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27 novembro 2025

Pois é... acho que terei de ler “O Menino do Pijama Listrado”

“Você ainda não leu O Menino do Pijama Listrado??!!” Na semana passada fui surpreendido com esse questionamento por um amigo leitor, aqui, da minha cidade. Depois, ao chegar ao trabalho vejo em cima da mesa de um dos repórteres que trabalham na minha editoria o tal livro. Perguntei para ele sobra o enredo, se era bom. A resposta que recebi foi a seguinte: “Sem palavras... o livro é só emoção”.

Como já expliquei nesse post que escrevi há alguns dias, estou vivendo a chamada fase de releituras. É aquele momento comum na vida de qualquer devorador de livros. Sabe quando ‘bate’ aquela “fome” incontrolável de devorar algumas obras literárias que você já leu há algum tempo? Pois é, estou vivendo essa tal fase. Mas após o encontro com os dois leitores acima, juro que pensei em dar um tempo na minha fase de releitura e ler o enredo de O Menino do Pijama Listrado.

Conhecia o livro de John Boyne apenas pelo nome e também por comentários nas redes sociais. Não assisti nem mesmo ao filme de 2008 que a exemplo do livro foi muito elogiado pela crítica especializada e também por cinéfilos e leitores.

Cara, experimente entrar nas redes sociais literárias e faça uma busca pela obra. Você só vai encontrar elogios. Juro que depois de tudo isso fiquei até um pouco envergonhado. Verdade! Pensei: - “Caráculas! Tenho um blog literário há quase 15 anos e ainda não li um livro que todo mundo vem elogiando desde o seu lançamento em 2006, ou seja, há aproximadamente 20 anos?!!

Após essa mea-culpa decidi que vou adquirir o livro. Talvez, já no início desta semana, faço o pedido numa livraria virtual. No momento estou relendo Vende-se este Futuro de Bruno Miquelino. Logo depois pretendia encarar novamente Ponto de Impacto de Dan  Brown; mas acho que Brown vai ter que esperar. Isto é, se a cegonha da Amazon” não ficar enrolando para entregar o meu “bebê”. Se enrolar começo a reler Ponto de Impacto, mas se no momento em que ela chegar, eu ainda estiver nos ‘finalmentes’ de Vende-se este Futuro, com certeza O Menino do Pijama Listrado será a minha próxima leitura.

Pelos comentários que li nas redes sociais, O Menino do Pijama Listrado coloca o leitor dentro de um dos piores contextos dentro da história mundial: o holocausto. Aqueles que já leram o livro de Boyne se emocionaram com a lição de sensibilidade, esperança, amizade e inocência vividas por duas pequenas crianças.

Somos apresentados aos personagens centrais da história: Bruno e Shmuel. Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.

Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai.

E acreditem; ao terminar esse post, fiquei sabendo que O menino do Pijama Listrado ganhou uma sequência escrita pelo próprio John Boyne que chegou as livrarias brasileiras em maio de 2023!!

Pois é... agora só resta correr atrás do atraso (rs).

22 novembro 2025

8 livros de faroeste que foram adaptados para os cinemas

Lançaram-me um desafio e para não enfiar o ‘rabinho’ no meio das pernas, pelo menos, tentei cumpri-lo e acho que consegui. Ufa! Após ter lido o post sobre livros de aventura que viraram filmes (confira aqui), Lulu olhou para mim e com aquele sorriso que eu amo disse: “Quero ver você escrever algo semelhante sobre livros e filmes de faroeste”. E como diz o velho ditado popular: “Missão dada, missão cumprida”. Aqui está a postagem. E vamos fazer justiça; quero agradecer à Lulu por ter lançado esse desafio porque acredito que tenha “saído” um post bem diferente, fugindo do convencional.

Como escrevi na publicação anterior, os livros de aventura não são um gênero assim... tão popular, mas por outro lado, muitos deles deram origem a verdadeiros blockbusters que arrastaram multidões aos cinemas. Pois é galera, posso afirmar com toda certeza de que o mesmo vale para os livros do gênero faroeste: “desconhecidos nas páginas, mas famosos nas telas”. O que estou querendo “dizer” é que muitos filmes conhecidos e até mesmo cultuados foram adaptados de livros que tanto cinéfilos quanto leitores não sabiam que existiam.

Portanto, um dos objetivos desse post – além é claro, de sugerir novas leituras e filmes – é o de prestar uma homenagem a esses livros que apesar de desconhecidos para muitos deram origem a produções cinematográficas maravilhosas; e por isso mesmo, eles também não deixam de ser maravilhosos.

Vamos a nossa relação.

01 – Bravura Indômita (Charles Portis)

Filmes: “Bravura Indômita” (1969), “Bravura Indômita (2010)

O segundo livro escrito por Charles Portis, considerado o seu maior sucesso, deu origem a dois filmes homônimos muito elogiados pela critica especializada e também pelos cinéfilos. O filme de 1969 deu a John Wayne (uma das lendas de Hollywood) o seu primeiro e único Oscar. Já o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen que chegou aos cinemas em 2010 recebeu 10 indicações, incluindo a de melhor filme, mas não ganhou nenhuma. Apesar disso, a produção recebeu ‘rasgados’ elogios e juntamente com o filme de 1969 acabou se tornando uma referência no gênero faroeste.

Quanto ao livro de Portis publicado originalmente nos Estados Unidos em 1968, só chegou ao Brasil, dois anos depois do lançamento do filme dos irmãos Coen. A edição de Bolso lançada pela editora Ponto de Leitura em 2012 traz a capa do filme de 2010 com Jeff Bridges.

Considerado uma obra excêntrica e, sobretudo, cômica, Bravura indômita conta a história de Mattie Ross, uma menina de Dardanelle, Arkansas, que aos 14 anos decide abandonar a fazenda natal para caçar o homem que matou traiçoeiramente seu pai e roubou os seus poucos pertences. Com a ajuda de Rooster Cogburn - o mais inclemente dos agentes federais à sua disposição - e de um homem da lei texano, ela parte numa jornada em território desconhecido à procura de vingança. Com uma incrível personalidade, a jovem protagonista tem de enfrentar homens violentos e a própria inconstância de seus aliados. Sua obstinação, no entanto, tem a capacidade de enfraquecer toda e qualquer resistência ao seu redor.

02 – Valdez vem aí (Emore Leonard)

Filme: “Quando os bravos se encontram” (1971)

Livro desconhecido para muitos leitores brasileiros, mas que deu origem a um filmaço ‘mais do que conhecido’ com Burt Lancaster em 1971. O premiado ator realiza uma performance marcante em “Quando os Bravos se Encontram”. Este filme recria com maestria a fronteira do oeste americano, um lugar onde a vida às vezes não vale nada...mas a honra nunca tem preço.

O livro de Elmore Laonard mostra um Velho Oeste sem lei, onde o homem que o representa só tem poder na medida em que sabe atirar bem. Neste universo brutal, Valdez Vem Aí conta uma profunda história de moralidade e justiça.

No enredo, um pistoleiro chamado Valdez tenta impedir que um homem negro, casado com uma índia seja morto por um grupo de cowboys comandados por um homem muito poderoso chamado Frank Tanner. Ele é acusado injustamente de um crime que não cometeu. O pistoleiro não consegue impedir a morte do homem que acaba deixando uma viúva grávida.

Valdez sabe que a pessoa que deu início ao mal entendido que culminou na morte do negro foi Frank Tanner. Por isso, decide então ir conversar com ele, a fim de pedir quinhentos dólares para ajudar a índia grávida. Tudo o que consegue é ser rebaixado e humilhado por Tanner e seus inúmeros capangas. Tenta recorrer ao diálogo novamente e acaba ainda mais humilhado, sendo enxotado da fazenda com uma cruz presa às costas.

O que seus inimigos não lembram é que depois da crucificação vem a hora da ressurreição.

Bob Valdez revira o fundo do armário e reaparece como o pistoleiro que ninguém via há anos.

Escrito em 1970, este livro foi o oitavo romance de Elmore Leonard e uma de suas investidas de maior sucesso no gênero faroeste. Repleto dos diálogos afiados, o livro agrada em cheio os fãs de um bom western. A obra de Elmore chegou ao Brasil  em 2004 através da editora Rocco.

03 – O Último Pistoleiro (Glendon Swarthout)

Filme: “O Último Pistoleiro” (1976)

“O Último Pistoleiro” - baseado no livro de Glenon Swarthout publicado no Brasil em 1975 pela Record – foi o último filme do eterno cowboy das telas John Wayne que viria a morrer três anos depois.

Reunindo veteranos atores, o filme é considerado uma verdadeira homenagem à velha Holywood e à mitologia do faroeste que marcou a despedida de Wayne como um tributo à glória do ator.

O filme conta o final da vida de John Bernard (J.B.) Books, um veterano e famoso pistoleiro apelidado de "shootist", que no passado já havia matado mais de trinta homens. O lendário pistoleiro, agora com cerca de 60 anos, descobre que sofre de um câncer em estágio terminal e que lhe restam poucos meses de vida. Ele então decide voltar para a cidade onde nasceu, e sua chegada não demora a se tornar o assunto na boca de todos da região. Embora Books buscasse tranquilidade na cidade, ele logo percebe que terá de enfrentar alguns pistoleiros que desejam um último duelo.

Quanto ao livro de Swarthout no qual o filme foi baseado se tornou uma obra rara no Brasil, mesmo assim e por incrível que pareça, ainda pode ser encontrado a preços módicos em alguns sebos. Basta ter paciência e torcer para que nenhum outro leitor tenha chegado a sua frente.

04 – Dança com Lobos (Michael Blake)

Filme: Dança com Lobos (1990)

Dança com Lobos conta a história de John J. Dunbar, um jovem tenente do Exército dos EUA durante a Guerra Civil, que recebe o posto que escolheu após uma investida suicida, porém corajosa, contra os Confederados. A caminho do remoto posto avançado de Fort Sedgwick, que ele pretende reconstruir, o herói de guerra logo se depara com os nativos americanos da tribo Sioux. Embora inicialmente hostis, eles se afeiçoam a ele à medida que ele os ajuda, conhecendo a tribo e fazendo amizade com seus membros. No entanto, quando o exército chega, as coisas se complicam e a lealdade de Dunbar é posta à prova.

O livro de Michael Blake vendeu mais de 3,5 milhões de cópias e foi traduzido em 15 idiomas diferentes. Devido ao sucesso de seu livro, ele foi convidado pelos produtores do filme a fazer a adaptação do roteiro para as telonas. Resultado: “Dança com Lobos” ganhou 7 de 12 indicações para o Oscar (melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhores efeitos sonoros e melhor roteiro adaptado), além de 3 de 7 indicações ao Globo de Ouro (melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro).

05 – Um homem chamado Cavalo (Dorothy M. Johnson)

Filme: Um homem chamado Cavalo

Existem filmes que são tão bons, tão marcantes que chegam a desafiar a nossa mente. Está mais do que provado pela ciência que os neurônios do nosso cérebro vão envelhecendo e com isso, também vamos esquecendo muitas lembranças, menos aquelas que mais marcaram a nossa vida. O filme “Um homem chamado Cavalos” tem esse poder, pelo menos em mim. Assisti a produção cinematográfica quando tinha 9 ou 10 anos e acredite...  ela continua viva em minha memória. Filmaço!

Gostei tanto do filme que já o revi várias vezes, mas faltava ler o conto no qual ele havia sido baseado, um conto publicado em 1950 e que não chegou a ser publicado no Brasil. Mas num “belo dia” descobri um livro chamado Os Melhores Contos de Faroeste publicado em 2004 pela editora José Olympio o qual trazia esse conto escrito por Dorothy M. Johnson e, então, adivinhem? Corri, aliás, me transformei num velocista para comprar a obra.

Um Homem Chamado Cavalo, do diretor Elliot Silverstein, é um conhecido western norte-americano realizado no ano de 1970 e baseado no conto homônimo presente no livro Indian Country, de Dorothy M. Johnson, escrito em 1968.

O filme homônimo possui duas continuações com o mesmo ator no papel principal, no caso: Richard Harris. São elas: “O Retorno do Homem Chamado Cavalo” (1976), dirigido por Irvin Kershner, e “O Triunfo de Um Homem Chamado Cavalo” (1983), dirigido por John Hough. Ambos os filmes não obtiveram o mesmo sucesso que o primeiro da série.

O filme original de 1970 adapta a história de um aristocrata inglês, John Morgan, que é capturado por uma tribo Sioux e forçado a viver seu modo de vida, eventualmente sendo aceito pelos índios como um deles.

06 – Onde os velhos não tem vez (Cormac McCarthy)

Filme: Onde os fracos não tem vez (2007)

O filme "Onde os Fracos Não Têm Vez" é uma adaptação direta do romance Onde os velhos não tem vez de 2005, escrito por Cormac McCarthy. Os irmãos Coen, Joel e Ethan Coen, dirigiram a adaptação, que recebeu aclamação da crítica e ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2008.

Geralmente, quando um filme é adaptado de um livro, por uma série de razões, a versão cinematográfica tende a omitir muita coisa do livro ou até mesmo alterar eventos significativos, porque as duas mídias são muito diferentes (obviamente). "Onde os Fracos Não Têm Vez" é, na verdade, uma exceção a essa regra. Quando os irmãos Coen assumiram a adaptação, eles mudaram muito pouco em sua versão para as telas.

Livro e filme contam a história de um caçador que encontra por coincidência uma grande quantia de dinheiro numa cena de um crime, desencadeando uma perseguição por parte do receptor original do dinheiro na região desértica do oeste do Texas em 1980.

Além do Oscar de Melhor Filme, a produção baseada no livro de McCarthy ‘papou’ outras estatuetas: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem).Al ém disso, o filme ganhou três British Academy Film Awards (BAFTA), incluindo o de melhor diretor, e dois Globos de Ouro.

07 – O Regresso (Michael Punke)

Filme: O Regresso (2015)

Filme de 2015 que rendeu a Leonardo DiCaprio o Oscar de Melhor Ator. “O Regresso” é considerado um clássico moderno. O longa-metragem é inspirado no romance escrito por Michael Punke, que por sua vez é baseado na história real de um caçador que viveu por volta de 1823. A trama segue Hugh Glass, um especialista em peles que é atacado por um urso e abandonado por seus companheiros, sendo dado como morto. Movido pela sede de vingança, ele luta contra a natureza para sobreviver e buscar justiça contra o homem que o traiu.

Uma determinação cega toma conta de Glass tornando-o capaz de atravessar quase cinco mil quilômetros de terras intocadas e selvagens, fugindo de predadores, sobrevivendo à fome e à agonia dos ferimentos mais terríveis, a fim de concluir seu objetivo.

Tanto livro quanto filme foram muito elogiados pela crítica e também pelo público. A obra literária foi publicada originalmente em 2002, mas só chegou no Brasil em 2016, após o lançamento do filme, através da editora Intrínseca.

08 - O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Ron Hansen)

Filme: O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007)

O livro de Ron Hansen foi publicado originalmente em 1983 e, no Brasil, chegou a ser lançado com a capa do filme, após o sucesso da produção cinematográfica.

Hansen, afirmou em entrevistas que grande parte dos diálogos e da narração do longa-metragem foi extraída diretamente de sua obra literária, que recria os eventos reais da vida e morte do famoso fora-da-lei do Velho Oeste.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford narra a história de Robert Ford, cuja admiração pelo fora da lei Jesse James o leva a se juntar ao bando. No entanto, à medida que suas aventuras se transformam em violência e assassinatos, e os defeitos de James se tornam mais evidentes, Ford se desilude com sua escolha. A partir daí, o filme culmina no assassinato que dá título ao filme, do qual Bob e seu irmão, Charley, tentam lucrar.

O filme de 2007 foi subestimado em comparação com outros filmes da mesma época, como “Os Indomáveis!” ​​e “Onde os Fracos Não Têm Vez”, que roubaram a cena.

Enfim galera, é isso ai! Prato cheio para os amantes das histórias de faroeste, sejam leitores ou cinéfilos inveterados. Leiam o livro e depois assistam ao filme.

Inté!

16 novembro 2025

10 livros de aventura que foram adaptados para os cinemas

O gênero aventura não é assim tão popular para a maioria dos leitores. Pelo menos é o que eu acho. Geralmente, nos comentários dos devoradores de livros nas redes sociais, as opiniões que mais “bombam” em visualizações e compartilhamentos estão relacionados às obras de suspense, policiais, thrillers psicológicos, romance, ficção científica e com toda certeza o ‘young adult – taí a explosão Colleen Hoover que não me deixa mentir. Quanto ao gênero “aventura”, olha... é complicado. Ele quase não aparece nos comentários desses leitores, além de muitas livrarias virtuais “boicotarem” essa classificação nos menus de seus portais.

Mas galera, “falando” por mim; eu, simplesmente, amo livros de aventura! Viajei muito com A Marca do Zorro, O Destino do Poseidon e tantos outros. Mais um detalhe que vale a pena acrescentar nesse texto é que se os livros de aventura não fossem tão bons e tão populares, eles não despertariam aos borbotões o interesse da indústria cinematográfica,  principalmente da meca do cinema: Hollywood.

Por esses motivos tive a ideia de escrever um post sobre os livros do gênero que deram ‘conta do recado’ e acabaram indo parar nos cinemas.

Nas próximas postagens, também estarei escrevendo sobre outros gêneros literários que renderam filmes excelentes nas telonas, mas hoje, a hora e a vez pertencem aos livros de aventura. Vamos a eles!

01 – A Marca do Zorro (Johnston McCulley)

Filmes: “A Marca do Zorro” (1920 e 1940), “Zorro” (1975), “A Máscara do Zorro” (1998), além de outros.

Antes do herói mascarado “enfiado” numa roupa preta e usando uma máscara da mesma cor ter estreado nas telonas dos cinemas na década de 20, muitos cinéfilos não imaginavam que ele tinha saído, na realidade, das páginas de um livro. Isto mesmo; antes de o Zorro arrastar multidões para as salas dos cinemas, ele já tinha arrastado milhares de leitores para as livrarias.

Os filmes “A Marca do Zorro” são baseados no livro de Johnston McCulley. O mais famoso é o filme de 1920, estrelado por Douglas Fairbanks, que foi uma adaptação da história originalmente publicada em capítulos na revista All-Story Weekly com o título de The Curse of Capistrano. O romance, que introduziu o herói mascarado, foi republicado com o título A Marca do Zorro após o sucesso do filme.

Depois do clássico com Fairbanks, a “Raposa” teve um hiato de 20 anos nos cinemas, só voltando em 1940 com outro monstro sagrado de Hollywood; ninguém menos do que Tyrone Power. Este remake repetiu o êxito do filme original de 1920.

O livro de McCulley ainda teria fôlego para retornar aos cinemas muitas outras vezes, em novas adaptações, entre as quais podemos destacar “Zorro” (1975) com Alain Delon e “A Máscara do Zorro”(1998)  que se tornou um clássico entre os fãs do justiceiro e marcou a estreia do ator espanhol Antônio Banderas em uma produção dos Estados Unidos.

Quanto ao livro, dispensa comentários. Livraço! Li e adorei. Pura aventura e da melhor qualidade (confiram resenha aqui).

02 – Primeiro sangue (David Morrell)

Filmes: “Rambo: Programado para Matar” (1982), “Rambo II: A Missão” (1985), “Rambo III” (1988), “Rambo IV” (2008), Rambo Até o Fim” (2019).

O consagrado autor David Morrell escreveu Primeiro Sangue (resenhas do livro aqui e mais aqui) no ápice da Guerra do Vietnã. O envolvimento militar americano direto no conflito só seria encerrado formalmente em 15 de agosto de 1973. Isto significa que na época do lançamento da obra, em 1972, os americanos ainda estavam com as suas tropas em território vietnamita provocando uma série de manifestações por parte da sociedade e de vários grupos sociais dos Estados Unidos.

Morrell aproveitou esse momento para lançar um livro cujo personagem é o arquétipo do soldado americano lutando uma guerra que ele não queria lutar. Aliás, o autor foi mais a fundo ao imaginar quais seriam as consequências desse conflito na vida desses jovens; como seria a sua reintegração na sociedade? Eles seriam aceitos ou rejeitados?

Morrell responde a todos esses questionamentos através de John Rambo, personagem criado por ele em Primeiro Sangue (Fisrt Blood).

O livro caiu como uma bomba na cena literária estadunidense, tornando-se um best seller aclamado pela crítica especializada e chegando a ser adotado como leitura obrigatória em várias universidades do país.

A ideia para a adaptação cinematográfica existia desde os anos 70, mas passou por várias mãos e roteiros diferentes antes do diretor Ted Kotcheff comprar os direitos para a produtora Carolco Pictures e escalar Sylvester Stallone no papel principal. Então, em 1982, depois de 10 anos do lançamento do livro de Morrell, “Rambo” chegaria aos cinemas.

O enredo do livro é quilômetros de distância diferente do enredo do primeiro filme e por isso, vale muito a sua leitura. Quanto as outras sequências cinematográficas, esqueça; não tem absolutamente nada a ver com a história desenvolvida por Morrell.

03 – Os três mosqueteiros (Alexandre Dumas)

Filmes: “Os Três Mosqueteiros” (1921, 1948, 1973, 1993, 2011, além de outras)

Jura que você pensava que Os Três Mosqueteiros não iriam “aterrissar” por aqui? (rs). Não tem nem como aventar essa possibilidade, né galera? Tanto o livro de Alexandre Dumas quanto o filme de 1973 dirigido por Richard Lester são considerados verdadeiros clássicos da literatura e dos cinemas.

Aliás, o filme de 1973, foi, talvez, a melhor e mais fiel adaptação do livro de Dumas para o cinema, pois equilibra aventura, romance, suspense e humor com maestria, além de trazer um elenco para lá de estrelado comandados por um diretor ‘pra lá’ de capacitado: Richard Lester, que se tornou célebre na década anterior ao comandar dois filmes dos Beatles.

O filme anterior dos Mosqueteiros (1948) também se encontra, praticamente no mesmo patamar e não nega fogo. E como poderia negar com um elenco formado só por titãs: Gene Kelly, Lana Turner, Vincent Price e companhia? Quanto as outras adaptações, principalmente as mais recentes... My God!! Esqueçam; por favor.

Aqueles que quiserem conferir o que achei do livro de Dumas, incluindo a versão integral da história podem acessar aqui, aqui e novamente aqui.

04 – A tormenta: A história real de uma luta de homens contra o mar (Sebastian Junger)

Filme:“Mar em Fúria” (2000)

Em outubro de 1991, ocorria a "tempestade perfeita", uma combinação de fatores tão rara que acontece apenas uma vez por século. Com ondas do tamanho de prédios de dez andares e ventos a quase 200 km/h, poucas pessoas a viram e sobreviveram para contar história. Assim, os tripulantes do Andrea Gail, um barco de pesca comercial, se viram bem no centro deste gigantesco inferno em alto-mar.

Para quem ficou em dúvida, esta é a sinopse de “Mar em Fúria”, um filme da década de 2000 que contou com um grande elenco. Na trama, nomes como George Clooney, Mark Wahlberg e Diane Lane estiveram presentes, mas nem mesmo eles foram capazes de evitar um grande desastre. O filme apesar dos efeitos especiais de ultima geração (para aquela época) naufragou nas bilheterias dos cinemas; ao contrário do livro de não ficção A Tormenta: A história real de uma luta de homens contra o mar do jornalista Sebastian Junger que arrancou acalorados elogios da crítica especializada, além de ter vendido “horrores”.

Junger inicia A Tormenta nos apresentando a tripulação do Andrea Gail. Mais do que mostrar algumas características desses pescadores, o autor brinda os seus leitores com a rotina do dia a dia desses homens que entraram para a história de Gloucester, cidade pesqueira localizada em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Junger descreve ainda com riqueza de detalhes o trabalho de salvamento das tripulações dos barcos atingidos pela “tempestade do século” que atingiu Gloucester e outras cidades pesqueiras americanas no início da década de 1990.

Ao tomar conhecimento que há barcos em alto mar correndo risco de naufragar, a Guarda Aérea Americana envia os seus modernos helicópteros de salvamento com paraquedistas de resgate, além de um jato Falcon. Por sua vez, a Guarda Costeira envia escunas e navios especializados em salvamento em situações críticas.

Enfim, o leitor fica sabendo em detalhes como foi a operação de salvamento dos outros barcos atingidos pela tempestade perfeita. Cara... que livro! 

05 – Horas decisivas: A história real do mais ousado resgate marítimo (Michael J. Tougias e Casey Sherman)

Filme: Horas Decisivas (2016)

Horas decisivas: A história real do mais ousado resgate marítimo narra a história verídica de um dos maiores resgates já feitos pela Guarda Costeira dos Estados Unidos que aconteceu em fevereiro de 1952. Era uma noite fria quando o petroleiro Pendleton partiu-se em dois durante uma gigantesca tormenta na costa de Massachusetts. Casado recentemente e com a esposa doente e acamada, Bernie Webber, marinheiro da guarda costeira, foi escalado para uma missão quase impossível. Ele e mais três colegas – Richard Livesey, Ervin Maske e Andy Fitzgerald – foram enviados em uma pequena lancha salva-vidas que suportava apenas 12 pessoas contando com a tripulação. E sabem quantos marinheiros eles conseguiram resgatar nessa pequena embarcação?!  Trinte e dois!! Isto mesmo, trinta e dois! Cara, nesse momento da narrativa não há leitor que não consiga se emocionar e vibrar ao mesmo tempo.

A grande aceitação do livro de Michael J. Tougias e Casey Sherman tanto pela crítica quanto pelos leitores fez com que a história acabasse ganhando uma adaptação cinematográfica em 2016 com Chris Pine – o Capitão Kirk dos filmes Jornada nas Estrelas produzidos por J.J. Abrams.

Apesar os críticos detonarem o filme; ele acabou indo muito bem nas bilheterias. Prova de que palavra de crítico não quer dizer “palavra final”.

06 – As Crônicas de Nárnia (C.S. Lewis)

Filmes: “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” (2005), “Príncipe Caspian (2008) e “A Viagem do Peregrino da Alvorada (2010)”

Se teve um filme que de fato encantou crianças, jovens, adultos e idosos, esse filme, sem dúvida, foi “As Crônicas de Nárnia”, uma das franquias mais encantadoras do cinema. Os longas foram baseados na obra clássica de mesmo nome de C.S. Lewis, que conta com uma série de sete livros. E se os filmes encantaram; os livros também tiveram essa aura especial.

Os leitores podem encontrar a saga escrita por Lewis em vários formatos: box, volume único ou então, vendidos separadamente. Apesar do primeiro dos sete volumes – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa – ter sido publicado originalmente em 1950, até hoje, As Crônicas de Nárnia se faz presente nas listas de mais vendidos das principais livrarias virtuais. A obra é composta por sete livros – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-RoupaPríncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da Alvorada, A Cadeira de Prata, O Cavalo e seu Menino, O Sobrinho do Mago e A Última Batalha.

Os filmes produzidos até agora, seguiram o mesmo caminho. O primeiro deles lançado em 2005, foi indicado a três categorias do Oscar, tendo levado a estatueta de “Melhor Maquiagem” para a casa.

Na época em que chegou aos cinemas, o longa ficou bastante popular entre as crianças e despertou um novo interesse pela leitura para esse público.

Depois da estreia de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” foi a vez de “Príncipe Caspian” (2008) conquistar crítica e pública. O último livro das Crônicas de Nárnia a ganhar uma adaptação para os cinemas, até agora, foi A Viagem do Peregrino da Alvorada que estreou em 2010 nas salas exibidoras do País.

A obra de C. S. Lewis foi traduzida para 47 idiomas e já teve mais de 120 milhões de cópias vendidas.

07 – No coração do mar (Nathaniel Philbrick)

Filme: No coração do mar (2014)

Taí mais um livro jornalístico que aborda todos os detalhes de uma tragédia ocorrida no mar no século XIX.  Em agosto de 1819, um baleeiro de nome Essex deixou o porto de Nantucket, em Massachusetts (EUA), para caçar nos mares do sul. A viagem comandada pelo capitão George Pollard, que então tinha 29 anos, duraria dois anos e meio. No entanto, de acordo com o historiador Gilbert King, já nos primeiros dias a aventura se provou amaldiçoada.

 Pouco depois de zarpar, o Essex foi atingido por uma tempestade que destruiu uma das velas do joanete de proa, e por pouco não afundou. Meses mais tarde, um incêndio criminoso em uma parada para reabastecimento quase matou boa parte da tripulação. Por fim, o Essex encontrou, ao sul do Pacífico, seu maior inimigo: uma baleia cachalote de mais de 20 metros de comprimento.

Após duas investidas do animal furioso, o navio foi a pique. E para se salvarem, os vinte homens a bordo se dividiram entre três botes de cerca de 6 metros cada um, tentando coletar o máximo de provisões que conseguiam.  Quando as provisões acabaram, os sobreviventes não tiveram dúvidas e tomaram uma atitude extrema e medonha: se alimentar de carne humana.

Toda essa saga é narrada em detalhes no livro do historiador e jornalista americano Nathaniel Philbrick (veja resenha aqui). A história serviu de inspiração para o filme “No Coração do Mar”, lançado em no final de 2014.

08 – Desejo de Matar (Brian Garfield)

Filmes: Desejo de Matar (1974), Desejo de Matar 2 (1982), Desejo de Matar 3 (1985), Desejo de Matar 4: Operação Crackdown (1987), Desejo de Matar 5 (1994) e um remake de Desejo de Matar trazendo Bruce Willis no lugar de Charles Bronson (2018).

“Desejo de Matar” que estreou nos cinemas em 1974 foi um marco do subgênero de “filme de vigilante” que marcou os anos 70 juntamente com outra pérola do gênero: “Perseguidor Implacável”. Marcou tanto a década de 1970 que acabou dando origem a uma série de cinco filmes, todos eles com Charles Bronson, além de um remake com Bruce Willis. E por falar no saudoso “cara de pedra” Charles Bronson é importante frisar que “Desejo de Matar” transformou o ator – morto em 2002 aos 81 anos - num ícone dos filmes de ação dos anos 70 e 80.

O que muitos cinéfilos desconhecem é que o conhecido filme que marcou a geração dos anos 70 e 80 foi baseado em um livro. Isto mesmo! A obra homônima escrita por Brian Garfield e publicado em 1972 (ver resenha do livro aqui), foca no personagem Paul Benjamin - um pacato arquiteto da cidade de Nova Iorque - que tem sua mulher morta e sua filha estuprada por três bandidos e passa a agir como um "vigilante", perseguindo os criminosos nas ruas à noite.

Livro e filme são bem parecidos já que os produtores optaram por uma adaptação fiel da obra de Garfield, excetuando o nome do personagem principal que foi trocado. Ah! A sua forma física também, já que Paul Benjamin é um cara obeso no livro, enquanto o Paul Kersey de Bronson não tem absolutamente nada de obeso.

09 – Sem Remorso

Filme: Sem Remorso

O filme "Sem Remorso" é uma adaptação do livro homônimo escrito por Tom Clancy e publicado em 1993. O enredo original aborda a vida do personagem John Clark que faz parte do universo de Jack Ryan. 

O filme lançado nos cinemas em 2021, estrelado por Michael B. Jordan, foi modernizado e mudou parte da trama para ser lançado no Prime Video, mas mantém a essência de uma busca por vingança e a revelação de uma conspiração internacional.

O enredo da obra literária, publicada em 1993, e que tem como contexto a Guerra do Vietnã, serve como uma história que mostra as origens do personagem John Kelly que já apareceu em outros três livros do chamado “Universo Ryan” criado pelo autor. São eles: A Soma de Todos os Medos, Perigo Real e Imediato e O Cardeal do Kremlin. Os leitores gostaram tanto desse personagem secundário dos livros de Jack Ryan que Clancy decidiu escrever uma obra onde Kelly assumisse o protagonismo. E diga-se que Sem Remorso foi um baita sucesso tanto de público quanto de crítica.

Ao contrário do filme que centra todas as suas atenções em John Kelly, o livro conta com personagens muito interessantes que dividem o protagonismo com o personagem principal. Entre os quais temos Sandra "Sandy" O'Toole, viúva do Vietnã e enfermeira do Hospital Johns Hopkins que cuidou de Kelly após o fuzileiro ter sofrido um atentado.

Pensei que o filme da Amazon Prime Video seria bom, mas não; não é. Confuso, enrolado, chocho. Fiquei decepcionado porque após ter lido o livro de Tom Clancy que serviu de inspiração para o filme, acreditei que encontraria uma história que não fugisse tanto do enredo literario o qual adorei. Mero engano, a produção cinematográfica da Paramount lançada em streaming utiliza apenas 10 por cento da história original escrita por Clancy, o resto é encheção de linguiça.

10 – O destino do Poseidon (Paul Gallico)

Filmes: “O Destino do Poseidon” (1972) e Poseidon (2006)

Fecho a nossa lista com esse baita clássico literário que rendeu dois filmes, o primeiro deles com Gene Hackman, um cânone dos filmes de ação.

O Destino do Poseidon escrito por Paul Gallico e publicado originalmente em 1969 conta a história de uma catástrofe em alto mar que prende o leitor da primeira à última página.

No enredo criado por Gallico, o S.S. Poseidon, um antigo e gigantesco transatlântico convertido em navio de cruzeiro, transportando mais de 500 passageiros numa viagem de réveillon, é atingido por uma gigantesca onda que acaba virando o navio de cabeça para baixo. No meio dessa tragédia temos dois grupos de sobreviventes: um composto por pessoas conformadas que preferem aguardar o salvamento no meio dos destroços e outro grupo formado por aventureiros que decidem encarar uma viagem cheia de perigos até o casco do navio que se encontra na superfície. O livro é sobre esses aventureiros. Suas vitórias, derrotas, tristezas, alegrias, desentendimentos, traições, provas de amizade e coragem, durante essa jornada suicida.

O filme de 1972, com Gene Hackman - no papel do impagável Reverendo Scott - que lidera um grupo de sobreviventes que tenta chegar ao casco do navio que emborcou se tornou um clássico que mesmo após 53 anos continua sendo cultuado pelos cinéfilos. Quanto ao remake de 2006 estrelado por Kurt Russell e Josh Lucas passou despercebido; “culpa” do filmaço de 1972.

Taí galera! Divirtam-se bastante lendo e assistindo a esses clássicos.


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