17 abril 2011

O Inimigo de Deus (As Crônicas de Artur)

(Contém spoilers) Falar o que de “O Inimigo de Deus”, 2º volume da já lendária trilogia “As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell? Brilhante? Fenomenal? Estupenda? Extraordinária? Qualquer um desses adjetivos serviria perfeitamente, mas prefiro ficar com outro: mágica. Nos dicionários de língua portuguesa algumas definições para mágico podem ser: “aquilo que causa admiração”, “encanto” e “maravilhoso”. E “O Inimigo de Deus” é tudo isso e muito mais. Tanto, que estou relendo os três livros que compõem as crônicas arturianas escritas por Cornwell.
O que fez a trilogia composta por “O Rei do Inverno”, “O Inimigo de Deus” e “Excalibur” se tornar – como já disse no início – “lendária” foram os elementos reais em que se baseia a obra. Cornwell escreveu os livros  após anos e anos de estudos, analisando descobertas arqueológicas e outros documentos do século VI d.C que muitos pesquisadores julgavam extintos. Estas valiosas informações lhe possibilitaram compor um Artur bem mais próximo da realidade, além de retratar com perfeição a Grã Bretanha do século VI que vivia sendo atacada pelos saxões.
Por isso, se você está esperando encontrar lindos castelos com torres altíssimas, donzelas inocentes, cavaleiros galantes, monstros míticos, espada mágica, dama do lago e um Merlin com poderes sobrenaturais, aconselho a dispensa da leitura da conhecida trilogia. Cornwell procurou ser o menos sonhador possível, desmistificando muitas lendas, afirmando inclusive, que Artur nunca foi rei, apenas um guerreiro que jurou fidelidade a um rei de verdade, no caso, Mordred, neto do Pendragon Uther. Mas isso não macula as suas virtudes do herói, porque graças a sua sabedoria e coragem, Artur acabou governando – indiretamente - todo o reino britânico conhecido, na época, por Dumnonia.
Achei “O Inimigo de Deus” melhor ainda do que “O Rei do Inverno”. Juro que cheguei a chorar em algumas partes do livro por causa da sua carga de dramaticidade. Se eu tenho o coração mole? Não sei. Talvez sim. Mas chorei mesmo quando Derfel – o narrador da história, além de conselheiro e melhor amigo de Artur – conheceu a sua mãe Erce, a qual vinha procurando a tanto tempo e depois de lhe dar um abraço emocionado jurou que seria para sempre o seu filho. É nessa parte da história que Erce faz uma revelação surpreendente para Derfel, dizendo quem é o seu pai. Fiquei ainda mais emocionado quando Dian, uma das três filhas de Derfel foi cruelmente assassinada na frente do pai, sem que ele nada pudesse fazer. E senti na pele o sofrimento de Artur ao ver Guinevere...Bem deixe-me parar por aqui, senão, vou acabar revelando através desses spoilers os momentos mais marcantes do livro.
Minha empolgação ao contar essas passagens é para que vocês entendam como o segundo livro da trilogia é dramático ao extremo, mas isso, não quer dizer que o autor se esqueceu das famosas cenas de batalhas. Pelo contrário, os confrontos entre os guerreiros de Artur e os saxões continuam mais cruéis do que nunca. E Cornwell, diga-se de passagem, é mestre em descrever cenas de combates medievais. Derfel continua orientando seus lanceiros a formarem as tão famosas paredes de escudos que já rendeu um post nesse blog. E por fim, Artur e a sua espada excalibur, acompanhado de seus famosos cavaleiros, ainda espalham terror nas batalhas, por mais difíceis que sejam. Mas devo admitir que as situações dramáticas são o ponto forte de “O Inimigo de Deus”.
Artur, Derfel, Merlin, Guinevere e Ceinwyn enfrentam momentos difíceis no contexto da história e muitas vezes, usam esses mesmos momentos como alavancas para se reerguerem. Por exemplo, Artur. Após sofrer uma grande traição, todos seus amigos e guerreiros pensaram que ele iria sucumbir, desmoronar e até mesmo perder a vontade de viver. Mas eis, que Artur usa esse momento difícil em sua vida para se reerguer, e de uma maneira que poucos esperavam. O Artur pacífico e capaz de perdoar os seus inimigos para conseguir a paz, se transforma num guerreiro impiedoso com os adversários, riscando a palavra perdão de seu dicionário. Exemplo disso é o momento em que ele renega o próprio filho que havia passado a apoiar Lancelot – que promoveu uma rebelião para usurpar o trono da Dumnonia – e ainda por cima, como lição, decepa-lhe uma das mãos com a espada excalibur. O novo Artur passa também a punir os traidores com a morte, de uma maneira fria e impassível ou então os sujeita as piores humilhações.
Merlin é outro personagem que também sofre uma queda enorme, mas  como uma Fênix  consegue ressurgir das cinzas ainda mais forte. “O Rei do Inverno” mostrou um Merlin todo poderoso, irreverente e com uma confiança inexorável. Auto-estima que ainda persiste no início da história do segundo livro das Crônica de Artur quando o druída em companhia de uns poucos homens, entre eles Derfel, sai em busca do caldeirão mágico de Clyddno Eiddyn, o último dos 13 tesouros dos deuses britânicos. Ninguém ousava desafiar Merllin, absolutamente ninguém. O druida era respeitado até mesmo pelos piores adversários. Em “O Inimigo de Deus”, ele sofre uma grande humilhação, sendo a primeira vez que alguém ousou afrontá-lo e ainda por cima escarnecê-lo na frente de outras pessoas, e da pior maneira possível. Se existisse bullying naquela época poderia dizer que o grande Merlin passou por esse processo. Um bullying medieval (rsss). Mas, à exemplo de Artur, quando todos pensavam que o velho mago estava acabado por causa da humilhação sofrida, eis que ele reaparece ainda mais forte e ereto do que antes e com a mesma auto-confiança.
São esses momentos de superação que fazem com que o leitor se apegue ainda mais aos personagens da história, passando a sofrer e também a se alegrar com eles.
A metamorfose drástica sofrida por Nimue, sacerdotisa de Merlin é outro tópico que merece ser lembrado no romance. No primeiro livro da trilogia, vimos uma Nimue contida, centrada e de uma beleza rara e exótica (mesmo tendo perdido um olho) que chegou a “virar” a cabeça de Derfel. O guerreiro e amigo de Artur queria fugir com a sacerdotisa que o entorpeceu de amor. Agora, no segundo livro da trilogia, a outrora bela Nimue vai sofrendo uma transformação que deixa os leitores perplexos. Este impacto fica evidente nas próprias palavras de Derfel: ...“a beleza intrigante que possuía um dia estava escondida sob a sujeira e feridas, e sob a massa de cabelos pretos e embolados, tão grudada de sujeira que até mesmo os camponeses que vinham em busca de suas adivinhações ou curas costumavam se encolher com o fedor”. Derfel finaliza dando o golpe de misericórdia: ...“ até eu, ligado à ela por juramento e que um dia fora seu amante, mal suportava estar perto dela.”
Estas são apenas algumas das muitas e muitas situações dramáticas vividas pelos personagens de  “O Inimigo de Deus”. E tudo isso regado há muitas batalhas, algumas antológicas como o enfrentamento dos guerreiros de Artur contra o exército liderados por Aele, o temível e mais importante chefe saxão.
Agora vou reler “Excalibur”, o livro que encerra a trilogia das Crônicas de Artur. Vou começar a leitura – melhor dizendo, a releitura – logo após enviar esse post ao blog e confesso que estou ansioso, pois o livro promete muitas emoções como a batalha do Mynyd Baddon, o duelo entre Artur e Mordred, a tentativa de Nimue em convocar os esquecidos deuses que um dia governaram a Britânia, a luta de Derfel para salvar a amada Ceinwyn de uma maldição e por aí afora. Enfim, uma verdadeira montanha russa de emoções.
Voltamos a falar sobre isso quando eu terminar “Excalibur”. Inté!

16 abril 2011

Jornada nas Estrelas: O Retorno do Capitão Kirk

Mesmo não sendo um trekkie, um dos livros que dei o sangue para adquirir, suplantando várias dificuldades e barreiras, foi “Jornada nas Estrelas – O Retorno do Capitão Kirk”, escrito por William Shatner, o famoso capitão Kirk da não menos famosa USS Enterprise.
Encontrar o livro foi uma epopéia! Naquela época, há mais de 8 anos, não tínhamos a facilidade de ter milhares de sebos interligados num único portal da internet, fora isso, as livrarias on line tradicionais desconheciam o produto, o que obrigou o aventureiro aqui, a sair como um louco caçando o livro do capitão nos sebos de várias cidades. E diga-se sem resultado. Nessa altura do campeonato, encontrar o livro se tornou uma questão de honra (Eheeheheh). Foi então, que após ficar noites e noites vasculhando diversos sites na net, localizei um lojinha desconhecida e sem nenhuma referencia que vendia somente artigos trekkies. Mesmo correndo o risco de levar um golpe nas finanças, efetuei a compra e enviei o dinheiro ao endereço solicitado. E após uma semana, estava com o livro da Editora 67 nas mãos. Viva! Iahuuu! Comemorei muito, mas muito mesmo!
Você deve estar se perguntando: -“Porque tudo isso, se o cara não é um trekkie?”. Tudo bem, eu explico. Na realidade, o livro “O Retorno do Capitão Kirk” é a sequência do filme “Jornanda nas Estrelas – Generations”, lançado nos cinemas em 1994 e que reuniu pela primeira vez na história de toda a série, os dois capitães mais famosos da nave estelar USS Entreprise: Jean Luc Picard e James T. Kirk. Um evento antológico para qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento sobre o universo trekker ou então que tenha assistido pelo menos dois ou três filmes da série clássica no cinema, além de alguns episódios da nova geração de heróis na TV, tendo à frente Picard, Riker, La Forge, Worf e companhia.
No filme “Generations”, o lendário capitão da Enterprise é morto após participar de uma ação de resgate na viagem inaugural da 3ª Enterprise. Detalhe: Kirk já tinha se aposentado e estava na nave – em sua viagem inaugural - apenas como convidado de honra; mas eis que surge essa emergência, e lá vai a nova Enterprise. Como não dispunha dos equipamentos necessários, a nave estelar recém inaugurada sofre uma grave avaria ao passar por um estranho cinturão de energia chamado Nexus. Kirk consegue salvar vários passageiros de uma das naves que fez o pedido de SOS, mas acaba morrendo. Decorridos 78 anos, Jean Luc Picard, capitão da Enterprise D, recorrerá a ajuda de Kirk que encontra-se vivo no cinturão de energia, para combater um perigoso cientista renegado.
Assisti ao filme Generations três vezes e amei. Afinal o encontro dos dois capitães foi considerado histórico há mais de uma década. E dois anos após o lançamento do filme, ou seja, em 1996, William Shatner lançaria o livro “O retorno do Capitão Kirk” contando a sequência do filme. Seria a segunda vez que Kirk e Picard se reuniriam. E pelo menos para mim, não importava se esse novo encontro iria acontecer no cinema ou nas páginas de uma obra literária. O que me interessava era conhecer o enredo da continuação de Generations e consequentemente presenciar novamente a união das duas maiores lendas da federação: Kirk e Picard. Foi por isso que saí à caça do referido livro. E posso garantir que valeu à pena. Com raríssimas exceções, a obra de Sathner é muito boa e principalmente bem escrita, fazendo com que o leitor tenha uma noção bem ampla do universo trekker, até mesmo para os marinheiros de primeira viagem, assim como eu.
Cena do filme Jornada nas Estrelas - Generations
No livro, os Borgs e os Romulanos se unem para destruir o seu inimigo comum: Jean Luc Picard. Para isso – graças a tecnologia Borg – eles conseguem trazer o katra do capitão James de T. Kirk de volta ao seu corpo, ressuscitando-o. A partir da daí, são implantado chips no cérebro de Kirk, que apagam todas as suas memórias e o condicionam a localizar e matar Picard. Mas o antigo e lendário capitão da Enterprise, é capturado a bordo da Deep Space Nine e com a ajuda dos seus velhos amigos Spock e Mcacoy, o implante responsável pelas suas falsas memórias é retirado, libertando-o assim, do domínio dos Borgs e Romulanos. Livre dos chips em seu cérebro, Kirk se une a tripulação da nova Enterprise comandada por Picard, indo atrás dos Borgs.. Em resumo é isso. Se Kirk morre novamente ou não, só lendo o livro. É claro que não vou ser tão espírito de porco para jogar um balde de água fria naquelas pessoas que ainda não conhecem a história e por isso pretendem comprar o livro de Shatner.
Um detalhe curioso e que vale à pena ser lembrado é que William Shatner logo após o sucesso de Generations nos cinemas, teria oferecido à Paramount o roteiro da sequência do filme que culminava com a volta do capitão Kirk., mas os produtores do estúdios não acreditando no sucesso da história teriam recusado a proposta, o que fez com o ator e escritor transformasse o seu roteiro no livro “O Retorno do Capitão Kirk”. Por outro lado, os chefões da Paramount decidiram investir apenas na nova geração da Enterprise, sem nenhuma interferência dos personagens da série clássica. Para eles, ficar reunindo novos e velhos tripulantes da Enterprise num único filme corria o risco de descaracterizar a fase  - na época - atual do seriado no cinema. Generations teria sido algo único. Resultado: com essa decisão, os produtores da Paramount, literalmente, arrebentaram a franquia de Jornada nas Estrelas. Os filmes seguintes ao antológico Genberations que foram: “Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato”, “Insurreição” e Nemesis”, verdadeiras anomalias, “moeram” a franquia nos cinemas, colocando um ponto final na saga que só viria a se recuperar em 2009 graças aos gênios J.J. Abrams, Roberto Orcie Alex Kurtzman, respectivamente diretor e escritores de “Star Trek - O Filme”, que mostra as aventuras dos tripulantes da série clássica ainda jovens, recentemente recrutados para fazer parte da nave Enterprise.
Acredito que se o roteiro que Shatner utilizou em seu livro tivesse sido aceito pelos produtores da Paramount, talvez a franquia Jornada nas Estrelas no cinema contando com Picard, Riker, Data, Kirk, McCoy, Spock e companhia estivesse fazendo sucesso até nos dias de hoje. Mas... fazer o que. Agora só resta ler o livro. E que livro!

13 abril 2011

Tripulação de Esqueletos

Não sou de ficar impressionado por várias semanas por causa da leitura de um conto de terror. Dois ou três dias sim, não mais que isso. Não vou negar que após a leitura – dependendo do conto ou livro – fico com aquele friozinho característico na espinha e também com um pouco de receio de sair do quarto e ir ao banheiro descarregar a bexiga. Mas depois passa, esqueço. Ocorre que existe um conto, o qual não consegui tirar da cabeça, mesmo já tendo lido há mais de um ano.
Fiz essa pequena introdução -  atrasando até mesmo do assunto que irei abordar – para que os apreciadores da literatura de terror entendam a densidade do conto “Sobrevivente”, escrito pelo mestre do terror Stephen King. A história faz parte da coletânea de 22 contos do livro “Tripulação de Esqueletos” que será o tema desse post.
O livro foi lançado em 1985 e é tão bom que já está praticamente esgotado nas livrarias brasileiras. Vou dar uma dica para quem estiver lendo esse artigo na data de sua publicação. Hoje, só tinham cinco livros na rede de milhares de sebos que fazem parte da estante virtual (www.estantevirtual.com.br). Por isso, você que gosta do gênero terror e ainda não tem essa jóia rara, se apresse, pois corre o risco de ficar chupando os dedos.
Mas vamos ao que interessa: escrever sobre os contos preciosos do livro não menos precioso Tripulação de Esqueletos. Quebrando um pouco a regra vou começar perto do final, já que “Sobrevivente” é o 16º conto da coletânea e sem dúvida o melhor dos 22 que também são ótimos.
Nele, King fala de um famoso médico-cirurgião que é o único sobrevivente de um naufrágio e acaba indo parar numa ilha completamente deserta e estéril. Quando a fome aperta, o deixando quase louco, ele decide usar os seus dotes de cirurgião e tirar pedaços do próprio corpo para se alimentar. Primeiramente, ele retira as partes que julga não serem importante para a sua sobrevivência naquele momento, mas quando a chance da chegada de um grupo de resgate à ilha se torna cada vez mais improvável, o médico vai ampliando o seu leque de mutilações. King foi muito inteligente ao escrever esse conto na forma de diário. Isto significa que apesar do sujeito ir retirando partes de seu corpo para matar a fome, ele conseguiu sobreviver, já que resgistrou os fatos em um diário, mas como? O final é surpreendente. O escritor demonstrou através dessa história que realmente é o mestre do terror e suspense, pois conseguiu criar um enredo assustador, sem monstros, serial killers e outros seres bizarros.
Cartaz do filme O Nevoeiro, baseado na obra
de stephen King

O Nevoeiro
Um conto angustiante que, inclusive, chegou a ser adaptado para o cinema em 2008, recebendo muitos elogios da crítica especializada, o que convenhamos é muito raros nas obras cinematográficas adaptadas dos livros de King. Neste conto que abre o livro, um grupo de moradores de uma pequena cidade litorânea é obrigado a se refugiar no interior de um supermercado quando um estranho nevoeiro invade a pacata localidade. O nevoeiro traz junto consigo monstros horripilantes como aranhas mutantes, polvos gigantes, aves e animais pré-históricos, entre outros. Aqueles que tentam fugir do supermercado acabam sendo mortos e devorados pelos monstros. Li o conto e também fui ao cinema e posso garantir que o filme é  fiel ao livro, excetuando apenas o final. Achei o “The End” do filme muito mais dramático e inesperado.
Aqui há tigres
Este conto – extremamente curto, de apenas duas páginas - foi escrito por Stephen King quando ainda era estudante do ensino médio. Nele, um menino da terceira série pede para a professora lhe deixar ir ao banheiro, chegando lá, o garoto encontrará uma companhia nada agradável que mudará, de forma violenta, a sua vida e a rotina de toda a escola.
O Macaco
Um, aparentemente inofensivo, macaquinho de brinquedo carrega uma terrível maldição: toda vez que toca os címbalos, um ser muito próximo e ligado ao dono morre. Com muito custo, o jovem Hall Shelburn consegue dar um fim no brinquedo maldito. Anos depois quando pensava estar livre do problema, eis que o diabólico macaquinho juntamente com os seus címbalos reaparece na vida de Hall para atormentar os seus filhos. King finaliza o conto em forma de notícia. Muito criativo.
Caim Rebelado
Uma das primeiras histórias de Stephen King, escrita em 1968. Talvez, por causa das últimas tragédias que presenciamos através dos meios de comunicação de massa, envolvendo jovens assassinos que invadem escolas com arma nas mãos para provocar uma matança indiscriminada, achei esse conto muito perturbador. O autor narra a história de um jovem estudante de férias que da sacada de seu apartamento começa a descarregar o seu rifle nas pessoas que passam pelo campus da universidade. Dos 22 contos foi aquele que menos gostei, mas não posso negar que há mais de 40 anos, Stephen King já previa a possibilidade da ocorrência desse tipo de brutalidade envolvendo estudantes aparentemente pacíficos.
O atalho da Sra. Todd
A Sra. Todd é uma mulher que gosta de encontrar atalhos nas viagens que realiza. Isto se tornou uma verdadeira obsessão. Um dia em uma de suas viagens ela decide pegar um atalho estranho que vai levá-la para um mundo sobrenatural. A história é contada por um amigo da Sra. Todd. O conto é um pouco monótono, mas com um final surpreendente.
A Excursão
Conto futurista vivido em 2307, onde as viagens por teletransporte são comuns, mas as pessoas que desejam utilizar esse meio de locomoção precisam estar dormindo ou inconscientes. Agora faço aquela perguntinha básica: o que será que aconteceria se alguém não seguisse essa regrinha? Leiam o conto e vocês ficarão sabendo o que houve com uma pessoa descuidada. Adorei a história. Realmente te prende.
Festa de casamento
Alguns contos de “Tripulação de Esqueletos” fogem um pouco das histórias de horror convencionais, seguindo um estilo onde predomina o humor negro e a dramaticidade. É o caso de “Festa de Casamento”, onde uma banda é chamada para tocar no casamento da irmã de um poderoso gangster. Tudo vai bem... quer dizer, até o momento em que uma quadrilha rival invade o local promovendo um banho de sangue que é presenciado pelos convidados.
Paranóico: Um canto
Mais uma história curtíssima de King; menos de duas páginas e escrito no formato de poema. Um homem com a mente perturbada e que acredita estar sendo alvo de uma conspiração conta o seu delírio em prosa. Ele acha que vem sendo monitorado 24 horas por espiões do governo. Aos poucos – através desse poema – vamos entrando na mente transtornada do personagem e vivendo a sua loucura. Mas será loucura mesmo ou o pobre homem está sendo alvo de uma conspiração?
A Balsa
Cena do filme A Balsa, uma das história de Creepshow 2,
série que passou na TV nos anos 70

A minha geração deve se lembrar de duas séries que se tornaram antológicas na TV nos anos 70: Contos da Cripta e Creepshow. “A Balsa que considero um clássico da literatura de terror fez parte de Creepshow 2. Após saírem da faculdade, quatro jovens decidem matar o tempo nadando em um num local deserto. Chegando, observam que há uma balsa abandonada no meio do lago e resolvem nadar até ela. Então o terror começa. Um deles descobre que um ser monstruoso no formato de uma mancha está escondido embaixo da balsa. A partir daí, esse ser vai devorando um por um das suas quatro vítimas. Conseguirá escapar alguém?
O Processador de palavras dos deuses
Apesar de fugir completamente do gênero terror, gostei muito do conto, achei por muito engraçado. O tipo da leitura leve (Quem diria que eu falaria isso de Stephen King um dia. Leitura leve! Ehehehe... até parece piada). Um homem descobre um computador capaz de deletar coisas reais. Então, ele resolve usar a máquina para apagar definitivamente a sua mulher gorda e preguiçosa, bem como trazer a vida o seu sobrinho que morreu num acidente. Detalhe: foi o sobrinho que inventou o “processador de palavras mágico” antes de morrer.
O homem que não apertava mãos
Um misterioso jogador de pôquer enfrenta uma terrível maldição. Ele não pode apertar as mãos de ninguém, pois caso contrário algo muito ruim acontecerá. Um conto espetacular. Só lendo para conferir. O clima de ansiedade e mistério está presente em toda a história.
Um mundo de praias
Um grupo de astronautas é obrigado a fazer um pouso de emergência num estranho planeta. A falta de perspectiva de resgate acaba os enlouquecendo, menos um deles que acredita que o planeta não é tão ruim assim. Será?
A imagem do ceifeiro
Imagine você visitando um museu, quando de repente vê um misterioso espelho. Neste momento, alguém lhe diz que aquele objeto é amaldiçoado e se você olhar diretamente para ele e de repente enxergar uma sombra a sua esquerda, você desaparecerá para sempre. Você olharia? O personagem do conto de King, não deu ouvidos ao alerta e olhou...
Nona
Um jovem conhece uma estranha mulher que inexplicavelmente passa a despertar uma fúria assassina nele. Uma fúria tão grande que fará o rapaz matar todos que atravessarem a sua frente.
Para Owen
Conto escrito por King em 1985 e que não tem nada de terror. Ele escreve a história especialmente para o seu filho Owen.
O caminhão do tio Otto
Um neto conta a história do caminhão assombrado de seu avô. Há alguns anos o avô do garoto teria sido morto quando estava debaixo do caminhão e desde então, mortes misteriosas passaram a acontecer perto do veículo que ficou abandonado no mesmo local.
Entregas matinais
Um leiteiro vai fazendo a entrega dos litros nas residências e deixando juntamente com o produto alguns presentinhos diabólicos.
Carrão: uma história de lavanderia
Dois amigos completamente bêbados saem dirigindo pela estrada até que um deles resolve levar o carro para ser examinado por um mecânico. A história não teria nenhum imprevisto, se no final, o macabro leiteiro do conto anterior não aparecesse.
Vovó
Uma mulher de 83 anos, cega e doente, vive em casa com a filha e seus dois netos. Nenhum deles ainda ficou sozinho com a vovó, até o dia em que um dos garotos se machuca e a mãe é obrigada a ficar com o filho no hospital. Resultado: sobra para um dos meninos ficar em casa, sozinho, olhando a vovó. Será que a velhinha é tão inofensiva como aparenta?
Balada do projeto flexível.
Um editor conta para um jovem escritor como um outro escritor quase o levou a loucura ao contar sobre pequenos seres que habitavam em sua máquina de escrever.
O braço de mar
Uma mulher de 95 anos, com câncer, chamada Stella nunca teve a oportunidade de atravessar a ilha para a costa do estado do Maine. Agora pressentindo a morte, ela houve vozes de seu marido e de outros parentes já falecidos pedindo que ela cruze o “braço de mar”.
Tai os 22 contos de “Tripulação de Esqueletos”. Confiram todos eles porque vale à pena. Boa leitura e bons sustos!



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