segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Novembro de 63



Dei um tempo no trabalho de pesquisa do próximo post sobre os atores e atrizes que poderiam viver nas telas os personagens da trilogia arturiana escrita por Bernard Cornwell para dar as minhas impressões sobre um livro que acabei de ler  há uns três ou quatro dias: “Novembro de 63”, do mestre do terror e suspense Stephen King. Cornwell que me desculpe, mas terá de esperar um pouquinho mais, afinal de contas estou me referindo a King: o cara, a lenda, o mestre. E quer queiram ou não, todo livro recém lançado por ele – mesmo que não seja tão bom – torna-se o assunto principal em todo o mundo literário. E, para não fugir de regra, com a obra que tem como ‘mola mestra’ o assassinato do emblemático presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy (JFK) não foi diferente. E olha que o livro não chega nem aos pés de “Sob a Redoma”, mas nem por isso deixa de ser interessante.
Cara, “Sob a Redoma” é o tipo do ‘livro-cometa’ que por ser tão, mas tão bom, só surge a cada 10 ou 20 anos. Outro livro de King que se encaixa nessa categoria é “A Coisa”. O sujeito já escreveu histórias fantásticas, fodásticas, mágicas e etc; mas lendárias, somente essas duas.
Em “Novembro de 63”, King deixou evidente mais uma vez porque é chamado de mestre. Somente ele consegue ‘produzir’ medo - não aquele medinha rébinhaa, mas o ‘medo trucão’ que provoca calafrios na base da espinha – de uma situação e lugares comuns. E mais: sem recorrer as trevas da noite. King, em suas histórias, tem a capacidade de transformar uma uma linda manhã ou tarde de sol no mais terrível dos pesadelos como acontece em uma passagem de “Sob a Redoma” quando uma dupla de policiais entra numa emissora de rádio que só produz programas gravados à procura de um suspeito meia boca. Pois é, uma cena que se tornaria banal nas mãos de outro escritor do gênero, com King ganha densidade, fazendo com que o leitor fique incomodado com a situação criada. Em “Novembro de 63”, o mestre se superou porque ele conseguiu produzir medo do abstrato, ou seja, do tempo. Tá bom, para ser mais específico, ele conseguiu transformar o ‘Passado” num monstro medonho. Juro que imaginei essa passagem do tempo com uma bocarra enorme, dentes afiados e várias pernas; uma réplica gigante de um ‘Langoliers’ – aqueles monstrinhos da mini-série “Fenda no Tempo”, baseado em uma história de King, que comem tudo o que encontram pela frente, inclusive o próprio tempo – mas muito mais assustador.
O próprio Jake Epping, personagem principal do livro, que faz a viagem no tempo para tentar salvar JFK de ser assassinado por Lee Harvey Oswald, afirma em vários momentos da história que “o passado é obstinado e faz de tudo para não ser mudado”. Num trecho do livro, Jake diz para a sua namorada: “Você não pode ir comigo. É perigoso demais. Acho que lhe expliquei isso, mas talvez não tenha sido bastante claro. Quando a gente tenta mudar o passado, ele morde. Rasgará a nossa garganta se a gente lhe der uma chance”. Sentiu só man?! Depois que Jake faz esse alerta para Sadie, a sua namorada do passado, que insiste em acompanhá-lo na maratona de salvar Kennedy, a coisa pega e olha que pega, literalmente. O “Passado” mostra as suas garras e dentes afiados e entra no ringue aplicando os mais diversos golpes, principalmente baixos, para evitar ser mudado.
Essa obstinação do passado em não ser mudado foi o que mais me prendeu a atenção em “Novembro de 63” que também tem outros atrativos, entre os quais o “Homem do Cartão Amarelo” e a doce e meiga, mas teimosa Sadie. Putz, meu! Me desculpe aí Jake Epping, mas me apaixonei por essa garota. Cara, ela é muito especial, o sonho de todos os homens. Foram os momentos de Sadie na história que me fizeram rir, gargalhar, sonhar, refletir e principalmente chorar. Mêu, teve um momento que os meus olhos ficaram úmidos. Lágrimas e lágrimas. Ao terminar a leitura fiquei pasmado com isso: King me fez chorar de emoção!!!! Cara,  prestou atenção no que escrevi?! Ok. Vou repetir para que não haja engano: “King me fez chorar de emoção”. Caraca, afinal de contas, o cara é o mestre do terror e suspense e não o mestre dos romances melosos! Taí, um ponto a mais para o autor que está sempre surpreendendo em suas histórias.
Ahhhh  Sadie, Sadie... Minha adorável Sadie... Bem, leia o livro e depois me diga se também não se apaixonou por essa personagem; quer seja você do sexo masculino ou feminino.
Quanto ao “Homem do Cartão Amarelo” que exerce a função de um porteiro da bolha do tempo por onde passou Epping, tem o seu enigma decifrado só nas últimas páginas. As poucas vezes em que eles participam (Eles, sim, já que são dois os homens do cartão amarelo) já servem para despertar a curiosidade dos leitores. Eles tem um papel preponderante na história de King e como já disse só será revelado no final.
Não poderia deixar de destacar o minucioso trabalho de pesquisa do mestre quanto aos personagens históricos que fazem parte do enredo, principalmente Lee Oswald. Os leitores ficarão sabendo detalhes importantes sobre a vida do homem que na história real matou o presidente americano JFK. Aprenderão também uma importante lição: “Se você voltar no tempo e consertar o passado, tome cuidado para não destruir o futuro”.
Ah! Antes que me esqueça. Amei o final do livro. King teve uma sacada de gênio, novamente surpreendeu a todos.
Taí galera, mesmo não estando no mesmo nível de “A Coisa” e “Sob a Redoma”; “Novembro de 63” cumpriu bem o seu papel.
Inté!

2 comentários:

  1. Nossa! Estou ansioso para ler esse livro. Seu post foi foda cara. Vlw.

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    1. LI-VRA-ÇO. É assim que defino "Novembro de 63". Randerson, compre logo e comece a devorá-lo. Com certeza, não irá se arrepender.

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