terça-feira, 14 de junho de 2011

A Princesinha

Sempre fui adepto da teoria: “Leia o que quiser, como quiser e da maneira que quiser”. Não devemos ter vergonha do que lemos temendo ser taxados pelos outros de simplórios ou então pouco inteligentes. O que interessa, meu amigo, é que a viagem que você está prestes a iniciar, juntamente, com o seu velho companheiro o “livro” lhe faça bem, que lhe deixe com uma satisfação plena. O resto e os outros que se danem.
Pena que nem todos tem coragem suficiente para assumir essa responsabilidade. Principalmente quando se trata da leitura de alguns romances. Conheço várias pessoas que tem vergonha de ler em público certos livros considerados – erroneamente – muito ingênuos para o seu intelecto. Mas, no íntimo, essas mesmas pessoas amam esses livros e seus autores. Então o que elas fazem? Simples. Optam por lê-los escondidas dos outros. Em público, nem pensar!
Me desculpem fazer esse preâmbulo que mais se parece um desabafo antes de entrar no assunto do post que é o comentário de “A Princesinha”. É que há cerca de duas semanas, após aguardar a chegada do meu ônibus no terminal rodoviário de uma certa cidade, vi um o homem de terno, gravata, sapato último modelo e pasta tipo 007 lendo, muito desconfiado, um livrinho (usei o diminutivo não pelo conteúdo da obra, mas pelo seu tamanho). O sujeito estava por demais incomodado e percebi que ele tentava cobrir o título da obra com parte da mãos. Cheguei a conclusão que o tal homem engravatado, que se parecia com um advogado ou executivo, sei lá, estava se deliciando com a leitura, mas morrendo de vergonha do livro “A Princesinha”, da Frances Hodgson Burnett.
Juro que fiquei com uma vontade enorme de dizer ao homem envergonhado que eu havia acabado de reler a obra de Frances Burnett na semana passada e tinha adorado. Quer dizer, adorado novamente, porque já havia lido o livro na minha infância/adolescência.
Há livros infanto-juvenis com essa mística, ou seja, com o poder de encantar não só os pequenos leitores, mas também os grandes. E “A Princesinha” se inclui, tranquilamente, nessa categoria.
E não venham os leitores machistas dizerem que se trata de um livro para mulheres... nada disso. É uma leitura para o crescimento ou mudança do “ser humano”, extrapolando o conceito “sexo”. Fico imaginando quantas crianças ou adolescentes aprenderam a serem fortes ou então mudaram a sua visão de vida se espelhando na personagem Sara Crewe, brilhantemente criada por Frances H. Burnett.
Em “A Princesinha”, a autora fala de uma menina muito rica, chamada Sara, que vive na Índia com todas as regalias e acostumada a ver  os outros sempre prontos a atender os seus desejos, tratando-a como uma verdadeira princesa. Ao completar 10 anos de idade, o seu pai, capitão Crewe, decide matriculá-la num colégio interno, em Londres, para que possa iniciar os seus estudos. Ao chegar lá, o pai de Sara exige da direção do colégio que a filha tenha do bom e do melhor, até o dia em que ele retorne da India - onde tem negócios importantes - para buscá-la. Mas num triste dia, chega a notícia de que o capitão morreu e acabou perdendo todo o seu dinheiro. De repente, Sara se transforma de menina rica em pobre e passa a ser menosprezada pela maioria de suas colegas, além de “comer o pão que o diabo amassou” nas mãos da perversa diretora do colégio que só se interessava por ela tinha dinheiro. Como não tem nenhum familiar para ficar, a princesinha – como era chamada por seu pai – passa a morar de favor no colégio e é obrigada a trabalhar como empregada sendo espezinhada pelas alunas e também pela diretora, menos por Beck, a sofrida ajudante de cozinha do colégio. O sofrimento de ambas, faz surgir uma forte amizade entre elas. Mas é claro, que o final do romance reserva uma inesperada reviravolta que deixará os leitores boquiabertos. Enfim, esse é um pequeno resumo da história.
O livro de Frances H. Burnett me ensinou várias lições de vida na minha infância/adolescência. Não tenho vergonha em afirmar que ele teve uma importância fundamental para solidificar alguns dos meus conceitos de vida e também mudar outros menos nobres.
Algo que me marcou profundamente foi o “lance” da humildade de Sara Crewe, que apesar de ter o mundo aos seus pés, nunca deu importância maior para o material. Para ela, num patamar muito acima da riqueza estavam os seus amigos e a alegria de fazer algo que lhe dava prazer. No seu caso, ser uma contadora de histórias... de criar enredos, personagens e situações interessantes. Ver as outras pessoas compenetradas, muitas vezes sem piscar os olhos, presas em algo que ela criava, era a sua maior alegria. Além disso, as histórias contadas por Sara funcionavam como uma teia de aranha, pois todos queriam ser suas amigas para poderem desfrutar desses momentos mágicos. E cada amiga que ela fazia era uma alegria a mais em sua vida.
Portanto, quando Sara ficou na miséria, ela não sofreu, porque mais importante do que os seus dotes financeiros era o seu dom. Esse desapego com o poderl ajudou ainda mais no seu amadurecimento. Para ela, pior do que perder todo o seu dinheiro foi perder o seu pai.  
A força dessa menininha feita de arueira foi algo que jamais me esqueço e me ajudou demais naquela época da minha vida.
Outro ponto importante na história criada por Burnett é a relação de respeito existente entre Sara e o seu pai. O capitão Crewe dá toda a liberdade para que a filha “curta” a sua infância, mas também passa à ela muitas responsabilidades que irão ser úteis quando crescer ou então enfrentar situações mais difíceis em sua vida.
Quanto ao relacionamento de Sara e Beck, a ajudante de cozinha, também nos ensina o valor da verdadeira amizade que não leva em conta raça, coondição social ou credo. Enfim, antes de ser um livro meramente infantil, “A Princesinha” é uma obra com o poder de mudar conceitos em nossa infância/adolescência.
O livro de Frances H. Burnett fez tanto sucesso que foi adaptado várias vezes para o cinema, sendo as mais conhecidas filmadas em 1939 e 1995. O primeiro se chamou “A Pequena Princesa” e teve no papel principal a atriz prodígio daquela época, Shirley Temple. Já o segundo foi lançado no Brasil em 1995 com o título de “A Princesinha” e recebeu duas indicações para os Oscar de 1995: Direção de Arte e Melhor Fotografia.

7 comentários:

  1. Já tinha visto esse livro numa livraria mas acabei achando que era bobo demais (lá vou eu caindo na sua crítica, rsrs). Com a resenha fiquei muit afim de ler.

    Concordo com você sobre os romances, eu adoro, mas vejo pessoas que torcem o nariz por achar que é perda de tempo. E sempre vejo lições nos clássicos.

    Obrigada pela visita no caderno!

    Abcs, Iza :)

    Caderno de Resenhas...

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  2. Posso fazer algumas pequenas correcções?
    A história que você conta corresponde ao filme de 1995 e não ao livro. O pai não vai para a guerra, regressa à Índia. Becky não é uma escrava nem é negra, é a ajudante de cozinheira do colégio. Esse «cargo» era o grau mais baixo do serviço doméstico, frequentemente atribuído a garotas de 10/11 anos.
    O livro é maravilhoso e pode (acrescentaria DEVE) ser lido por gente de qualquer idade, género, cor, condição social... Um dos lados mais marvilhosos do livro é a forma como Sara consegue ultrapassar a adversidade com a ajuda de uma imaginação fértil - coisa gratuita a ao alcance de qualquer um.
    Foi o primeiro livro que li sozinha, com 5 ou 6 anos e não me canso de o reler: ncontro sempre algo de novo!

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    Respostas
    1. Valeu pelas correções Nan!
      Tem razão. Já refiz os trechos do post relacionados aos personagens. Depois que li o livro, vi o filme tantas vezes (acredite em VHS!!) que realmente esses detalhes relacionados ao pai de Sara e tbém à Beck acabaram me escapando.
      Thanks!!

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  3. estou lendo o livro estou na parte em que a princesinha perde o seu pai ...

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  4. Catton, prossiga a leitura, pois com certeza irá se encontrar com novas emoções; e se gostar do livro, aproveite para ler "O Jardim Secreto", da mesma autora.
    Abcs!

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  5. Ja li este livro e amei. Um dos melhores que li ate hoje...

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  6. Pode ter certeza que a sua opinião chega a beirar a unanimidade. A maioria dos leitores amaram esta obra.
    Abcs!

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