sábado, 23 de julho de 2016

Love Story (Uma História de Amor)

Os leitores que acompanham o blog há algum tempo  já conhecem a minha aversão por novelizações de filmes. Eu, simplesmente, detesto. Se fosse padre, excomungaria todos os autores que escrevessem as famigeradas novelizações. E talvez, eu não esteja assim tão errado já que a maioria dos livros com essa característica acabou naufragando, enquanto os filmes tornaram-se verdadeiros blockbusters. Em 2011 escrevi um post que explica muito bem a chamada maldição das novelizações.
Mas como para tudo nesse mundo existem as exceções, no caso das novelizações não é diferente. Uma delas é o livro de Erich Segal, “Love Story” que no Brasil recebeu o título de “Uma História de Amor”.
O romance lançado em 1970 foi o livro mais vendido nos Estados Unidos e traduzido para 33 idiomas. Na época as livrarias enfrentaram filas gigantescas de leitores que de tão desejosos em adquirir a obra chegaram a dormir nas portas das lojas.
Então, como explicar toda essa histeria por uma novelização? Bem, para decifrar esse mistério temos que voltar para 1969, ou seja, um ano antes do lançamento do filme. Pois é, Segal havia escrito um roteiro sobre o envolvimento de um rapaz rico com uma garota pobre que sofre de doença terminal. Os executivos da Paramount ‘amaram’ o enredo lacrimoso e sem pestanejar compraram o texto.  Frisando: isto, em 1969.  Para reforçar a divulgação do filme, a produtora pediu que o autor escrevesse também um livro baseado no roteiro cinematográfico, para ser lançado nas lojas no Dia dos Namorados do ano seguinte, semanas antes de o longa ir para os cinemas. A estratégia funcionou.
"Love Story", estourou em vendagens e o filme com Ryan O’Neal e Ali MacGraw se tornou a sexta maior bilheteria na história do cinema americano. A frase dita pela personagem de MacGraw no filme: “amar é jamais ter que pedir perdão” se tornou antológica e uma marca registrada para aquela geração.
Portanto, acredito que o sucesso da novelização de Love Story deve-se  a estratégia de marketing da Paramount que optou por lançar o livro bem antes do filme e numa data que tinha tudo a ver com a situação: o dia dos namorados. Acredito que por ter sido lançado antes da produção cinematográfica, o livro de Segal acabou perdendo o estigma de novelização.
Milhares de pessoas leram o livro antes de assistir ao filme o que resultou num sucesso estrondoso da obra. Não deu outra: esses mesmos milhares de leitores ficaram hiper-curiosos para ver como a história escrita ficaria nas telonas. Cara, essa estratégia de marketing simples mas eficaz, fez com que tanto livro quanto filme entrassem para o chamado rol da fama das obras antológicas.
Como já disse, o livro foi o mais vendido em 1970 na Terra do Tio Sam e lançado em mais de 30 países. Já a película cinematográfica faturou cinco Globos de Ouro, incluindo melhor filme e melhor atriz para Ali MacGraw, que pegou o papel por ser namorada de Robert Evans, um poderoso produtor da Paramount.
Conseguiu sete indicações para o Oscar, mas só levou a melhor trilha sonora, para Francis Lai.
“Love Story” também abriu caminho nos cinemas para os chamados filmes românticos de doença, onde sempre um dos protagonistas morria perto do fim. Afinal, onde você acha que “Como eu era antes de você”, “A culpa é das estrelas”, “Diário de uma paixão” e tantos outros se inspiraram?
Li o livro de Segal e também assisti ao filme dirigido por Arthur Hiller e posso garantir que as diferenças são praticamente inexistem. Obra literária e produção cinematográfica podem ser consideradas irmãs gêmeas.
Como já havia assistido ao filme há décadas - na minha infância - não me recordo de muitas coisas, por isso, as páginas de “Love Story” ainda conseguiram me prender; caso contrário, seria difícil.
Na trama temos um rapaz rico que estuda direito em Harvard e uma garota de classe baixa que dá um duro danado para pagar uma faculdade de menor prestígio. A família dele se opõe ao romance, mesmo assim, eles se casam e Oliver perde a ajuda financeira paterna.
Tempos depois, o choque: ela tem uma doença incurável. O roteiro não deixa claro, mas é leucemia. Quando a doença se agrava, ele acaba se reaproximando do pai que por sua vez, revê a sua forma de encarar o relacionamento do casal. Mas, já é tarde demais.

Um ótimo livro, desde que você não se recorde do filme.

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