08 novembro 2026
Esse tal de Rock’n’Roll: 50 histórias essenciais do rock brasileiro
Sabiam que, após um show do Kid
Abelha, o clima esquentou no camarim e Paula Toller acabou desferindo uma
“pandeirada” na cara de Leoni? E que, a partir desse fato, a crise entre os
dois líderes do grupo — Toller e Leoni — fugiria do controle, causando a
separação da formação clássica do famoso conjunto de pop-rock?
Será
verdade que a própria gravadora de Ritchie ofereceu jabá para que as rádios não
tocassem Menina Veneno em 1983?
Isso teria acontecido porque outro cantor, considerado o medalhão de ouro dessa
gravadora, teria feito pressão para o boicote da tal Menina Veneno, caso contrário, se mandaria de lá e
procuraria outra gravadora. Será?
E quanto a prisão de Rita Lee durante
a ditadura quando estava grávida? E a separação mais do que traumática dos
Engenheiros do Hawaii? Agora, imagine você se inteirando dos bastidores das
três edições do Festival de Águas Claras, no município de Iacanga (SP),
incluindo aquele realizado em 1984 debaixo de uma baita chuva que transformou a
fazenda onde ocorria o evento em um verdadeiro lamaçal? Aliás, foi nessa mesma
edição que aconteceu o show histórico com Raul Seixas. Pois é, imagine você
presente, acompanhando os bastidores de tudo o que rolou nesse festival.
Para não me alongar muito nessa introdução, agora, imagine estar presente nos
bastidores da turnê Rádio Pirata,
que passou por todo o Brasil nos anos 80, com mais de 200 apresentações e
público estimado em milhões de pessoas. O sucesso dessa turnê acabou rendendo a
gravação do disco Rádio Pirata ao
Vivo. Depois, o RPM se separaria. Demais, né, galera?
Vocês vão
encontrar todas essas histórias e muitas outras no livro Esse tal de Rock’n’Roll: 50 histórias
essenciais do rock brasileiro, do jornalista Fabrício Mazocco, criador do
canal Enigmas do Rock, que
pesquisou 50 episódios marcantes que remontam à trajetória do rock brasileiro,
dos anos 1950 aos dias de hoje, explorando momentos icônicos, polêmicas e
curiosidades.
Acabei de
ler o livro de Mazocco e adorei. Aliás, achei muito curto — pouco mais de 200
páginas —, e, quando terminei, queria mais (rs). Aliás, não li; eu devorei as
páginas em pouco mais de um dia. E olha que eu estava entupido de afazeres
profissionais; mesmo assim, sempre deixava alguma tarefa esperando para poder
ler alguns capítulos. Depois quando voltava a trabalhar, não via a hora de
retornar à leitura.
Como
escrevi acima, o livro apresenta, em capítulos curtos — pouco mais de duas
páginas —, fatos que marcaram a história do rock no Brasil. Dois detalhes que
tornam a obra viciante são a narrativa fluida e informal do autor, além dos capítulos
curtos. Cada capítulo é dedicado a um grupo musical, cantor ou fato marcante do
rock brasileiro. 
Fabricio Mazocco é o autor de "Esse tal de rock'n'roll - 50 histórias essenciais do rock brasileiro" (créditos Walter Milanetto)
Esses capítulos são dispostos em ordem cronológica, cobrindo
mais de sete décadas de história — desde os primórdios do gênero, nos anos
1950, e o movimento da Jovem Guarda, até o boom comercial dos anos 1980 e as
gerações seguintes.
Um detalhe
interessante e que eu gostaria de ressaltar para os leitores do blog é que a
obra, em alguns capítulos, não aborda a música, cantores e grupos muicais de
forma isolada, mas conecta a evolução dos discos e bandas aos momentos sociopolíticos
do país, incluindo a repressão e a censura durante a Ditadura Militar,
mostrando como letras e composições se tornaram atos de resistência. Nestes
capítulos, fiquei sabendo como Inútil,
do Ultraje a Rigor, acabou se tornando o hino das “Diretas Já” — movimento em
prol das eleições diretas que parou o país nos anos 80 —, e também como a
música Zé Ninguém, do Biquini
Cavadão, virou o hino dos “caras pintadas” (se lembra deles?), grupo de
brasileiros que protestava contra a corrupção no governo de Fernando Collor de
Mello no início da década de 90.
Embora
recheado de fatos inéditos para os colecionadores, a estrutura editorial foi
desenhada como um guia de entrada para quem quer conhecer as raízes e
transformações do rock feito no Brasil.
Esse Tal de Rock’N’Roll conta com o respaldo de figuras que
viveram ou ainda vivem o rock na pele. O texto de orelha, assinado por Bruno
Gouveia (vocalista do Biquini Cavadão), reforça o valor da obra como um resgate
histórico dos "heróis, discos e hinos cantados até hoje".
Leiam,
galera. Vale a pena.

