o último papa, um notável jogador geopolítico e profundamente fiel à doutrina e à moral católica.

Cercado dentro do Vaticano e pressionado a abdicar por seus inimigos, o “papa eslavo” terá de confiar em um jovem sacerdote para enfrentar a batalha decisiva na guerra contra o mal.

05 – O Homem Que Não Queria Ser Papa (Andreas English)

Agora, vou dar um tempo nos romances ficcionais para incluir em nossa Toplist uma biografia. Em “O homem que não queria ser papa”, Andreas English escreve a biografia jornalística de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, desde sua juventude na Alemanha até a surpreendente renúncia.

O autor, considerado um especialista em Vaticano, traça o perfil de um homem reservado e erudito, com conflitos internos e resistência à exposição pública.

O autor, considerado um especialista em Vaticano, traça o perfil de um homem reservado e erudito, com conflitos internos e resistência à exposição pública.

De acordo com vários críticos literários, são páginas de uma das mais críticas e corajosas análises sobre a história recente da Igreja. A riqueza das contextualizações e as análises dos discursos e da postura do papa Ratzinger somado aos eventos recentes do papado nos levam a crer no complô estabelecido dentro da Cúria Romana contra o próprio papa. Portanto, a história aponta para um boicote praticado pelos poderosos da Cúria contra seu próprio papa. Acusado de reacionário, o papa demissionário deixa claro com seu gesto que o cargo não é nem vitalício nem sagrado. É político. Surpreende e afronta a poderosa Cúria Romana, causando-lhe estupor. Ao mesmo tempo que ‘joga a toalha’, desistindo de enfrentá-la e de se deixar manipular.

O livro publicado no Brasil em janeiro de 2020 foi muito elogiado pelos leitores e também pelos críticos literários.

06 – Esperança – Papa Francisco

O livro lançado no Brasil em fevereiro de 2025 pela editora Fontanar foi um dos mais vendidos na Amazon atingindo o primeiro lugar na categoria Religião e Espiritualidade. 

Esperança – Papa Francisco pode ser considerada a primeira autobiografia de um papa. O livro revela detalhes pessoais do Papa Francisco, sua infância, vocação, crises de fé e visão para o futuro da Igreja. Um livro sensível e direto, que reforça a mensagem de compaixão e humildade.

Ao narrar suas memórias com coragem e franqueza, Francisco aborda questões cruciais do pontificado sem deixar de lado alguns dos temas mais candentes da contemporaneidade: as guerras, a migração, a crise ambiental, políticas sociais, a condição das mulheres, a sexualidade e o desenvolvimento tecnológico, bem como o futuro da Igreja e das religiões.

Escrita a partir de depoimentos dados pelo sumo pontífice ao editor Carlo Musso de 2019 a 2024 — ele assina como coautor —, a ideia era que a obra fosse publicada somente após a morte do religioso.

No livro, ao contar sua história desde a infância em Buenos Aires até o conclave que fez dele o primeiro papa latino-americano — bem como momentos que viveu no comando da Igreja —, Francisco promove reflexões sobre temas que lhe são caros, como a importância da preservação do meio ambiente, o acolhimento das minorias, a inserção dos imigrantes e a simplificação da hierarquia da Igreja, com redução de privilégios dos que gravitam na sua esfera de poder.

07 – O nome da rosa (Umberto Eco)

O nome da rosa, romance de Umberto Eco é muito mais completo e abrangente do que o filme, ampliando o seu foco para questões históricas e teológicas do século 14. A reunião entre diferentes ordens de monges realizada em um mosteiro medieval é uma tentativa de arbitrar a então corrente disputa entre o papa João XXII, instalado em Avignon, na França, e o imperador Luis II, da Baviera. Eco retrata o conflito como um choque primordial entre Igreja e Estado.

A história se passa por volta de 1300, época da inquisição, em uma abadia, na Itália, onde estão ocorrendo mortes inesperadas. O momento dessas mortes não poderia ser pior, já que a abadia vai sediar uma reunião entre dois grupos rivais da igreja. De um lado, estão os franciscanos e aqueles que acreditavam que a igreja deveria ser desprovida de qualquer bem material como foi Jesus Cristo, grupo este apoiado pelo imperador Ludovico. E do outro lado, os que repudiavam essa ideia, ambicionando bens e poder e liderados pelo papa francês João XXII.

A narrativa começa com a chegada do frei franciscano Guilherme de Barkeville à abadia italiana na companhia de seu discípulo e escrivão, um jovem noviço beneditino chamado Adso, e será esse noviço que vai narrar todos os acontecimentos.

08 – Dois papas (Anthony McCarten)

Livraço! Já tinha assistido ao filme da Netflix com Anthony Hopkins no papel de Bento XVI e Jonathan Pryce como Francisco, mas o livro de Anthony McCarten – que também é o roteirista do filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles – é muito superior. Os detalhes sobre a vida dos dois pontífices que na produção cinematográfica são tratados de maneira bem superficial, sobram no livro. Confiram aqui resenha de Dois papas que escrevi em 2020.

Talvez para deixar o filme mais maleável, alguns assuntos polêmicos  como o acobertamento de casos de pedofilia cometidos por alguns padres, bispos e até mesmo cardeais no pontificado de Bento XVI receberam somente citações  e bem diluídas na produção cinematográfica. Já no livro, esse e outras temas pesados são abordados e analisados de maneira minuciosa. O polêmico envolvimento do Papa Francisco - na época em que era cardeal em Buenos Aires - com a ditadura argentina também foi outro ponto amenizado no filme, mas tratado em detalhes nas páginas de Dois Papas.

Podemos dizer que McCarten, em seu livro, analisa a fundo a trajetória dos dois pontífices, baseando-se em depoimentos de pessoas próximas a Francisco e Bento XVI, além de documentos confiáveis conseguidos na época da ditadura argentina e também junto à Santa Sé.

Taí galera, espero que apreciem a leitura. Vamos ver agora, qual será a próxima sugestão dessa “vozinha” no pé do ouvido (rs).

Inté!

27 abril 2025

Os seis livros e os seis filmes favoritos do papa Francisco

Neste momento em que todos os veículos de comunicação – com poucas exceções – estão com os seus holofotes direcionados para a morte do papa Francisco – eu, também, não poderia deixar de prestar a minha homenagem a esse grande homem. 

Acredito que para ser um líder religioso respeitado – independentemente do credo desse líder – antes de tudo, mas antes de ‘absolutamente’ tudo, é preciso respeitar e ouvir todas as outras religiões por mais diferentes ou conflituosas que elas sejam se comparadas com a desse líder. Francisco fez isso. Também é preciso que esse líder quebre alguns paradigmas obsoletos que impedem o crescimento dessa religião. O papa também fez isso. E por fim, é preciso ter coragem para encarar situações conflituosas e difíceis em prol dos excluídos. O grande Francisco sempre pensou nos excluídos e também nos mais vulneráveis.

Foi ele que aprovou uma nova adição às doutrinas da igreja católica para permitir que sacerdotes e cardeais abençoem casais homoafetivos; antes, pensar num gesto desses seria uma heresia para a igreja. Pois é, o papa foi lá e com coragem rompeu esse paradigma que representava exclusão em letras garrafais. É importante frisar que no entanto, a nova resolução do papa destaca que a doutrina exclui ‘qualquer ritualização que imite o matrimônio’; mas tudo bem, mesmo assim, foi um grande avanço.

Francisco foi o primeiro a posicionar mulheres em funções de liderança na Cúria Romana. Em 2021, o pontífice nomeou pela primeira vez uma secretária mulher, a religiosa italiana Alessandra Smerilli, que passou a atuar no Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral. Aquele era o cargo mais alto já ocupado por uma mulher na época. Cara, esse papa que nos deixou e foi morar com Deus, teve a coragem de criticar o machismo e elogiar mulheres na gestão do Vaticano. Quando um outro papa fez isso?

Quer mais? Que tal essa: foi o primeiro a assinar uma Declaração acerca da fraternidade universal com uma liderança islâmica. O documento é considerado um marco na relação entre cristianismo e islamismo. O compromisso firmado entre o Papa Francisco e o Grande Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, indica uma valorização da cultura do diálogo, da colaboração comum e do conhecimento mútuo. O documento é um apelo para pôr fim às guerras e condena os flagelos do terrorismo e da violência, especialmente os que têm motivos religiosos.

Estas são apenas algumas das atitudes ousadas, mas acima de tudo humanas de Francisco; o papa dos mais vulneráveis e excluídos. Eu pergunto: como não gostar de um líder religioso com todas essas virtudes? Galera, isso é impossível.

Eu sempre dizia que o papa Francisco tinha o dom de cativar todos os credos. Até mesmo as pessoas que seguem outras religiões tinham um respeito enorme por ele. Tive essa prova, certo dia na empresa onde trabalho. Logo no saguão de entrada temos uma foto do papa; certo dia um cliente apareceu por lá e ao ver o retrato do santo padre se virou para a nossa secretária e tascou: “Olha moça, eu não sou católico, sigo uma outra igreja, mas como eu gosto desse sujeito!”. É galera... esse papa era muito especial.

E por ser tão especial, tive a ideia de homenageá-lo, aqui, no Livros e Opinião, mas como? Poderia publicar uma lista com alguns livros sobre a sua vida e, acredite, foram publicados muitos deles; mas eu queria sair um pouco da rotina, por isso, resolvi fazer um post com os livros de cabeceira do papa, as obras que ele leu e gostou. Na esteira dessa ideia decidi publicar alguns filmes favoritos de Francisco. Tudo bem que a vertente principal do blog são os livros, mas... poxa vida, ele foi um papa tão especial e que rompeu tantos paradigmas que resolvi, também, romper um paradigma, aqui, do blog. São seis livros e seis filmes que o papa admirava. Vamos a eles.

Livros

01 – Para o lado de Swann: À procura do tempo perdido, vol. 1 (Marcel Proust)

Publicado em 1913, o livro é o primeiro dos sete que compõem o romance À procura do Tempo Perdido, um clássico da literatura, e fala sobre temas como tempo, arte, amor e existência. A obra contempla o famoso episódio das madalenas: o narrador é tomado por uma alegria imensa ao provar um bolinho, o que simboliza o poder de memórias involuntárias antes esquecidas.

Utilizando, portanto, de múltiplos personagens e nos contando suas histórias, Proust compõe a sua; desde o detestável casal Verdurin, às cômicas avós do escritor, a mãe tão amada e o pai circunspecto.

02 – A Divina Comédia (Dante Alighieri)

O papa Francisco revelou que via em A Divina Comédia uma profunda jornada espiritual, refletindo sobre o pecado, a redenção e a busca pela união com Deus. Em 2015, no centenário da morte de Dante Alighieri, o pontífice publicou uma carta em nome da Igreja Católica em homenagem ao célebre autor.

Dante é autor, narrador e personagem principal do seu livro, dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Assim, Dante, guiado pela alma do poeta Virgílio, atravessa o Inferno e o Purgatório até chegar ao Paraíso, onde encontra a alma de sua querida Beatriz, que busca a salvação para o seu amado.

03 – Os Noivos (Alessandro Manzoni)

Os Noivos pode ser considerado uma leitura recorrente para o papa desde a sua infância. Ele contou em um de seus discursos que foi influenciado por sua avó a decorar o início do livro. 

No enredo de Alessandro Manzoni, um casal humilde tenta se casar, mas é impedido por forças corruptas e violentas. A história, ambientada na Lombardia do século 17, combina romance, crítica social e fé cristã. A peste, a fome e a guerra são retratadas com realismo pungente. No centro da narrativa está a busca por justiça em um mundo dominado pelo abuso de poder. Mas há também compaixão e esperança.

O estilo combina erudição e acessibilidade. A travessia dos protagonistas torna-se símbolo da resistência humana diante da opressão. Muitos críticos literários consideram Os Noivos, um clássico que moldou a literatura italiana moderna.

04 - Os Irmãos Karamázov (Fiódor Dostoiévski)

Um parricídio serve de pretexto para um mergulho profundo nas contradições humanas. Três irmãos encarnam facetas opostas da alma: fé, razão e instinto. 

O pai, figura grotesca, é mais do que um homem — é símbolo de uma Rússia em crise espiritual. O julgamento é apenas o palco visível; o conflito real se dá entre Deus e o niilismo.

Cheia de peripécias, a narrativa põe em foco esses três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha –, a fim de alumiar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado, corrompido por dúvidas ou transbordante de amor.

A obra escrita em 1879 continua sendo aclamada pela crítica.

05 - Borges Oral & Sete Noites (Jorge Luís Borges)

O livro de Jorge Luís Borges reúne palestras de Borges sobre temas como literatura, poesia, sonhos, labirintos e o infinito. O poeta argentino, morto em 1986, compartilha nessa obra reflexões sobre o ato de ler, escrever e os grandes temas da cultura.  

Borges Oral & Sete Noites é um livro excelente para se conhecer o escritor e as ideias que o perseguiram durante toda sua vida. Essas ideias são, em suma, os cinco temas sobre os quais ele palestrou na Universidade de Belgrano (Buenos Aires).

O autor foi uma das grandes inspirações de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, que antes de sua trajetória no Vaticano atuou como professor de língua e literatura. Em seu trabalho no Colegio del Salvador, em 1966, Bergoglio convidou Borges para ministrar uma palestra para seus alunos.

06 – Um Experimento em Crítica Literária (C.S. Lewis)

Na década de 1960, Lewis propôs uma nova forma de crítica literária, focada na experiência do leitor, e não apenas na intenção do autor. Nesta década, quase tudo estava sendo questionado, e não foi diferente com a chamada “crítica literária”. 

Como acadêmico ilustre e leitor ávido, C.S. Lewis não se furtou à discussão e, contrapondo-se à ortodoxia de seus pares, propôs uma maneira diferente de analisar livros: a partir da experiência de quem lê, e não de quem escreveu. O resultado dessa “crítica à crítica” está nas páginas de Um experimento em crítica literária.

Francisco ecoava essa visão, afirmando que o ato de “ler com os olhos do outro” amplia a humanidade e a empatia.

Filmes

01 – A Festa de Babette (1987)

“A Festa de Babete” é um filme dinamarquês frequentemente citado como o favorito do Papa Francisco. Ele o mencionou em entrevistas e em sua exortação apostólica “Amoris Laetitia”. 

Dirigido por Gabriel Axel, o filme conta a história de uma mulher francesa chamada Babette (Stéphane Audran) que chega a um vilarejo dinamarquês em 1871, refugiando-se da repressão à Comuna de Paris. Ela se oferece para trabalhar de graça, cozinhando e arrumando a casa das irmãs Fillippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Ferdespiel). As duas ssenhoras são filhas de um severo pastor protestante, morto há algumas décadas.

A história retrata uma comunidade protestante austera que experimenta uma transformação espiritual por meio de um banquete preparado por Babette.

O Papa destacou como o filme ilustra a importância da alegria, da generosidade e da graça na vida cristã.

02 – A Estrada (1954)

A obra cinematográfica realizada por Federico Fellini conta a história de Gelsomina, uma jovem inocente e sonhadora (interpretada por Giulietta Masina), vendida pela mãe a Zampano (interpretado por Anthony Quinn) que a ama mas ao mesmo tempo a maltrata. O drama clássico explora a relação tumultuada dos dois. Fellini explora em seu filme temas de amor, sofrimento e redenção.

Em diversas ocasiões, o Papa Francisco expressou sua admiração por este clássico do neorrealismo italiano. Ele se identificava com a personagem Gelsomina e via no filme uma referência a São Francisco de Assis.

03 – Roma – Cidade Aberta (1945)

Dirigido por Roberto Rossellini, o filme acompanha a resistência italiana durante a ocupação nazista em Roma. Comunistas e católicos se unem para enfrentar a brutalidade alemã, tendo como símbolo dessa luta um padre que ajuda os guerrilheiros. Considerado um marco do neorrealismo, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

“Para nós, crianças na Argentina, esses filmes foram muito importantes, porque nos fizeram entender em profundidade a grande tragédia da Guerra Mundial”, disse o papa numa entrevista. O pontífice também revelou: “Devo a minha cultura cinematográfica sobretudo aos meus pais, que nos levavam frequentemente ao cinema. Em todo caso, gosto muito dos artistas trágicos, especialmente os mais clássicos”. A produção pode ser assistida no YouTube.

04 – O Leopardo (1963)

“O Leopardo” dirigido por Luchino Visconti é baseado no romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. O filme retrata a transição social e política na Sicília do século 19. O enredo narra a saga do príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) que testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia. Num cenário caótico de fortes contradições políticas, ele luta para manter seus valores.

O Papa apreciava a forma como a obra abordava a decadência da aristocracia e as mudanças inevitáveis da história, temas que ressoavam com sua visão sobre a necessidade de adaptação e reforma na Igreja.​

A produção conta com grandes nomes do cinema na década de 60, entre eles: Burt Lancaster, Alain Delon e Cláudia Cardinale.

05 – Rapsódia em Agôsto (1991)

Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, há 68 anos, eram lançadas as bombas atômicas Little Boy e Fat Man sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente. 

Assinado por Akira Kurosawa, o filme aborda as memórias de uma idosa que viveu os horrores da bomba atômica lançada em Nagasaki. Ela compartilha suas lembranças com seus netos e um sobrinho nipo-americano. A produção está disponível no Mubi.

Em 2018 o Papa Francisco conversou com estudantes japonesas sobre o filme. Na ocasião, ele ressaltou: “A mensagem é a importância do diálogo entre jovens e idosos, mostrando como os netos acabam por encontrar suas raízes. Peço que busquem suas raízes conversando com os mais velhos”, destacou o pontífice.

06 – A Culpa dos Pais (1944)

O filme mostra as preocupações de uma jovem mãe (Isa Pola), que não consegue suportar as pressões geradas pela responsabilidade familiar. Ela abandona o marido (Emílio Cigoli) e os filhos, arruinando a vida do filho mais velho, Prico (Luciano de Ambrosis), permanentemente. 

Na opinião dos críticos de cinema, o diretor Vitorio De Sica, consegue evitar em sua obra, interpretações e exageros dramáticos e de uma maneira sutil, conta fatos chocantes, de forma sensível e impressionante.

A produção foi realizada em 1942, porém o filme só foi lançado em 1944, na Itália, após o término da guerra.

O papa Francisco destacou o neorrealismo da produção. “O cinema neorrealista é um olhar que provoca a consciência. É um filme que gosto de citar com frequência porque é tão bonito e rico em significado”, indicou em 2021, segundo a CNN Portugal.

Taí galera, espero que tenham apreciado. Ah! Que coisa né (rs)... enquanto escrevia essa postagem, alguém assoprou em meu ouvido direito – adivinhem quem assopou (rs) – porque eu também não publico um post sobre livros que abordem assuntos envolvendo papas e conclaves: sejam esses livros de ficção ou não. Acho que vou ter que fazer isso.

Valeu tchurma!

Instagram