05 março 2022

A Garota do Lago



Estou tentando encontrar uma definição para A Garota do Lago, livro de estreia de Charlie Donlea, mas confesso que está difícil. O enredo é ruim? Não. A narrativa flui? Sim. A obra agrada num todo? Não. É galera... tá difícil. Bem, mas vamos lá; vou tentar. Desculpem-me os leitores mais puritanos do blog, mas a melhor definição que encontrei para A Garota do Lago faz uma analogia com o ato sexual. A narrativa pode ser comparada com o momento íntimo de um casal onde as preliminares do sexo transcorrem às mil maravilhas, mas quando chegada a hora da consumação do ato, alguma engrenagem dentro desse contexto acaba falhando – ou por parte do homem, ou por parte da mulher, ou ainda por parte de ambos. O livro de Donlea, à grosso modo, se encaixa perfeitamente nessa conjuntura.

Vejam, a narrativa começa muito bem e à medida que avança, ela se torna cada vez mais fluida ganhando a simpatia do leitor. Isto se deve em grande parte ao carisma dos personagens centrais que foram perfeitamente elaborados. Por sua vez, o plot da história fisga os leitores que ao virar das páginas vão ficando cada vez mais curiosos e, principalmente, impacientes para saber quem matou a estudante de Direito, Becca Eckersley.

O autor joga em nossa cara um monte de opções. Suspeitos não faltam: desde o namorado da jovem ao garoto iludido que acabou levando um fora, passando ainda pela amiga de Becca, ao seu antigo e pegajoso namorado, à um professor, um médico e até pelo pai de Becca. Ah! Ficou faltando ainda a funcionária da principal estalagem da cidade e um senador – patrão do namorado de Becca – que concorria ao cargo de presidente dos Estados Unidos.

Somado a isso, ainda tinham os supostos plot twists do romance tão anunciados e propalados pelos leitores nas redes sociais, incluindo o Skoob. Cara, juro que não aguentei e acabei indo babando devorar a história. Estava amando a fluidez do texto, mesmo sem os tão aclamados plot twists que deveriam aparecer no meio da narrativa. Na realidade, eles simplesmente não existem. Mas ok, o texto ágil de Donlea compensava a falta dessas reviravoltas – aqui vai um adendo, a narrativa tinha algumas surpresas e não reviravoltas, o que é bem diferente – por isso, fiquei no aguardo do grande twist final que... não veio. Pior, fiquei com a impressão de um final apressado, podado, escrito de qualquer maneira. Sei lá, como se autor estivesse com pressa de terminar a história. Fico pensando se o seu editor não telefonou gritando em sua orelha: Ô Chralie termina logo essa história que nós já estamos com prazo esgotado! Acaba logo isso aí!” – Então, no desespero, ele acabou “matando” a sua narrativa.

Não sei se fui claro em minha analogia que citei no início da postagem. Quis dizer que o livro começa bem, continua bem, mas no final da uma grande broxada.

Já nas últimas páginas, antes do final, percebi que o autor não conseguiria dar uma conclusão, pelo menos adequada, aos personagens principais. E o meu desespero, enquanto lia, ia aumentando cada vez mais, porque percebia que a narrativa estava caminhando para um final sem o tão aguardado plot twist, o que acabou se confirmando.

Para dizer a verdade, eu já havia descoberto quem era o assassino de Becca um pouco depois da metade do livro. Fiquei P. da Vida com aquele final chocho. Na minha cabeça, imaginava uma reviravolta envolvendo a jornalista investigativa que cuidava do caso e que havia passado por uma situação quase semelhante a enfrentada por Beca, mas Kelsey Castle também teve um “The End” pra lá de chocho.

Resumidamente, A Garota do Lago aborda um crime brutal cometido na pequena cidade de Summit Lake. Duas semanas atrás, a estudante de direito, Becca Eckersley foi brutalmente assassinada na casa de férias de seus pais. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.

Enfim, é isso.

Se não fossem as páginas finais chochas, além da ausência de plot twists, A Garota do Lago tinha tudo para ser um livraço, mas...

02 março 2022

10 livros publicados há pouco tempo e que estão fazendo um baita sucesso

Que tal ‘encarar’ um livro ‘da hora’ neste, ainda, começo de ano? Afinal de contas, março se enquadra, perfeitamente, no início desses 365 dias que já estamos vivendo. Melhora mais se a obra foi publicada recentemente. Pensando nisso, resolvi elaborar uma postagem apontando 10 livros que foram lançados há pouco tempo e que estão recebendo rasgados elogios tanto de leitores quanto de críticos. 

Ah! Quando escrevi “publicados há pouco tempo” quis dizer num período de dois anos. A única exceção na lista é a obra de Taylor Jenkins Reid, o maravilhoso Os Sete Maridos de Evelyn Hugo que foi publicado no Brasil em outubro de 2019 pela editora Paralela, portanto há mais de dois anos e meio, quase três. Mas acontece que o enredo é tão bom, mas tão bom, que acabei optando por incluí-lo nessa lista.

Os 10 livros abaixo estão fazendo um baita sucesso e com certeza irão agradar os mais exigentes dos leitores. Portanto, escolham os seus gêneros preferidos e boa leitura!

01 – Os sete maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid)

Amei, amei e amei! Mesmo tendo sido lançado há mais de dois anos não poderia deixar de incluir nessa Top List, o livro da Taylor Jenkins Reid. A personagem Evelyn Hugo consegue te prender do início ao fim. A medida que detalhes e segredos de sua vida vão sendo revelados, o leitor fica cada vez mais curiosos para saber mais e mais.

À exemplo de Daisy Jones & The Six – outro sucesso da autora, lançado no mesmo ano – a história de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo conquistou uma legião de leitores. Prova disse é que após dois anos de seu lançamento, o livro encontrava-se, até a semana passada, entre os 10 mais vendidos na listagem da Amazon.

Aos setenta e nove anos, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema. Com seu icônico cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, seguiu um roteiro digno dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos escândalos nos tabloides de fofocas.

Vivendo reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

02 – Histórias lindas de morrer (Ana Cláudia Quintana Arantes)

Quando este livro foi lançado em março de 2020, o sucesso entre leitores e críticos foi imediato. Eles, simplesmente, amaram a narrativa de Ana Cláudia Quintana Arantes que há quatro anos já havia lançado uma obra no mesmo estilo chamada A morte é um dia que vale a pena viver. Os dois livros bombaram nas redes sociais: só elogios e mais elogios.

Ana Cláudia é médica formada pela USP, com residência em geriatria e gerontologia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fez pós-graduação em Psicologia – Intervenções em Luto pelo Instituto 4 Estações de Psicologia e especialização em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford.

Em 2012, publicou seu primeiro livro de poesia, Linhas pares, utilizado como base de pesquisa do impacto da poesia sobre a esperança de pessoas gravemente enfermas. Seu segundo livro, A morte é um dia que vale a pena viver, permanece entre os mais vendidos e recomendados desde a primeira edição, em 2016.

A médica e escritora cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, em contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano. Ela é considerada uma das principais vozes na tentativa de quebrar o tabu sobre a morte no Brasil.  Em Histórias lindas de morrer, a autora apresenta uma coleção de emocionantes histórias reais colhidas em sua prática diária, em que a proximidade do fim nos revela em toda a nossa profundidade. São pessoas de variadas idades, crenças e origens, que nos deixam de herança lições de vida. Você vai conhecer A.M. e R., que mostram, cada um à sua maneira, que a comunicação humana vai muito além do que imaginamos.

Vai se emocionar com M., que recebeu em vida o perdão incondicional pelos maus-tratos dispensados à filha. Vai torcer pelo morador de rua F. em sua tentativa de reencontrar a mãe para se despedir.

Com momentos tocantes, tensos e também divertidos, estas histórias nos relembram a importância das relações humanas e do respeito ao outro. O medo da morte é o medo do não vivido, mas nunca é tarde para se envolver com a própria história.

03 – Até o verão terminar (Colleen Hoover)

É incrível, né gente, como Colleen Hoover conseguiu cativar milhares de leitores em tão pouco tempo. Ela é uma máquina de lançar livros e num curto espaço de tempo. É interessante, também, como ela consegue navegar com toda segurança de um gênero para o outro. Sem dúvida, uma grande escritora. Depois de Verity, É assim que acaba, Layla, O lado feio do amor, As mil partes do meu coração e etc e mais etc; ela lançou, recentemente, Até o verão terminar.

O livro chegou ao Brasil através da editora Galera em agosto do ano passado e em poucas semanas, já entrava na lista dos mais vendidos em todo o País.

Desta vez, Hoover narra a história de Beyah; filha de uma mãe problemática e um pai ausente e que precisou aprender a se virar sozinha desde pequena. Sua vida foi trilhada com muitas decepções. Mas ela está prestes a mudar a sua sorte graças a si mesma, e a mais ninguém, por conta da bolsa de estudos que ganhou para estudar em uma boa universidade. Apenas dois curtos meses separam o tão sonhado futuro do passado que tanto deseja deixar para trás. Mas uma reviravolta faz Beyah perder até mesmo a casa em que mora.

Sem opção, ela recorre ao último recurso que tem e precisará passar o resto do verão na casa de praia do pai que mal conhece, da nova esposa e da filha dela que nem ao menos ouvira falar. O plano de Beyah é se manter quase invisível até poder ir para a faculdade. Mas o vizinho da casa ao lado torna tudo muito mais complicado. Afinal, é difícil ignorar o rico, bonito e misterioso Samson. A partir daí, surge uma paixão que terá muitas reviravoltas e segredos a serem desvendados.

04 – As obras revolucionárias de George Orwell (George Orwell)

Este box com os três maiores sucessos literários de George Orwell está fazendo a cabeça da galera. A caixa lançada pela editora Principis em março de 2021, contendo o texto integral traduzido do original em inglês, ocupa as primeiras posições nas listas de obras mais vendidas em nosso País.

O box contém os livros: A Revolução dos Bichos, 1984 e Dentro da baleia e outros ensaios. O box é todo roxo com os livros em tons mais claros (azul, amarelo e rosa) formando um belo contraste. O ponto negativo destacado por alguns leitores está relacionado com a qualidade das páginas consideradas mais finas do que o normal e com uma tonalidade amarelada.

George Orwell é um dos escritores mais importantes do século XX. Foi autor de romances, ensaios, críticas e artigos jornalísticos, com textos de fácil compreensão, inteligentes e críticos, apontando as injustiças sociais. Suas obras trazem oposição ao totalitarismo, o que as tornaram influentes na cultura popular, mas também na política.

05 – Kit Um de Nós (Karen M. McManus)

Taí mais um box na relação das obras mais vendidas nesses últimos dois anos. Para ser mais exato, um kit com os dois livros da autora americana de ficção para jovens adultos, Karen M. McManus. A caixa traz os thrillers Um de nós está mentindo e Um de nós é o próximo juntamente com dois marcadores de páginas. O kit “desembarcou” nas livrarias brasileiras em 30 de agosto de 2021 através da editora Galera. São um total de 784 páginas para serem devoradas pelos amantes do gênero suspense.

Um de nós está mentindo foi lançado originalmente em 12 de fevereiro de 2018. A história começa quando cinco estudantes da Escola Bayview de Ensino Médio – Simon, Addy, Cooper, Bronwyn e Nate – ficam em detenção.

Simon, conhecido por administrar um grupo virtual de fofocas e divulgar boatos sobre os colegas nas redes sociais, acaba sofrendo uma reação alérgica fatal. Os outros quatro estudantes tinham motivos suficientes para matar Simon, e quando a investigação determina que a morte do aluno não foi um acidente, todos se tornam suspeitos. Afinal de contas, quem matou Simon?

O livro agradou tanto na época de seu lançamento que acabou despertando o interesse da Netflix que o transformou em série de TV de grande sucesso no ano passado. A aceitação foi tanta que a série acabou sendo renovada para uma segunda temporada neste ano de 2022.

Após o grande sucesso de vendas de Um de nós está mentindo, certamente uma continuação não estaria fora de cogitação. E foi o que, de fato aconteceu. Em 20 de janeiro de 2020 os leitores do gênero “New Young Adult” ganhariam a sequência da história envolvendo os cinco estudantes.

Em Um de nós é o próximo, bem... não é preciso muito para entender que teremos uma nova vítima entre o grupo de estudantes e um novo suspeito.

06 – O livro das virtudes para as crianças (William J. Bennett)

O livro das virtudes para as crianças foi lançado originalmente em 1993, mas, recentemente, em junho de 2021, a editora Nova Fronteira relançou a obra de William J. Bennett em capa dura. O livro foi muito vendido na década de 90 e, agora, voltou a figurar nas listagens dos mais vendidos em várias livrarias brasileiras, incluindo a Amazon. 

O livro das virtudes para crianças é a obra perfeita para pais e filhos desfrutarem juntos. Aqui, William J. Bennett traz uma seleção de contos e poemas das mais diversas tradições literárias, que por séculos perduram na memória de diferentes povos pelo encanto que as narrativas provocam e, principalmente, pela sabedoria que encerram. São mensagens de coragem, perseverança, responsabilidade, trabalho, autodisciplina, compaixão, fé, honestidade, lealdade e amizade, que ganham ainda mais vida com as belas ilustrações do artista Michael Hague.

Os textos tem por objetivo conduzir os “leitores pequenos” no caminho da nobreza, da gentileza e da bondade. Apesar do título da obra, ela pode ser lida também pelos adultos já que as histórias são muito interessantes. Basta conferir a opinião desses leitores nos portais do Skoob e Amazon.

07 – Tudo é rio (Carla Madeira)

Tudo é rio é o livro de estreia de Carla Madeira. Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.

Na orelha do livro, Martha Medeiros, considerada uma das melhores cronistas brasileiras, escreve: “Tudo é rio é uma obra-prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar de novo, no mesmo instante, desta vez para se demorar em cada linha, saborear cada frase, deixar-se abraçar pela poesia da prosa. Na primeira leitura, essa entrega mais lenta é quase impossível, pois a correnteza dos acontecimentos nos leva até a última página sem nos dar chance para respirar. É preciso manter-se à tona ou a gente se afoga.”

A metáfora do rio se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio do suor, da saliva, do sangue, das lágrimas, do sêmen, e de acordo com Martha Medeiros, Carla faz isso sem ser apelativa, sem sentimentalismo barato, com a habilidade que só os melhores escritores possuem.

O livro foi lançado em fevereiro do ano passado e já nos primeiros dias entrou na lista dos mais vendidos da Amazon.

08 – Coragem para crescer (Marcos Freitas)

Apesar do livro de Marcos Freitas ter sido publicado, agora, no começo de 2022 – em janeiro, para ser exato – já está dominando os primeiros lugares das listagens das obras mais vendidas no País. Está em 7º lugar no ranking da revista Veja, um dos top list literários mais respeitados, aqui, da terrinha.

Marcos de Freitas é o CEO da Seja Alta Performance, empresa de consultoria empresarial considerada a maior aceleradora de negócios e resultados do Brasil. Ele é graduado em marketing e possui mais de 12 formações internacionais e projetos realizados na China, Portugal, EUA e Canadá, além de realizar missões internacionais com empresários, anualmente, para potencializar seu know-how e network.

Em Coragem para crescer, o autor compartilha os principais pontos do método Alta Performance nos Negócios para que você, empresário ou futuro empresário, conheça as ferramentas certas e possa usá-las no crescimento da sua empresa. Marcos convida você a esquecer as crises econômicas brasileiras e voltar o olhar para dentro do seu negócio para avaliar todo o potencial de mudança ainda não explorado que ele tem.

09 – Arrastados: Os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho, o maior desastre humanitário do Brasil (Daniela Arbex)

Cara, a autora de Arrastados é fodástica. Duvida? Então anote aí: Daniela Arbex escreveu Holocausto brasileiro que foi reconhecido como Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no Prêmio Jabuti (2014). A obra foi adaptada para documentário pela HBO e inspirou a série de ficção “Colônia”, exibida pela Globoplay. 

Em 2015, ela lançou Cova 312, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Livro-Reportagem (2016). Escreveu também Todo dia a mesma noite, em 2018, que narra a história não contada da boate Kiss e que ganhará adaptação pela Netflix. Foi eleita a melhor repórter investigativa do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa. Arbex tem ainda outros 20 prêmios nacionais e internacionais no currículo, entre eles três Esso e o americano Knight International Journalism Award.

Pois é, é essa a autora do livro Arrastados que narra de maneira investigativa uma das maiores tragédias que aconteceu no Brasil: o rompimento da barragem de Brumadinho.

No dia 25 de janeiro de 2019, às 12h28, a B1, barragem desativada da Mina do Córrego do Feijão, explorada pela mineradora Vale na cidade de Brumadinho, Minas Gerais, rompeu. Seu rastro de lama, rejeitos de minério e destruição se estendeu por mais de 300 quilômetros, levando torres de transmissão, trens de carga, pontes, casas, árvores, animais e, na contagem oficial da tragédia, a vida de 270 pessoas (ou 272, considerando as duas gestantes entre os mortos).

Arbex foi a campo para reconstituir em detalhes as primeiras 96 horas após o colapso. Ela entrevistou sobreviventes, familiares das vítimas, bombeiros, médicos-legistas, policiais e moradores das áreas atingidas. A autora retornou à região para acompanhar o impacto das indenizações e contrapartidas institucionais para a reparação dos danos materiais.

Arrastados chegou às livrarias em 25 de janeiro de 2022 pela editora Intrínseca.

10 – Verity (Colleen Hoover)

Gente, não deu para evitar; tive que colocar a Colleen Hoover duas vezes nesta lista literária. Afinal, seu livro Verity lançado aqui no Brasil em 2020 arrebentou em vendas, tornando um dos preferidos de toda a galera thrillers psicológicos e também de suspense e mistério.

Finalista do prêmio Goodreads como melhor romance de 2019, Verity narra a história envolvendo um casal apaixonado, uma intrusa e três mentes doentias. Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity - e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente - incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal.Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos.

Valeu galera, por hoje é só. Espero que tenham apreciado essa lista.

26 fevereiro 2022

A Sociedade da Neve



Viche! Quase uma semana sem postar nada no blog! Apesar de perceber que os acessos na minha página estavam sofrendo uma queda – afinal, qual seguidor não quer ler artigos novos? – decidi priorizar a conclusão da leitura de A Sociedade da Neve de Pablo Vierci. A narrativa estava tão interessante que resolvi seguir em frente. Portanto, taí, o motivo da demora de quase sete dias nas postagens. Me desculpem aí galera, mas cá entre nós, foi por um motivo justo. O livro é incrível!

A Sociedade da Neve aborda um dos acidentes aéreos mais trágicos da história da aviação mundial. Um acontecimento, aliás, que mexeu com o mundo todo devido as circunstâncias em que os seus 16 sobreviventes conseguiram driblar a morte durante os 72 dias em que ficaram perdidos no meio de uma geleira sem fim.

No dia 13 de outubro de 1972, o time de rugby de uma universidade do Uruguai estava a caminho de Santiago do Chile quando a aeronave da Força Aérea caiu na Cordilheira dos Andes, a mais de 4 mil metros de altitude. O avião transportava 45 pessoas. Durante a queda, 12 pessoas faleceram e 17 morreram com o passar dos dias, por conta do frio extremo e escassez de alimento. A Tragédia dos Andes, como ficou conhecida, foi pauta para diversos debates sobre os limites da sobrevivência humana.

No começo o grupo sobreviveu se alimentando de barrinhas de chocolate e doces que encontraram nas malas. O problema veio após alguns dias, quando a comida se esgotou. Então, eles tiveram de tomar uma decisão radical para continuarem vivos na esperança de um resgate: se alimentar dos corpos dos passageiros e tripulantes que haviam morrido na queda do avião.





O autor de A Sociedade da Neve revela que, após o resgate, autoridades do governo uruguaio aconselharam os jovens a não contar como tinham sobrevivido, “que a verdade, se pública, os assombraria para sempre”. Na época, Nando Parrado e Roberto Canessa, os expedicionários que conseguiram atravessar os Andes e pedir socorro a um montanhista, se negaram a esconder os fatos.

O livro de Vierci conta em detalhes toda essa tragédia, mas com um diferencial muito importante se comparado a outras obras que exploraram o assunto: a saga foi narrada pelos próprios sobreviventes da tragédia, ou seja, cada um deles contou em detalhes o que fez para se manter vivo naqueles 72 dias fatídicos que tiveram início em 13 outubro de 1972.

A obra intercala as narrativas dos sobreviventes com o relato objetivo do autor que dá detalhes sobre os fatos relacionados ao acidente. Cada capítulo é iniciado com descrições de Vierci sobre a tragédia, desde os momentos descontraídos que marcaram o embarque dos jovens no avião da Força Aérea Uruguaia até o instante do resgate, passando pela provação dos 72 dias que definiram a sobrevivência dos 16 jovens, na época. Logo depois desses preâmbulos vem as narrativas. O livro dedica um capítulo inteiro para cada um dos sobreviventes contarem as suas sagas.


Sobreviventes sendo atendidos após o resgate, depois de 72 dias de sofrimento


Confesso que todas as 16 narrativas mexeram comigo. Como por exemplo, o momento em que ouviram pelo rádio que as buscas haviam sido encerradas já que as autoridades uruguaias acreditavam que todos haviam morrido na cordilheira. Mesmo assim, eles nunca perderam as esperanças, tanto é verdade que decidiram por conta própria se salvarem. Mais ou menos assim: “Já que esqueceram da gente, vamos provar a eles que estamos vivos”. A partir desse momento, decidiram começar a fazer expedições exploratórias, todas fracassadas, até culminar com a expedição final de Nando Parrado e Roberto Canessa que resultou no salvamento do grupo. Mas para continuarem vivos, os 16 sobreviventes tiveram de tomar uma decisão que marcaria as suas vidas: se alimentar dos corpos dos seus amigos que haviam morrido no acidente.

O livro mostra ainda como foi a reinserção dessas 16 pessoas na sociedade, as dificuldades que elas sofreram para voltar a ter, novamente, uma vida normal; os momentos emocionantes que marcaram o resgate após os 72 dias perdidos nos Andes; a reação de seus familiares quando souberem que eles tiveram de praticar canibalismo para sobreviver; como esses sobreviventes vivem atualmente; e principalmente como foram os mais de dois meses perdidos nos Andes, a rotina para sobreviver naquelas circunstâncias. Tudo isso narrado por conceitos diferentes com cada um dos integrantes da chamada “Sociedade da Neve” dando o seu ponto de vista sobre a situação.

Já tinha lido há algum tempo o livro de um outro sobrevivente dos Andes, Nando Parrado, que escreveu o também ótimo Milagre nos Andes: 72 dias na montanha e minha longa volta para casa, mas enquanto nesse livro temos apenas a visão de uma das 16 pessoas que conseguiram escapar com vida da tragédia, em A Sociedade da Neve, todos os 16 sobreviventes narram como foi a sua saga, com alguns deles, encontrando o espaço ideal para exorcizar os seus fantasmas.

Livraço!

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