Desta vez Freida McFadden deu dois tapas – e muito bem
dados – em nossa cara. Daqueles que acertam em cheio. Entendam esses “tapas”
como plot twists capazes de derrubar os nossos queixos. Aliás, a ‘médica-escritora’
é especialista nisso. Quem já leu alguns de seus livros, incluindo a famosa
trilogia A Empregada – sabe do que
estou “falando”.
A
Inquilina tem apenas duas reviravoltas – uma depois da metade
do enredo e a outra no epílogo, mas valem a pena. Apesar de alguns leitores terem
comentado no portal Skoob que os dois plots do livro eram muito manjados e que
já haviam descoberto bem antes da revelação; não vejo dessa forma. No meu caso,
confesso que tive uma baita surpresa com os dois plot twists
Creio que o autor não pode simplesmente jogar na cara
do leitor um plot twist. Coisa do tipo: “Toma aí que o filho é seu!”. Pelo
contrário: o clima de suspense tem que ser preparado e ir crescendo aos poucos.
Vou explicar com um exemplo fora da literatura que farão com que vocês entendam
o que estou querendo “dizer”. Vamos lá. Exemplificarei tomando por base o filme
“O Silêncio dos Inocentes” naquela cena em que o Dr. Hannibal Lecter é
apresentado para a agente do FBI Clarice Starling interpretada pela Jodie
Foster. Cara, ver a agente do FBI descendo as escadas daquela prisão tétrica
onde se está encarcerado o “Dr. Lecter Canibal”, com o diretor da prisão caminhando
ao seu lado, enquanto explica todas as normas de segurança que devem ser
seguidas para que ela saia viva desse encontro; cria toda uma expectativa,
diga-se, uma grande expectativa de como será esse encontro. Esta expectativa
enorme deixaria de existir se Jonathan Demme, diretor do aclamado filme, cortasse
esse preparativos e já antecipasse a edição, “pulando” direto para o momento em
que a agente Starling e Haniball se conhecem.
Não sei ser consegui ser claro, mas muitos autores não
gostam de preparar aquele clima de tensão, mistério ou suspense antes de
anunciarem uma reviravolta na trama, deixando o plot twist... sei lá... acho
que xôxo. Na primeira reviravolta de A Inquilina, McFadden cria toda uma aura
de suspense e mistério quando um personagem decide ir conhecer a mãe de um
outro personagem para esclarecer algumas situações digamos que... esquisitas. Ao
invés de dar o doce rapidamente para os leitores provarem, a autora só aproxima
a guloseima da boca desses leitores e depois retira (que maldade – rs). Então,
no momento em que ela dá o doce, ou seja, ‘solta’ o plot twist, a galera se
lambuza. É mais ou menos isso que acontece na primeira reviravolta que acontece
logo depois do meio da trama. Já na segunda e última que ocorre somente no
Epilogo, ela chega voando e na lata. Em aproximadamente duas páginas, McFadden
solta a “bomba” e encerra a sua história. Apesar de rápido, esse último plot
twist também surpreende.
Em A Inquilina,
o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos sonhos, uma noiva
e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo começa a desmoronar
após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na agência de markerting. A
partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado “Lar doce lar” de
Potter.
Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas do
financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um dos
quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o
casal encontra Whitney
De todos, ela é quem mais se destacou com seu jeito
simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem eles
procuravam. Só que... assim que ela se muda para a sua casa, coisas sinistras
começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após
várias faxinas. Barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite; além de
outras coisas estranhas que começam a acontecer em seu lar.
De repente, Blake passa a desconfiar que o perigo
passou a morar em sua casa.
Gostei muito do livro de McFadden: leitura fluída – o que
já se tornou uma característica da autora – momentos de muita tensão e dois
plot twists surpreendentes. Sem contar a capa hiper-caprichada. Apesar do
lançamento em brochura, os nomes da autora e da obra foram publicados em letras
brancas em alto relevo combinando com o fundo rosa e matizes vermelhas. Ah! E
tem ainda aquela mão tétrica saindo de um vão da porta com respingos de sangue.
Enfim, recomendo a leitura.
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