domingo, 10 de dezembro de 2017

Autor brasileiro revela em novo livro, os segredos da infância e adolescência de Sherlock Holmes

Confesso que atualmente não sou um leitor de carteirinha dos livros de Sherlock Holmes. Por outro lado, posso afirmar que no passado – e na minha linguagem particular, esse passado que me refiro significa há mais de três décadas  atrás – fui um ‘carinha’ fissurado nessa lenda vitoriana. Mêo, tudo o que ‘pintava’ na minha reta eu traçava: livros, filmes, figurinhas, desenhos. C-a-r-a-c-a! Como eu curtia aquele o sujeito de  boina e cachimbo nos meus saudosos vinte e poucos anos.
Por isso, em 1985, quando foi lançado o filme “O Enigma da Pirâmide” fiquei muito feliz, pois teria a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a infância e  adolescência do meu grande ídolo. No final, a produção cinematográfica – muito boa, por sinal – explorou muito pouco essas duas fases da vida do personagem, se concentrando muito mais na solução do caso.
Sempre tive curiosidade em saber como Holmes adquiriu o seu famoso senso dedutivo, quem o treinou, quem foi o seu mentor, os seus amigos de infância, como Watson entrou em sua vida e etc e mais etc. Pra ser sincero, até hoje mantenho viva essas curiosidades.
Acho que agora, finalmente poderei ‘matá-las’ graças ao trabalho literário de um jovem autor gaucho chamado André Zanki Cordenonsi ou simplesmente A.Z. Cordenonsi. Ele acabou de lançar pela AVEC Editora o livro “Sherlock e os Aventureiros: O Mistério dos Planos Roubados” que promete revelar todos os segredos da infância do grande detetive inglês.
A inspiração para a obra foi o filme clássico de Steven Spielberg que também marcou a infância do autor. “A partir do lançamento do filme ‘O Enigma da Pirâmide’ passei a ser assombrado pelo grande detetive. Por algum motivo, meus colegas de aula acharam que eu era fisicamente parecido com o protagonista e o apelido ficou”, revela Cordenonsi com bastante nostalgia.
O autor também conta que a brincadeira na infância foi responsável pelo seu interesse na literatura investigativa de Sir. Arthur Conan Doyle, o criado do maior detetive do mundo.
“Dos contos e romances eu passei para o universo expandido, criado por inúmeros outros autores. Filmes, livros, pastiches, contos, jogos... Não importava. Se levasse o nome de Sherlock Holmes, eu dava um jeito de comprar”, conta o escritor.
Cordenonsi afirma ter se aproveitado da falta de informação sobre a infância de Sherlock para aprofundar seu universo fictício: “Pouco se sabe sobre onde Sherlock foi criado e por quem e como ele se transformou na máquina lógica mais perfeita da era vitoriana. Eu precisava criar um conflito para o jovem Sherlock, uma motivação que o levasse a dedicar seu cérebro à elucidação de crimes. Além disso, eram necessários mentores. Afinal, quem poderia ensinar a Holmes os princípios básicos da dedução? Seria ilógico imaginar que ele teria aprendido tudo sozinho”.
Segundo ele, assim nasceram Irene Lupin, filha de Arséne Lupin, outro personagem
Autor A.Z. Cordenonsi
famoso da época vitoriana, e Nikola Tesla, um sujeito real, que revolucionou a ciência e a engenharia. A primeira representando a paixão, o arroubo e a coragem, e o segundo personagem, encarnando a genialidade, a lógica e a matemática pelas quais o detetive virá a ser conhecido.
“Sherlock e os Aventureiros” é uma aventura infanto-juvenil com personagens que ainda precisam amadurecer. Segundo o autor gaúcho, na  idade em que os protagonistas estão, tudo é possível. “A juventude é contraditória por natureza, pois este é o processo natural de consolidação de suas posições. A minha intenção aqui era construir um trio de personagens divertidos, cativantes e muito humanos, respeitando a obra de Arthur Conan Doyle. Uma aventura divertida, para toda a família. Se cheguei lá, já posso me dar por satisfeito.”
Entre capangas homicidas, rinhas clandestinas e becos escuros, os três aventureiros vão explorar o submundo de uma Londres oculta e perigosa.
Taí, uma boa pedida para os fãs de Sherlock Holmes, que assim como eu, sempre quiseram conhecer os segredos da infância e adolescência do  emblemático detetive.
O livro já está à venda nas livrarias físicas e virtuais de todo o País.
Divirtam-se!


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Saga Crepúsculo (“Crepúsculo”, “Lua Nova”, “Eclipse” e “Amanhecer”)

Hoje, completam-se 10 anos que li o primeiro livro da ‘Saga Crepúsculo” da escritora americana Stephenie Meyer. Na época nem imaginava ter um blog literário, tanto é que o ‘Livros e Opiniões’ só surgiria, aproximadamente, quatro anos depois. Talvez  por isso, nunca fiz uma resenha de toda a saga que li e amei naquela época; à exemplo de muitos outros livros antigos que já havia devorado bem antes da chegada do blog e que só agora decidi resenhá-los. Sei lá, vai entender o que se passa em nossas cabeças.
Mas vamos ao que interessa: os livros de Mayer. Para ganhar tempo e espaço vou resenhar ‘numa tacada só’ todos os quatro livros que compõem a ‘Saga Crepúsculo’ – “Crepúsculo”, “Lua Nova”, “Eclipse” e “Amanhecer”.
Li todos eles e como já disse acima, amei. Ainda me lembro que na época, alguns amigos tiravam o sarro na minha cara, dizendo: - Não acredito! Você, tiozão, lendo um livro de menininha apaixonada – Pois é galera, tinha de aturar essas gozações, mas juro que não ficava chateado ou envergonhado, porque estava adorando a história. E quando a magia da leitura começa a te envolver, você esquece todo o resto.
Não sei se hoje teria pique e vontade para reler os quatro livros ou um deles que seja. Acho que comecei a ler a saga no momento certo, ou seja, bem antes do lançamento dos filmes que modificaram muito o enredo de Mayer - na minha opinião, para pior - e também da invasão de livros sobre vampiros apaixonados. Na realidade, não dá para explicar o desapego com a saga. O que posso dizer é que existem enredos – livros e filmes – que te envolvem totalmente num primeiro momento, o qual você vive intensamente e apaixonadamente, mas depois... a magia termina e você segue a sua vida normalmente sem vontade de revivê-los. ‘Crepúsculo’ teve esse efeito em mim.
Os quatro livros se resumem a uma história de amor. Terror mesmo, praticamente nada, servindo apenas de pano de fundo para o tema principal - meio que “Love Story moderno” - de Isabella Swan, uma garota de 17 anos e que nunca havia vivido grandes emoções em sua vida, e que acaba se apaixonando por Edward Cullen, um rapaz que esconde um terrível segredo. O cara é um vampiro, mas do ‘bem’.
Em “Crepúsculo”, primeiro volume da saga, somos apresentados a Isabella ou Bella que sai de Phoenix para ir morar com o seu pai no estado de Washington, numa pequena cidade chamada Forks.
Autora Stephenie Meyer
Neste livro conhecemos também Edward e o terrível segredo que envolve a sua família. Os dois se apaixonam e passam a viver um amor proibido, o que os faz se aproximarem ainda mais um do outro.
Não dá para negar que a história de amor de Edward e Bella é por demais envolvente e prende o leitor a cada página. Cara, é algo meio viciante, já que você  passa a torcer desesperadamente pelos dois. Sabem aquela palavrinha chamada “química”? Entonce, Mayer criou um casal com uma química perfeita. A garota bonita e inteligente que se apaixona pelo rapaz também bonito e inteligente, mas que carrega uma maldição: se alimentar de sangue para se manter sempre amável e controlado.
Em “Lua Nova”, o clima de romance proibido continua, mas com ênfase maior para outro personagem masculino: Jacob Black. Neste livro sai um vampiro e entra um lobisomem, já que Jacob pertence a segunda categoria de “seres sobrenaturais”. Edward aparece muito pouco na história já que no primeiro livro aconteceram eventos que o obrigaram... digamos, sumir de cena. Este fato inesperado  abre caminho para que Jacob - que já tinha uma queda por Bella - passe a lutar pelo amor da garota. Pronto! Esta formado o triangulo amoroso. Bella tenta se manter firme, mesmo sabendo que Edward pode não voltar nunca mais, mas as investidas de Jacob são bem estratégicas, então já viu, né?
Edward e Bella
No terceiro livro da saga, Edward reaparece, deixando Bella numa situação muito difícil: escolher seu amigo e lobo Jacob ou o seu namorado oficial para juntar os trapos e passar o resto de sua vida. Por isso, o lobo Jacob e o vampiro Edward passam a viver constantes discussões – quase chegando as vias de fato – por causa de Bella e também porque vampiros e lobos são inimigos mortais desde o início dos tempos. Este climão, somado a uma batalha épica no final, faz de “Eclipse” um dos livros mais tensos de toda a saga.
Além do triangulo amoroso: sanguessuga-humana-lobisomem, a obra ainda apresenta outro mote bem inquietante que é o surgimento de um exército de vampiros do ‘mal’ recém-criados que começa a matar várias pessoas em Seattle, uma cidade perto de Folks, colocando a segurança de Bella em perigo.
Com relação ao ultimo livro da saga, o ritmo é bem mais lento do que os três anteriores e não tem como fugir disso, já que “Amanhecer” é uma obra de definição. Como a autora foi deixando para trás muitas pontas soltas em “Crepúsculo”, “Lua Nova” e principalmente “Eclipse”, ela usou o livro seguinte para amarrar essas pontas. O ritmo lento é compensado com os momentos tensos das páginas finais e que culmina com um desfecho do tipo “felizes para sempre”.
Em “Amanhecer” Bella e Edward se casam e repentinamente descobrem que serão pais, já que Bella está grávida. Edward tem medo de que a criatura mate a sua mulher e não quer que o bebê nasça. Bella, no entanto, não abre mão de ter o filho.
Quando uma família, responsável em ditar as normas e leis no mundo dos vampiros exige que a criança seja sacrificada, pronto! É armado o estopim para a batalha final.
Há anos, gostei muito da saga de Mayer, mas hoje, os quatro livros já não me atraem tanto.

Inté!

domingo, 3 de dezembro de 2017

10 livros que, querendo ou não, acabaram acertando previsões sobre o futuro

Um dia desses, enquanto lia alguns livros antigos acabei exclamando: “E não é que ‘esse trem’ acabou acontecendo, de fato!!” Ocorre que a idéia impressa nas páginas da obra era tão utopista para a sua época que ninguém acreditava que pudesse se tornar realidade décadas depois. Pois é, prova de que o autor da tal idéia excêntrica estava certo e... os seus leitores, pelo menos a maioria, completamente errados.
Sei lá, acho que, de fato, alguns desses escritores eram visionários e escreveram as suas histórias baseadas em dados científicos, mas outros, simplesmente, atiraram no escuro e acabaram acertando.
Bem, deixando as divagações de lado, o livro que havia lido se chamava “O Guia do Mochileiro das Galáxias” escrito em 1980, onde o autor Douglas Adams já previa o ‘lance’ da tradução de voz em tempo real.
Após ler a obra, a minha mente engatilhou aquele clique surpresa, do tipo em que você larga tudo o que está fazendo, pára, dá um tapa na testa e diz: “Caraca! O fulano estava certo, mesmo!”
Gente! O Google Translate já está fazendo tradução em tempo real desde o final de 2014!
Taí galera, se existe um único culpado pelo surgimento desse post, esse culpado se chama Douglas Adams. Portanto, vamos para um top list de 10 livros, cujos autores querendo ou não, acabaram acertando previsões para o futuro.
01 – O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)
É claro que não poderia deixar de começar essa lista com o livro que me deu o insight para o post. Quem diria heimmm... que Douglas Adams tivesse uma idéia inconcebível para a sua época, mas que se tornaria realidade 34 anos depois. Pena que o autor não viveu o suficiente para ver a sua idéia, considerada amalucada para os anos 80, ser inserida na rotina de vida normal de todo e qualquer internauta. Adams faleceu em 11 de maio de 2001.
Ah, pêra aí! Além do Google Translate, outra novidade inspirada no tradutor do Mochileiro conhecido por ‘Peixe Babel’ é o ‘The Pilot’, dispositivo da Waverly Labs considerado o primeiro aparelho auricular inteligente do mundo, que traduz línguas diferentes automaticamente. Basta você baixar os idiomas desejados utilizando o aplicativo que acompanha o aparelho.
É mole?!
02 – Vinte Mil Léguas Submarinas (Julio Verne)
Caramba! Este cara era visionário demais! O sujeito acertou na mosca as suas previsões que entraram para o rol dos “fatos palpáveis” dois séculos depois! Em 1869, ao escrever “Vinte Mil Léguas Submarinas”, Julio Verne imaginou um submarino que utilizava um combustível eficiente e praticamente inesgotável. Muitos estudiosos o consideraram um escritor excêntrico e utopista, cuja idéia serviria apenas para ser utilizada como enredo de um romance de ficção. Pimba! Esta corrente pensamento conservadora quebraria a cara 200 anos depois.  O conceito de Verne se concretizou em 1955, com o lançamento do primeiro submarino movido por propulsão nuclear. Ele recebeu o nome de Nautilus em homenagem ao veículo descrito pelo autor em seu livro.
03 – 2001: Uma Odisséia no Espaço (A Sentinela) (Arthur C. Clarke)
Em 1951, Arthur C. Clarke escreveu um conto chamado ‘A Sentinela’ que deu origem ao emblemático filme produzido em 1968, chamado ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’, dirigido por Stanley Kubrick, sobre o supercomputador HAL 9000, que comanda uma espaçonave, adquire vontade própria e começa a eliminar os tripulantes. O filme prevê a criação de super-computadores inteligentes capazes de proezas inimagináveis – pelo menos naquela época -  como derrotar o homem no xadrez (coisa que aconteceu em 1997, quando um supercomputador da IBM bateu o campeão Gari Kasparov em um tira-teima).
O mesmo supercomputador inteligente da IBM conseguiu derrotar com extrema facilidade oponentes humanos em programas de TV americanos de  perguntas e respostas e agora, usa sua inteligência no diagnóstico do câncer e em análises financeiras.
Pois é, Clarke está corretíssimo; errado, estavam os descrentes da década de 50.
04 – Cyborg (Martin Caidin)
No livro, lançado em 1971, Martin Caidin conta a história de um astronauta de teste que sofre um acidente catastrófico e acaba tendo várias partes do corpo substituídas por membros biônicos de última geração. Após uma cirurgia experimental e revolucionária, o personagem acaba recebendo um olho, um braço e pernas biônicos, considerados na época uma grande fantasia.
Só que essa fantasia dos anos 70 se vestiu de realidade no ano de 2013 quando aconteceu o primeiro implante de perna biônica.
Há cerca de quatro anos, a Ossur - empresa islandesa líder mundial em sistemas não invasivos de ortopedia - também lançou no mercado, uma prótese que incorpora alimentação própria, sensores, atuadores e um computador que ronda um programa de inteligência artificial que permite que os pacientes caminhem naturalmente e em segurança.
Ao contrário das próteses tradicionais, onde o paciente deve se adaptar ao aparelho, a nova prótese Power Knee permite um andar totalmente natural, segundo depoimento do primeiro paciente a recebê-la.
Incrível, não acham? Talvez, até mesmo para Caidin, se estivesse vivo.
05 – Neuromancer (William Gibson)
Publicado em 1984 por William Gibson, “Neuromancer” é uma das três jóias do cyperpunk, juntamente com ‘Blade Runner’ e ‘Ghost in the Shell’.
Gibson mencionou em seu romance uma rede mundial de computadores que interligasse várias pessoas ao mesmo tempo. O autor teve essa idéia, sete anos antes dessa inovação tecnológica ser criada, inclusive a palavra ciberespaço foi usada pela primeira por Gibson em “Neuromancer”
No livro, um hacker após ter a sua habilidade de ingressar no ciberespaço perdida, consegue recuperá-la de maneira milagrosa com a ajuda de alguns amigos.
“Neuromancer” conquistou numa paulada só os três principais prêmios do gênero ficção científica: Hugo, Nebula, e Philip K. Dick.
06 – Da Terra à Lua (Julio Verne)
Galera, palavra. Quando comparo as nuances existentes entre o Projeto Apolo 11 (1969)  e o livro “Da Terra à Lua” (1865) enxergo Julio Verne quase como um profeta. Vejam só se tudo o que o autor escreveu não foi o mais puro profetismo; começando pela duração da jornada que levou Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins à lua que foi de 103 horas na realidade, uma diferente de apenas seis horas se comparada a obra de Verne que relata um período de 97 horas.
Quanto ao número de tripulantes (três), os locais de lançamento e pouso (Flórida e o Mar da Tranquilidade, na lua) e o regresso à Terra (com pouso no Pacífico e resgate por um navio) tudo coincide. Quer mais? A Apollo 11 media 3,7 metros de altura por 3,9 metros de diâmetro enquanto a cápsula de Verne, em forma de bala, media 4,8 metros de altura por 2,7 metros de diâmetro.
Acho que não precisa escrever mais nada.
07 – A Guerra dos Mundos (H.G. Wells)
No livro de 1898 sobre a invasão da Terra por marcianos, entre as armas descritas por H.G. Wells está um raio de calor poderoso o bastante para queimar seres vivos e incendiar edificações. Este recurso dos alienígenas já era uma antevisão dos raios laser, hoje usados para os mais diversos fins, desde científicos até militares.
As bases para a criação do raio laser só seriam lançadas 18 anos após o lançamento do livro de Wells. Em 1916, o físico Albert Einstein deu o ‘ponta pé’ inicial para a sua descoberta. No entanto essas bases ficaram esquecidas durante a Segunda Guerra Mundial. Foi em 1953, trinta e sete anos depois, que cientistas conseguiram produzir o primeiro laser, ou melhor, um dispositivo bastante similar a um laser, pois ele não tinha a capacidade de omitir ondas de forma contínua. 
08 – 1984 (George Orwell)
Ahahaha!! Tudo bem que George Orwell não produziu nenhum programa “Big Brother” na Globo, mas por outro lado, previu a implantação de um sistema de vigilância permanente há décadas.
O livro de Orwel escrito em 1949 é ambientado em determinada província onde predomina uma guerra perpétua, além de vigilância governamental onipresente e manipulação pública e histórica. Trata-se de um romance distópico que acabou sendo responsável por conceitos como Big Brother, Novilíngua e Polícia do Pensamento.
O protagonista de ‘1984’ trabalha no Ministério da Verdade, que se encarrega de estabelecer o que é falso e o que é verdadeiro. Os fatos são definidos pelo Estado, não pelos cidadãos. O Ministério da Verdade se encarrega de estabelecer os fatos que devem ser corretos para as pessoas constantemente vigiadas pelo Grande Irmão. Uma das muitas instituições de Orwell no livro é a onipresença da televisão, que não serve apenas para ver, mas também para serem vistos. Já a novilíngua, que serve para simplificar a forma como os cidadãos se expressam e assim evitar sentimentos e pensamentos indesejados
O livro foca-se em tópicos como a censura, a propaganda, e o governo opressivo numa sociedade futurista. Orwell também previu a vigilância em massa.
09 – Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)
Escrita em 1953, a trama do  livro de Ray Bradbury se passa mais de quatro décadas à frente de seu tempo, ou seja, nos anos de 1990. Neste período, o autor imagina uma sociedade americana hedonista e contrária aos preceitos que defendem a intelectualidade. Ler livros nesta época é um crime. Por isso, todas as obras literárias passam a ser ‘caçadas’ e queimadas.
Nesse mundo, todo trabalhador sonha em comprar sua “televisão de parede”, uma sala com projeções 3D e um sistema de som multicanal. Dentro desse contexto, as pessoas testam os seus conhecimentos e tratam todos aqueles que aparecem nos programas de  TV como membros de sua família.
‘Fahrenheit 451’ previu a chegada dos televisores com telas planas assim como dispositivos semelhantes aos atuais headphones. Outras tecnologias como o laserdisc e sistemas de som multicanal, que iriam tornar possível os home theaters, só surgiram na década de 1980.
10 – O Presidente Negro (Monteiro Lobato)
Estava em dúvida se encerraria esse toplist com o livro de Aldous Huxley ou o de Monteiro Lobato. No final das contas, decidi por Barack Obama ao invés da engenharia genética. Além do mais, Lobato é aqui, da nossa terrinha.
‘O Choque das Raças’ ou ‘O Presidente Negro’, foi o único romance adulto escrito por Monteiro Lobato, e publicado em 1926 em folhetins no jornal carioca "A Manhã". 
O personagem principal da obra se chama Ayrton Lobo que através de um professor passa a ter contato com uma máquina do tempo. Através dela, o personagem conhece os detalhes da campanha presidencial dos Estados Unidos de 2228. Nela, um candidato negro derrota dois adversários, uma mulher e um branco conservador, e é eleito.
O livro aborda situação parecida com as eleições dos Estados Unidos em 2008, na qual Barack Obama venceu Hillary Clinton na disputa pela candidatura pelo partido democrata, e, posteriormente, derrubou o republicano John McCain nas urnas.
Santa Previsão! Viram só o que Lobato previu em 1926?! A eleição do primeiro presidente americano negro!
Taí galera! Por hoje é só!


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Leandro Narloch lança livro que desmistifica a escravidão. “Escravos: a vida e o cotidiano de 28 brasileiros esquecidos pela história” já está à venda

Quando soube que o escritor e jornalista Leandro Narloch havia lançado mais um livro, sem pestanejar, sacrifiquei o meu horário de almoço para escrever esse post. Galera, o cara merece mais do que isto. Ele escreve demais. Cavuca demais. Desmascara demais. Quem leu os vários ‘Guias Politicamente Incorretos’ lançados por ele, sabe do que estou falando. Narloch abandona a praia segura dos historiadores e professores de História em geral para ir à fundo na busca de informações inéditas sobre determinados fatos relacionados ao nosso País.
Costumo comparar o seu trabalho ao lado submerso de um iceberg que não conseguimos ver. No momento em que arriscamos a abandonar a ponta da montanha de gelo para vermos o seu lado oculto, o susto é grande porque a outra ponta – a submersa - é quase vinte vezes maior. As revelações feitas pelo jornalista em seus livros são tão surpreendentes quanto esse lado camuflado de um iceberg.
Depois dos Guias Politicamente Incorretos da História do Brasil, da América Latina, do Mundo e da Economia Brasileira, eis que o ‘inquieto’ jornalista e escritor decidiu escarafunchar na história da escravidão brasileira que foi abolida oficialmente há quase 130 anos atrás.
O livro “Escravos: a vida e o cotidiano de 28 brasileiros esquecidos pela história”, novamente chega para estraçalhar determinados paradigmas relacionados a esse período que é considerado uma ferida na história do Brasil. Em sua obra, lançada há poucos dias, Narloch manda para os ares aquela versão marxista da escravidão que aprendemos nas escolas e que envolvia a luta entre opressor e oprimido. O autor mostra o período da escravidão no Brasil de uma maneira que a maioria de nós jamais viu.
Um dos exemplos simbólicos da complexidade do regime escravagista em nosso País, contidos em seu livro diz respeito a Joanna Batista, uma mulher livre de Belém que se vendeu como escrava. Segundo pesquisas realizadas por Narloch, ela se vendeu por 80 mil réis, sendo 40 mil réis em jóias e à vista e 40 mil à prazo. Ela teria se comprometido a passar um recibo de quitação de si própria quando o dono pagasse. Mas por que, Joanna havia decidido se vender como escrava? Uma resposta tradicional é que ela era tão pobre, estava tão miserável, que precisou de alguma casa. De algum lugar que pelo menos tivesse abrigo, roupa e comida para ela.
Mas de acordo com uma historiadora americana, citada pelo autor, chegou-se a uma outra conclusão: anos atrás, naquela época, era muito comum ter remoção de população. O governador falava: “Olha, essas pessoas estão aí, esses vagabundos, sem fazer nada. Então vamos levá-los para o trabalho forçado assalariado para alguma região de fronteira”. Esses deslocamentos eram muito comuns na história. Como todo mundo preferia morar na cidade do que na floresta, talvez a Joanna Batista tenha se vendido como escrava para preservar sua liberdade diante do estado.
Leandro Narloch
O autor explicita também que se os ‘patrões’ quisessem explorar ao máximo o trabalho de um escravo, valia a pena não incitá-lo à revolta. Esta atitude evitaria que ele fugisse e o seu dono  não gastasse muito dinheiro para capturá-lo depois. Por isso mesmo, pensando no próprio bolso, os senhores tentavam não pegar muito pesado com os escravos. "A gente tem que pensar "escravo" como uma propriedade. A gente tem um carro. Você vai arregaçar o seu carro, colocar uma gasolina ruim, quebrar o seu carro na parede? Claro que não. Justamente por pensar em si próprio, você vai tentar cuidar de seu carro. Mas as pessoas não são 100% racionais. Conheço muita gente, por exemplo, que trata o próprio carro da pior forma possível. E isso também era muito comum na escravidão. Então, nós temos aí dois cenários. O senhor que castiga muitos escravos, e os escravos que em vingança retaliam, onde se forma uma tragédia dos comuns: os dois lados saem perdendo. E o contrário também: o senhor era um pouco generoso e isso causava uma lealdade no escravo", explica o autor.
Tudo bem que Narloch não seja um historiador de formação, mas o livro está muito bem embasado em pesquisas sérias e na obra dos principais nomes de nossa historiografia moderna, como Katia de Queirós Mattoso, Sandra Lauderdale Graham, João José Reis, entre outros. 
Enfim, vale a pena ser lido para quebrar, pelo menos um pouco, a visão estereotipada do que teria sido a escravidão.
Inté!
Detalhes Técnicos
Título: Achados e Perdidos da História – Escravos
Subtítulo: A Vida e o Cotidiano de 28 Brasileiros Esquecidos pela História.
Autor: Leandro Narloch
Editora: Estação Brasil
Edição: 1
Ano: 2017-11-27
Especificação B rochura

Páginas: 208