domingo, 19 de junho de 2011

A Volta do Poderoso Chefão

“O Poderoso Chefão”, de Mário Puzo, foi um livro que marcou a minha geração, por isso ocupa um lugar de destaque em minha humilde biblioteca. Perdi as vezes que li e reli esta obra monumental do autor americano que também ajudou a escrever o roteiro dos três filmes que foram adaptados de sua obra para o cinema. Por isso, quando soube que a saga da família Corleone teria uma continuação, passei a aguardar com muita expectativa o lançamento do livro.
A primeira coisa que fazia ao conectar o meu computador na internet era vasculhar no nosso bom e velho amigo “Google” detalhes sobre esse lançamento. Fiquei sabendo, por exemplo, que o editor de Mário Puzo após o estrondoso sucesso de “O Poderoso Chefão”, vinha tentando convencer o autor a escrever uma continuação da história, amarrando alguns fios que haviam ficados soltos no que se relaciona há determinados personagens. Puzo se manteve firme e incorruptível. Digo incorruptível porque – reza a lenda – que o dinheiro oferecido à ele para que escrevesse a sequência dos Corleone foi algo exageradamente exagerado já naquela época. Para mim, Puzo foi muito inteligente, pois tomou a decisão correta. O livro “O Poderoso Chefão” já havia se transformado numa obra antológica, sem precedentes, dando origem a três filmes extraordinários. Tanto no cinema como nas páginas, a criação de Puzo conquistou uma montanha de prêmios. Por isso, ele deve ter pensado, porque mexer em algo que é bom... que já provou o seu valor? E assim, decidiu escrever outras histórias, a maioria ligada a “Cosa Nostra”, mas nenhuma delas relacionada a sua obra prima.
Acredito que o único erro do escritor americano foi dar carta branca para a sua família e o seu editor prosseguirem com a saga dos Corleone após a sua morte. Puzo nunca deveria ter feito isso, pois abriu um precedente para que banalizassem o seu trabalho. E que me desculpe o professor e mestre em criação literária, Mark Winegardner, pois sou obrigado a dizer que ele quase conseguir cometer esse sacrilégio.
Winegardner foi o escolhido - após vencer um concurso do qual participaram vários outros escritores - para escrever um novo capítulo da famosa saga. O concurso foi realizado pelo editor de Puzo e também pelo herdeiro e filho mais velho do escritor.
Confesso que a minha decepção foi enorme, do tipo quando você toma o doce de uma criança que já está com os olhos fechados e a boca aberta, preparada para degustar a guloseima. Eu me senti essa criança.
O erro mais grave do livro de Winegardner foi querer preencher as lacunas deixadas entre o 2º e o 3º filmes. Essa decisão do autor quebrou toda a originalidade da história. Sei lá, mas acredito que o livro ficaria menos decepcionante se ele tivesse criado um enredo novo para os personagens da obra de Puzo. Eu me vi ora lendo o livro, ora assistindo o filme. Ficou muito estranho; esquisito mesmo, porque as vezes tinha a impressão de estar lendo um livro baseado no filme.
“A Volta do Poderoso Chefão” também tritura o carisma dos personagens Fredo e Michael Corleone. Em sua obra, Puzo, havia criado um Fredo frágil e covarde, que usava o seu poder de sedução para conquistar mulheres e mais mulheres, tendo assim um verdadeiro festival de casos. Em “O Poderoso Chefão”, o autor deixava no ar que, talvez, o personagem tivesse esse comportamento promíscuo como uma váluvula de escape, já que tinha a fama de ser o mais fraco do clã dos Corleone. Agora, chega Mark Winegardner e transforma Fredo num homossexual completamente pervertido, capaz de matar as suas vítimas. Quanto a Michael, esqueça toda aquela força e carisma de “O Poderoso Chefão” que o fez ser o escolhido para comandar a família após a morte de Don Corleone. Achei o seu personagem simplório demais.
Francesca Corleone, filha de Sonny, é um outro personagem que também poderia ser melhor explorado, assim como o consigliere irlandês do clã, Tom Hagen que também ficou perdido nesta sequência.
O excesso do número de personagens é um outro fator negativo do livro que deixa o leitor numa confusão de dar dó. Na época que li o livro, lembro-me que tinha de ficar voltando com freqüência ao sumário com os nomes dos personagens que compunham os clãs amigos e inimigos dos Corleone. Logo nas primeiras páginas, Winegardner despeja um turbilhão de figuras nas páginas – algumas importantes, outras nem tanto – tornando praticamente impossível a memorização dos nomes.
Quando um autor faz essa opção, quase sempre ele é forçado a criar um enredo – mínimo que seja – para cada um desses personagens. Agora imagine um romance com quatro famílias mafiosas tendo cada uma delas, em média, 13 integrantes? É muita coisa, não acham?
O excessivo número de personagens contribui para que a história se torne maçante. Chegar na metade do romance foi complicado, pois o enredo só vai ficar interessante perto do final. 
Quanto ao visual da obra, sem comentários. A editora Record caprichou no layout. Mas como não lemos visual, paciência.
Há pouco tempo fiquei sabendo que Mark Winegardner lançou mais um livro sobre a família Corleone, o que quer dizer, uma nova sequência para Michael Corleone e companhia. A obra se chama a “Vingança do Poderoso Chefão” e, sinceramente, não estou nem um pouco animado para comprá-la.

2 comentários:

  1. Não sabia que existe essa novelização relacionada ao Poderoso Chefão. Grande achado!

    Da uma passada lá: http://parecetamarindo.blogspot.com/

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  2. Caramba, achei que só eu estava achando o enredo um saco. Como vc disse "chegar na metade do romance é complicado". Também tenho que voltar no começo pra ver quem é o personagem em questão, me animo em saber que ele começa a ficar interessante perto do final.

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