São sete contos mornos que não “metem” medo e tampouco
causam aquele arrepio na espinha como nos momentos em que lemos histórias do
tipo “trucão pesado”. Podemos classificar Sete
Gritos de Terror de Édson Gabriel Garcia como uma leitura direcionada ao
público infanto-juvenil. São histórias com a mesma pegada de O homem do saco, A loira do banheiro e outras do tipo. Enfim, uma leitura de terror
bem leve. Recomendo para a galera que está aguardando a chegada de algum livro que
comprou e nesse espaço de tempo pretende ler alguma obra com poucas páginas. Sete Gritos de Terror e uma opção já que
tem apenas 103 páginas.
Os contos lembram muito aquelas histórias que ouvíamos
das pessoas mais velhas quando ainda éramos crianças e por isso, o livro tem
uma certa magia, mas repito, não esperem enredos de terror e personagens desenvolvidos.
Segure, também, a expectativa por grandes sustos.
Segundo o autor da obra que nasceu em Nova Granada, pequena
cidade do interior paulista, os contos foram recolhidos da boca do povo. Édson
Gabriel quando garoto, ouviu do povo pobre da região onde nasceu uma série de
histórias de medo e de sustos. As histórias foram recolhidas aos poucos e
guardadas. O autor explica que essas histórias voltaram muito tempo depois,
contadas e recontadas para os filhos, e escritas para serem publicadas.
Confiram um resumo das sete histórias do livro para
que vocês tenham uma noção do que ‘rolam’ nas páginas.
01
– A mais bela noite de Margarida
Uma típica história de fantasma. Um vendedor ambulante
faz parada na oficina de uma pequena cidade do interior após o seu velho Fusca
apresentar problemas mecânicos. Até que as peças cheguem, ele é obrigado a
esperar alguns dias numa pensão. Para “matar” o tempo, ele resolve participar
de um baile no salão de festas da cidade. É neste baile que ele conhece uma
moça chamada Margarida.
Ele fica encantado com a sua beleza e acaba se
apaixonando. No dia seguinte, o rapaz resolve visita-la, entonce... Bem, leiam o
conto antes que eu libere spoiller (rs).
02
– O casal de velhos
Manezinho caminhava sozinho no final da tarde por uma
estrada deserta. Quando viu o tempo escurecer com a aproximação de uma
tempestade, ele resolveu apressar o passo na esperança de encontrar um local onde
pudesse se abrigar. De repente, ele avista uma velha casinha na beira da
estrada e resolve pedir abrigo até que o tempo melhore. Ele é muito bem
recebido por um casal de velhos. Quando ele descobre quem, de fato, são as
pessoas que o receberam, Manezinho solta um dos sete gritos de terror do livro.
Um grito bem alto.
03
- O anel da falecida
Tonico Ramos era um jardineiro que trabalhava na casa
de uma rica e tradicional família. Ele era muito querido pelos proprietários do
imóvel: Gabriel e sua filha, Nica. Tão querido que Nica lhe prometeu todas as
suas joias – que eram muitas – quando ela morresse. As joias ficariam para
Tonico como gratidão pelo seu empenho e fidelidade no trabalho.
Quando Nica “morre”, Tonico decide tomar uma atitude deplorável
que trará sérias consequências provocando o terceiro grito de terror do livro.
04
– O jardim de inverno do Barão
E vamos para o quarto grito de terror. Um enigmático homem
de meia idade que tem o título de Barão se muda para uma pequena cidade e vai
morar num palacete que fica no alto do morro onde há um belo jardim. O homem
esconde um segredo que envolve uma trágica história de amor. Nesta cidade, ele
conhece um comerciante muito convencido e tagarela. A vida desses dois homens
esteve entrelaçada no passado e agora eles voltam a se encontrar. Quando o
segredo que ambos guardam for revelado, um dos dois terá de pagar bem caro.
05
– A aposta
Juca Bagaceira é conhecido em sua cidade como o “homem
sem medo”; aquele que não teme nada. E por ser considerada a pessoa mais
destemida do mundo – como ele próprio diz – vive desafiando os outros. Esta sua
falta de medo valeu até mesmo uma reportagem num grande jornal o que acabou
deixando Juca Bagaceira ainda mais convencido e metido. Então, certo dia
aparece em sua cidade, um homem que o desafia para uma posta. Evidentemente, o
Juca aceita, então... ‘as coisas mudam’ já que ele terá uma surpresa nada
agradável.
06
– Os dentes de Madalena
Um comerciante do interior chamado Edrualdo conhece
uma mulher feia e desgastada pela vida que vai até a sua loja comprar uma
escova de dentes. Quando ela olha para o homem e sorri mostrando os seus belos
dentes, ocorre uma mudança inesperada, algo mágico. Os seus dentes são tão
bonitos, mas tão bonitos que tem o poder de eclipsar a feiura da mulher. A
partir daí, Edrualdo fica obcecado por aqueles dentes e resolve tê-los de
qualquer maneira. Este acaba sendo o seu erro fatal que acaba rendendo o sexto
grito de terror.
07
– A última história
Uma autora de terror e suspense não consegue vender os
seus enredos para as revistas do gênero que sempre acabam recusando, demonstrando
pouco ou nenhum interesse. Quando o dinheiro vai acabando, Suzete fica desesperada,
até que ela recebe uma carta que muda o rumo de sua vida. A carta vem assinada
por uma pessoa que diz ser leitor e admirador de suas histórias na época em que
elas eram publicadas. Numa dessas cartas, o fã misterioso suge que Suzete
escreva uma história tendo por personagem principal um espantalho. Acaba lhe dando
algumas ideias e argumentos convencendo-a. A escritora concorda. Resultado: sua
história é aceita por uma editora e acaba se tornando um grande sucesso. Suzete
não imagina a enrascada que ela está se envolvendo.
Bem galera, tá aí um breve resumo dos contos.
Infelizmente, quando fechei o livro não consegui dar o oitavo grito de terror. Na
realidade, trata-se de um livro bem escrito, mas com historias simples e
direcionadas para os leitores infanto-juvenis.
Ah! Antes de finalizar esse post, não posso me
esquecer de destacar as ilustrações do quadrinista e ilustrador gaúcho, Henrique Antônio Kipper, ou simplesmente Kipper
– como é mais conhecido. Conhecido por ter publicado seus trabalhos em dois
grandes jornais do Brasil - Folha de S.Paulo e Diário Catarinense – foi também um
dos roteirista do retorno do antológico personagem Amigo da Onça em tiras de
jornal. As sduas ilustrações em Sete Gritos
de Terror são fantásticas.









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