quarta-feira, 16 de março de 2011

A Incrível História de Henry Sugar e outros contos

Meu interesse pela obra de Roald Dahl surgiu num certo dia, ou melhor, numa certa noite – quando estava “fuçando” a net atrás de um livro de contos fantásticos ou de terror. Já tinha lido muito Stephen King, Lovecraft, Ambrose Bierce e queria “mudar de ares”. Foi neste fuça-fuça na Rede que descobri um livro de contos chamado “O Beijo” (sobre o qual falarei mais tarde), que me interessei e arrisquei compra-lo. Literalmente, amei! Após a leitura de apenas dois contos, já podia afirmar que Dahl fazia parte da relação dos meus escritores de literatura fantástica.
Por isso, não tive nenhuma dúvida em comprar o livro “A Incrível História de Henry Sugar e outros contos”. Antes de começar a ler, a minha expectativa já era grande com relação aos sete contos que fazem parte dessa obra do escritor. Pensei encontrar ali, histórias, de fato, fantásticas, algumas com direito à um ligeiro calafrio na base da espinha, à exemplo de “O Beijo”; mas dos sete contos que fazem parte do livro, apenas três tem aquela pitada de insólito, tão peculiar neste tipo de literatura.
Acredito que  “A Incrível História de Henry Sugar e outros contos” poderia se chamar “Minha Vida”, “Reminiscências”,  ou qualquer outra coisa parecida, já que nos contos, com exceção de “O Menino que falava com os bichos” , “O Cisne” e “Henry Sugar”, o escritor descreve passagens interessantes de sua vida, e quão interessantes! Certamente, quem ler a obra vai conhecer à fundo quem é Roald Dhal, e mais do que isso, vai ficar sabendo como ele se tornou um célebre escritor. Quer ainda mais? Ok, então anote; vai conhecer momentos tristes e dolorosos de sua vida, como por exemplo, os sofrimentos que enfrentou na infância quando estudou em colégios internos, onde foi vítima de professores e alunos sádicos que tinham como tara “descarregar” chibatadas nas costas dos estudantes mais novos, além de fazê-los de escravos para várias tarefas domésticas; passagens emocionantes como o dia em que conseguiu vender o seu primeiro conto, ou então quando conheceu o mito Walt Disney, vindo a trabalhar com ele; situações engraçadas como a carona que deu para um “mestre dos dedos”. E como não bastasse tudo isso, o leitor ainda ganha como brinde o primeiro conto escrito por Dahl, antes de ficar famoso; “Moleza”, que na realidade não é um conto de ficção, mas um relato do período em que pilotava os velhos aviões Gladiators da Força Aérea da Grã-Bretanha (RAF), durante a 2ª Guerra Mundial.  
Por tudo isso, é evidente que não me decepcionei ao ler “A Incrível História de Henry Sugar”, mesmo tendo muito pouco de literatura fantástica. Mesmo assim, de repente me vi devorando as páginas, e por incrível que pareça, não aquelas dos contos com um pequeno “quê” de insólito, mas as páginas que falavam sobre a vida de Dahl. Encontrei tudo ali: humor, suspense, tristeza, alegria, aventura; enfim, todos os ingredientes para se escrever um romance. Aliás, a vida de Dahl foi um romance repleto de surpresas e aventuras. Valeu a pena!
Para você, que se interessou por esse texto até aqui, vou fazer um pequeno resumo dos sete contos de “A Íncrível História de Henry Sugar”; é claro, sem spoilers.
O menino que falava com os bichos
Dahl escolheu um conto que desafia as supostas leis do real para abrir a sua coletânea de sete histórias curtas. Um menino que tem o dom de falar com os bichos, encontra uma velha tartaruga gigante aprisionada na praia por um grupo de pescadores que pretendem vender o animal para fins gastronômicos. Após convencer o seu pai a comprar a liberdade da tartaruga; no dia seguinte, o menino simplesmente desaparece. Onde será que ele foi? Alguém o seqüestrou? Ele está vivo? Morto? Pois é, só lendo esse conto muito interessante.
O carona
Dhal deixa no ar se esse conto é ficção ou se, realmente, aconteceu em sua vida. Aliás, o mesmo acontece com “Henry Sugar”, a história principal do livro. O carona dá a entender que o escritor em uma de suas viagens vê um homem pequenino com cara e olhos de rato na beira da estrada pedindo carona. Ele resolve parar e pede para o estranho caronista entrar no carro... É aí que os seus problemas começam.
O tesouro de Mildenhall
História real escrita por Dahl, quando ainda era solteiro e morava com a mãe, bem antes de se tornar um escritor famoso. Dois agricultores encontram um famoso tesouro enterrado. Um deles tenta passar a perna no parceiro para ficar com o “achado”, mas acaba se dando muito mal. Dahl entrevista um desses agricultores que após muita insistência decide lhe contar toda a história.
O Cisne
À exemplo de “O menino que falava com os bichos”, “O cisne” é outro conto com um toque de fantástico, mas somente no final, quando um dos personagens realiza uma proeza pra lá de insólita. A via crucis do personagem Peter Watson nas mãos de dois brutamontes é um alerta contra o bullying que já fez tantas vítimas. Os três garotos estudam na mesma escola, e um deles (Watson) vira saco de pancadas dos outros dois por ser considerado o mais inteligente da turma. Um conto claustrofóbico que faz o leitor ficar em agonia, principalmente na cena em que Watson é amarrado nos trilhos para ser trucidado por um trem. Arghhh!
A incrível história de Henry Sugar
Só fui descobrir que Henry Sugar é uma história fictícia após ler o conto posterior (Golpe de Sorte) que na realidade é um “resumão” muito bem feito da vida do escritor englobando sua infância, adolescência e fase adulta, onde ele apresenta alguns rascunhos que deram origem a pequenos contos curtos, entre os quais “Henry Sugar”. Dhal se torna personagem de seu próprio livro no final da história, interagindo com um outro personagem, por isso, apesar da negativa do autor, ainda estou em dúvidas, se “Henry Sugar”, de fato, não é uma história verdadeira. Neste conto, após treinar exaustivamente a sua mente, o jovem e ambicioso Henry Sugar adquiri o poder de enxergar com os olhos fechados.
Golpe de Sorte
Como já disse antes,esse conto é um “resumão” da vida do escritor. Uma jóia rara para os seus fãs que vão conhecer momentos tristes e alegres, conquistas e derrotas, e principalmente, o fato decisivo na vida de Dahl que fez com que ele se tornasse escritor. Em minha opinião, o melhor momento do conto é a narrativa do autor sobre o período em que participou da 2ª Guerra Mundial com piloto da RAF.
Moleza
Uma jóia rara, um verdadeiro tesouro literário para os fãs do autor. Simplesmente, trata-se do primeiro conto escrito por Dahl; aquele – que devido a sua boa aceitação – acabou decidindo o rumo de sua vida. Este conto pode ser comparado à um pequeno diário, onde ele narra parte de suas aventuras como piloto da RAF.
E aí? Prontos para degustarem esse cardápio de Dahl?


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