domingo, 19 de junho de 2011

A Senhora do Jogo

Foi duro terminar de ler o livro “A Senhora do Jogo”. Nunca pensei que um dia poderia escrever ou dizer algo assim de uma obra de Sidney Sheldon. O que me deixa um pouco mais aliviado é saber que este livro não foi escrito por Sheldon, mas sim por uma escritora – Pelo menos, ainda desconhecida – que com o apoio da viúva do autor e de uma de suas filhas recebeu sinal verde para criar a sequência do livro que para muitos é considerado a grande obra prima de Sheldon: “O Reverso da Medalha”.
Tilly Bagshawe. Esse é nome da felizarda que foi convidada pelas herdeiras de Sheldon a dar continuidade ao legado do grande escritor, um dos mais lidos em todo o mundo. E na minha opinião, a sua estréia nessa importante missão não foi feliz. Me perdoem aqueles que gostaram do livro, que o acharam genial; penso bem diferente. Sinto dizer, mas a continuação de “O Reverso da Medalha” foi um grande desastre.
“A Senhora do Jogo” conta a história dos herdeiros jovens de Kate Blackwell: os primos Max Webster e Lexi Templeton. O primeiro, filho da diabólica Eve Blackwell e a segunda, filha da meiga, doce e também ingênua Alexandra Blackwell, ambas netas da poderosa Kate, heroína de “O Reverso da Medalha”, criadora do império multinacional Krueger-Brent. Em resumo, a obra escrita por Bagshawe, conta o embate de Max e Lexi em assumir o controle da Krueger-Brent nem que para isso tenham de chegar as últimas conseqüências, até mesmo matar. O leitor vai encontrar ainda outros personagens coadjuvantes, como Robbie, o irmão de Lex, um pianista talentoso e revoltado que faz de sua vida uma verdadeira roleta russa; a maldosa Eve, a mãe dominadora de Max; o atormentado Dr. Peter Templeton, pai de Lexi, que ama a filha, atendendo todos os seus caprichos, mas menospreza o filho Robbie, praticamente ignorando-o; o enigmático Gabriel McGregor, descendente do avô de Kate, além de outros.
Você que ainda não leu o livro deve estar pensando neste momento: “poxa vida, com esses personagens e com o fio narrativo de “O Reverso da Medalha”, Tilly Bagshawe escreveu uma verdadeira saga dos descendentes de Kate Blackwell. Errado... Infelizmente, ela não acertou a mão.           
Vamos aos pontos negativos da obra. O excesso de sexo – e daqueles bem grosseiros - seria o primeiro deles. Vejam bem, não sou nenhum santo ou defensor da “liga dos celibatários da justiça”, mas confesso que fiquei incomodado com tanto sexo nas páginas de “A Senhora do Jogo”. Toda vez que um personagem era apresentado, pronto! Lá vinha o fulano ou ciclana indo para a cama com beltrano. Na hora de descrever detalhes sobre a personalidade de determinados personagens, novamente o “Sr. Sexo” entrava em ação. Algumas vezes tive a impressão de estar lendo aquelas revistinhas de sacanagem bem ralés.  Isso fica evidente no momento que a autora apresenta um Robbie em total conflito com a sua sexualidade. Tudo bem, que Tilly optou por transformar o irmão de Lexi em homossexual; acho que essa decisão deixou o personagem até mais interessante para o leitor, além de ganhar novos elementos para explorar a relação conflituosa e destrutiva entre Robbie e o seu pai ultra-conservador, Peter Templeton; mas não havia necessidade de abusar de algumas expressões vulgares.
Quando Lexi é humilhada por Max durante uma reunião de acionistas na sede da Krueger Brent, onde ele exibe um vídeo com cenas nada discretas da prima, novamente a autora descreve em detalhes as peripécias sexuais da personagem.  E que peripécias!
Para finalizar o assunto “exploração sexual em A Senhora do Jogo” vou contar quantas transas aconteceram ao longo da trama, cujos mínimos detalhes foram expostos minuciosamente pela autora. A primeira, onde Tilly Bagshawe  capricha é o encontro entre Robbie e Maureen uma moça que todos os rapazes cobiçam. Temos ainda o momento em que um casal descobre que Robbie – ainda na infância - está praticando alguns jogos sexuais pervertidos com o seu “filhinho” e por isso resolvem procurar o pai do garoto. Neste trecho do livro, os tais joguinhos nada salutares são expostos sem cerimônia. E por aí vai... Como já disse, cada vez que um personagem é apresentado, ele acaba tendo uma relação sexual com alguém. É assim também com Gabriel McGregor, Max e Lexi.
Outro ponto negativo da obra é a falta de carisma dos personagens centrais. Eu, pelo menos, achei que Lexi e Maxi ficaram devendo muito aos leitores. Sempre admirei Sidney Sheldon por ser especialista em criar personagens femininas determinadas e ao mesmo tempo sensuais. Ocorre que ele era mestre em saber explorar essa sexualidade em seus personagens sem ser  grosseiro. Mais um detalhe exclusivo dos personagens de Sheldon era a sua ambigüidade: ora bons, ora ruins; ora anjos, ora demônios. O escritor sabia fazer isso com maestria sem deixar que as suas heroínas ficassem rotuladas por uma dessas características, tornando-se assim, muito santinhas ou então, muito pervertidas. Um exemplo que cabe como uma luva nesse caso é a heroína de “O Reverso da Medalha”, Kate Blackwell. A ambigüidade de Kate faz com que o leitor, em algumas páginas, a ame de paixão, e em outras, a odeie com todas as forças. Imagino que é isso que faz com que determinado personagem se torne carismático.
Sinto dizer que Bagshawe não conseguiu imprimir essa “marca” em Lexi Templetom, a heroína de “A Senhora do Jogo”. Ela é tudo: egoísta, vingativa, interesseira, tem olhos somente para o poder e quando está apaixonada só pensa em ter o objeto de sua paixão, sem pensar na outra parte, diga-se, a mulher do outro. Nem mesmo a ingenuidade da personagem e o seu suposto altruísmo servem para amenizar tantos defeitos. Juro que em alguns momentos da história, cheguei a torcer por Max.
Spoiler! A forma como Eve descobre a fraude aplicada por Lexi para voltar ao comando da Krueger Brent também é muito inverossímil. Eve estava doente, esclerosada, completamente nas últimas e com a sua sanidade mental no limite. Portanto, não teria condições de descobrir o golpe de mestre aplicado por Lexi.
O final do romance também não me agradou. Achei sem tempero nenhum. A impressão que tive é que a autora apelou para o típico “final sem fim” que deixa brecha para uma possível continuação.
Tenho certeza que aqueles que estavam torcendo por Lexi, simplesmente detestaram o final da história.
E para não falarem que eu só encontrei defeitos no livro; achei que Tilly Bagshawe foi feliz na composição de Robbie. Ao invés de transformar o talentoso pianista numa figura comum, ela optou por torná-lo complexo ao máximo. Foi o personagem que mais gostei. Bem mais do que do que Eve, até, que também ficou devendo nesta continuação da saga dos Blackwell.
Que saudades de Sidney Sheldon...

13 comentários:

  1. A gêmeas era netas de Kate e não filhas, elas eram filhas de Tony, filho de Kate.

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  2. Valeu Danny! Tem razão. Já reportei o equívoco.
    Abcs!

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  3. É depois que li esse post fiquei curioso de ler a senhora do jogo mais opitei por comprar depois da escuridão de mesma autora que achei razoavel não me prendeu no inicio ao fim na minha opinião ela remoe muitos os personagens e i final foi muito obivio

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  4. Eu ainda não li todos os romances do Sidney Sheldon ainda, mas em todos tem algo sexual e sensual, só ele sabia escrever daquele jeito, sem parecer vulgar. Acho q ela quis imitá-lo, tentando deixar sua marca no livro mas perdeu a mão D:
    Que saudades de Sidney Sheldon... [2]
    Uma pena msm ñ estar mais aqui pra escrever mais obras primas. Uma tristeza.

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  5. Pôxa, fico feliz de ver alguém com a mesmíssima visão que tive. Acabo de ler o livro e estou vasculhando críticas aqui na internet.

    Assino embaixo de tudo que tú disseste!!
    Principalmente em relação às cenas de sexo. Como bom leitor de Sheldon que sou, meio que me acostumei com poucas cenas de sexo em cada livro DELE, descritas de forma bem menos vulgar do que Tilly fez. Ela perdeu a mão com tanto sexo, de modo que às vezes, de fato, tive a impressão de estar lendo alguma revista erótica ou coisa que o valha.

    Desagradável, definitivamente não indico para ninguém.

    "O Reverso da Medalha", pra mim, é a obra-prima de Sheldon, é genial. As suas herdeiras poderiam ter botado sua continuação nas mãos de alguém mais capaz...

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    1. Miguel,
      Sheldon era mestre em escrever cenas sensuais sem carregar no erotismo pesado; agora, realmente, Tilly Bagshawe abriu as comportas, colocando Harold Robbins no bolso! Em alguns momentos do romance, a personagem Lexi mais se parece uma "Deusa do Sexo" capaz de liberar toda a sua libido, até as suas extravagâncias.
      Abcs!

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  6. Eu detestei essa continuação!
    Acho que essa autora, Tilly, conseguiu destruir uma das melhores obras de S.S... E Lexi, pervertida daquele jeito aos 15 anos? Sem contar a violência que ela sofreu na infância, muito desnecessário... E o pai dela, um psicológo incrível no 1º livro se tornando um NADA, preconceituoso com as fragilidades humanas (what?).. Max então, nem me fale, desastroso como filho com um pai tão carinhoso e presente...

    É isso mesmo que o autor do texto disse... Com a Kate, era uma relação de amor e ódio. Esses novos personagens, relação nenhuma.

    Eu não consegui ver uma qualidade sequer nessa continuação.

    Prefiro ficar com o "meu final", que é o do Reverso da Medalha, fim.

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  7. Acabo de ler a Senhora do Jogo, e realmente deixou muito a desejar, em algumas passagens "lembra" o Sidney Sheldon, mas, sinceramente!!! O final, horriveeeeel, como já li livros que em que o próprio autor escreveu a continuação(Lembranças da Meia Noite) que a aliás na minha humilde opinião acabou por estragar o primeiro, mesmo estando sobre a patura do Sheldon. Tenho absoluta certeza que jamais terminaria do jeito que a autora finalizou sem finalizar deixando margem a mais continuações, sem chance, já que o proprio Sheldon era que meio contra ficar continuando livros.

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    1. Olá Marta,
      Com relação a "Lembranças da Meia Noite", Sheldon quis dar sequencia a história de Catherine Alexander, uma personagem tão cativante quanto Noele Page. Sinceramente, eu gostei de "Lembranças", talvez porque acabei me tornando fã de Catherine. Lembro que devorei o livro em menos de três dias. Quanto ao final de "A Senhora do Jogo", vc tem toda razão. A autora deixou janela para uma continuação. Deus me livre disso!!! (rs).
      Obrigado pela visita e um grde abraço!!

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  8. Sou muito fã do Sidney Sheldon, mas este deixou a desejar.
    Sei que a obra foi continuada por outra escritora, mas da metade do livro em diante, ficou péssimo.
    Ficou sem sentido o sequestro dela. Se fosse para justificar sua surdez, com que a Lexi teve que lidar parte de sua vida, ok, mas porque o seqüestrador tinha que ser o Roni (ex-Eve)? Mundo pequeno? Foi Eve quem contratou mas não ficou esclarecido?
    E depois de 10 anos de busca, ser morto tão facilmente na prisão? Do jeito que a Lexi era vingativa, a autora poderia ter sido mais criativa, deixar o cara preso e ser morto no quarto do hotel assim que fosse solto, sei lá.
    A Eve ter escrito a tal carta foi absurdo, a mulher estava debilitada, louca e demente. Impossível.
    Outra coisa que não gostei, foram as comparações dos personagens com Brad Pitt, Johnny Depp, ridículo!
    Li o livro traduzido para o português, mas em um momento até a Gisele foi citada. Certeza que o autor compararia as personagens à Audrey Hepburn, Sophia Loren, Catherine Deneuve.
    O final foi absurdo, a estratégica e complicada fuga, organizada entre a leitura da carta ( dia do casamento) com a chegada dos policiais. Poderia ter tido umas horas a mais para tal plano mirabolante. Forçado.

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    1. Não concordo com as críticas em relação as comparações com celebridades do momento porque a continuação se trata da vida de personagens que nasceram nos anos 80 e que cresceram em uma época mais atual. Quanto ao restante, eu concordo em tudo.

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  9. Quem fundou o império Krueger-Brent foi o pai de Kate, o Jamie.

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