sábado, 29 de abril de 2017

Reversos da Vida

Quando eu estudava em Bauru, tinha um locutor de rádio naquela cidade com uma voz aveludada que fazia muito sucesso. Um amigo meu sempre dizia que a voz do tal locutor tinha o poder de hipnotizar quem estivesse por perto. – “Deus me livre! O cara te seduz com essa voz! Tô fora!”. – Eu me divertia muito com o Luiz que vivia chamando o comunicador de ‘Ravengar Apaixonado’. Pois é galera, a literatura de folhetim é muito parecida com esse locutor de voz macia que hipnotiza quem o ouve ou nesse caso do folhetim, quem o lê.
Não importa que a estrutura do enredo folhetinesco seja sempre a mesma - história impreterivelmente de amor no estilo: moço e a moça se encontram com sinceridade. O encontro e o relacionamento do casal não podem ser escandalosos. Eles sofrem horrores com maquinações de familiares que não aceitam o romance, de amigas invejosas que cobiçam o bom partido, de cartas caluniosas, de acidentes inesperados; enfim todo tipo de contratempos. Mas... o final sempre é feliz –, ela tem o poder de prender a atenção do leitor. Que o digam as revistas Sabrina, Julia, Bianca e outras, cujo sucesso durou décadas.
Por ser raro encontrar, atualmente, romances no estilo folhetim nas livrarias, principalmente lançados por autores brasileiros, “Reversos da Vida”  da escritora baiana Terezinha Teixeira dos Santos acabou despertando o meu interesse. Confesso que a minha curiosidade ficou ainda mais aguçada por nunca ter lido – pelo menos que eu me lembre – uma obra com essas características, excetuando algumas revistas Sabrinas e fotonovelas que arrisquei na minha infância.
Por isso, solicitei à Scortecci Editora que, se possível, me enviasse o livro para resenhá-lo. Outro fator que pesou na balança foi o pequeno numero de páginas da obra, apenas 118 e em letras graúdas. Como estou encarando as 560 páginas de “O Legado Bourne” de Eric Van Lutsbader, queria algo, digamos... menor. E foi assim que “Reversos da Vida” caiu em minhas mãos.
Foi uma leitura do tipo ‘vapt-vupt’. Não só pelas poucas páginas da obra, mas principalmente pelo enredo que prende a atenção até o final. Não me pergunte como uma narrativa simples e com poucos personagens consegue prender o leitor. Sei lá, acho que essas características peculiares dos romances de folhetim são inexplicáveis.
“Reversos da Vida” é uma história de amor à moda antiga, com drama, suspense, sofrimentos, reviravoltas e uma intensa trama de amor. Uma homenagem da autora aos romances-folhetins que conquistaram gerações nos séculos XIX e XX. O livro narra a história de Pollyane e Marcelo, separados após um trágico acidente e que terão o amor colocados a prova.
O romance lembra um pouco ‘Romeu e Julieta’, já que um dos motivos que impede Pollyane e Marcelo de ficarem juntos é uma velha rixa familiar. Apesar dos pais – principalmente os de Marcelo - serem contra o relacionamento do casal, chegando ao ponto de armar situações ardilosas para separá-los, os dois não desistem diante das adversidades. Bem... até que uma situação inesperada acaba colocando o amor do casal à prova.
Terezinha Santos segue a risca as características dos folhetins de décadas passadas no que se refere aos costumes e linguagem dos personagens. Ela foi muito feliz nessa recriação de época.
Enfim, uma típica novela passional romântica do século XIX recheada de amor, separação, dor e reencontro.
Acho que a galera romântica irá gostar, principalmente se forem fãs das Sabrinas, Julias, Biancas e Cia.
Inté!
Detalhes da obra
Editora: Scortecci Editora
Autora: Terezinha Teixeira Santos
Gênero: Ficção (Romance Folhetim)
Formato: 14 x 21 cm 
Páginas: 124
Edição:1ª edição
Ano: 2017
Preço sugerido: R$ 25,00
Onde encontrar: Livraria Asabeca

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