Se você gostou de “Thelma e Louise” com Susan Sarandon
e Geena Davis, dirigido pelo gênio Ridley Scott, com certeza irá amar Sem Volta, de Emily Henry e Brittany
Cavallaro. O porquê? Tá bem, eu conto: simplesmente, filme e livro compartilham
a mesma essência do subgênero road movie, além de celebrar a força
feminina. Classifico o romance de Henry e Cavallaro como um “Thelma e Louise”
para o público jovem, “coisa” do tipo young adult. Mas e aqueles
leitores que ainda não tiveram a oportunidade de assistir ao filme, será que
também irão gostar do livro? Se eles estiverem à procura de um young adult
com enredo focado no amadurecimento dos personagens principais e na superação
do controle familiar — que muitas vezes se aproxima do controle obsessivo —,
também irão amar a história. No meu caso – terminei a leitura na semana passada
–, não cheguei a amar, mas gostei, sim, do livro.
Uma dica para aqueles que pretendem ler a obra é que
se soltem um pouco das “amarras” da realidade e deixem-se embalar pelas aventuras e peripécias de duas amigas
inseparáveis que resolvem “cair” na estrada. Se fizerem isso, a leitura se
tornará fluida e prazerosa.
Estas duas amigas se chamam Winona e Lucille. Elas têm vidas muito diferentes, mas também
têm algo em comum: estão de saco
cheio de homens controladores e dispostas a tudo para fugir. Ao se livrarem das
amarras que as sufocam, elas pisam fundo no acelerador, numa aventura em busca
de quem são e da liberdade de poder viver a própria vida longe dessas amarras.
Agora, você que assistiu a “Thelma e Louise” e está
pensando que ler Sem Volta será uma
grande perda de tempo, já que ambos têm
enredos semelhantes, pode começar a mudar de ideia porque a realidade é bem
diferente. Apesar de livro e filme terem as suas semelhanças, as diferenças
também existem e são bem distintas. Por exemplo, na produção cinematográfica de
1991, a tensão surge a partir da violência real e sistêmica (uma tentativa de
estupro e o histórico de um casamento abusivo). Já no livro de Henry e Cavallaro,
a opressão é internalizada nos laços familiares. Winona é sufocada pelo
controle abusivo do pai, enquanto Lucille é refém, financeira e emocionalmente,
de uma mãe negligente e de um irmão problemático.
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Cena do filme Thelma e Louise (1991) com Geena Davis e Susan Sarandon
Outro detalhe que deixa evidente a diferença entre os
dois é que o filme tem um tom de thriller policial e comédia de humor ácido que
culmina em um desfecho trágico e poético, onde o mergulho no penhasco simboliza
o triunfo máximo sobre a opressão. Por sua vez, o livro mantém uma veia de
comédia sombria, mas opera sob uma ótica otimista. A dinâmica entre Winona e
Lucille foca na cura emocional e no empoderamento mútuo, caminhando para um
final de redescoberta pessoal, laços fortalecidos e esperança no futuro,
afastando-se do tom fatalista do filme.
Na minha opinião, toda a rebeldia das duas personagens
de Sem Volta é uma fuga adolescente
em busca de autonomia e emancipação, enquanto no filme, a dinâmica gira em
torno da luta de Thelma e Louise pela sobrevivência contra instituições e
situações aparentemente dominadas por homens.
Quanto às
semelhanças, você que assistiu ao filme, fique tranquilo porque elas não irão
atrapalhar em nada a história do livro. Existem semelhanças, sim, mas todas
elas longe de queimar o enredo com spoilers
ou então de influenciar negativamente o desenvolvimento da trama das duas
escritoras.
Tanto no livro quanto no filme, a narrativa começa com
duas mulheres que decidem dar um basta na vida que levam e partem em uma viagem
de carro em busca de independência. A jornada na estrada é o cenário central da
história, servindo como uma metáfora para o autodescobrimento e a quebra de
paradigmas.
O pilar do que rola tanto nas telonas quanto nas
páginas é a cumplicidade e a lealdade incondicional entre duas mulheres que se
apoiam para enfrentar um mundo hostil e patriarcal. Semelhanças, repito, que em
nada atrapalham quem assistiu ao filme e agora planeja ler o livro, ou
vice-versa.
Ah! Antes que me esqueça: assisti ao filme – ainda na
época do VHS – e gostei; e acabei de ler o livro recentemente e também gostei.
Inté, galera!


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