11 agosto 2013

Trilogia A Busca do Graal (“O Arqueiro”, “O Andarilho” e “O Herege”)



Depois que eu li o primeiro livro de Bernard Cornwell decidi criar um slogan que serve muito bem para se ter uma noção do que é um enredo elaborado por esse grande escritor: “Leia o primeiro livro de Cornwell e depois deixe de ler os outros se for capaz”. É por aí mesmo galera. Não dá prá você largar as páginas; elas te grudam como se fossem verdadeiras teias de aranha.
O autor britânico se consagrou com a sua releitura das aventuras de Artur e seus cavaleiros. Por isso, se você amou a trilogia “As Crônicas de Artur (“O Rei do Inverno”, “O Inimigo de Deus” e “Excalibur”), certamente também irá amar os livros “O Arqueiro”, “ O Andarilho” e “O Herege”), pois seguem a mesma linha, ou seja, personagens cativantes e carismáticos e descrições de batalhas de tirar o fôlego. Aliás, se temos um “mestre do terror”, também temos um “mestre das batalhas”. Se Stephen King é rei em sua área; Cornwell também é rei no seu setor.
Cara! As cenas de luta nos campos de batalha com flechas espirrando pra todos os lados; aquelas espadas e machados enormes partindo elmos e escudos ao meio; valentes guerreiros tentando romper muralhas de escudos, não se incomodando se vão sobreviver ou não; reis lutando ao lado de um exército bem menor do que o do inimigo, simplesmente pela honra de proteger o estandarte com o brasão de seu reino; homens tentando invadir castelos inimigos escalando as íngrimes paredes da construção e correndo o risco de serem escaldados com um banho de óleo fervente derramado do alto das muralhas. Ufaa!! Deu prá sentir? Cornwell é mestre em descrever tal cenário, conseguindo arrastar todos nós, leitores, para o interior desse contexto, como se estivéssemos ali, no meio da batalha.
Pelo título da trilogia, fica a impressão para o leitor de que a busca pelo Graal acaba se tornando algo místico, parecido com um filme de Indiana Jones que assisti há muito tempo no cinema, onde o tesouro em questão tinha poderes mágicos e etc e tal. Nada disso. Cornwell já provou em “As Crônicas de Artur” que a sua escrita é bem mais realista baseada em pesquisas e levantamentos históricos o que faz com que o enredo se aproxime de um contexto bem mais realista.
Outro detalhe que pode desestimular os leitores menos avisados que ainda não leram a trilogia da Busca do Graal está relacionado às descrições das batalhas. Muitos podem pensar que o confronto entre exércitos de arqueiros se restringe a um grupo de homens ficar enfiando flechas num arco apontando para cima e atirando em outro grupo de homens que, por sua vez, responde da mesma maneira. No, No e No novamente. Pessoal, vocês não imaginam como essas batalhas são emocionantes! Para que não sabe, os arqueiros medievais seguiam a risca uma estratégia de combate nas batalhas. Eles eram tão organizados como uma colônia de formigas. E posso garantir que a descrição de uma luta envolvendo arqueiros é tão emocionante quanto um enfrentamento de dois guerreiros ou dois exércitos com espadas ou machados saxões. Sente só o clima: “As flechas penetravam os cavalos. Thomas não havia tirado o arco do ombro, mas alguns dos arqueiros do príncipe tinham flechas encaixadas nas cordas e miraram nos cavalos, em vez de nos cavaleiros. As flechas entraram fundo, os cavalos relincharam, empinaram e caíram, e os arqueiros, então, avançaram como formigas sobre os homnens...” Cara... é a partir desse trecho que “a coisa pega” em “O Arqueiro”. Nos três livros da trilogia do Graal temos a oportunidade de presenciar lutas eletrizantes: de um lado arqueiros, do outros cavaleiros com suas espadas. Mas enganam-se os leitores que pensam que a habilidade dos arqueiros de Cornwell se restringe ao arco e flecha. Muitos deles também são exímios espadachins e vivem desafiando os seus adversários.
“O Arqueiro”, primeiro volume da ‘Trilogia do Graal’, nos insere no início da trajetória de Thomas; um garoto de 18 anos que vê o pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa a aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, considerada uma das maiores relíquias da antiguidade.
O jovem escapa e promete ao seu pai moribundo vingar-se dos agressores liderados por um assassino cruel e sanguinário conhecido apenas por Arlequim. Thomas jura ainda – para si mesmo - recuperar o objeto precioso que foi roubado.  Ele deixa o que restou do povoado e viaja para o outro lado do Canal da Mancha, onde se junta a grupos de arqueiros ingleses em permanente combate com os franceses. Começam, então, suas aventuras em campos de batalha. O que ele ainda não sabe é que terá de enfrentar um grande mistério que assombra sua vida: os planos diabólicos do famigerado Arlequim, o assassino de seu pai, que podem alterar o destino de muitos reinos poderosos.
No começo da saga, Thomas - que futuramente ficaria conhecido como ‘Thomas de Hookton, em menção ao povoado onde morava – já é um arqueiro habilidoso, apesar da pouca idade, mas essa habilidade no manejo do arco longo, uma arma mortífera que tornou o exército inglês o mais poderoso da Europa no século XIV, só vai crescendo.
Neste primeiro volume da trilogia, as menções ao Graal são bem discretas, já que o autor foca mais no desejo de vingança de Thomas que reflete numa caçada em busca de Arlequim. Esperando o momento certo, ele se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que sem perceber o lança na busca do Santo Graal.
Bernard Cornwell
Já no segundo volume da saga – “O Andarilho” – Cornwell cede um espaço maior para o objeto sagrado, fornecendo detalhes importantes sobre o Graal e como a relíquia começou a  fazer parte do destino de Thomas. O autor foi “fera demais” ao optar por deixar o clima místico de lado e transportar a saga da busca do Graal para o século XIV, em plena Guerra dos Cem Anos entre Inglaterra e França.
O confronto entre os exércitos dos dois países continua sendo ferrenho com batalhas homéricas protagonizadas por personagens capazes de realizar proezas inimagináveis, graças a sua coragem. Homens que acabam se tornando lendários. Verdadeiros heróis.
Tanto ingleses quanto franceses estão atrás do Santo Graal. Segundo a lenda quem estivesse de posse do objeto sagrado sairia vencedor da guerra. Thomas de Hookton, então,  é enviado pelo rei da Inglaterra numa missão na qual teria de descobrir mais sobre o legado de seu pai, que parece ligado ao Graal. Em seu caminho, o valente arqueiro inglês enfrenta inúmeros vilões e aventuras. Perigos e adversários que o conduzem a outra busca: a de suas verdadeiras origens, ligadas a uma misteriosa família nobre que, por séculos, teria sido a guardiã da mais sagrada das relíquias cristãs, mas que tinha caído na desgraça da heresia. Thomas também descobre que há outros na trilha do Santo Graal. Homens que não se deterão diante de nenhum obstáculo para colocar as mãos na relíquia.
Em “O Andarilho” , o autor volta a usar o cenário da Guerra dos Cem Anos para contar uma saga tão empolgante quanto as aventuras de Artur e seus cavaleiros narrada na série “As Crônicas de Artur”.
Quanto ao “O Herege”, o livro fecha a empreitada de Thomas de Hookton. Ah! Você quer saber se ele consegue encontrar o Arlequim, responsável pelo assassinato de seu pai ou então se o Santo Graal caiu nas mãos de inglês, franceses ou de mercenários ou ainda se Thomas recuperou a lança de São Jorge? Cara... só faltava essa né? Eu bancar o pentelho mais sacana do mundo e bombardear o final desse post com spoilers fatais. Definitivamente não dá. Vamos esquecer. O que eu posso adiantar é as batalhas ficam ainda mais ferrenhas; que a descoberta do verdadeiro nome do Arlequim acaba sendo uma baita surpresa; que temos muitas aldeias saqueadas; que Thomas, pela primeira vez, passa a liderar um regimento de arqueiros, se tornando um soldado hiper-respeitado; que ele consegue salvar um ‘muiérão’ da fogueira; quê e mais quê e novamente outros quês... Melhor lerem toda a trilogia porque vale à pena e como vale!!








07 agosto 2013

“Identidade Frota – a estrela e a escuridão 5.0”: uma biografia polêmica que está tirando o sono de muitas pessoas famosas



Se pudéssemos definir os ‘gostos’ e a personalidade das pessoas tendo por parâmetro apenas a sua aparência, com certeza o Luizinho, vulgo Memê, se passaria por um lutador de Jiu-jitsu, marinheiro, professor de artes marciais, guarda-costas ou então para os menos esclarecidos um sujeito mau, mas mau ao extremo. Daqueles que ‘caçam-pegam- arrebentam e comem’. Um autêntico pit-boy. Sente só: 120 quilos de puro músculo, dois braços forrados de tatuagens (algumas bem excêntricas), cara de poucos amigos (não pela maldade, mas pela timidez), enfim, um sujeito enorme , um verdadeiro homem-montanha. Mas na realidade, o Luizinho... Pera aí! L-u-i-z-i-n-h-o??? Com todo esse tamanho e aparência??? Acreditem. É isso mesmo: Luizinho é o seu nome; nada de Luizão (rss). Mas como estava falando escrevendo; na realidade o Luizinho é estudante de biomedicina. Quando ele ‘pinta’ lá em casa, o velho Tourão sempre solta a pérola: “Ô filho, sabia que você tem ‘panca’ de saqueiro? Ocê parece um gorila rapaiz!”. Kkkkkkkkk!!! Pêra aí que eu estou dando uma gargalhada tripla enquanto digito essas linhas e recordo a cena lá in my house. Motivo da primeira gargalhada: O Tourão olhando para o Luizinho com aquela cara séria (nada de gozação ou sacanagem) e dizendo que o coitado se parece com um saqueiro. Cara! Poderia ser: “Você se parece com o Schwarzenegger”. Mas, tudo bem, como ele não conhece esse ator, que tal: “você está parecendo o Anderson Silva ou até um Minotauro quebraria o galho, mas saqueiro... Motivo da segunda gargalhada: “Forte como um gorila??!!” Pô Tourão; acho que “forte como um touro” ou forte como... como... sei lá, acho que até mesmo “como um cavalo” soava melhor, mas um gorila?!!. E finalmente, o motivo da 3ª e última gargalhada: o termo “panca”. Aii Jesusss! Me acode que eu estou começando a rir novamente e eu não quero, não posso, não e não. Deixe-me parar porque tenho que terminar isso aqui sem muita enrolação. Mas ver a expressão do Kid Tourão soltando a tal “panca”, não dá; definitivamente não dá. Pô novamente Tourão!! Panca??!! Será que não poderia ser “você se parece”?
Caraca! Viu só? Basta começar a falar das peripécias do Tourão que eu viajo, divago. Bem, retomando o assunto. O Luizinho com a sua pinta ou ‘panca’ de... bem melhor deixar pra lá... é um leitor e cinéfilo assíduo, mas somente de livros e filmes que não tenham violência. Pode acreditar, ele faz o tipo “filósofo”. Jóias raras da sétima arte como “Cidadão Kane”, “A Doce Vida”, “Casablanca” ou então preciosidades da nossa literatura como: “Dom Casmurro”, Ulisses (de James Joyce) e 1984 (de George Orwell) fazem parte do cotidiano de Luizinho.
Estou escrevendo tudo isso para preparar o espírito da galera porque o baque da revelação que irei fazer agora será grande. Então lá vai, na lata: Ontem, após dar uma carona pro meu amigo, ele me falou na maior: “Zé, quando será que o Alexandre Frota vai lançar a sua biografia?”. Juro que se não estivesse atento ao volante, iria ‘encher’  a traseira de um ônibus rural que seguia na minha frente.
Para não perder muito tempo o que, certamente, deixaria esse post enorme, não vou escrever o teor do nosso diálogo após a revelação bombástica do Luizinho. Deixa pra lá. Basta revelar que o seu desejo era, ou melhor, é  ler a obra do polêmico artista.
Após esse fato, cheguei a seguinte conclusão: se um livro completamente atípico daqueles que o Luizinho ‘curte’ é capaz de atiçar a sua curiosidade, tudo levar a crer que “Identidade Frota – a estrela e a escuridão 5.0”, definitivamente está fadado ao sucesso. Inclusive, acho que muitos críticos com pinta (somente pinta) de intelectuais vão trucidar e fazer picadinho da  obra, mas depois irão lê-la escondidinhos no toalete só para matar a sua curiosidade.
Alexandre Frota e Maurício Mattar em Roque Santeiro (1985)
Podem falar ou escrever o que quiserem, mas a vida de Alexandre Frota teve muitas reviravoltas, todas elas bem intensas. Ele foi do céu ao inferno. No início foi amado e respeitado, depois se tornou uma ovelha negra no meio artístico. Se relacionou com as mulheres mais desejadas do Brasil. Não teve medo de dizer o que pensava de quem quer que fosse. E por aí vai. Frota é o tipo do sujeito que vale uma biografia. Assim, após analisar todas essas nuances, cheguei a conclusão de que a atitude do meu amigo ‘fortão-intelectual’ foi a ‘coisa’ mais natural do mundo. Simplesmente, ele foi movido pela curiosidade; e qual pessoa desse nosso planeta que não é curiosa? E o livro de Frota vai tocar fundo na curiosidade do pessoal, fazendo com que venda ‘horrores’. E marketing para isso é o que não falta. A cada dia surgem na imprensa informações novas sobre o livro. Como a história ou boato (ninguém sabe; só o Frota) de uma famosa apresentadora - casada - de um canal de TV paulista que estaria preocupadíssima com o conteúdo do livro. A notícia que empestiou a maioria dos sites e blogs é de que essa apresentadora teria perdido a virgindade com Frota e agora teme que a noite tórrida de sexo, seja narrada com riqueza de detalhes pelo artista.
Outra informação que vem rolando na Net é de que Alexandre Frota enviou mil exemplares de sua biografia para a casa de um amigo em Portugal. Ele teria tomado tal atitude, já pensando numa possível proibição do livro por força de alguma liminar. Neste caso, o ator  iria distribuir a obra para jornalistas de todo o país.
Cada internauta que vê essas notícias na rede, fica desesperadamente curioso  e consequentemente morrendo de vontade de comprar a biografia.
Frota e Cláudia Raia foram casados entre os anos de 1986 e 1989
Mas a galera que está preocupada quanto a uma possível proibição de “Identidade Frota – a estrela e a escuridão 5.0” podem ficar tranqüilos que o livro não corre mais esse perigo, pois já está em pré-venda nas principais livrarias do País. O seu lançamento está previsto para acontecer no dia 20 de setembro.
A idéia de escrever o livro partiu de uma conversa entre Frota e Pedro Henrique Peixoto, que é diretor e roteirista de TV, além de jornalista. O artista já vinha amadurecendo o seu desejo há algum tempo e então num encontro com Peixoto, o projeto começou a ganhar corpo. Frota faz questão de frisar em suas entrevistas de pré-lançamento que o livro não é um guia, mas poderá alertar muito as famílias sobre o envolvimento com as drogas e que existe, sim, luz no fim do túnel. “É uma história de superação”, diz ele.
E de fato, superação é o que não falta em sua vida. Vejam bem, Frota chegou a ser ator do primeiro time da Globo na década de 80; foi marido de Cláudia Raia, uma das mulheres, se não ‘a’ mulher mais cobiçada do País naquela época; mas depois... bem, tem sempre o depois em todas as histórias, não é mesmo? Então, depois do estrelato e da fama, Frota entrou de cabeça no mundo das drogas, se entupindo de maconha, cocaína e ecstasy; aceitou participar de reality shows baratos e por fim se tornou um ator pornô.
O livro conta com depoimentos de familiares e de pessoas famosas que fizeram parte da vida do polêmico artista, entre os quais: Roberto Talma (diretor de novela s Globo); Fernando Meirelles (cinasta), Paulo Franco (presidente da Fox no Brasil). O escritor Pedro Henrique Peixoto diz que os depoimentos são sinceros e honestos, nada do tipo ‘fazer média’. Ele explica que o próprio Frota quis assim, tudo para que a sua obra pudesse ser a mais verdadeira possível.
Uma das revelações mais polêmicas e que deverá fazer parte do livro diz respeito a supostos encontros secretos com Cláudia Raia. Frota revela que mesmo depois de separado da atriz se encontrava com ela escondido, quando Raia era casada com o ator Edson Celulari. Os encontros ocorriam na casa do arquiteto Léo Shehtman, em São Paulo.
E para os curiosos que quiserem saber o motivo ou os motivos que levaram um dos galãs mais promissores da TV Globo nos anos 80 a sair daquela emissora como persona non grata, basta ler o livro também.
Com certeza o Luizinho vai comprar o seu!

04 agosto 2013

Inferno



Fiquei surpreso ao ver na Net tantos comentários desfavoráveis ao novo trabalho de Dan Brown. Surpreso porque tinha quase certeza de que os sites e blogs brasileiros e estrangeiros iriam derramar elogios para a mais recente aventura do simbologista mundialmente conhecido, Robert Langdon. Mas a ‘coisa’ foi bem diferente e ‘bóta’ diferente nisso. Cara, a maioria dos sites implodiram “Inferno”! Acharam a história excessivamente descritiva e por isso mesmo, cansativa; fantasiosa ao extremo e com personagens fracos.
Respeito tudo o li, mas por outro lado, também discordo de tudo o que li. Devorei “Inferno” numa tacada só. Acho que demorei cinco ou seis dias para ler o livro, mesmo estando abarrotado de serviço em casa, no jornal e na rádio.
Não achei que Brown desenvolveu personagens fracos como foi publicado em alguns blogs americanos. Pelo contrário. Na minha opinião, o autor criou personagens fortes e carismáticos, bem mais marcantes do que os de “O Símbolo Perdido”, “Ponto de Impacto” e até mesmo “O Código da Vinci”. Vai... seja sincero. Será que você se lembra dos personagens desses três livros? E se por acaso se lembra; será que eles deixaram alguma saudade? Agora o que dizer de uma Sienna Brooks ou então de uma Elizabeth Sinskey ou até mesmo daquele diretor baixotinho do Consórcio que não tem nem mesmo um nome? Brown os dotou de um carisma peculiar e que não existe em seus personagens de obras passadas.
Sienna Brooks, literalmente, engole Sophie Neveu de “O Código da Vinci”; Elizabeth Sinskey faz o mesmo com Katherine Solomon, de “O Símbolo Perdido” e até mesmo o vilão Bertrand Zobrist é mais interessante do que o chato e animalesco Mal’akh de “O Símbolo...”
Com relação à Brooks, a garota literalmente arrasa nas páginas. Juro que já estou sonhando em vê-las nas telas. Ela é capaz de criar uma miscelânea de sentimentos ambíguos nos leitores que vão do amor ao ódio e do respeito ao desprezo. Você começa amando e idolatrando Sienna, depois quer que ela sofra, na sequência volta a amá-la, depois sente um ódio mortal e assim por diante. Só mesmo perto do final da história é que o leitor vai entender os motivos que levaram a personagem a tomar uma atitude que todos julgavam monstruosa, mas na realidade não era. Neste momento do enredo, a galera sente vontade de estraçalhar o corpo da personagem e ainda atirar os pedaços sanguinolentos aos os cães; mas quando você descobre a verdade sobre os atos de Brooks, pronto! Ela passa a ser a própria Madre Tereza de Calcutá. Daí, logo depois, ela diz algo que já te irrita. E assim vai. Cara, sinceramente, adorei a personagem. Acho que estou apaixonado por ela (rs). Acredito que a diferença de Sienna Brooks para as outras (os) coadjuvantes que tiveram a honra de trabalhar com Robert Landgon é que ela não mantém aquele padrão de pessoa ‘certinha’ do início ao fim da história. Posso classificá-la como uma camaleôa. Isso mesmo! Uma camaleôa! Porque na realidade, só ela conhece a verdadeira razão dos seus atos e quando os pratica não pede autorização prá ninguém. Ela simplesmente coloca os seus planos em ação porque acha que é o certo. Robert Langdon que o diga! Por isso, quando no final do livro vemos uma Sienna Brooks frágil e carente, mesmo que por pouco tempo, passamos a gostar ainda mais da moça. Quero dar os parabéns para Brown que conseguiu criar o seu melhor personagem, depois é claro, do famoso simbologista de Harvard.
Já Elizabeth Sinskey, a toda poderosa diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) é descrita como um ‘muiérão’ de cabelos compridos e prateados, apesar de sexagenária. Uma verdadeira miss meu amigo! Nada de vovó ou titia e capaz de colocar qualquer ‘modelinho’ metida à besta no bolso. Com uma personalidade forte e franca, acostumada a ‘dar ordens e não a receber ordens’, ao longo da história ela será obrigada a mudar essa filosofia. O seu encontro com Siena Brooks – intermediado por Langdon -  é um dos momentos mais especiais e interessantes do livro. Temos a oportunidade de ver frente a frente, duas mulheres de personalidades fortes e distintas que trabalham em lados opostos, mas que acabam... Putz, chega vai, se não vou acabar estragando essa parte com spoilers.
À exemplo de Sienna, o vilão Zobrist também tem é ambíguo ao limite. Tipo o cara que tem uma preocupação nobre com determinado problema social, mas escolhe os meios errados para solucionar esse problema.
Quanto ao diretor do Consórcio é uma figura; e que figura. Etcha baixotinho que só quer levar vantagem. A cena final envolvendo o personagem e o seu ‘cupincha’ é hilária. O Consórcio em si é algo bem surreal. A função dos profissionais que compões esse grupo – que segundo Brown existe em vários países, mas com um nome diferente – é fazer... Calado!! Ia soltando mais um (spoiler)... sem querer.
Portanto, galera afirmar que os personagens de “Inferno” são fracos, creio que seria uma grande injustiça.
Bem, quanto ao excesso de descrições de obras de arte, museus, basílicas e trechos sobre a Divina Comédia de Dante Alighieri que, segundo alguns sites e blogs, acabam deixando a história cansativa; não vejo bem assim.
Essas descrições são essenciais para o enredo da trama e sem elas, a história ficaria muito superficial. Além do mais, pelo menos para mim, tais descrições não são cansativas, pelo contrário, são muito interessantes. Me deliciei com a descrição e as curiosidades sobre  a Galleria degli Uffizi, um enorme palácio, situado em Florença, na Itália e que abriga um dos mais famosos museus do mundo. A Cadetral ou o Duomo de Florença, considerado um dos lugares mais emblemáticos da Itália. A Basílica de São Marcos onde se encontra a famosa obra de arte Os cavalos de São Marcos. A Igreja de Santa Sofia, em Istambul, considerada a maior igreja do mundo. O Battistério, uma construção com cúpula em forma de pirâmide feita para receber a pia batismal onde Dante foi batizado.
Brown não só descreve esses lugares mágicos de Florença, Veneza e Istambul, como também revela curiosidades fantasticamente fantásticas! O mesmo acontece com as obras de artistas famosos como: Botticelli que transpôs para a tela o poema de Dante Alighieri ou então de Vasari autor do quadro “A Apoteose de Cosmo I”, mais conhecida por “A Apoteose de Vasari”, cuja semelhança com a “A Apoteose de Washington” no Capitólio dos Estados Unidos é muito grande. Ah! Preste atenção, também, na curiosa história sobre os famosos ‘Cavalos de São Marcos’, com certeza, o leitor a achará bem interessante.
Quanto as informações sobre Dante e o seu famoso poema “A Divina Comédia’, seria uma baita injustiça taxá-los de cansativos. Brown nos revela detalhes íntimos sobre a vida do grande poeta que tinha um amor platônico por uma moça muito bonita na época, chamada Beatriz Portinari e que acabou se casando com um outro homem. Foi esse amor que fez com que Dante transformasse Beatriz em sua musa inspiradora ao longo de sua obra. Há ainda revelações interessantes sobre o exílio de Dante, obrigado a abandonar Florença, cidade a qual amava. Brown explica em detalhes os motivos desse exílio e como ele influenciou profundamente a sua obra-prima “A Divina Comédia”.
Sinceramente não dá pra afirmar que essas descrições tornam a leitura maçante e cansativa. Cara! Elas são interessantíssimas!!
Agora, falando escrevendo sobre o enredo de Inferno - procurando não detoná-la com spoilers - o autor acertou a mão. Ao contrário de seus livros anteriores; em “Inferno”, a ação já invade o romance de 443 páginas logo de cara. Já no início, o ‘negócio’ pega quando Langdon é obrigado a fugir de um hospital onde está internado, no exato momento em que uma assassina de aluguel invade o seu quarto, ‘cuspindo’ balas prá todos os lados. A fuga de Langdon que conta com a ajuda de Sienna é espetacular e certamente irá prender a atenção dos leitores.
A narrativa é ágil e dinâmica – daí, também, a necessidade dos trechos descritivos – caso contrário, a história vai se transformar somente num festival de tiros e perseguições. As reviravoltas na trama são outros fatores positivos. Coisa do tipo: você vai lendo... vai lendo... acreditando... acreditando... e então descobre que tudo aquilo que acreditava ser verdade, simplesmente não é! Aliás, Brown é mestre nisso, mas em “Inferno”, ele se supera.
Na trama, o famoso professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon se encontra no coração da Itália. De lá, ele é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri.
Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário de intelecto avançado, um geneticista que está ‘anos-luz’ à frente dos cientistas de sua época. Seu nome: Bertrand Zobrist que acaba de criar uma praga que pode dizimar o mundo. O vilão usa o principal poema de Dante, A Divina Comédia para camuflar pistas importantes. E o mundo só poderá ser salvo se essas pistas forem decifradas. É aí que Langdon entra. O simbologista  mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.
Logo no início do livro, Langdon encontra-se numa cama de hospital desorientado e com um ferimento à bala na cabeça. Quando um novo atentado contra a sua vida acontece dentro do centro médico, Langdon  se vê obrigado a fugir e, para isso, conta apenas com a ajuda da jovem médica Drª Sienna Brooks.
De posse de um macabro objeto que Sienna encontrou no paletó de Langdon, os dois tem que seguir uma série inquietante de códigos criada por uma mente brilhante, obcecada tanto pelo fim do mundo quanto por uma das maiores obras-primas literárias de todos os tempos: A Divina Comédia”. E só. No mais, leiam o livro, vale à pena.

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