domingo, 2 de setembro de 2018

Estou torcendo por um relançamento de “A Casa do Passado” de Algernon Blackwood


Existem livros que tem o poder de nos deixar tristes, muito tristes. Este sentimento não advém de seus enredos trágicos e lacrimosos, mas da ausência dessas obras nas livrarias ou então de seus preços astronômicos nos sebos. Um desses livros é “A Casa do Passado” de Algernon Blackwood.
Cara, você não imagina o meu peso de consciência. Há alguns, anos vi esse livro num sebo por um preço módico e dei a maior morgada de minha vida. Apesar de ter dado uma folheada rápida e me interessado pelos contos, não comprei. Putz! Se arrependimento matasse! Sabem aquela sensação FDP que a maioria de nós, leitores, temos de que um livro irá esperar pela nossa boa vontade o tempo que quisermos? Pois é, acho que foi isso que senti naquele dia.
Hoje, “A Casa do Passado” sumiu das livrarias e só pode ser encontrado nos sebos por valores explosivos, do tipo: R$ 150,00 ou R$ 180,00. Vale frisar que no Portal da Estante Virtual existem apenas três exemplares.
Mas por que o meu interesse tão exacerbado nessa obra? Primeiro: li a sinopse publicada pela editora e adorei. Segundo, e mais importante: o ‘pedigree’ fantástico de Algernon Blackwood. A história de vida do autor me cativou e deixou-me a com mais vontade ainda de ler as suas obras, principalmente “A Casa do Passado”
Segundo o jornalista e escritor Rui Castro, Blackwood já foi tão famoso quanto Bernard Shaw, E. G. Wells e Conan Doyle, mas depois caiu no ostracismo por décadas. Quando tinha 80 anos, foi convidado para ler um de seus contos na TV numa noite de Halloween e o sucesso foi tanto que ele ganhou um programa semanal e voltou à fama. 
O autor nasceu num pequeno vilarejo, próximo de Londres, em 1869, e é considerado
Algernon Blackwood
por muitos como um dos mais notáveis escritores de horror de todos os tempos.
Infelizmente, hoje ele não é tão lembrado quanto outros mestres de sua época. Para se ter uma idéia apenas uma ou duas de suas mais conhecidas estórias foram traduzidas para o português. Uma pena, pois, Blackwood deixou mais de 100 contos e estórias curtas que são verdadeiros clássicos da literatura fantástica.
Ele escreveu ao longo de sua carreira mais de 10 antologias de contos sobrenaturais, muitos dos quais encenados no palco ou transmitidos por rádio, além de diversos romances de sucesso.
Blackwood tinha um grande interesse em fantasmas. Prova disso é que vários de seus contos se dedicam a manifestações fantasmagóricas, tema que muito o fascinava. Amigos íntimos afirmam que ele acreditava no sobrenatural e frequentava círculos de discussão sobre o assunto como ouvinte e em algumas vezes como palestrante disposto a compartilhar suas teorias sobre o "mundo espectral". Ele fez parte de sociedades de estudo do sobrenatural como o Ghost Club e abordou o tema em seu romance "The Human Chord". Blackwood também integrou a renomada Hermetic Order of the Golden Dawn, a mais famosa Sociedade Mística do século XIX.
Um dos maiores fãs do autor era H.P. Lovecraft o que deixa evidente a sua importância para o desenvolvimento e popularidade do gênero.
Heloisa Seixas, tradutora e organizadora dos contos de A Casa do Passado
O meu desejo em conseguir o livro é tão grande que cheguei a entrar em contato – por email – com a jornalista e escritora Heloísa Seixas que foi a responsável por redescobrir Blackwood no Brasil. Foi ela também quem traduziu e organizou a coletânea de contos presentes em “A Casa do Passado”.
Heloísa foi muito educada e me atendeu com toda presteza. Disse-me que a obra, de fato, encontra-se esgotada e que ela, Heloísa, só tem um exemplar. “Se tivesse mais de um, com certeza, lhe daria com prazer”, me explicou.
Pois é, agora estou na expectativa de que alguma editora ou então a própria Record que lançou o livro há 17 anos, se sensibilize com ansiedade de milhares de leitores, incluindo este blogueiro, e promova um relançamento de “ A Casa do Passado”.
A obra, lançada em 2001, reúne 10 histórias de terror como 'Os salgueiros', sua obra-prima, 'O quarto ocupado', 'A Ala Norte' e 'A boneca', clássicos da literatura de horror. Os personagens dos contos de Blackwood vivem situações horripilantes, que não imaginaríamos nos nossos piores pesadelos. São pessoas comuns, subitamente envolvidas em histórias que fogem ao controle da lógica e do que pode ser explicado.
 O que chama a atenção na obra de Blackwood é a forma como ele trata os lugares onde se passam suas estórias. Ele privilegia as paisagens campestres e áreas rurais intocadas do mundo, lugares imersos em uma essência primordial. Florestas densas, pântanos ermos, rios estagnados, montanhas rochosas que nunca foram exploradas pelo homem e onde ele não é bem vindo. A paisagem desenhada pelo autor é quase um personagem atuante na trama, agindo como um organismo vivo que repudia a presença dos personagens. Blackwood não apenas descreve o ambiente, mas evoca uma sensação de ameaça, pois tudo é absolutamente escuro, sinistro, assombroso.
É isso aí galera! Torcendo para que relancem o livro ou para que os sebos tenham piedade, de nós leitores.
Fui!

2 comentários:

  1. Comprei o meu exemplar na estante virtual em torno de 3, 4 anos atrás, por volta de 30 reais, mas ainda não o li. Depois desta postagem, passarei na frente na minha lista de leituras!

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    1. Maurilei! Voce é um cara de sorte! E bota sorte nisto. O que voce está esperando. Leia, viaje e aproveite. Até agora, só ouvi elogios sobre a obra.
      Abraços!

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