Instinto Assassino

Depois de vários dias sem postar, eis que esse blogueiro de “primeira viagem” resolveu dar as caras por aqui. Minha vida esteve um pouco conturbada  nesses dias: trabalho, correria, saúde meio baqueada, conflitos profissionais que tiveram de ser ‘toureados’, enfim, vida de jornalista é uma caca, mas eu gostcho!
Mas o que interessa é que estamos vivos, fazendo jus aquele velho ditado: “entre mortos e feridos salvaram-se todos”.
Que fique bem claro o seguinte: nem mesmo durante o período de ‘inferno astral’ abandonei o meu amado e querido vício de leitura. Livros e mais livros continuam sendo devorados. Agora estou encarando o calhamaço “O Nome do Vento”, o qual estarei dando a minha opinião brevemente nesse espaço. Mas hoje, quero escrever sobre um livro que mexeu muito comigo. Uma obra densa, pesada e que exige do leitor muito sangue frio. Estou me referindo a “Instinto Assassino”, de William Randolph Stevens.
Li essa obra a uns três ou quatros anos e pela história, baseada em fatos reais, ter despertado tanto interesse resolvi relê-la recentemente. O seu enredo nos dá uma noção exata da complexidade da mente e do modus operandi de um psicopata. Juro que fiquei impressionado demais após as “duas leituras” da obra de Stevens. Impressionado, porque você chega a conclusão que pode estar convivendo, normalmente, ao lado de um psicopata já que a maioria deles camuflam muito bem os seus desvios psicológicos. Às vezes o psicopata pode ser aquele juiz sério e acima de qualquer suspeita em sua cidade, ou aquele filantropo sempre disposto a ajudar as pessoas necessitadas, ou então, como no caso do livro “Instinto Assassino”, o médico amado e querido de uma pequena cidade; um verdadeiro anjo em terra.
Na obra de William Randolph Stevens que também foi o promotor do caso e depois resolveu escrever um livro sobre o assunto, Cristina Henry narra os momentos de terror que passou ao lado de seu marido, o proeminente médico americano, Dr. Patrick Henry com quem chegou a ter um filho.
Ela conviveu durante quase sete anos ao lado de um perigoso psicopata sem perceber nada de anormal, já que o médico insano escondia com perfeição a sua personalidade doentia. Durante todo esse período, Cristina enfrentou várias situações de risco extremo, com a sua vida ficando presa por um fio. O passatempo predileto de seu esposo era armar armadilhas para matá-la ou então fazê-la sofrer, sem que ela nada percebesse.
O ponto alto da perversidade do Dr. Henry é o momento em que ele tenta matar o próprio filho por enxergá-lo como um inimigo. São momentos de pura tensão no enredo de Stevens e nessa hora nos colocamos no lugar de Cristina que sofreu horrores até descobrir a verdade, ganhando assim, coragem para pedir a separação.
Quando chega a conclusão que o seu marido é um perigoso psicopata, ela passa a enfrentar um novo problema: a falta da credibilidade de suas palavras, já que ela não passa de uma simples dona de casa, enquanto o seu esposo é um médico estimado e respeitado por todos. Cristina encara o descrédito de seus familiares, dos seus amigos e dos amigos de seu esposo. Enfim, ela passa a viver um verdadeiro inferno em terra. Mesmo assim, lutando contra todos, ela consegue se separar de Patrick Henry e quando pensa que se livrou do perigo, o seu pesadelo retorna com carga total, já que o ex-marido psicopata que não aceita a separação decide armar um plano diabólico para se vingar. Um plano ao mesmo tempo inteligente e macabro que só uma mente doentia poderia arquitetar.
É nesse ponto da história que entra o personagem real e também autor do livro Dr. William Randolph Stevens, promotor que convence Cristina a levar o seu ex-marido para o banco dos réus. Com Patrick Henry preso, ela ficaria definitivamente liberta de seu pesadelo e a sua vida poderia parar de correr perigo, mas nem tudo é tão simples assim, já que as armadilhas armadas pelo médico foram muito bem engendradas, não deixando qualquer fio de suspeita. Por isso, Cristina correria o risco de ver o seu ex-marido saindo livre do julgamento e ainda furioso com a sua atitude de tentar incriminá-lo, aumentando assim, a sua sede vingança.
No início, a personagem teme pela sua vida e de seu filho, mas encorajada pelo promotor Dr. William Randolph Stevens, ela resolve entrar na briga “de cabeça” contra todo poderoso Patrick Henry. Começa então, o trabalho minucioso de colhimento de provas pela equipe da promotoria, comandada por Stevens, com o objetivo de juntar subsídios consistentes que possam levar o Dr. Henry à júri popular.
Logo de cara, “Instinto Assassino” já começa com um plano maquiavélico do Dr. Henry para assassinar Cristina, quando eles já estão separados. O médico é detido no aeroporto com uma maleta contendo estranhos equipamentos para um médico e que seriam utilizados por ele no crime. Após abrir a maleta, uma equipe de investigadores procura por Cristina que revela de maneira surpreendente: “com certeza, ele viria me matar”. O médico caba sendo solto por falta de provas, já que é, apenas, a sua palavra contra a palavra de sua ex-mulher.
Neste momento da obra, Cristina começa a narrar em flashback como foi o seu relacionamento com o Dr. Henry, desde o momento em que se conheceram até os instantes finais, quando ela descobriu que estava vivendo com um terrível psicopata.
Como já disse no início desse post, é uma leitura muito tensa que faz o coração do leitor acelerar a cada susto ou perigo vivido pela personagem. Ela narra, por exemplo, como ocorreu o primeiro acesso de loucura de Henry, após estarem casados. O médico chamou uma gatinha para brincar e como o animal fugiu, o psicopata passou a persegui-lo pela casa furiosamente, até conseguir agarrá-lo e arremessá-lo com toda força no chão. Depois disso, tremendo e com os olhos vidrados de ódio ele começaria a gritar para a sua mulher: “Ninguém foge de mim! Nada!” Tempos depois da separação, Cristina passaria a entender o verdadeiro significado dessas palavras, quando precisou passar parte de sua vida se escondendo de seu ex-marido.
Outro trecho do livro que retrata a loucura do personagem é o instante em que ele filma a sua mulher fugindo do ataque de um crocodilo. Cristina está nadando num rio, despreocupadamente, quando ele a incentiva a chegar perto do animal sem que ela desconfie de nada; então, Henry estimula a mulher a nadar cada vez mais rápido, enquanto a fera começa a persegui-la. Tudo isso, sem que Cristina perceba o perigo que está correndo. Enfim, esses são apenas alguns momentos narrados em flasback pela mulher; mas há muitos outros que deixam o leitor com taquicardia e torcendo para que o diabólico médico seja condenado.
Em tempo: “Instinto Assassino” foi transformado em uma minisérie na Rede Globo no início dos anos 90. Quanto aWilliam Randolph Stevens , que eu saiba, escreveu apenas esse livro; mas valeu a pena, já que se trata de uma grande obra.
Quanto ao Dr. Patrick Henry, se chegou a ser condenado, de fato, dando assim, paz para a sua ex-mulher, só mesmo lendo o livro.
Inté!

3 comentários

  1. Por favor, gostaria muito de ter acesso a essa minissérie. Já li esse livro dezenas de vezes. Infelizmente não consegui assisti-lo.

    Att. Larissa Sathler

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    1. Acesse esse link, há várias opções, a maioria em VHS. Se não me engano, vi apenas uma versão compacta em DVD.
      Abcs!
      http://lista.mercadolivre.com.br/instinto-assassino

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  2. Olá. Vim parar aqui pois comecei hoje a assistir a um documentário (The Keepers) sobre dois assassinatos que aconteceram em Baltimore. Logo me lembrei deste livro Instinto Assassino. Eu tinha uns 13 anos quando li (hoje estou com 36) e foi uma história que nunca me esqueci.

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