sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Guerreiros da Tempestade (Crônicas Saxônicas – Livro IX)

Uhtred definitivamente é o cara! Já perto do final de “Guerreiros da Tempestade” quando o seu minguado exército estava prestes a confrontar uma hoste muito maior e com uma parede de escudos amedrontadora, eis que ele solta o seu grito de guerra: - Puta! Puta! Puta! - Antes disso ele começa a gritar outro nome inesperado, o qual não posso revelar agora porque acabaria ‘matando’ a história de Bernard Cornwell com um spoiler gigante. O que posso dizer é que se trata do nome mais improvável que um comandante guerreiro possa berrar à frente de uma parede de escudos antes do início de um embate sangrento. 
Mêo! Para levantar o ânimo de seus guerreiros que tinham uma missão praticamente impossível pela frente, Uhtred poderia gritar o nome da rainha da Mércia, Aethelflaed, ou então palavras aleatórias que inspirassem coragem, como: “Matar! Matar!” ou “Venham morrer seus bostas de vacas!”. Cara, sei lá; Uhtred já gritou tantos desafios antes dos confrontos com as temíveis paredes de escudos inimigas que eu já perdi a conta, mas o seu ‘berro de confiança” mais recente superou todos os outros.
Morri, suei, rolei, mijei, babei de tanto rir. E não só eu, mas todos os guerreiros de Uhtred, até mesmo os mais sisudos, começaram a gargalhar quando o seu chefe puxou o refrão com os dois nomes inimagináveis para uma batalha.
Este capítulo do 9º volume das “Crônicas Saxônicas’ é antológico e merecia abrir o post. Aliás, a batalha final - quando os homens de Uhtred e Sigtryggr enfrentam o exército dinamarquês do cruel Ragnall Ivarson – é repleta de surpresas e reviravoltas. As atitudes surpreendentes de Finan, Sigtryggr e Uhtred “filho”, além do velho Uhtred deixam os leitores boquiabertos. Você imagina uma coisa e acontece outra totalmente diferente.
Acredito que tenha sido a batalha mais rápida de toda a saga, acho que foram somente três páginas, nem isso; mas mesmo assim, foi uma das melhores por causa das surpresas proporcionadas pelos personagens que já citei.
Agora, analisando a obra de um modo geral, posso dizer que “Guerreiros da Tempestade” é o melhor dos nove livros, com exceção de “Os Senhores do Norte” que na minha opinião continua sendo o grande “bam-bam-bam” de toda a série.
Neste novo livro, Cornwell brinda os seus leitores com uma surpresa atrás da outra, uma verdadeira montanha russa. Gomer, a esposa de Leofstan, novo bispo da Mércia, não é nada daquilo que o leitor imagina. Ela tem fama de velha, feia, encolhida e não pronuncia uma palavra sequer durante grande parte da trama, sem contar que o leitor nunca sabe como é o seu rosto, já que está sempre coberto. Perto do fim da história quando é revelado quem é a verdadeira Gomer... Caraaaaacaaaaaaa!!!! Não pode ser verdade!!!
Cara, juro que levei um choque porque jamais imaginava que o bispo Leofastan fosse capaz de ... Bem, melhor você saber por si próprio. Mas já adianto para aqueles que estão duvidando da  masculinidade do bispo, que ele não é gay; pelo contrário. Portanto, a tal Gomer é um enigma que após descoberto, de fato, derruba o queixo da galera.
O mistério envolvendo Gomer é apenas um dos muitos existentes em “Guerreiros da Tempestade”. Temos ainda uma prostituta chamada Ratinha que tem os seus segredos surpreendentes; temos o retorno de Sigtryggr e Stiorra, genro e filha de Uhtred, respectivamente; temos um inimigo cruel que não mede as conseqüências de seus atos para conquistar a Northumbria e apor aí afora.
Mas uma das maiores surpresa do livro é a volta de Brida - amiga inseparável de Uhtred e também sua primeira amante em “O ÚltimoReino” (1º volume da saga) - que retorna como uma perigosa inimiga.
A transformação de Brida chega a ser assustadora. Comparo a sua metamorfose com a de outro personagem famoso criado por Cornwell: “Nimue” de as “Crônicas de Artur”  Na saga arturiana, a doce e sedutora Nimue vai se transformando, aos poucos, numa mulher rancorosa, vingativa e má o que acaba refletindo em sua imagem. Em “Excalibur”, volume que encerra as crônicas, vemos Nimue transformada numa perigosa bruxa.
A mesma transformação ocorre com Brida em “Guerreiros da Tempestade”. Chega a ser chocante para aqueles leitores que acompanharam a personagem desde a sua aparição em “O Último Reino”. Muito chocante..
Por todas essas surpresas e reviravoltas é que “Guerreiros da Tempestade” pode ser considerado um dos melhores livros da série “Crônicas Saxônicas”.

Ansioso pela chegada do 10º volume!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Casa dos Espíritos

Edição lançada pelo Círculo do Livro em 1982
Acabei de ler “A Casa dos Espíritos” da autora chilena Isabel Allende e sinceramente não sei o que escrever nesse post, porque tudo o que tinha que ser dito sobre a obra – coisas boas e ruins – já foi dito. O que me levou a criar inspiração para escrever esse texto foi o comentário de um amigo que me disse: - O livro é cansativo, mas apesar disso, consegue prender a atenção do leitor – Ele concluiu dizendo – Mas afinal, todas as sagas tem os seus momentos cansativos.
Mil vezes caraca! Eu não penso dessa maneira. Por discordar dessa opinião, acabou surgindo esse post como uma forma de protesto.
Acredito que um livro cansativo nunca irá conseguir prender a atenção do leitor. Você pode ser até um cara teimoso e enfrentar – aos trancos e barrancos –  o enredo até o final, mas vai achá-lo dose prá leão. Quanto as sagas, de um modo geral, terem os seus momentos cansativos ou arrastados, não é bem assim. Quando o enredo é ‘costurado por mãos hábeis’ ele se torna perfeito.  Que o digam: “Harry Potter” de J.K. Rowling, “As Crônicas de Artur” de Bernard Cornwell (ver aqui, aqui e aqui) e “Médicos de Homens e de Almas” de Taylor Caldwell, sobre a vida do apóstolo São Lucas (ver aqui). São histórias notáveis que prendem os leitores da primeira a ultima página. Portanto, existem sagas diferenciadas, sim. Dessa forma, quebra-se o mito de que todas elas tem os seus momentos cansativos. “A Casa dos Espíritos” se encaixa nessa categoria.
Não estou querendo bancar o advogado de defesa do livro de Allende; quero apenas dar a minha opinião. Dizer o que senti ao ler a obra. E o enredo é perfeito. Só isso.
“A Casa dos Espíritos” narra a saga da família Trueba no período de 1905 a 1975 e funciona como uma biografia disfarçada sobre vida da autora - principalmente na segunda parte da saga que conta o golpe militar ocorrido no Chile em 11 de setembro de 1973 e que culminou coma deposição do presidente  Salvador Allende.
A escritora é sobrinha do ex-presidente do Chile e relata na última parte do livro – mesclando personagens reais e fictícios - os momentos tensos que culminaram com a eleição de Salvador Allende e logo depois com a sua deposição e suicídio. Apesar de Isabel Allende não dar nomes próprios aos personagens reais apenas da trama, sabemos muito bem quem são eles. O “Candidato” é o seu tio Salvador Allende e o Poeta é ninguém menos do que Pablo Neruda. Os personagens fictícios que formam o núcleo da família “Del Valle foram baseados nos familiares da autora: pais, avós e tios.
A segunda parte do romance é densa e muito triste, mas também serve para reconstruir um dos personagens principais: Esteban Trueba. Costumo dizer que nos capítulos finais da saga, ele morreu para renascer e, renascer muito melhor.
No início vemos um Trueba centralizador, arrogante, perverso, maldoso e defensor ferrenho de um governo que menospreza as camadas sociais menos abastadas. Após o golpe militar, esse Trueba morre; nasce, então, um novo homem, com novos ideais e capaz de atitudes que o leitor jamais poderá  imaginar. E uma dessas atitudes é a reconciliação com um personagem que ele sempre fez questão de hostilizar. Cara, essa parte do enredo te emociona, e muito!
Se a segunda parte de “A Casa dos Espíritos” é repleta de tensões, a primeira parte é dedicada a magia. E que magia gostosa!
As excentricidades da “Família Del Valle”, principalmente de Clara, são o contrapeso para o ‘pega pra capá’ que chega na segunda parte da saga. Temos o esquisito e adorável Barrabás, um cão do tamanho de um boi e que apronta verdadeiras peripécias na história; o senador Severo Del Valle e a sua mania por carros velozes e esquisitos; Marcos, o tio de Clara, que vive aprontando confusões antológicas; e por aí afora.
Nem mesmo momentos macabros como aquele em que Clara decide sair procurando a cabeça de um personagem que ficou perdida após ter sido decepada num acidente automobilístico, deixa de ser engraçada.
Galera, enfim, um livraço. E nada cansativo.
Comprei num sebo a edição capa dura e com letras miudíssimas lançada pelo saudoso Circulo do Livro e a devorei em dois dias.

Valeu muito.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

“Histórias: Batman e Superman no Cinema” conta a trajetória dos dois super-heróis mais emblemáticos das HQs

Acredito que os fãs de Batman e Superman irão soltar foguetes durante toda a madrugada de hoje, após lerem esse post, sem se preocupar com os vizinhos ou a polícia. O motivo dessa alegria é o presentaço que eles irão ganhar no dia 22 de setembro. Um presente digno de fã fissurado. Bem... pelo menos é o que eu espero, já que não li o livro, apenas tive acesso ao release. Mas tudo bem, o autor tem pedigree. Longe de compará-lo com um pet puro sangue, o que eu quis dizer é que André Luiz de Albuquerque Azenha tem um histórico de respeito o que aumenta a expectativa com relação a chegada do livro.
O jornalista de 36 anos que também é crítico de cinema e produtor cultural, é o responsável pela edição do site CineZen Cultural  (www.cinezencultural.com.br) e colabora com textos e comentários sobre cinema e música para emissoras de TV, rádio, revistas, jornais e sites de Santos, São Paulo, Maceió e Rio de Janeiro. Quando sobra um tempinho, ainda ministra cursos e oficinas de cinema e jornalismo cultural. E para finalizar, foi colaborador do conceituado crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Em resumo, dá pra botar fé no livro do cara.
André Luiz Azenha
Ah! O livro! Pois é, vamos ao que interessa. No dia 22 de setembro, uma quinta-feira, a partir das 19 horas, acontece o lançamento de “Histórias: Batman e Superman no Cinema”, em São Paulo, no Instituto HQ, localizado na Avenida  Pompéia, 2040. No dia seguinte, a obra já estará marcando presença nas livrarias de todo o País.
“Histórias: Batman e Superman no Cinema” conta a trajetória desses dois super-heróis emblemáticos das histórias em quadrinhos que invadiram a televisão e o cinema. Ambos os personagens já passaram dos 75 anos de existência e têm sido retratados de diferentes formas desde os anos 40, quando surgiram as primeiras séries nas matinês cinematográficas dos EUA. Quase não havia televisão e esse tipo de programa era um dos mais famosos na época. Fã de Batman e Superman desde pequeno, André Azenha decidiu contar essas histórias em um livro.
O livro é um resgate dessas trajetórias e conduz o leitor a uma viagem no tempo. Mesclando jornalismo e crítica de cinema, o autor criou um presente de fã para fã e para quem pretende se iniciar pela história dessas duas figuras tão importantes da cultura pop a partir do século XX. Com ilustração da capa desenhada pelo artista plástico Waldemar Lopes, o trabalho tem curiosidades sobre a produção de séries e filmes, atores, cineastas, etc.  
O prefácio é do jornalista e cinéfilo Gustavo Klein. Ele adianta que o livro tem informações valiosas tanto para os fãs hardcore quanto para os espectadores eventuais. “Como não gostar da história daquelas primeiras tentativas de levar o Batman para o cinema, em forma de seriado, com aquele herói triste, de orelhas caídas e cigarros voando do bat-cinto de utilidades? A história de ambos na indústria audiovisual é coberta sem falhas”, explica.
E aí galera de Metrópolis e de Gotham City? Preparados para o foguetório?
Manda ver!

Ficha técnica: 
Histórias: Batman e Superman no Cinema. 
Autor: André Azenha. 
Ilustração da capa: Waldemar Lopes. 
Foto da contracapa: Paula Cristina Cagnani Fernandes Azenha. 
Identidade gráfica: Factor. 
Revisão: Adriana Martins. 
Produção: independente. 
Impressão: PoloPrint
Diagramação: Anne Charlyne Raviani
Formato: Bolso (12cmx21cm). 
114 páginas. 
ISBN: 
978-85-5522-112-5
Valor do exemplar: R$ 30.

sábado, 10 de setembro de 2016

Suma de Letras anuncia lançamentos de livros raros e esgotados de Stephen King. “Cujo” será o primeiro

O Oswaldo, um amigo meu, tem o hábito de gritar um sonoro e esculachado UIAAA!!, toda vez que é fisgado por uma surpresa agradável. Graças a sua mania, ele acabou ganhando o apelido de ‘Osvardo Uia’. E não é que o danado do apelido pegou?!. Hoje ninguém mais o chama pelo nome de Oswaldo Antunes Silva, mas de ‘Uia” ou então, ‘Osvardinho Uia’, e por aí vai.
Há alguns dias, o espírito do Uia baixou em mim; e tudo por ‘culpa’ de uma notícia bombástica divulgada pela Suma de Letras. A editora que mantém os direitos de publicação dos livros de Stephen King no Brasil anunciou que estará relançando obras raras e esgotadas do mestre do terror. Uiaaaaa!! O vizinho deve ter se assustado com o meu ‘Uia” que saiu tão alto e caprichado quanto o do ‘Osvardinho’. Confesso que fiquei euforicamente eufórico – desculpe-me o pleonasmo – mas foi assim que me senti ao tomar conhecimento dessa iniciativa da Suma de Letras.
Edição rara lançada pela Record em 1981
O tal projeto que pretende colocar no mercado vários livros esgotados do autor se chama “Biblioteca Stephen King” e de cara já irá publicar uma verdadeira obra prima: “Cujo”. O livro foi lançado no Brasil pela Record com o título de “Cão Raivoso”. Ele chegou às prateleiras das livrarias em 1981 e teve apenas uma edição. Caraca! Não entendo os motivos que levaram a Record a não colocar no mercado novas edições. Resultado: atualmente a obra está esgotada e sendo vendida a preços exorbitantes. Tomando por parâmetro o portal da Estante Virtual que agrega a maioria dos sebos do País, só existem no mercado brasileiro três livros “Cão Raivoso”. Um deles custa R$ 180,00; o segundo, R$ 239,00 e o último, R$ 249,00.
Então, após tomar conhecimento desses preços desanimadores e fora da realidade do mercado literário, chega a Suma de Letras e anuncia: “Gente, o São Bernardo raivoso chegará brevemente”. Mêo, quase tenho um treco! Agora me responda: vale ou não vale um “Uiaaa” caprichado? Claro que sim!
Quer mais? A editora foi além e confirmou o lançamento do segundo volume da
Livro lançado pela Record em 1980
Biblioteca Stepehn King. Trata-se de “A Incendiária”, também lançado pela Record, mas em 1980, e que dez anos depois ganharia uma nova publicação em capa dura pelo extinto Círculo do Livro. E ficou nisso. De lá pra cá não tivemos outras edições. Apesar dos preços de “A Incendiária” estarem mais acessíveis do que “Cão Raivoso”, existem poucos livros no mercado. No portal da Estante Virtual podem ser encontrados somente 10 por preços que variam de R$ 30,00 por R$ 74,00.
Tanto “Cão Raivoso” quanto “A Incendiária” foram adaptados para o cinema. O primeiro, em 1983, conta a história de uma mulher e seu filho de 4 anos que são aterrorizados por um gigantesco cão de 91 quilos da raça São Bernardo que se torna uma fera assassina e cruel após ser mordido por um morcego. Quanto ao segundo, foi lançado nas telonas em 1984 com o título de “Chamas da Vingança” e teve no papel principal a atriz Drew Barrymore ainda criança.
Cena do filme "Chamas da Vingança" com Drew Barrymore
“Chamas da Vingança” teve um roteiro fiel ao livro de King, onde um homem no passado, quando jovem, participou de uma experiência científica na faculdade e, depois que uma substância misteriosa foi injetada em sua corrente sanguinea, sua filha Charlie acabou herdando a capacidade de provocar incêndios com a ajuda da mente. Juntos, pai e filha são obrigados a fugir de uma agência governamental que descobre os poderes adquiridos pela garota.
Fica agora a expectativa com relação aos outros lançamentos da Biblioteca Stephen King. Tomara que venham obras consideradas raras, de fato, e não livros que ainda possam ser encontrados facilmente em livrarias e sebos à preços módicos.
Quando me refiro a obras raras quero dizer: “A Metade Negra”, “A Hora do Lobisomem”, “Trocas Macabras”, “Os Estranhos” e... “Os Livros de Bachman”, mas no caso desse último, acho que seria sonhar muito.

Inté!