terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Conde de Monte Cristo



Desculpem-me por começar, logo de cara, com um assunto que não tem nada a ver com esse post, mas confesso que não dá prá segurar. Portanto, lá vai: O Tourão caiu!! E caiu bonito – quer dizer – caiu feio. Dizem que o tombo sentado é um dos piores, se não o pior, por causa de dois motivos: o primeiro deles, a dor insuportável naquele ossinho perto do... do... bem lá mesmo. Um ossinho tão simplório, mas que dói tanto, chamado cóccix. E o segundo motivo que faz desse tombo o pior de todos é a gozação. Isso mesmo, as gargalhadas, tirações de sarro, chacotas e etc e mais etc. Afinal de contas quer um tombo mais cômico do que aquele em que a pobre vítima beija o chão com a bunda! Cara foi isso que aconteceu com o ‘seo’ Touro ou ‘Tourão’ ou ainda ‘Kid Touro’ para os mais chegados.
Putz! Que distração a minha! Com certeza vocês querem saber quem é o tal ‘Tourão’. Ok. Saibam mais aqui; porque não vou encher uma outra lingüiça explicando quem é a fera. Mas retomando a minha divagação. O ‘Tourão’ foi se abaixar para apanhar um papel de bala que tinha tentado encaçapar na lata de lixo. No momento em que se abaixou, as pernas deixaram de obedecer ao comando do cérebro, então para não despencar no chão para uma platéia considerável, ele optou por ficar de cócoras ou como dizem no ‘interiô’: de ‘cóqui’. Ele raciocinou: - “Bem, espero até que as benditas pernas destravem, então me ajoelho –disfarçadamente - e depois me levanto e já sento no sofá imediatamente. Ocorre que nesse exato momento, ou seja, quando o ‘Kid Tourão’ ainda estava de ‘cóqui’ – no início do seu plano - passou um antigo colega e o cumprimentou: “- Ô Touro! Bom dia!”. E o ‘Tourão’, educadamente, mesmo de costas levantou a mão direita para cumprimentá-lo. Foi onde começou a tragédia. Ao erguer a mão, perdeu o equilíbrio e pranchou no chão.... de bunda... para delírio da galera que assistia a tudo com a boca retorcida, tentando conter a gargalhada, e para desespero do meu querido velho que soltou um Uiii!... tremendamente doído.
Resultado: enquanto escrevo esse texto, em meu notebook,  me encontro ao lado do ‘Tourão’, em sua cama no hospital, esperando a sua recuperação que segundo os médicos, apesar das radiografias não terem acusado nenhuma fratura, será um pouco lenta devido a sua idade.
Agora deixando as divagações de lado e partindo ao que interessa, confesso que nunca consegui ler um livro enquanto estive num hospital, seja como paciente ou acompanhante, como agora. Sei lá, deve ser algum tipo de bloqueio, não me sinto bem com o cheiro, as roupas brancas e engomadas, os barulhos de macas indo e vindo pelos corredores. Tudo isso me tira a concentração e acabo ficando disperso, abandonando a história.
Cena de "O Conde de Monte Cristo" de 1975 com Richard Chamberlain
Mesmo assim, quando o ‘Tourão’ veio pra cá, arrisquei levar um livro para ficar apenas folheando, matando o tempo. Escolhi, na minha estante, um que julgava meio sem sal e açúcar: “O Conde de Monte Cristo”, para não ‘queimar’ a leitura de uma outra obra, a qual pretendia ler com toda a tranqüilidade possível no meu quarto ou em minha sala de leitura. Já tinha assistido o tal Conde com o Jim Caviezel, aquele ator que havia interpretado Jesus Cristo no filme do Mel Gibson. Como achei o filme horroroso, peguei o livro para saber se a história seia diferente.
Cara! Quando percebi, já estava devorando as páginas magistralmente escritas por Alexandre Dumas! Que nada de cheiro esquisito, macas no corredor, roupas brancas engomadinhas e muito menos uma enfermeira filezinho que toda hora passava no quarto para ver como o Tourão estava. O meu negócio era ler, ler e ler a saga de Edmond Dantes. Conclui a leitura praticamente agora e aproveitando a inspiração que a história me deu, resolvi escrever esse post.
Para início de conversa, o livro não tem nada a ver com o filme sofrível produzido em 2002 e que apesar disso, acabou fazendo um sucesso razoável nos cinemas.
Na obra de Dumas, Edmond Dantés é um destemido, mas ingênuo marinheiro que em 1815 acaba sendo  preso, sob falsa acusação,  por ter ido à Ilha de Elba, onde teria recebido uma carta de Napoleão em seu exílio. Na correspondência, Napoleão deixava evidente o seu desejo de reconquistar o trono. Mas na verdade, Dantés havia sido vítima de um complô armado por três pessoas interessadas no assunto: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que, mesmo atestando sua inocência, quis silenciá-lo; o seu amigo, Danglars, que desejava o posto de capitão do navio, já que Dantés recebeu o posto por mérito, e Fernand Mondego, melhor amigo, mas por outro lado, apaixonado por Mercedes, noiva de Dantes. Mondego, inclusive, morre de inveja de Dantés e sonha com o dia em que poderá ter Mercedes em seus braços.
Jim Caviezel como o conde no filme de 2002
Graças a cilada preparada por essas três pessoas, Edmond Dantés vai para a temível prisão do castelo d’If, onde é condenado a ficar encarcerado até os últimos anos de sua vida. Após muito tempo, ele consegue fugir com a ajuda de um abade, vizinho de cela, com o qual passou a nutrir uma sólida amizade nos anos em que esteve preso. O abade Faria, um preso político, lhe indica o local onde está escondido o tesouro do Cardeal Spada. O abade ainda educa Dantes por vários anos sobre diversas artes e ciências (química, esgrima, línguas e história em geral). Mesmo não acreditando muito, Edmond investe na aventura e descobre, de fato,  o tesouro indicado pelo seu amigo de prisão, tornando-se milionário.  A partir daí começa a vingança de Dantes que engendra um plano inteligente e ao mesmo tempo maquiavélico. O ex-marinheiro passa a assumir vários disfarces, entre os quais um poderoso e multimilionário conde, um pirata e por aí afora.  Todos esses disfarces são utilizados em sua teia de vingança.
O livro tem passagens fortes e emocionantes, entre as quais o encontro do Conde de Monte Cristo com a sua ex-noiva Mercedes que agora está casada com o seu amigo traidor Fernand Mondego.
Apesar de ter a classificação de literatura infanto-juvenil, “O Conde de Montecristo” tem passagens fortes e marcantes. Por isso, posso classificá-lo de extremamente vigoroso. O enredo magnífico nos prende como a teia de aranha tecida por Dantes para se vingar de seus inimigos.
Gostei tanto do livro que agora pretendo assistir ao filme com Richard Chamberlain e Tony Curtis que passou nos cinemas em 1975 e ao contrário da aberração de 2002, sem muito estardalhaço. Um amigo meu que assistiu ao filme me garantiu que é muito fiel ao romance de Dumas. Vejamos.
Inté!

Um comentário:

  1. Só tem um detalhe.
    Mondego não é amigo de Dantes, é amigo de Mercedes, uma espécie de irmão de criação dela.
    Tanto que Dantes só o conhece quando retorna de sua viagem e vai pedir Mercedes em casamento.
    Também achei o filme de 2002 horrível e relutei muito em ler o livro por isso.
    Mas quando comecei a ler, fiquei obcecado, não consegui largar enquanto não terminei, tanto que li a obra inteira em pouco mais de uma semana.
    O que mais curti é que ele não armou arapuca para ninguém, apenas mexeu alguns pauzinhos e esperou, as pessoas é que se enforcaram sozinhas pelos seus próprios erros.
    Na verdade, ele até deu muitas chances para que as pessoas se arrependessem e se endireitassem, mas elas rejeitaram.

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