07 dezembro 2011

O Coyote: O herói emblemático das pulp fiction que fez história na Editora Monterrey


Após escrever um post sobre a estonteante Brigitte Montford, a famosa agente da CIA que atende pelo codinome de “Baby”, é evidente que não poderia esquecer de um outro personagem emblemático da outrora famosa e hoje saudosa Editora Monterrey. Estou me referindo ao “Coyote”, o justiceiro mascarado criado pelo escritor espanhol José Mallorqui.
Posso assegurar que tanto Brigitte Montford quanto o Coyote foram os grandes responsáveis pelo sucesso editorial da Monterrey, dando aos seus criadores, respectivamente, Lou Carrigan e José Mallorqui o status de grandes estrelas, responsáveis pelo sucesso de vendas da editora. Tudo bem que a Monterrey também publicava outros gêneros de livros de bolso; lembro-me da série FBI e de outros livros de faroeste onde choviam balas prá todo lado, mas essas publicações exerciam apenas o papel de coadjuvantes, já que os grandes astros, sem dúvida alguma, eram o Sr. Coyote e a espiã, filha de Gisele.
Mas como o assunto do post é o nosso bandoleiro hispânico, vamos esquecer Brigitte Montfor – que já teve um post todinho seu – e se concentrar nesse personagem de bigode, roupa negra ao estilo mexicano, com um sombrero, duas pistolas e uma máscara que lhe cobria a metade superior do rosto.
O Coyote pode ser considerado o pai dos livros de bolso no país, já que tudo começou com ele em meados dos anos 50. Em 1956, logo após a sua fundação, a Monterrey lançaria o formato no Brasil tendo como protagonista o justiceiro mascarado. Brigitte Montford só apareceria anos depois. Por isso, o Coyote foi o grande desbravador do gênero livro de bolso aqui na terrinha.
Tudo começou quando os donos da editora Monterrey descobriram que o novo formato estava fazendo o maior sucesso na Espanha, e assim, resolveram fazer uma experiência e introduzi-lo também no Brasil. De quebra, os espertalhões (no bom sentido, é claro) da Monterrey também ficaram sabendo que um herói parecido com o
 Zorro estava alavancando milhares e milhares de vendas de uma editora espanhola chamada “Edições Cliper”, situada em Barcelona. O herói mascarado era um fenômeno de vendas por lá. A Monterrey não dormiu no ponto e comprou os direitos de publicação no Brasil, relançando em terras tupiniquins o emblemático herói mascarado. Com isso, a editora, recentemente inaugurada, teria dois trunfos na mão: seria a pioneira no lançamento dos livros de bolso por aqui e teria um personagem que poderia virar uma febre nacional. Não demoraram nem um minuto sequer e “soltaram” as novidades no país. O sucesso foi imediato e acabou estimulando outras editoras concorrentes, como a Bruguera e Tecnoprint, a lançarem, também, o novo formato de livros. Enquanto isso, “O Coyote” repetia no Brasil o mesmo sucesso que havia conseguido na Espanha.
Apesar das histórias do Coyote terem sido lançadas no Brasil entre o final da década de 50 e início dos anos 60, a sua origem ainda é mais remota. Vem lá da década de 40! Mallorqui escreveu a primeira história do justiceiro mascarado em 1944 (“A Chegada do Coyote”), o personagem fez tanto sucesso entre os leitores, que Mallorqui resolveu transformar a sua história – que a princípio deveria caber em apenas um lívro, e Zefini – em uma série. Resultado: o autor espanhol acabou escrevendo 192 títulos até 1953. Dessa forma, ele conviveu com o personagem durante nove anos. E neste período, por quase uma década,  o Coyote nunca cansou os leitores com as suas aventuras, provando que já havia se transformado num verdadeiro ícone da pulp fiction.
Escritor José Mallorqui em sua biblioteca
Confesso que na minha adolescencia fui um dos grande fãs do Coyote e me arrependo de ter perdido através dos tempos a minha coleção de livros com as histórias do personagem. Lembro que enquanto o meu irmão mais velho tinha o hábito de trocar as histórias que já havia lido; eu fazia questão de guardar numa caixa todos os meus livros de bolso. Por falar nisso, tinha duas caixas em meu quarto: uma para os livrinhos da Brigitte Montford e outra para o Coyote. Para mim não importava a baixa qualidade do material interno, ou seja, as páginas de papel jornal, o que valia para mim eram as histórias emocionantes e principalmente... bem... Ok, vou confessar: as capas... A arte das capas eram de primeira, verdeiras obras primas e estimulavam a leitura. Acredito que se aqueles livrinhos feitos com um papel vagabundo, de péssima qualidade tivessem capas simplórias e sem nenhum atrativo, ninguém iria se interessar pelas suas histórias e então, com certeza seria a falência certa da Monterrey e também da Clíper.
Para você que era um leitor ávido das histórias do Senhor Coyote, mas não se recorda muito bem da origem do personagem e do enredo central da trama, vamos lá. Dom César de Echagüe, filho homónimo de um rico fazendeiro californiano, regressa a suas terras em 1851, recentemente incorporada aos Estados Unidos. A novela retrata uma Califórnia habitada por uma próspera sociedade hispana  mas recém conquistada pelos invasores yanquis, que tratam de se apoderar por todos os meios das minas de ouro que os californianos lhes ocultam. César de Echagüe é desprezado por todos na Califórnia que acreditam ser ele covarde e afeminado. O rapaz é depreciado até mesmo pela sua noiva Leonor de Acevedo e pelo próprio pai, Dom César. Eles não sabem que o jovem César – tido como covarde e afeminado – na realidade, leva uma dupla vida como O Coyote, um justiceiro mascarado que luta pelos direitos dos hispanos.
O principal inimigo do herói mascarado é o general Clarke, o tirano conquistador da Califórnia que procura tirar as propriedades dos californianos à força, utilizando, inclusive, táticas mafiosas. Como as terras do pai e dos familiares da noiva de Cesar são as maiores e as mais ricas do país, o general Clarke torna-se obcecado em tomá-las dos seus donos. Para isso, ele é capaz de tudo, desde contratar perigosos pistoleiros até preparar armadilhas ardilosas com o objetivo de destruir Dom César e Leonor.
Este enredo central foi responsável pelas 192 histórias do Coyote que ao longo de quase uma década trocou chumbo com vários capangas de Clarke e também com o próprio general. Emoção, traição, amor, enfim, uma miscelania de sentimentos recheou as histórias dos 192 livros escritos por Mallorqui, mas com certeza, o momento mais marcante foi quando Leonor descobriu a identidade secreta de César. Quando soube que o supostamente covarde e afeminado rapaz era na realidade o temido Coyote, a sua paixão se transformou num rio de lava incandescente resultando em casamento. Futuramente, Leonor viria a falecer no momento em que daria a luz ao primogênito de César, que por sua vez, afogaria a tristeza nos braços de um novo amor: Guadalupe Martinez.
Outro momento marcante na saga do “bandolero” foi o dia em que após ter desmascarado o general Clarke, teve de exilar-se do país para escapar com vida. Me lembro vagamente dessa história, foi uma das minhas favoritas. O Coyote, espertamente, se passou por morto e depois voltou para se vingar. Acho que foi depois disso que Leonor descobriu o seu alter-ego, vindo a se casar com ele.
E então? Deu pra matar um pouco de saudades do enredo do personagem? Espero que sim.
José Mallorqui criou o Coyote inspirado em um outro mito: o Zorro, de Johnson Mc Culley. O próprio Mallorqui afirmou que bebeu na fonte de  Mc Culley para criar o seu personagem hispânico. Se por um lado, o Zorro tem o costume de castigar os seus oponentes, fazendo um “Z”com a espada no peito ou no rosto da vítima; o Coyote também tem a sua mania, e diga-se, bem peculiar. Ele dispara um tiro na orelha do inimigo. Dessa forma, aqueles que tiverem um ferimento a bala no ouvido ficam marcados como os infelizes que cruzaram o caminho do justiceiro e se deram mal.
Além de ser um pistoleiro muito rápido e com excelente pontaria, o Coyote é um cavaleiro experiente; mas sua principal arma é a inteligência com que manipula os seus oponentes, chegando ao ponto de fazer com que eles se matem por si próprios.
Acredito que aqueles que estiverem lendo esse post e que em sua adolescencia foram fãs incondicionais do Sr. Coyote tinham – ou ainda tem – uma curiosidade imensa em conhecer um pouco mais a fundo a vida do criador do personagem: José Mallorqui ou simplesmente J.Mallorqui. Pois é, encontrar material suficiente na Rede para conhecer à fundo a vida desse escritor espanhol é coisa para garimpeiro. Após fuçar em vários sites, quase nenhum deles em nossa língua pátria, descobri que a vida de Mallorqui não foi fácil, com o surgimento freqüente de um grande número de tragédias.
Antes de vir ao mundo, ainda no ventre de sua mãe, Mallorqui já experimentava a sua primeira decepção. O seu pai  abandonaria  a sua mãe, Eulalia Mallorquí Figueroa, momentos antes da criança nascer. O pequeno Mallorqui foi, então, criado por sua avó Ramona que algum tempo depois o matriculou num internado dos Salesianos.  Com professores excelentes que estimulavam, principalmente, a leitura em seus alunos internos, o futuro criador do “Coyote” adquiriu nesse ambiente o gosto pela escrita, passando a criar várias histórias que faziam a alegria de seus colegas de internato.
Ainda criança, perto de atingir a adolescência, o escritor receberia um novo golpe em sua vida; como ele mesmo escreveu anos mais tarde, em 1967: "Num dia foram procurar-me à saída do colégio e disseram-me que Ramona, minha avó, tinha morrido. Senti-me infinitamente só. E assim estive até que conheci à que hoje é minha mulher".
Além da língua nativa, Mallorqui falava fluentemente francês e inglês e trabalhou durante um bom tempo como tradutor em uma biblioteca espanhola. O trabalho de tradutor o animou a arriscar escrever os seus primeiros livros, nascendo assim, várias histórias de western para uma coleção da Editora Cliper, em Barcelona,  chamada “Novelas do Oeste”. Esse seria o início para o surgimento de sua maior criação: “O Coyote”.  Fã incondicional do Zorro, Mallorqui teve a idéia de criar um personagem baseado naquele herói, e assim surgiria o nosso “bandolero”. Como já disse, a série atingiu 192 títulos até 1953 e tornou o seu criador famoso em toda Espanha. Com o fim do legado do Coyote,  Mallorqui ainda tentou se aventurar em outros gêneros como ficção científica e terror, mas não deu certo, já que as obras lançadas se tornaram grandes fiascos.
A tragédia continuaria a rondar a vida do escritor espanhol quando na década de 60 acabou perdendo grande parte da audição. Alguns anos depois, para ser exato em 1967, sua mulher viria descobrir que estava com leucemia, morrendo poucos meses depois num leito de hospital.
No início de 1972, por causa de um grave problema nas costas, Mallorqui ficaria impossibilitado de continuar escrevendo, sendo obrigado a contratar uma secretária para escrever as suas histórias, enquanto as ditava.
Muito depridmido por não ter mais a sua mulher, se suicidou na madrugada de 7 de novembro de 1972. O bilhete que deixou representava toda a sua angustia e solidão:: "Não posso mais. Mato-me. Na gaveta de minha mesa há cheques assinados", e assinou "Papai". E embaixo: "Perdão".
 Cara! Quantas tragédias! Mas voltando a falar do Coyote, um detalhe que muitos fãs desconhecem é que o personagem também invadiu as telas dos cinemas. Isso mesmo! A obra de Mallorqui serviu de inspiração para cinco filmes entre cinema e TV. Os mais conhecidos foram dois. O primeiro deles, “O Coyote”, lançado  em 1955, sob a direção do espanhol Joaquim Luis Romero Marchent. O mesmo diretor produziria no ano seguinte “A Justiça do Coyote”. Os dois filmes tiveram um sucesso apenas razoável, curiosamente, não repetindo o grande sucesso dos livros de bolso.
Bem pessoal, depois dessa viagem no tempo, juro que bateu uma “saudade doída” dos meus livrinhos de bolso da Editora Monterrey com aquelas capas “chique nu úrtimo”. Esse pistoleiro mascarado realmente marcou grande parte da minha geração. Mas tudo passa... tudo passa... Sendo assim, só posso dizer: que pena.


03 dezembro 2011

Os Coletores

Basta você ver as expressões de Jude Law e Forrest Withaker na capa do livro “Os Coletores” para saber exatamente a “casca grossa” que é um biocoletor. O sujeito que exerce essa função, principalmente aqueles que atingiram o “Nível 5” são mau humorados, truculentos, egocêntricos e individualistas, mas apesar de todos esses defeitos não há como negar a sua competência. Eles são eficazes, quase infalíveis quando recebem a missão de extrair um ou vários artifogs.
Bem... acho que a maioria não está entendo nada do que estou escrevendo; pelo menos, aqueles que não tiveram a oportunidade de ler o livro de Eric Garcia. Afinal de contas o que um biocoletor? E um artifog? Nível 5? Do que se trata? Peraí ai pessoal, acho melhor começar do zero. Vamos lá...
Imagine no futuro, a ciência conseguindo atingir um estágio evolutivo tão grande, mas tão grande que se torna capaz de fabricar qualquer órgão do corpo humano. Esses órgãos artificiais, conhecidos por artifogs, são pequenas maravilhas de metal e plástico muito mais confiáveis e eficientes do que os rins falíveis e os pulmões facilmente sujeitos a câncer com que você nasceu. Dessa maneira, uma pessoa que descobrisse estar com câncer ou então com uma doença crônica, bastaria apenas trocar o órgão doente por um artifog e recomeçar uma vida nova.
Mas nem tudo é um paraíso nesse futuro supostamente tão promissor. Se o cidadão que adquiriu o artifog cair em inadimplência e atrasar as mensalidades, um dos dedicados profissionais que trabalham na empresa que fabrica os tais órgãos artificiais fará uma rápida visita ao cliente, extrairá o produto e o levará de volta imediatamente. Fígado, coração, rim, pulmão, pâncreas, qualquer coisa! Esses profissionais se chamam “coletores”. Cada um deles tem um nível; geralmente a escala vai do 1 ao 5, conforme a experiência e principalmente eficiência de cada um.
Finalizando essa rápida explicação para que eu possa começar a falar da obra em si; os atores Jude Law e Forrest Withaker aparecem na capa do romance de Garcia porque o livro deu origem a um filme polêmico, mas de grande sucesso nos cinemas chamado “Repo Men: O Resgate de Órgãos”, no qual eles interpretaram dois inseparáveis biocoletores.
Beleza? Deu para descomplicar o início complicado desse post? (rs). Então vamos agora, ao que interessa: falar dos pontos positivos e negativos do romance do escritor americano Eric Garcia. Após concluir a leitura de “Os Coletores” não fiquei entusiasmado, mas também não cheguei perto da decepção. Não se discute que se trata de uma obra inovadora no gênero de ficção científica, tanto é que foi indicada ao prêmio Philip K. Dick, o que já é o mesmo que atingir o pico do Monte Everest para um escritor de ficção cientifica. E Eric Garcia atingiu o seu “Everest”. Mas acontece que a história que começa num compasso vertiginoso com a extração, logo de cara, de um artifog vai perdendo o ritmo depois, para logo em seguida recuperá-lo novamente e depois perdê-lo de novo e assim sucessivamente, como um coração com fibrilação que bate de maneira descompassada. Não sei se o termo correto seria esse, mas achei “Os Coletores” ‘inconstante’.
Alice Braga e Jude Law em cena do filme "Repo Men", inspirado
no livro " Os Coletores"
Creio que o motivo dessa irregularidade foi o autor ter optado por mesclar duas histórias simultâneas, além de arrumar cinco ex-esposas para o protagonista do romance, o coletor Remy.
Após a ação eletrizante, mas ao mesmo tempo cômica em que Remy  invade uma residência localizada numa área nobre para recuperar o fígado artificial de um inadimplente, o autor, logo em seguida, já dá um corte brusco no enredo para apresentar uma visão geral das cinco ex-esposas do personagem. Depois disso, o leitor é conduzido para o período em que o biocoletor se alistou no exército juntamente com o seu amigo Jake. Um período desenxabido e com passagens chatíssimas, entre as quais a rotina de um recruta de infantaria que se torna condutor de tanques numa guerra que praticamente não existe. Resultado: para não ficarem parados, os soldados são obrigados a fazer várias manobras de treinamento no deserto. E quando estoura a guerra de mentirinha, os inimigos africanos são tão maltrapilhos que o combate se torna uma carnificina sem nenhuma emoção. O que salva – pelo menos, em parte - esse período em que Remy passa no exército, antes de se tornar um biocoletor, é o “Sargento Ignakowski”. A ambiguidade desse personagem, às vezes cômico de doer e em outras com uma profundidade de fazer inveja ao melhor dos filósofos, quebrou – repito: em parte – o enredo sem graça dessa parte do romance. O comentário ácido feito pelo sargento após tomar conhecimento da morte de um recruta que resolveu se masturbar enquanto lia uma revista masculina durante um exercício de combate é impagável. Mas é só.
Eric Garcia, autor de " Os Coletores"
As quatro das cinco ex-esposas do biocoletor também são de doer, com exceção de Beth. Enquanto Mary-Ellen, Melinda, Carol e Wendy são um saco por causa da insipidez, Beth ocupa todo o espaço. Ela foi a primeira esposa de Remy e mesmo se casando com ele bateu o pé e não abandonou o seu trabalho. Até aí tudo bem; quer dizer, se o seu serviço não fosse a prostituição. Isso mesmo, Beth era uma prostituta que trabalhava num prostíbulo famoso na cidade. Nem preciso explicar porque o primeiro casamento de Remy não deu certo. Enquanto a história gira em torno da relação mais do que conflituosa de Beth e Remy, o leitor tem a oportunidade de presenciar passagens interessantes e que chegam prender a atenção, mas depois que o autor muda o foco para as outras esposas, a leitura vai perdendo o interesse.
Depois dessa queda no enredo, a montanha russa volta em ação, quando Eric Garcia recomeça trabalhar com o núcleo dos biocoletores. As passagens vividas por Remy, Jack e seus colegas de trabalho da Credit Union, empresa que financia o pagamento dos artifogs, são fantásticas e fisgam o leitor até a “última gota”. O interesse pela leitura cresce ainda mais quando Remy se torna um foragido e conhece Boonie, uma fugitiva da Credit Union que tem um verdadeiro arsenal de artifogs espalhados pelo corpo. Boonie terá um papel decisivo na vida de Remy modificando todo o rumo da história perto do final romance. Ficou reservada à ela a grande mudança que altera todo o percurso normal do enredo. Os dois se apaixonam e quando o cerco cresce em torno do nosso biocoletor, Boonie toma uma medida que causa espanto em todos os leitores, mas... muito espanto!!
Acredito que a grande sacada de Garcia ao escrever o livro foi fazer com que Remy também experimentasse o que é ser um fugitivo da Credit Union por não ter condições de pagar um artifog. O pesadelo de saber que a qualquer momento poderia ter o seu órgão artificial arrancado por um biocoletor por falta de pagamento. E que não adiantaria fugir para o mais isolado dos esconderijos, já que os biocoletores usam scaners ultrapotentes capazes de rastrear os artifogs à quilômetros de distância. Tanto é que poucos conseguem “dar o balão” na empresa e continuaremn vivos.
É evidente que não vou contar, nesse espaço, os motivos que levaram Remy se tornar um fugitivo após ter sido obrigado a substituir o seu coração original por um artifog. Vou deixar para que o próprio personagem conte a sua história e assim não estrague a surpresa daqueles que pretendem ler o livro, já que o enredo do romance é narrado em primeira pessoa, ou seja, pelo próprio biocoletor da Credit Union.
Tai! Esqueçam as quatro esposas e o período no exército, e com certeza vocês terão uma boa leitura.
Em tempo! Vale a pena dar uma conferida, também, no filme “Os Coletores”; afinal de contas, a nossa querida Alice Braga está fantástica como Bonnie. E esqueçam o final do filme... é completamente diferente do livro.

01 dezembro 2011

Sequência de “O Iluminado”, de Stephen King vem aí!

Admiro e curto Stephen King, mas confesso que não sou um “Kingmaníaco”, tanto é, que tenho em minha humilde biblioteca apenas alguns de seus livros; aqueles que mais me interessam... bem poucos, mas tenho. E o pouco que tenho, não há como negar é (são) verdadeiras obras primas!
Fiz esse preâmbulo porque os leitores menos avisados que visitarem esse blog irão se deparar com vários posts relacionados ao escritor do Maine - só nessa página, juntamente com esse artigo, que vocês estão lendo, foram publicados posts seqüenciais relacionados ao autor – e por isso, poderão pensar que sou um fã de carteirinha ou então que o blog esteja passando por um período de mudança para se transformar num canal específico de divulgação da vida e obra do mestre do terror. Nada a ver.
Acontece que não poderia deixar passar em branco um fato que está bombando em toda a rede mundial de computadores: “a continuação da obra-prima de King, “O Iluminado”. Isso mesmo, depois de décadas e mais décadas,  o famoso autor decidiu escrever a sequência da história do pequeno (na época) Danny que presenciou e descobriu fatos “terrificantes” no Hotel Overlook.
Se você que lê esse post agora acha – ou melhor, tem certeza – de que por já ter assistido o filme de Stanley Kubrick pode dispensar a leitura de “O Iluminado”, lançado em 1977, e consequentemente de sua sequencia que se chamará “Dr. Sleep”, está muito enganado.
Stephen King anunciando oficialmente na Universidade George Mason
que está escrevendo a sequencia de "O Iluminado"
Prá começar, livro e filme tem diferenças gritantes, tão gritantes, que na época do lançamento da produção de Kubrick, o escritor Stephen King afirmou que detestou o filme por causa das suas discrepâncias “oceânicas” com o enredo de sua história. A maior delas, envolvendo o próprio Danny que no livro deixa evidente os seus dons sensitivos e de premonição conseguindo captar com facilidade as energias negativas do Hotel Overlook, bem como desvendar  alguns segredos do local. Danny pode inclusive ler a mente de seus pais. No filme, Kubrick explora muito pouco ou quase nada esse poder do garoto, optando por aquelas tomadas longas e muitas vezes cansativas envolvendo os personagens principais.
Outro mistério que no filme continuou sendo mistério foi a relação existente, no passado, entre Jack Torrance e o Hotel Overloock. Kubrick optou por deixar nas entrelinhas os motivos que levaram Jack a perder razão no momento em que se mudou para o local. Já no livro, Stephen King explica esses motivos.
Quer mais? Ok? No livro não tem machadadas em porta, cachoeira de sangue e “mulher-cadáver” saindo da banheira.
Cena do filme de Stanley Kubrick baseado
no livro "O Iluminado"
Por tudo isso é que, evidentemente, você que assistiu a super-produção de Kubrick não pode menosprezar a leitura de “O Iluminado”. São dois produtos bem diferentes.
Agora que, espero, ter convencido aqueles que estavam resistindo em ler o livro por já terem visto o filme, vamos retornar ao assunto principal desse post que é o livro “Dr. Sleep”, a sequência de “O Iluminado”.
No enredo do novo livro de King, Danny está agora com 40 anos e trabalha num hospital, onde usa os seus dons para ajudar os pacientes terminais a passarem para o outro lado da vida sem sofrimento. Por isso, o nome “Dr. Sleep”, cuja tradução quer dizer “Dr. Sono”.
Danny traz profundas cicatrizes do período em que esteve com os seus pais no Hotel Overlook, onde presenciou cenas chocantes, graças em parte aos seus dons sensitivos. Agora, ele quer curar essas cicatrizes, mas para isso, terá antes de tudo, de reabri-las para desinfectá-las.
E antes que me esqueça; para quem curte histórias de vampiros, mas vampiros do mal; o próprio King confirmou que em certo momento da história, Danny se encontrará com uma tribo de vampiros que sugam a energia de pessoas especiais. Acredito que deva acontecer um duelo esquisito mas ao mesmo tempo interessante. Vamos aguardar...
“Dr. Sleep” ainda não tem data definida de lançamento. Mas não tem problema, porque “11/22/63” vem aí...

Instagram