A inquilina

28 janeiro 2026

Desta vez Freida McFadden deu dois tapas – e muito bem dados – em nossa cara. Daqueles que acertam em cheio. Entendam esses “tapas” como plot twists capazes de derrubar os nossos queixos. Aliás, a ‘médica-escritora’ é especialista nisso. Quem já leu alguns de seus livros, incluindo a famosa trilogia A Empregada – sabe do que estou “falando”.

A Inquilina tem apenas duas reviravoltas – uma depois da metade do enredo e a outra no epílogo, mas valem a pena. Apesar de alguns leitores terem comentado no portal Skoob que os dois plots do livro eram muito manjados e que já haviam descoberto bem antes da revelação; não vejo dessa forma. No meu caso, confesso que tive uma baita surpresa com os dois plot twists

Creio que o autor não pode simplesmente jogar na cara do leitor um plot twist. Coisa do tipo: “Toma aí que o filho é seu!”. Pelo contrário: o clima de suspense tem que ser preparado e ir crescendo aos poucos. Vou explicar com um exemplo fora da literatura que farão com que vocês entendam o que estou querendo “dizer”. Vamos lá. Exemplificarei tomando por base o filme “O Silêncio dos Inocentes” naquela cena em que o Dr. Hannibal Lecter é apresentado para a agente do FBI Clarice Starling interpretada pela Jodie Foster. Cara, ver a agente do FBI descendo as escadas daquela prisão tétrica onde se está encarcerado o “Dr. Lecter Canibal”, com o diretor da prisão caminhando ao seu lado, enquanto explica todas as normas de segurança que devem ser seguidas para que ela saia viva desse encontro; cria toda uma expectativa, diga-se, uma grande expectativa de como será esse encontro. Esta expectativa enorme deixaria de existir se Jonathan Demme, diretor do aclamado filme, cortasse esse preparativos e já antecipasse a edição, “pulando” direto para o momento em que a agente Starling e Haniball se conhecem.

Freida McFadden

Não sei ser consegui ser claro, mas muitos autores não gostam de preparar aquele clima de tensão, mistério ou suspense antes de anunciarem uma reviravolta na trama, deixando o plot twist... sei lá... acho que xôxo. Na primeira reviravolta de A Inquilina, McFadden cria toda uma aura de suspense e mistério quando um personagem decide ir conhecer a mãe de um outro personagem para esclarecer algumas situações digamos que... esquisitas. Ao invés de dar o doce rapidamente para os leitores provarem, a autora só aproxima a guloseima da boca desses leitores e depois retira (que maldade – rs). Então, no momento em que ela dá o doce, ou seja, ‘solta’ o plot twist, a galera se lambuza. É mais ou menos isso que acontece na primeira reviravolta que acontece logo depois do meio da trama. Já na segunda e última que ocorre somente no Epilogo, ela chega voando e na lata. Em aproximadamente duas páginas, McFadden solta a “bomba” e encerra a sua história. Apesar de rápido, esse último plot twist também surpreende.

Em A Inquilina, o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos sonhos, uma noiva e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo começa a desmoronar após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na agência de markerting. A partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado “Lar doce lar” de Potter.

Desempregado, Blake  não conseguirá manter as parcelas do financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um dos quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o casal encontra Whitney

De todos, ela é quem mais se destacou com seu jeito simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem eles procuravam. Só que... assim que ela se muda para a sua casa, coisas sinistras começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após várias faxinas. Barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite; além de outras coisas estranhas que começam a acontecer em seu lar.

De repente, Blake passa a desconfiar que o perigo passou a morar em sua casa.

Gostei muito do livro de McFadden: leitura fluída – o que já se tornou uma característica da autora – momentos de muita tensão e dois plot twists surpreendentes. Sem contar a capa hiper-caprichada. Apesar do lançamento em brochura, os nomes da autora e da obra foram publicados em letras brancas em alto relevo combinando com o fundo rosa e matizes vermelhas. Ah! E tem ainda aquela mão tétrica saindo de um vão da porta com respingos de sangue.

Enfim, recomendo a leitura.

 



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