terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Maldição do Cigano



Acabei de ler “A Maldição do Cigano” ou “A Maldição”, tanto faz. O recheio é o mesmo, só muda a embalagem, ou seja, a capa. O primeiro, trata-se do título original, lançado pela Francisco Alves em 1989 e o segundo é a reedição da Suma de Letras que entrou ‘bombando’ no mercado literário em 2012 e permanece vendendo horrores até hoje.
Olha, confesso que não é o melhor de Stephen King; lendo a obra percebemos que o mestre do terror não estava tão inspirado no dia em que decidiu escrever a história de um cigano que lança uma maldição medonha num advogado que atropelou a sua filha. Mas venhamos e convenhamos, mesmo um King menos inspirado consegue dar de 10 a 0 em muitos autores, principalmente nessa legião de novatos que são tão injustamente endeusados pela crítica teen.
Achei que o livro se perde em muitas descrições desnecessárias, além de dar  uma importância exagerada ao drama familiar vivido pelo advogado Bill Halleck, mas acontece que King é gênio. Por isso, apesar do excesso de ‘lenga-lenga’, não há como negar que o enredo idealizado pelo autor é agonizante, criando no leitor uma sensação esquisita, sei lá... uma mistura de pânico, medo, insegurança, ansiedade. É difícil explicar; só sei que a cada página virada essa sensação vai crescendo. Talvez, o responsável por essa miscelânea de sentimentos ruins seja o cigano feiticeiro Taduz Lemke com o seu nariz carcomido que lança a maldição sobre Halleck. Mêo, o sujeito, de fato,  provoca arrepios. Juro que após ter lido o livro não quero jamais me encontrar com nenhum cigano pela frente e se, por acaso, topar com um velhinho com brincos na orelha, argola no nariz e alguns pivôs dourados na boca, com certeza mijarei nas calças. E se esse mesmo velhinho tiver uma ferida no nariz, então:  ai! ai! ai! ai! acabo fazendo coisa pior nos fundilhos!
King conseguiu criar um personagem enigmático, forte, cruel, vingativo e que não conhece o medo. O velhinho mandingueiro inspira poder e... principalmente, medo.
A grande sacada de King – e é aí que entra o dedo do mestre – foi ter criado outro vilão tão cruel quanto Lemke que o enfrentasse sem medo, mas utilizando armas bem diferentes daquelas empregadas pelo feiticeiro patriarca. E, com certeza, armas tão letais quanto uma maldição. Quer saber quais são essas armas? Ok, eu digo: o mau caráter, a falta de escrúpulos, a maldade e a arrogância que o torna auto-confiante ao extremo, chegando ao ponto de pensar que nada poderá atingi-lo. Este personagem se chama Richard Ginelle, um gangster, amigo de Halleck á quem o pobre advogado recorre para tentar convencer Lemke à retirar a maldição.
Cara, King criou um gangster tão incomum que apesar de toda a sua crueldade, o leitor acaba se simpatizando com o homem. Admirei o calhorda e tornei-me seu fã porque enquanto borrava as minhas calças toda vez que Lemke aparecia no enredo, Ginelle encarava o velho patriarca cigano  com altivez e sem uma gota de medo. Acontece que Lemke também era casca grossa e não recuava até que... putz! Quase solto spoiler. “Parandoooo” (rs).
Bem, o destino final de Ginelle e Halleck também são inesperados, deixando o leitor boquiaberto e com aquela sensação ruim. Taí, mais um ponto para King.
“A Maldição” conta a história de Bill Halleck, um bem sucedido advogado que vive feliz ao lado da esposa Heidi e da filha adolescente, desfrutando os prazeres de uma vida sem grandes preocupações. Até o dia em que uma velha cigana se pôs em seu caminho. Ele não consegue pisar no freio de seu carro a tempo e com isso, as rodas acabam esmagando a senhora. A partir daí, a sua vida começa a ser destruída.
Não foi a implacável justiça americana que pôs fim a seus dias felizes. Na verdade, o júri foi muito compreensivo com o bom amigo, e ele não precisou pagar com sua liberdade pela vida da cigana. Mas, na saída do tribunal, Halleck dá de cara com um velho cigano com parte do rosto carcomido e de olhos profundos. O advogado ouve dos lábios do cigano uma única frase: “Mais magro”. Pronto! Tá lançada a terrível maldição!
A partir desse dia, Halleck mergulha num pesadelo. Seus 111 quilos começam a diminuir vertiginosamente. De acordo com os médicos, não há nada em seu organismo que possa justificar a súbita perda. A infeliz vítima está desaparecendo e, se não conseguir deter o processo, em pouco tempo não será mais do que um feixe de ossos.
Começa assim uma busca implacável em que Halleck reúne o pouco que lhe resta de forças e sai à caça de Taduz Lemke. Ele sabe que somente o velho será capaz de mudar o seu destino – encontrá-lo é uma questão de vida ou morte.
Abandonado pela esposa e pelos amigos que duvidam de sua sanidade, passa a contar apenas com suas poucas forças e com a ajuda de Richard Ginelle, um gangster perigoso, mas amigo fiel, que se dispõe a tudo para salvá-lo.
Como já disse escrevi no início do post, “A Maldição” é um livro agonizante e perturbador, mesmo King não estando no melhor de seus dias quando o escreveu, mas mesmo assim, vale a leitura... vale mesmo!

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