quarta-feira, 11 de setembro de 2013

“O Judoka”: O herói brazuca dos quadrinhos que deixou saudades



Com certeza, o Afrânio que é um baita de um gozador e ávido acompanhante do blog ao terminar de ler esse post irá gritar na minha orelha com o seu inconfundível sotaque gaúcho: - “Ahahaha!! Virou a casaca heinn?! Deixou os livros de lado e adotou os quadrinhos! Não falei que tu não agüentava!”.
Este grande amigo meu é fissurado em quadrinhos da Marvel. O cara tem um verdadeiro arsenal de almanaques e gibis espalhados em sua casa. O Afrânio vive tentando mudar o meu gosto e fazer com que volte a ser um leitor desesperadamente devorador de quadrinhos. Quando respondo que essa minha fase já passou e que hoje leio apenas alguma coisa da Marvel ou DC esporadicamente, ele me ataca com todos os golpes baixos possíveis e inimagináveis. Coisa do tipo: “Ta vendo Tiê! Ta cuspindo no prato que comeu. Era louco por quadrinhos – ele abomina a palavra gibi; sempre me olha torto, mordendo o canto da boca quando pronuncio tal palavra – e agora ó fala mal!” Até eu explicar para o Afrânio que gato não é lebre, demora. Lá vai eu esclarecer que não é bem assim... que ainda gosto de ler alguma coisa do gênero, mas hoje, prefiro os livros.
O motivo para que eu quebre, novamente, a regra básica do blog que é postar somente assuntos relacionados à livros é que um personagem dos ‘gibis’ (olha o Afrânio bravo aí!) foi um dos meus heróis preferidos. O sujeito não tinha super-poderes e nem fazia o tipo saradão, ao contrário, ele era até bem franzino, mas bom de briga. Caceteava até os inimigos que davam dois deles. Verdade! Estou me referindo à Carlos da Silva. Queeemmm????? Caraca! Quem é  esse peão aí?! Calma gente; falando dessa maneira, você pensará que se trata de qualquer Carlão da vida. Não, nada disso. O alter-ego do Carlos da Silva era o Judoka: o cara’, ‘a lenda’, ‘ o brazucão dos quadrinhos’. Ele mesmo!
O gibi “O Judoka” foi publicado entre 1969 e 1973 pela editora Ebal e inicialmente quem estrelava os quadrinhos não era Carlos da Silva, mas um tal “Mestre Judoca”, personagem desenvolvido pela Charlton Comics (atualmente DC Comics), porém a revista original não emplacou e acabou sendo cancelada nos Estados Unidos logo na sexta edição. Ocorre que os responsáveis pela Ebal foram com a cara do Mestre Judoca e acreditavam que as histórias do herói da terra do Tio Sam poderiam continuar emplacando por aqui, tanto é que, apesar dos quadrinhos terem sido um fracasso nos states, no Brasil, eles faziam sucesso.
Dessa forma, a Ebal resolveu dar sequência nas aventuras do “Judomaster” ou “Mestre Judoca”, mas por questões contratuais, foi obrigada a criar uma versão brasileira do herói. Pronto! Nascia assim, o nosso Judoka com histórias escritas por Pedro Anísio e a arte desenvolvida pelo jovem desenhista Eduardo Baron. Tanto Anísio quanto Baron que eram grandes amigos dos donos da Ebal não se recusaram em atender o pedido da alta cúpula da editora.

Em outubro de 1969 chegaria as bancas o número 7 da revista “O Judoka”, marcando a estréia do personagem genuinamente brazuca.
A primeira medida adotada por Baron foi modificar o uniforme do do sujeito. Enquanto, o “Mestre Judoca” da Comics usava máscara e roupas vermelhas com detalhes amarelos, o Judoka brasileiro passou a utilizar uma máscara verde e um quimono sobre um collant, também verde, com um losango amarelo no peito. O uniforme era uma representação, a grosso modo da bandeira brasileira.
Carlos da Silva era um jovem estudante que tinha como mestre de Judô e Karatê,  Shiram Minamoto, o qual havia salvo de um atropelamento. Como gratidão, o velho mestre decidiu  ensinar ao jovem todas as técnicas e segredos das artes marciais. Carlos acabou se transformando no “Judoka” e com o tempo, Lúcia - namorada do herói - também passaria a treinar Judô e lutar a seu lado.
O nosso herói brazucão, apesar de não ter super-poderes, era fodástico (caraca como estou usando esse termo ultimamente, desculpem aí os mais .... digamos recatados). Dono da faixa preta e ocupando o último Dan, o sujeito era duro na queda. Quando o nosso Carlão colocava aquele uniforme esquisito e saia pelas noites cariocas (o personagem havia nascido e vivido no Rio de Janeiro) descendo o sarrafo em criminosos perigosos, sem dúvida, muitos leitores iam ao deleite.
Os gibis “O Judoka” publicados pela Ebal, incluindo os seis números da Charlton Comics tiveram 52 edições, sendo que o último número foi lançado em julho de 1973.
Os quadrinhos fizeram tanto sucesso no Brasil que acabaram levando o personagem mascarado para as telas do cinema em 1972. No blog Mania de Gibi, vocês irão encontrar curiosidades bem interessantes sobre o filme que foi triturado pela crítica da época. Coube a Pedrinho Aguinaga interpretar Carlos da Silva e seu alter ego o Judoka e à atriz Elizangela, viver a namorada do herói, Lúcia.
Cena do filme de 1972 "O Judoka" com Pedrinho Aguinaga
Lembro-me do filme bem vagamente, pois tinha apenas 12 anos quando foi lançado nos cinemas, mas me recordo de Aguinaga em algumas cenas. Pelo que eu vi nas redes sociais, a sua interpretação foi risível. Apesar de ser considerado no início dos anos 70, o homem mais bonito do Brasil, Aguinaga não tinha nenhuma experiência como ator, a não ser num comercial de uma marca de cigarro que tinha o slogan: “O fino que satisfaz”.
Mas vamos esquecer que o filme com o “fino que satisfaz” (rs) foi um fracasso retumbante, o que importa, de fato, é que os gibis do Judoka fizeram tanto sucesso nos anos 70 que se tornaram antológicos.
Putz que emoção! Gibizaço que fgez história! E ainda por cima de um herói brasileiro! Fica bravo não Afrânio; deixa o seu amigo extravassar. Lá vai: G-I-B-I-Z-A-Ç-O!!
Inté galera...’

Um comentário:


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