quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A verdadeira história de D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis; os mosqueteiros que existiram na vida real

Novamente estou aqui para sacramentar a minha ignorância com relação aos fundamentos históricos das obras de Alexandre Dumas. Confesso que após a leitura de “Os Três Mosqueteiros” e “Vinte Anos Depois”, não passava pela minha cabeça que D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis eram personagens reais e não fictícios. Sabia que uma das características peculiares de Dumas era mesclar personagens históricos e fictícios em seus romances, assim como fez com o Cardeal de Richelieu, Luís XIII de França e a Rainha Ana D’Austria, que realmente existiram em sua época. Quanto à D’Artagnan e seus amigos mosqueteiros... bem, nunca iria saber que, um dia, foram de carne e osso, se não tivesse pesquisado alguma coisa.
Os personagens de Dumas em “Os Três Mosqueteiros” e “Vinte Anos Depois” me cativaram tanto que me estimularam a sair por aí à procura de detalhes sobre as suas vidas.
Um dia desses, estava numa cidade próxima a minha fazendo uma reportagem quando, coincidentemente, encontrei um professor dos tempos de universidade. “Seo” Luiz, além de um educador fantástico é um grande pesquisador de História Universal com uma quedinha pela França; e para completar, grande apreciador das obras de Dumas. “Rainha Margot”é a sua preferida. Conversa vai, conversa vem, resolvi matar a minha curiosidade sobre a existência ou não dos quatro conhecidos personagens da trilogia “Os Três Mosqueteiros”, mesmo temendo que o meu ex-professor achasse a minha pergunta por deveras tola e infantil. Hoje, posso dizer: “Abençoada foi a minha falta de vergonha naquele momento”, pois recebi preciosas informações, além de várias dicas de fontes de pesquisa. Pronto! A minha curiosidade estava satisfeita: D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis, de fato existiram.
Aqui vai um adendo na minha ignorância “Dumista”, antes de encontrar-se com o meu ex-professor já sabia que os mosqueteiros existiram um dia e que era uma tropa de elite, altamente treinada, para proteger o Rei Luís XIII. E só. Não tinha conhecimento que eles eram exímios esgrimistas. Para mim, a especialidade da guarda do rei da França era o uso do mosquete (antiga arma de fogo), o que lhes teria originado o nome de “Mosqueteiros”.
Mas segundo o meu ex-professor, esses soldados que surgiram no século XVII, além de mosqueteiros eram habilidosos espadachins e especialistas em táticas de combate daquela época. Para ser aceito neste grupo de elite, os candidatos tinham de jurar fidelidade ao rei e, se for o caso, morrer por ele. Reza a lenda que entre esses soldados estavam os melhores espadachins de toda a França, verdadeiros gênios da arte da esgrima; entre eles o nosso D ‘Artagnan, quero dizer “o verdadeiro”. Mas, vamos à sua história.
D'Artagnan
Charles de Batz-Castelmore, também conhecido por Conde D’Artagnan foi o capitão dos mosqueteiros do Rei Luís XIV. Ele nasceu em 1611 e morreu em 25 de junho de 1673 em batalha, após muitos anos à serviço do Rei da França.
O início da vida de soldado do verdadeiro D’Artagnan não difere muito do personagem no qual foi inspirado. Charles de Batz-Castelmore decidiu ingressar na Companhia dos Mosqueteiros do Rei quando tinha 19 anos de idade.
Antes de sair de sua cidade natal Castelmore, ele tomou uma decisão ousada, deixando evidente que nada e ninguém iria conseguir separá-lo do seu sonho de se tornar um mosqueteiro. Ele decidiu abandonar o sobrenome de seu pai e tomar emprestado o nome da mãe, Françoise de Montesquiou d’Artagnan. Charles de Baltz fez isso porque a Família Montesquiou era mais prestigiada na Corte francesa que a de seu pai. Portanto, ele não pensou duas vezes: “entre  papai e mamãe, para realizar o meu sonho fico com mamãe”, deve ter pensado ele.
E segundo os historiadores, tudo indica que essa decisão do jovem D’Artagnan deu certo, pois ao tomar conhecimento que o rapaz pertencia a uma nobre família, imediatamente foi recrutado na Companhia dos Mosqueteiros do Rei. Charlez de Baltz ou Conde D’Artagnan, como passou a ser conhecido, graças as suas proezas – foi um ótimo esgrimista.
Mesmo com a dissolução dos mosqueteiros em 1646, Luís XIV, que conhecera  D’Artagnan quando o rei ainda era uma criança, passou a utilizar o conde em missões militares importantes, provando assim, a grande confiança que tinha em seu soldado.
O verdadeiro D’Artganan se casou em 1659, aos 48 anos de idade e teve duas filhos em 1660 e 1661. Ele se parou da esposa após seis anos de união.
O mosqueteiro morreu em 1673, quando tinha 62 anos, enquanto lutava ao lado do Rei Luís XIV no conflito entre a França e as Provincias Unidas (Holanda) que ficou conhecido como “Guerra da Holanda”.
Em 1700, ou seja, 27 anos após a morte de Charlez de Baltz  (Conde D’Artagnan), o escritor Gatien de Courtilz de Sandras escreveria o livro “Memórias”, onde descreveu os feitos do herói da Gasconha.
Mais de 140 anos depois, Alexandre Dumas descobriria esse livro na casa de um amigo e o pediria emprestado. O escritor francês se apaixonou tanto pela história do Conde D’Artagnan que nunca mais devolveu o livro para o amigo e o transformou em sua obra de cabeceira. Dumas resolveria, então, escrever “Os Três Mosqueteiros” baseado nestas memórias. Enredo que daria assunto para mais duas obras: “Vinte Anos Depois” e  “O Visconde Bragelonne”.
Quanto a Athos, Porthos e Aramis, apesar dos estudiosos e pesquisadores terem descoberto muito pouco sobre as suas vidas, eles garantem que os três mosqueteiros também existiram.
Com relação a Athos ou se preferirem Armand de Sillègue d'Athos d'Autevielle, ao contrário do romance de Dumas, onde foi considerado o mosqueteiro mais velho; na vida real ele foi quatro anos mais novo do que D’Artagnan, tendo nascido em 1615. Athos teve uma vida breve e sem grande interesse, tendo morrido aos 28 anos. Ao contrário de D’Artagnan, Athos não obteve grandes conquistas e segundo historiadores franceses teve apenas uma passagem discreta no regimento dos mosqueteiros sob o comando do Conde de Tréville. De acordo com atestado de óbito da Igreja de São Sulpício, na França, o mosqueteiro morreu durante um duelo. Uma das teses que confirmou esse fato foi a de que o seu corpo foi encontrado num campo conhecido pelos duelistas daquela época, onde eles resolviam suas diferenças. Este fato prova que Athos não era um espadachim tão bom como o seu personagem do romance de Dumas. Mas Dumas, preferiu mudar tudo em sua criação que foi inspirada no mosqueteiro Armand de Sillègue d'Athos. De um mosqueteiro desinteressante e sem vivacidade, o escritor frances transformnou-o no mais importante dos quatro heróis da trilogia “Os Três Mosqueteiros”.
Na literatura, Athos pode ser considerado o mais inteligente e centrado dos mosqueteiros, além de um esgrimista perfeito e letal. Dumas ainda o transformou no Conde La Fére, um nobre de antepassados gloriosos. O Athos de “Os Três Mosqueteiros” é o mais velho do grupo com 30 anos no início da trilogia e só vem a morrer tempos depois, com mais de 60 anos de idade. Resumindo, Dumas aproveitou quase nada do verdadeiro Athos na elaboração de seu personagem.
Porthos, considerado o mosqueteiro mais forte dos quatro, um verdadeiro maciste capaz de fazer verdadeiros estragos no inimigo, quer esteja usando uma espada ou as mãos, foi inspirado no soldado francês Isaac de Portau. Ele entrou para a guarda francesa em 1640 e segundo os historiadores, Porthos e D’Artagnan prestaram o serviço juntos. Porthos passou a integrar o corpo dos mosqueteiros do rei em 1643, no mesmo ano da morte de Athos, o que prova que os dois não chegaram a servir juntos na guarda de elite do Rei da França.
O pai de Isaac de Portau era secretário do rei, o que fazia dele um personagem importante na França do século XVII. O pai do mosqueteiro ganhava muito dinheiro e por isso era proprietário de vários feudos, conseguindo, assim, tornar-se um nobre. Acredita-se que um dos motivos de Porthos ter sido aceito na famosa Guarda Francesa de M. De Tréville foi o grande prestígio de seu pai. Não há informações se Isaac de Portau foi um bom esgrimista como o seu personagem dos livros.
E finalmente, Aramis. Outro personagem real que na minha “ignorância Dumista” não passava de uma criação da mente imaginativa de Alexandre Dumas.
Henri d’Aramitz, o famoso e conquistador mosqueteiro do rei, era um abade laico de uma família protestante de Béarn, na Gasconha e  que por ser sobrinho, por afinidade, de M. de Tréville, comandante da Companhia dos Mosqueteiros, não encontrou nenhuma dificuldade para ingressar na guarda de elite do Rei da França.
Henri d’Aramitz esteve na Companhia dos Mosqueteiros no mesmo período que Porthos, mas não que D’Artagnan, que nesta época estava acabando de chegar à París.
O pai de Aramitz se chamava Carlos d’Aramitz e no começo do século XVII foi marechal dos alojamentos da Companhia dos Mosqueteiros; outro fator que favoreceu a entrada de seu filho no grupo. Por sua vez, o avô do mosqueteiro, Pierre d’Aramitz desempenhou um importante papel nas guerras religiosas da França.
O Aramis “original” se casou e teve dois filhos e duas filhas. Não há nenhuma informação sobre as datas de seu nascimento e morte.
Quanto ao personagem criado por Dumas, a única semelhança com o Aramis verdadeiro é a sua vocação eclesiástica. No romance “Os Três Mosqueteiros”, Aramis é um jovem elegante, delicado e cavalheiro e que apesar de não ter nenhuma vocação para mosqueteiro, é um excelente espadachim. Aliás, tão bom quanto Athos, que teoricamente, era considerado o melhor espadachim entre os quatro amigos.
Tai! A partir de agora quando vocês lerem ou relerem a trilogia de “Os Três Mosqueteiros”, saibam que Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, de fato, existiram.

18 comentários:

  1. Nossa! Nunca imagimei que eles tivessem existido de verdade!!! Que baita homenagem póstuma, hein!!

    ^^

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  2. Pois é Joelma, existiram sim!E a homenagem com todas as honrarias foi feita por Dumas, principalmente no caso de Athos, que na vida real, segundo alguns historiadores, foi um mosqueteiro sem grande valor tendo sido abatido num duelo. Dumas, por sua vez, o transformou no grande lider dos quatro amigos, além de dar à ele uma perícia inigualável no manuseio da espada.
    Abcs!!

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  3. Maravilhoso, fiquei encantada...com certeza a partir de agora vou querer reler a trilogia, que acho que li á uns vinte anos atrás, muito obrigado por essa riqueza de detalhes...abs!

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  4. Sou apaixonada pelos Mosqueteiros e saber que de fato existiram, me deixa encantada ainda mais pela história, mesmo que não tenha sido 100% verdadeira...

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  5. eis uma série que dá gosto de ver , pra quem é apaixonada pelos mosqueteiros assim como euhttp://www.filmesonlinegratis.net/assistir-the-musketeers-todas-as-temporadas-dublado-legendado-online.html

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  6. http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-the-musketeers-todas-as-temporadas-dublado-legendado-online.html ESSA SÉRIE É MUITO DIVERTIDA THE MUSKETEERS

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  7. Uuuuaaaauuuu eu nunca iria saber disso tudo, amo muito os tres mosqueteiros! O primeiro filme que eu vi em casa com o dvd que tinhamos acabados de comprar foi uma fabula de Os Tres Mosqueteiros, Lord Dog um cão à Serviço do Rei e depois quando cresci aos 11 anos me apaixonei por leitura por causa do livro do Alexandre Dumas que ę simplesmente INCEIVEL.
    Estou emocionada com tudo isso 😊😊😊😊😊😆😀

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  8. Uuuuaaaauuuu eu nunca iria saber disso tudo, amo muito os tres mosqueteiros! O primeiro filme que eu vi em casa com o dvd que tinhamos acabados de comprar foi uma fabula de Os Tres Mosqueteiros, Lord Dog um cão à Serviço do Rei e depois quando cresci aos 11 anos me apaixonei por leitura por causa do livro do Alexandre Dumas que ę simplesmente INCEIVEL.
    Estou emocionada com tudo isso 😊😊😊😊😊😆😀

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  9. Sinceramente, não vejo muito sentido em buscar a "realidade" dos personagens fictícios. A grandeza do escritor e do poeta está em justamente transformar coisas simples em coisas fantásticas, elementos ordinários em fatos extraordinários, miudezas em grandezas, etc. Quanto leio o romance, estou procurando justamente os heróis, vilões, saga, drama, trama, etc. Não importa muito qual foi a inspiração do poeta, mas sua expiração (seu "colocar pra fora", mostrar). Mesmo assim, gostei do post e não gostaria de desmerecer o trabalho daqueles que buscam alguma verdade histórica para justificar a letra. A literatura não carece de correspondências exatas com a realidade. Dumas talvez quisesse nos mostrar que o homem pode ser muito mais do que as vezes ele é... pode ser nobre, habilidoso, inteligente, fiel, valoroso, etc. Neste sentido, o Athos do romance é muito mais didádico e ilustrativo que o Athos dos "pesquisadores". Valeu...

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  10. Parabéns pela pesquisa e pelas informações passadas, estou montando uma peça sobre os Três Mosqueteiros e essas informações serão de grande valia!!!

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  11. Obrigado pela ajuda no meu trabalho sobre o livro!

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  12. Parabéns pelo texto incrível!
    Muito rico de informações!

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  13. legal!!!
    Bom saber a história por detrás da história!!!

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  14. Ninguém escreve romance de capa e espada como Dumas!

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