Os
Humanos de Matt Haig foi meu companheiro de quarto durante o
meu processo de recuperação após a temida cirurgia de hemorroidectomia. Aquele
extraterrestre odiável no início, complicado e indeciso no meio trama, mas
adorável no final; esteve ao meu lado durante o meu pós operatório – doido e
sofrido – no hospital e depois em minha casa.
Confesso que não foi o melhor livro que já li, mas não
há como negar que o seu enredo prende
muito a atenção, principalmente pelo carisma do personagem principal: um ET que
vem ao planeta Terra para dizimar toda a sua população, mas conforme vai
vivendo em nosso meio e conhecendo os hábitos da população, a criatura vai
mudando de opinião colocando em risco a sua missão.
Enquanto lia Os
Humanos, me coloquei, muitas vezes, no lugar daquele ET. Imaginei estar de
passagem em um outro planeta completamente diferente do meu com muitos hábitos
estranhos, alguns até mesmo reprováveis. Mas então, durante a minha convivência
com os moradores desse planeta desconhecido e distante vou compreendendo que os
seus hábitos estranhos não tem absolutamente nada de reprováveis, pelo
contrário, alguns deles são até... amáveis.
É esta percepção que o personagem principal do livro
de Haig sente ao chegar em nosso planeta e começar a conviver com todos nós
terráqueos.
Ele se sente enojado pela aparência dos humanos, pelo
que eles comem e por sua capacidade de matar e guerrear. Mas, à medida que o
tempo passa, ele começa a perceber que pode haver mais coisas nessa espécie do
que havia pensado. Disfarçado de um ser humano, ele cria laços com a família de
um homem e começa a ver esperança e beleza na imperfeição humana, o que o faz
questionar a missão.
O extraterrestre vai perceber que existem as pessoas
más, mas também existem as pessoas boas de coração. Ele vai mais a fundo e
descobre o significado de gestos e atitudes como o perdão, o arrependimento, a
reação diante de uma perda e assim por diante. A cada descoberta sua, os
leitores vão se apaixonando por esse ET.
Por essa abordagem do autor, Os Humanos é um livro bem profundo, até mesmo filosófico em algumas
partes, mas muito gostoso de se ler. Como já foi dito, não foi o melhor livro
que li, mas certamente, foi um dos melhores.
No enredo de Os
Humanos, o professor Andrew Martin, um brilhante matemático da Universidade
de Cambridge, faz uma descoberta que pode mudar para sempre o destino da
humanidade. Algo que, para uma espécie tão primitiva e cheia de falhas como a
nossa, é perigoso demais. Por isso, uma raça alienígena “pacífica” de um planeta
distante, envia um emissário para a Terra.
Quando um visitante extraterrestre, frio e puramente
lógico, assume a identidade do professor, sua missão é clara: destruir as
evidências da descoberta e garantir que a Terra permaneça no seu patamar de insignificância
cósmica. Mas aos poucos, o emissário, isento de emoções, é modificado pela
própria humanidade que veio aniquilar.
Taí um breve resumo do enredo da obra. Enfim galera,
recomendo a leitura de “meu companheiro de quarto”. Acredito que vocês irão gostar
muito.
Ah! É importante lembrar que Os Humanos foi publicado originalmente em 2013, mas só chegou ao
mercado literário brasileiro em 2017 através da editora Jangada. Agora, aproveitando
o embalo dessa onda “pró Matt Haig” que está varrendo a Net graças ao sucesso
de A Biblioteca da Meia-Noite
e a expectativa em torno do lançamento de O Trem da Meia-Noite; a editora Bertrand
Brasil decidiu relançar Os Humanos com
um novo projeto gráfico.



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