Não existem só músicas, mas também filmes que tem o
poder – acredito que a frase correta seria “tem a magia” – de nos transportar
para o passado e fazer com que recordemos de momentos especiais que vivemos há
muitas ou poucas décadas atrás. No meu caso, são muitas décadas porque essas
emoções foram vividas há aproximadamente 40 anos. “Operação Dragão” de Bruce
Lee é o nome de um dos filmes que exerce esse poder sobre mim.
Ahahahahaha!!! Com certeza, esta deve ter sido a
reação de muitos leitores que chegaram até essa parte do texto. Eles devem ter
morrido de rir ao imaginar como um filme de Kung-Fu conseguiu marcar um momento
romântico em minha vida. Então, eu respondo: - Calma apressadinhos; não foi um
momento romântico, mas um momento especial; mas se tivesse sido um momento
romântico não seria nada de mais (rs).
Este filme faz com que eu me recorde dos meus amigos
de universidade. Éramos em quatro; quatro amigos inseparáveis, e certa noite
resolvemos assistir a um filme que estava passando num cinema em Bauru. Isso
mesmo: o tal filme era “Operação Dragão”. Escolhemos essa produção
cinematográfica aleatoriamente, só como pretexto para matar uma aula que
achávamos chata para dedéu. Já conhecia alguma coisa sobre Bruce Lee, apenas o
básico do básico e uma dessas informações básicas era a de que ele tinha
morrido – ainda jovem, aos 33 anos - antes da estreia de seu primeiro filme inteiramente
produzido em Hollywood. Ao sair do cinema, tinha gostado tanto do filme que
resolvi pesquisar detalhes de bastidores que rolaram durante as filmagens e
para minha decepção não encontrava absolutamente nada que me satisfizesse. Até
que decorridos 40 anos ou pouco mais, toda essa minha curiosidade foi “matada”
com o livro Bruce Lee: Uma Vida de
Matthew Polly publicado em 2021 pela editora Seoman.
A obra de Polly dedica um capítulo inteiro para o
filme antológico de Bruce Lee e destrincha tudo o que aconteceu antes, durante
e depois das filmagens; um verdadeiro dossiê. Antes de começar a resenha da
obra só gostaria de acrescentar que “Operação Dragão” marcou um dos momentos
mágicos que tive com esses amigos especiais, dos quais não tenho mais notícias
e, por outro lado, como brinde, passei a admirar um baita filme – pelo menos
para mim e para os padrões de cinema daquela época – e com isso, o interesse em
conhecer um pouco mais sobre a vida de um homem que ganhou merecidamente a
alcunha de o “chinês mais importante do século 20”. E para aqueles que acham
que eu estou exagerando, basta dizer que Bruce Lee foi o primeiro chinês a
estrelar um grande filme internacional e a primeira estrela ásio-americana
verdadeiramente lucrativa de Hollywood.
A importância de Bruce Lee para a cultura pop é muito
maior do que podemos imaginar. Lee Jun-fan, nome de nascimento da lenda das
artes marciais, além de ter revolucionado Hollywood, eternizou seu nome e
influenciou músicas, quadrinhos e jogos que consumimos e, muitas vezes, sequer
sabemos que possuem um toque do "pequeno dragão", como era conhecido.
Quanto a resenha de Bruce Lee: Uma Vida não há muito o que escrever, acredito que
bastaria “dizer” que é um livro honesto, esclarecedor e profundo.
Honesto porque o autor destaca não só o lado bom do
pequeno dragão, mas também o seu lado egocêntrico, briguento, mulherengo e
egoísta. Enfim, trata-se de um livro
verdadeiro que não tenta maquiar a vida do biografado como acontece em muitas
biografias. Bruce Lee teve o seu lado humano, solidário e bondoso - ele se preocupava
muito com as pessoas; mas... também o sujeito era do... peru. Polly mostra tudo
isso em seu livro.
Esclarecedor porque o autor destrincha detalhes que outros
livros publicados omitem; o que rolou nos bastidores de “Operação Dragão” e de
também de outros filmes do ator e lutador de kung fu é um exemplo latente disso.
A obra que reúne mais de cem entrevistas com integrantes da família, amigos e,
até mesmo, com a atriz a qual ele estava no dia de sua morte; apresenta ainda informações
inéditas e fotos raras; narra desde a infância de Lee — nascido em San
Francisco, nos Estados Unidos, e criado em Hong Kong — como ator mirim até sua
morte, que levantou várias dúvidas à época.
Vou mais além, o livro esclarece o que aconteceu na
casa da atriz Betty Ting Pei onde Lee morreu e o que aconteceu, imediatamente,
após a sua morte.
O livro é profundo porque mostra detalhes e
curiosidades que a maioria dos fãs desconheciam. Por exemplo, suspeita-se que o
que na verdade tirou a vida da lenda do kung fu foi um choque térmico. "A
chave para entender a morte de Bruce Lee é que ele desmaiou 10 semanas antes e
quase morreu da mesma coisa", explicou Polly à Fox News em uma entrevista.
“Em 10 de maio de 1973, ele entrou em uma pequena sala de dublagem em um dos
dias mais quentes do mês. Eles desligaram o ar condicionado para evitar
estragar o som. Ele imediatamente superaqueceu e ficou tonto. Ele saiu da sala
e desmoronou no chão. Ele se levantou e quando entrou na sala aquecida, ele
desmaiou novamente e começou a convulsionar violentamente. Eles o levaram para
o hospital e os médicos suspeitaram que seu cérebro estava inchando... E assim
o primeiro colapso parecia exatamente um caso de choque térmico", revelou
Polly.
“Na época, surgiram dúzias de rumores - de que ele
havia sido envenenado, de que ninjas chegaram até ele...”, disse Polly. “Não há
provas de que seja mentira, mas minha conclusão é de que ele morreu de choque
térmico... É uma morte muito comum entre homens jovens e atléticos”.
Polly alegou que alguns meses antes do primeiro
incidente, Lee removeu as glândulas sudoríparas em suas axilas cirurgicamente.
"Ele não achava que ficava bem na tela”. “Era seu trabalho parecer bem no
cinema. [Mas] isso tornou mais difícil para ele dissipar o calor”, disse ou
autor
Bruce
Lee: Uma Vida ainda mostra detalhes sobre a infância do
pequeno dragão e também de seus pais; como surgiu a sua amizade com Chuck
Norris – outro astro das artes marciais – Steve McQueen e James Coburn, grandes
astros de Hollywood naquela época.
Enfim, galera, uma biografia definitiva e que vale
muito a pena ser lida, principalmente pelos fãs de Bruce Lee.
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