sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dois diários arrepiantes de “Drácula de Bram Stoker”



Desculpem-me, mas vou iniciar o post com um assunto particular, um problema “meuzinho de pedra” e que certamente não tem nada a ver com a tchurma que acompanha esse espaço. Mas saiba que essa dificuldade que está me tirando do sério, além de prejudicar minhas atividades profissionais, não foi suficiente para me impedir de escrever sobre dois diários que me influenciaram prá caramba. E olha que não sou um sujeito assim, tão influenciável... efeitos da profissão que já me fez ver coisas nada agradáveis.
Mas vamos ao meu problema. Lá vai na lata: estou surdo!!! Help!!!!!!!!!!!! Socorro!!!!!!!!!! Mãeeeeeeeeeeeee!!
É verdade! Neste momento em que estou escrevendo não estou ouvindo ‘nadinha de nada’. Cara, meu ouvido direito ta anulado, apagado, morto; quanto ao esquerdo... bem,  tá meia boca. Acontece que quando se trata de ouvidos eu sou destro. O danado já vinha dando um estalos esquisitos e, então, ontem... Sprashhh! acordei ouvindo, inicialmente, por dentro da cabeça, depois pifou. Pode pará!!!! Cara, experimenta tampar os dois ouvidos e depois conversar com alguém... Aii, ai!! Viu só? É tenso demais! É dessa maneira que estou. Maldita otite, cerite, surdite e o escambau a quatro. Alguns de vocês podem estar se perguntando: - “Pô meo!, para de ficar se fazendo de vítima e vai ao médico!”. Pois é... já fui. O infeliz pupilo de Hipócrates ‘inventou’ de fazer uma lavagem no ouvido. Lá vai, resultado: a surdez piorou! Então, o “FDP” – melhor dizendo, o infeliz do médico – me disse no ouvido esquerdo: “- Espera um pouco filho, essa surdez parcial é normal, logo-logo seca e você  vai voltar a ouvir normalmente”. Estou esperando há um dia e nada... Na segunda-feira vou procurar um otorrino de verdade para ver esse probleminha, quer dizer, um problemão para mim.
Mas o que a minha surdez tem à ver com esse post? Bem... é que os diários escritos por Jonathan Harker e pelo capitão do navio Demeter me tiraram o sono quando acabei de ler Drácula de Bram Stoker. Isto há poucos meses atrás. As duas epístolas me influenciaram tanto que na semana passada decidi relê-las, não o livro inteiro, mas somente os dois diários. O documento escrito pelo capitão tem aproximadamente três páginas e o de Harker supera em muito isso; mas aqui, vale uma ressalva: li apenas o diário inicial de Harker, quando ele ficou prisioneiro do conde Drácula em seu castelo.
Taí pessoal! Entenderam? Será que se vocês estivessem surdinhos e dependessem da audição para o seu ganha pão, ainda teriam ânimo para escrever um post,  após uma ‘cagad...’ de um médico *&*%$#@&*?? Acredito que somente se fosse um assunto muito importante, não é mesmo? Pois é, apesar do revés que enfrento, não consegui resistir e resolvi dividir com a galera as minhas impressões sobre esses dois tenebrosos diários. Mesmo estando surdo...
Antes, outra observação... Não vou falar sobre todas as epístolas de  “Drácula de Bram Stoker” por dois motivos. O primeiro deles é que de todas as cartas contidas no livro, a de Harker e a do capitão do Demeter foram as que mais mexeram comigo. Segundo: não há a necessidade de comentar o livro por completo porque, como já disse anteriormente, quem quiser conhecer um pouco mais sobre o enredo de Drácula, basta ler o ótimo post publicado pela Joelma Alves em seu blog “CliqueNeurótico”. Aliás, vai um recado, aqui, para a Joelma: - “Vê se volta logo a comentar com freqüência alguns livros pô! Tá fazendo falta (rs)”.
Começando pelo diário de Jonathan Harker, referente ao período em que ele fica hospedado no castelo do conde Drácula, a ‘coisa’ é braba meu amigo. Brabíssima!! Quem curte o gênero terror vai adorar. Esta epístola que abre a obra de Stoker é narrada num clima de mistério, medo, ansiedade e sofreguidão.
Harker inicia o seu diário falando da viagem que faz de Munique – onde se encontra a negócios - até a Transilvânia com o objetivo de prestar orientação jurídica para um conde recluso que vive num castelo e que deseja se mudar para Londres.  O clima de mistério da epístola escrita pelo personagem já começa no momento em que ele chega a uma pousada na cidade de Bistritz, na Transilvânia. Ao anunciar que pretende ir ao castelo de Drácula, a dona da pousada tem uma crise nervosa e tenta de todas as maneiras impedir que o rapaz – o qual já se afeiçoara – parta ao encontro do conde. Ao perceber que não irá conseguir persuadi-lo da idéia, a mulher coloca, então, um pequeno rosário com um crucifixo em seu pescoço. Olha... a partir desse momento, já deduzi que Jonathan Harker iria passar por maus momentos.
O clima de mistério e tensão de seu diário vai crescendo conforme a narrativa magistral de Bram Stoker avança. Rapaz! E o momento em que o jovem advogado embarca na carruagem que o leva ao tenebroso castelo do vampiro?! Juro que me veio à memória uma cena iconográfica do filme “Drácula”, da Hammer, dirigido pelo Terence Fisher em 1958 e que tinha os ‘monstros sagrados’ Christopher Lee e Peter Cushing nos papéis principais: Drácula e Van Helsing, respectivamente. Estou me referindo a cena da travessia do desfiladeiro onde se encontra o castelo do conde. Desde a chegada da carruagem com o cocheiro do vampiro até o momento da travessia do desfiladeiro, propriamente dita, é uma tensão só. No filme, se não me falhe a memória, há um cocheiro mais parecido com Caronte, aquele barqueiro da mitologia grega, encarregado de realizar a travessia dos mortos no Rio Estige. Da mesma forma que não dava pra ver o rosto de Caronte que ficava envolvido numa capa que mais se parecia com uma mortalha, também não era possível ver o rosto do cocheiro do vampiro que era oculto por um chapéu, além da tal capa que ele deve ter emprestado do Caronte (rs). Êta ceninha da ‘muléstia’ que me meteu um medo danada nos anos 60!!
Creia que no livro de Bram Stoker, no trecho relacionado ao diário inicial de Harker, essa cena é mais amedrontadora ainda. Palavra que é! No livro, o terror já começa quando o advogado segue numa carruagem que faz uma espécie de baldeação por aquela região. Tipo um táxi de quatro ou mais patas. Nessa viagem, Harker é novamente alertado pelo cocheiro e também por outros viajantes para que evite visitar o castelo, mas o rapaz não dá a mínima para os avisos. A chegada da caleça do conde com quatro cavalos magníficos e um cocheiro sinistro - que na realidade é o próprio conde Drácula disfarçado - é de arrepiar os cabelinhos do corpo do leitor. Quanto à viagem noturna até o castelo é outro momento de pânico para Harker que vê coisas estranhas acontecerem durante o trajeto, o que lhe fazem pensar se não teria sido melhor ter dado ouvidos aos apelos para não fazer essa travessia.
O Diário de Jonathan vai crescendo em tensão e mistério a cada página, culminando com a sua chegada ao castelo onde é feito prisioneiro pelo conde.
Há momentos impactantes nesse trecho da epístola, como por exemplo, o instante em que Harker ao fazer a barba corta acidentalmente o rosto. Na hora em que o conde entra no quarto de seu hóspede (prisioneiro) e vê o sangue escorrendo do ferimento, o negócio engrossa. Outro trecho sinistro e arrepiante é aquele em que Jonathan é atacado por três vampiras que moram no castelo. Quer mais?? Ok, lá vai. O momento que Harker olha pela janela e vê o conde Drácula rastejando pelas paredes do castelo como se fosse uma cobra ou um enorme verme. O ataque dos lobos em uma mãe que teve o seu filho raptado para servir de alimento para as vampiras que habitam no castelo também é outra cena chocante do diário. Estas são apenas algumas passagens; há muitas outras recheadas de tensão, incluindo o momento em que Harker, já no fim de suas forças, consegue fugir do castelo.
Quanto ao Diário de Bordo do Capitão do Demeter também não fica para trás. Aliás, o que falar de um relato que mal alcança três páginas? Leiam e depois me contem. Combinado?
Para chegar até Londres, Drácula viajou no navio Demeter escondido em um dos inúmeros caixões que foram transportados para a embarcação. Aos poucos o vampiro vai eliminando todos os tripulantes, só restando o capitão que antes de morrer conta em seu diário os momentos de terror vividos no Demeter.
Ah! Sr quiserem prolongar esses momentos de terror leiam também o capítulo referente a epístola de uma notícia publicada pelo jornal Dailygraph que Mina – esposa de Jonathan Harker – fez questão de colar em seu diário. Este capítulo antecede a narrativa do capitão do Demeter e está diretamente ligada a chacina ocorrida na embarcação.
Arrrrrrrepiante....
É isso aí!

Um comentário:

  1. Médicos são um saco. Acho que nunca fui atendido por um realmente bom. Você até que é mais paciente (não foi um trocadilho)...

    Cara, aí está a crítica de Christine:

    http://regthorpe.blogspot.com.br/2012/09/christine-it-stephen-king.html

    Não é o melhor livro do cara - longe disso - mas, se não garante diversão absoluta, pode render...hmmm... distração resignada.

    Dá pra ler.

    Abraço.
    regthorpe.blogspot.com

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...