quarta-feira, 27 de julho de 2016

Uhtred volta com tudo em “Guerreiros da Tempestade”. Lançamento do 9º volume das Crônicas Saxônicas já está em pré-venda

Por causa do acúmulo de trabalho fui obrigado a menosprezar as tradicionais ‘zapeadas das madrugadas’ que fazia nos sites das livrarias virtuais à procura de alguma obra interessante. Sem contar que a minha lista de leitura está descontroladamente enorme e a grana curta para novas aquisições.
Mas, ontem a noite resolvi retornar a rotina normal de ‘zapeadas’ e para a minha felicidade fui brindado, logo de cara, com uma surpresa pra lá de agradável.
Ao acessar o site de uma conhecida loja virtual topei com o pré-lançamento de uma verdadeira jóia rara chamada “Guerreiros da Tempestade” de Bernard Cornwell. Cara, toda a minha euforia é plenamente justificável, já que se trata do 9º volume da lendária saga “Crônicas Saxônicas” que vendeu milhões de livros em todo o mundo, além de ter transformado Uhtred num dos personagens mais emblemáticos criados por Cornwell. E o livro 9 das Crônicas chegará ‘babando’ nas livrarias brasileiras no próximo dia 13 de agosto. Bem, os leitores mais ansiosos, como eu, poderão reservar o seu volume em qualquer livraria virtual conhecida, já que “Guerreiros da Tempestade“ encontra-se em pré-venda.
Confesso que como amante fissurado na saga de Uhtred, Aethelflaed, Stiorra, Eduardo, Finan, Osfert, Ragnar e tantos outros, já estava impaciente para saber qual o destino de alguns personagens importantes. Não vejo a hora de conhecer o destino de Stiorra, filha de Uhtred, que se casou com um suposto inimigo dos saxões. De que lado penderá a lealdade do famoso guerreiro de Bebbanburg? Dos saxões ou dos pagãos? E quanto a Aethelflaed? Será que conseguiu se manter no trono, ostentando o título de “Senhora da Mércia”? Man, são tantas indagações!
Mas acredito que a grande expectativa dos leitores brasileiros diz respeito as memoráveis batalhas descritas por Cornwell, além das famosas e letais paredes de escudos.
Em “Guerreiros da Tempestade”, uma paz frágil reina em Wessex, Mercia e Anglia, governados pelos filhos do rei Alfredo: Eduardo e Aethelflaed. Mas por todos os lados, os guerreiros nórdicos estão se unindo em um imenso exército para conquistar de uma só vez as terras saxônicas.
Uhtred de Bebbanburg, o maior guerreiro dos reinos saxônicos, controla o norte de Mércia, liderando as tropas da cidade fortificada de Chester. Mas grupos imensos de guerreiros nórdicos estão se reunindo contra ele. Tribos do norte aliadas à guerreiros irlandeses, liderados pelo feroz rei Ragnall Ivarson, partem para conquistar os reinos saxônicos. Apesar da ameaça do confronto, tanto Eduardo quanto Aethelflaed estão relutantes em sair da segurança de suas fortificações, e confiam em Uhtred para sua defesa. Porém, o casamento de sua filha com o irmão de Ragnall Ivarson, coloca mais tempero ao enredo.

Enfim, é isso aí. Que 13 de agosto chegue logo.

terça-feira, 26 de julho de 2016

10 livros que o tempo esqueceu, mas que merecem ser lidos e relidos

É uma pena vermos, hoje em dia, tantos livros fraquinhos ganharem o status de bestsellers. O pior é que alguns deles chegam até mesmo a fazer a cabeça dos críticos. Cara, como isso dói. É claro que no meio de tanta sucata, existem bons livros, mas sinto dizer que o número de tranqueiras é maior. Enquanto isso, clássicos de um passado distante ficam relegados ao limbo do esquecimento.
O tempo é cruel com os livros; os bons, quero dizer. Ao longo de décadas foram publicados romances maravilhosos que encantaram gerações, mas com o passar do tempo acabaram caindo no esquecimento. Sabem de uma coisa? Estes livros são parecidos com nós, seres humanos: crescem, se tornam conhecidos, caem no esquecimento e depois morrem. Como se eles tivessem alma. Quando disse que eles morriam, me refiri ao encerramento definitivo de novas publicações. Então, só resta aos leitores empedernidos buscarem auxílio nos sebos, considerados o cemitério dessas obras. Fico pensando o que seria dos devoradores de livros se não fossem os “santos” sebos. Eles são indispensáveis, tanto que dediquei um post só para eles (confira aqui).
Hoje, gostaria de homenagear esses livros que o tempo esqueceu, mas que no passado foram devorados por várias gerações. O que me consola é que muitos leitores contemporâneos, alguns bem jovens – na casa dos seus 14 o 15 anos – ainda sentem prazer na leitura dessas verdadeiras obras de arte.
Vamos a elas:
01 – A Águia Pousou (Jack Higgins)
O livro escrito pelo inglês Jack Higgins foi campeão de vendagens em 1975. O tema abordado pelo autor que misturou ficção com realidade se transformou no principal assunto em várias ‘rodas sociais’ da década de 70. Todo mundo discutia qual teria sido a reação da Inglaterra se, por acaso, o seu primeiro ministro, Wiston Churchill se tornasse vítima de sequestro pelos alemães nazistas na década de 40.
Apesar do livro ter sido escrito há mais de três e meia após a 2ª Guerra Mundial, o tema abordado por Higgins continuou gerando muita polêmica devido a participação decisiva de Churchill na vitória dos aliados contra as tropas comandadas por Adolf Hitler. Ele realizou inúmeras viagens, costurou alianças e traçou estratégias militares fundamentais para a vitória aliada. Agora, imagine se esse famoso estadista do Reino Unido fosse seqüestrado pelas tropas nazistas? Qual seria o rumo da 2ª Guerra Mundial? Pois é, Higgins pensou nessa possibilidade e escreveu um verdadeiro ‘arrassa-quarteirão’ naquele ano.
O autor garante que cerca de cinqüenta por cento dos fatos narrados em sua obra são historicamente documentados.  Ele explica a complexa operação planejada pelo alto comando do Exército Nazista Alemão para seqüestrar o Primeiro-Ministro inglês que se preparava para passar um final de semana tranqüilo em Norfolk, interior da Inglaterra. A ação se passa em 1943. Sob o comando de Hitler; Heinrich Himmler e os coronéis Max Radl, Kurt Steiner e Liam Devlin levam suas tropas de pára-quedas a uma pequena cidade próxima de Norfolk, disfarçados de soldados poloneses. O plano era perfeito. Ele só não era capaz de prever uma paixão no meio da operação.
“A Aguia Pousou” teve ainda mais duas edições em 1984 e 1986, depois... nada mais. Em 1991, Higgins escreveu “A Aguia Voou”, uma continuação da história que não repetiu o sucesso da original.
02 – Pássaros Feridos (Collen McCullough)
Era o ano de 1985 e o SBT – canal de Silvio Santos que estava em funcionamento há apenas quatro anos – colocava no ar o primeiro capítulo da minissérie “Pássaros Feridos” com Richard Chamberlain, na época um galã que arrancava longos suspiros da galera feminina. A polêmica história de um padre que é apaixonado por uma moça que conhece desde criança conseguiu uma verdadeira façanha naquele ano: vencer a toda poderosa Rede Globo de Televisão.
Silvio Santos que não era bobo (e continua não sendo) atrasava a exibição da minissérie – cujo horário normal era as 21H30min – para não bater de frente com a novela Roque Santeiro da concorrente platinada. Resultado: Quando ia ao ar, “Passaros Feridos” engolia TV Pirata, Tela Quente, Magnum, enfim qualquer programa que fosse exibido naquele horário. A surra era humilhante.
Esta minissérie exibida originalmente pela rede norte-americana ABC – antes de ter os seus direitos adquiridos pelo SBT – foi baseada no romance de Collen McCullough escrito em 1977. À exemplo da minissérie, o livro foi um estrondoso sucesso e vendeu 30 milhões de exemplares, sendo traduzido para vários idiomas. A edição mais recente do romance de McCullough foi lançado em 2012 pela editora Bertrand, mas a sua venda estava cotada em euros.
“Passaros Feridos” narra A história do padre Ralph de Bricassart, que passa a vida no dilema de seguir na vida religiosa ou abandoná-la e viver plenamente seu amor por Maggie, que conhece desde criança, quando ela foi morar numa fazenda na Austrália de propriedade de sua tia Mary Carson, apaixonada por Ralph. Maggie, depois de crescida, acaba se casando com Luke O'Neill, enquanto Ralph segue em sua escalada rumo ao papado.Os dois vivem infelizes.
Loucamente desejado há quase 40 anos, hoje essa jóia rara da literatura caiu no esquecimento de muitos leitores viciados nas chamadas obras teens.
03 – O Enxame (Arthur Herzog)
O livro de 1976, lançado pela Artenova é fantástico e volta e meia o releio ou então dou uma folheada em algumas partes. Herzog usou um método inovador na época, deixando de lado introdução, prólogo, prefácio e outros inícios convencionais de obras, para estampar na história, logo de cara, notícias de ataques de abelhas africanas em várias partes do mundo.
As duas páginas, antes do 1º capítulo, contem textos jornalísticos sobre os estragos provocados pelas abelhas, além de relatos que indicam o surgimento de uma nova espécie mortífera do animal.
Confesso que foi um golpe de mestre de Arthur Herzog, pois logo no prólogo, ele já consegue fisgar a atenção do leitor, apresentando escancaradamente o vilão: as temíveis abelhas africanas.
As abelhas de “O Enxame” são completamente do mal: traiçoeiras, nervosas, descontroladas, ferroando homens e animais, mesmo sem serem molestadas, pelo simples prazer de matar (ver mais na resenha do livro). 
O livro teve uma única edição no Brasil, a de 1976 publicada pela Artenova com a clássica capa de um enxame atacando uma metrópole, causando o maior alvoroço.
“O Enxame” agradou tanto a crítica literária quanto os leitores da década de 70, mas atualmente, é um ilustre desconhecido.
04 – Os Invasores de Corpos (Jack Finney)
Viciante! É dessa forma que classifico “Invasores de Corpos”. Jack Finney misturou terror e ficção científica com maestria. O livro respira tensão, medo e suspense, sem apelar para descrições sangrentas.
Enquanto os escritores convencionais ‘daqueles tempos’ – o livro foi lançado originalmente em 1954 -  ainda pegavam carona na idéia de H.G. Wells e o seu fantástico “Guerra dos Mundos”, elaborando histórias de invasões alienígenas com naves espaciais pilotadas por seres hediondos de outros planetas; Finney deu chute nisso tudo e rodou a baiana. Ele substituiu as naves espaciais e os viajantes interplanetários por  vegetais alienígenas que viajam pelo espaço durante milhares de anos em busca de um planeta onde pudessem se reproduzir, substituindo seres vivos. E então, as ‘vagens-aliens’ encontram a  Terra. Os organismos originais padecem, enquanto, de dentro de vagens gigantes, irrompem clones desprovidos de emoção. Cara!! Finney foi muito astuto. Imagine como uma idéia dessa natureza foi recebida naquela época. Devido ao seu tom revolucionário, “Invasores de Corpos” foi um verdadeiro blockbuster literário nos anos 50. No Brasil, a obra só teria a sua primeira edição em 1978 pela editora Record. Em 1984, a Abril Cultura relançaria a história. Os leitores ainda seriam brindados com mais duas edições três anos depois (1987): uma de bolso e outra normal pela Nova Cultural. Depois disso ‘Zéfini’, nenhuma outra editora dos tempos modernos decidiu republicar a revolucionária história de ficção científica de Finney.
05 – Memórias de um Cabo de Vassoura (Orígenes Lessa)
Orígenes Lessa surpreendeu os leitores brasileiros em 1969 ao lançar “Memórias de Um Cabo de Vassoura”. No livro, um cabo de vassoura com um afiado senso crítico conta a sua trajetória desde a transformação de árvore em madeira, até sua decepcionante incursão no mundo dos homens e seu destino de utensílio de limpeza.
Na realidade, o cabo de vassoura representa a classe social mais sofrida dos anos 60; ou será que você pensa que a coisa ‘tá braba’ somente no Brasil de agora? O livro de Lessa apresenta questões relacionadas a desigualdade social, por isso acabou se transformando numa espécie de porta-voz da geração mais sofrida daquela época.
Hoje, pouco se ouve falar sobre esse livro. Que pena.
06 – O Dia do Chacal (Frederick Forsyth)
Frederick Forsyth criou dois personagens muito carismáticos. O Chacal, apesar de ser considerado vilão, tem o poder de seduzir o leitor. Ele é tão inteligente e detalhista que em certos momentos da trama, sem perceber, você se vê torcendo por ele. Então, entra em cena Label, tão inteligente e detalhista quanto o Chacal, e lá vai você trocar de lado em sua torcida. Este vai e vem na ‘preferência popular’ – bandido-mocinho, mocinho-bandido –  para descobrir quem leva a melhor no final é constante. O carisma de Chacal e Label são fod...   
O “Dia do Chacal”  é baseado em um fato real: a tentativa de assassinar o presidente francês Charles de Gaulle, que aconteceu em 1963, por obra de Jean Batistien-Thiry. O carro onde estava De Gaulle chegou a ser metralhado. Thiry era um funcionário público francês insatisfeito em perder seu cargo na Argélia  em virtude da independência do país  promovida por De Gaulle.
Forsyth ‘agarrou’ esse fato para compor a sua trama, com algumas modificações, é obvio. A principal delas foi trocar um funcionário publico insatisfeito por um mercenário misterioso contratado com a missão de eliminar o presidente francês.
O livro de Forsyth foi publicado no Brasil em 1971 e devido a ótima receptividade ganhou mais 12 edições nos últimos 13 anos, a última delas em 2010 pela Bestbolso. Depois a euforia acabou e nos últimos seis anos nenhuma editora manifestou interesse em colocar, novamente, a obra no mercado.
07 – A Cabana do Pai Tomás (Harriet Bucher Stowe)
O livro de Harriet Bucher Stowe recebeu inúmeras adaptações para a TV e o cinema em vários países, inclusive no Brasil. A Rede Globo exibiu uma novela sobre o livro no período de 7 de julho de 1969 a 28 de fevereiro de 1970. O Pai Tomás foi vivido pelo ator Sérgio Cardoso que viria a morrer em 1972, aos 47 anos, vítima de um ataque cardíaco.
"A Cabana do Pai Tomás" é uma história de fé, coragem, determinação, perseverança e luta. Stowe passa ao leitor um sentimento de revolta e indignação ao apresentar detalhadamente o comércio "legal" de seres humanos e a forma bruta e selvagem com que os senhores tratavam os negros a fim de obterem mais lucros em suas propriedades.
Esta obra literária contribui intensamente para a abolição da escravatura. Basta observar que, dois anos depois de seu lançamento, surgiu o Partido Republicano, que abraçou a causa abolicionista. A autora chegou até mesmo merecer do presidente norte-americano, Abraham Lincoln, esta consideração: Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra (a guerra entre os estados).
Uma pena ver um livro tão importante como “A Cabana do Pai Tomás”sem nenhuma edição recente.  A última foi lançada há 12 anos pela editora Madras.
08 – Presa (Michael Crichton)
Com certeza, “Presa” é o livro mais injustiçado de Michael Crichton. Enquanto a crítica especializada e milhares de leitores endeusam “O Parque dos Dinossauros”, “Mundo Perdido” e “O Enigma de Andrômeda”; “Presa” caiu no esquecimento.
Quando o livro foi lançado em 2003, aconteceu algo estranho, bem sui generis no meio literário. Vou tentar explicar. Todos que leram a obra de Crichton acharam-na magnífica. A crítica amou, mas em menos de quatro ou seis meses ninguém mais ouvia falar da obra! Falha de estratégia de marketing? De fato, não sei o que ocorreu. O que posso dizer é que o livro foi esquecido e acabou não vendendo o que merecia. Para que vocês entendam melhor, bastar dizer que o post que escrevi sobre o livro (ver aqui) em 2011 é o que tem menos acessos em todo blog, apenas: 66. Isto mesmo. Simplórios 66 acessos!
Aqueles que ainda não leram “Presa” estão perdendo uma das melhores leituras de toda a sua vida.
Crichton explora num ritmo frenético (tipo monta-russa) o polêmico tema nanotecnologia. Na história, um grupo de cientistas que realizam experiências com nanopartículas num laboratório isolado no meio do deserto de Nevada acabam cometendo um erro e uma nuvem dessas nanopartículas escapam. Em pouco tempo, elas vão se tornando inteligentes, auto-sustentáveis e auto-reprodutivas transformando os seres humanos em suas presas, em seu alimento.
“Presa” foi publicado uma única vez pela Rocco, em 2003. Depois disso, anything.
09 - Os Eleitos (Tom Wolfe)
“Os Eleitos” reproduz a história de pilotos de provas que se transformaram nos astronautas do primeiro projeto espacial americano. Tom Wolfe usa uma linguagem de fácil assimilação fazendo com que até mesmo os leitores que não estejam familiarizados com a história da corrida espacial americana compreendam perfeitamente o texto.
O filme baseado em “Os Eleitos” fez muito sucesso na época, 1983. A produção cinematográfica  tornou-se um clássico. Levado às telas em 1983, sob a direção de Philip Kaufman, com um elenco com nomes como Sam Sheppard, Ed Harris, Barbara Hershey, Dennis Quaid e Scott Glenn recebeu oito indicações ao Oscar (entre elas a de Melhor Filme), levou as estatuetas de Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Montagem.
O livro de Tom Wolf só foi lançado no Brasil pela editora Rocco em 1988, cinco anos depois do filme e  vendeu o suficiente para ser reeditado por mais duas vezes, sendo a terceira edição datada de 1992.  Parou por aí.
10 – A Metade Negra (Stephen King)
Cara, livraço! “A Metade Negra” estourou em vendagens na data de seu lançamento por aqui: 1991. Na época, a editora Francisco Alves detinha os direitos de publicação das histórias de Stephen King no Brasil. Acredito que aquele foi um dos melhores períodos para os fãs de King, pois ele escreveu verdadeiras jóias lapidadas. Anotem aí: “Os Estranhos”, “Trocas Macabras”, “Os Livros de Bachman” e outros. “A Metade Negra”, é claro, faz parte dessa leva.
Que eu me lembre, parece que o livro só teve uma edição, a de 1991. Depois nadica de nada. Fico P. da vida quando vejo o mercado literário entupido de relançamentos de King ainda atuais. Caraca, a obra foi lançada em 2015 e mal chegou 2016, já temos reedições?! E quanto aqueles livros fenomenais – como “A Metade Negra” - que só tiveram uma oportunidade na vida e depois sumiram?

É decepcionante!

domingo, 24 de julho de 2016

Desejo de matar

Quando “Desejo de Matar” com o saudoso Charles Bronson foi lançado nos cinemas em 1974, muitas pessoas sequer imaginavam que a história havia sido baseada num romance policial publicado dois anos antes do filme. Livro e filme são verdadeiros contrastes: o primeiro, um fiasco; o segundo, um sucesso inquestionável.
A produção cinematográfica que elevou, na época, o nome de Bronson a categoria de atores mais bem pagos de Hollywood fez tanto sucesso que ganhou mais quatro sequências. A franquia de filmes só terminou em 1994 com “Desejo de Matar V: A Face da Morte”, durando exatos 20 anos.
Quanto ao livro... Infelizmente, ninguém se lembra. Digo infelizmente porque a obra de Garfield é muito boa e por isso, não merecia ter permanecido no limbo.
O autor conta a história de Paul Benjamin (no filme o nome do personagem foi alterado para Paul Kersey), um pacato e obeso arquiteto de Nova York que decide sair passando fogo na bandidagem depois que sua família é violentamente atacada por um bando de marginais. A mulher de Benjamin é espancada e morta. Quanto a filha, após sofrer nas mãos dos criminosos, não suporta tanta brutalidade e acaba ficando em estado catatônico para sempre, sendo internada num manicômio. Isto é demais para Benjamin que percebendo a ineficiência da polícia que não consegue descobrir os autores do crime, resolve fazer justiça com as próprias mãos.
Mas a sua justiça é distinta. Ele não sai em busca de vingança contra os homens diretamente responsáveis pelo crime; pelo contrário, Benjamin nunca os encontra. Furioso com o fato de os cidadãos honestos serem prisioneiros numa sociedade dominada pelos marginais, o outrora pacato arquiteto torna-se um justiceiro que passa fogo em todo e qualquer bandido que encontre pela frente, punindo o crime em geral.
Este é o resumo do livro e também do filme, já que ambos são semelhantes. Os produtores optaram por uma adaptação fiel da obra de Garfield, excetuando o nome do personagem principal que foi trocado. Ah! A sua forma física também, já que Paul Benjamin é um cara obeso, enquanto o Paul Kersey de Bronson não tem nada de gordo.
Você que assistiu ao filme pode questionar: “Se livro e filme são parecidos porque perder tempo lendo a história?” A resposta é simples: lendo o romancevvocê vai acompanhar, em detalhes, as mudanças psicológicas do personagem, o que não ocorre no cinema.
Garfield mostra a desconstrução de um perfil psicológico e a construção de outro totalmente diferente. Não espere encontrar no livro a mesma ação e tiros do filme. Nas páginas, a ação cede espaço para o drama, as dúvidas, medo e revolta de Paul Benjamin, conhecido como “O Justiceiro”. O leitor presencia a transformação de um homem pacato em uma pessoa psicótica que quer eliminar todo ser humano, o qual julgue ser um criminoso, que cruze o seu caminho. Basta o sujeito colocar a mão no bolso para retirar um maço de cigarros ou a carteira que Benjamin já estará pensando que ele vai sacar um revólver ou uma faca. O lado violento e racista do personagem também é exacerbado no livro. Vejam só o seu raciocínio no momento em que viaja num vagão de trem lotado de passageiros: “Surpreendeu-se olhando para todos os rostos como se procurasse entre a multidão de passageiros alguns que ainda pudessem ser salvos. Quem quisesse fazer alguma coisa a respeito do excesso de população, ali era o lugar para começar. Contou as cabeças e descobriu que dentre os cinqüenta e oito rostos, sete pareciam ser de pessoas que tinham direito à sobrevivência. O resto era carne de canhão... Era fácil ver nos corpos e rostos que não mereciam viver, que em nada contribuíam, a não ser a sua catinguenta existência. Para que poderiam servir? Melhor seria exterminá-los”
Já no filme, vemos um vigilante menos psicótico, já que não temos acesso aos seus pensamentos mais intimos. A vantagem do romance é que o autor deixou um pouco de lado as cenas de caçada aos criminosos – acho que são quatro ou cinco e descritas de maneira bem sucinta – para investir na composição do personagem.
Por isso galera, vale muito a pena sim, ler o livro.


sábado, 23 de julho de 2016

Love Story (Uma História de Amor)

Os leitores que acompanham o blog há algum tempo  já conhecem a minha aversão por novelizações de filmes. Eu, simplesmente, detesto. Se fosse padre, excomungaria todos os autores que escrevessem as famigeradas novelizações. E talvez, eu não esteja assim tão errado já que a maioria dos livros com essa característica acabou naufragando, enquanto os filmes tornaram-se verdadeiros blockbusters. Em 2011 escrevi um post que explica muito bem a chamada maldição das novelizações.
Mas como para tudo nesse mundo existem as exceções, no caso das novelizações não é diferente. Uma delas é o livro de Erich Segal, “Love Story” que no Brasil recebeu o título de “Uma História de Amor”.
O romance lançado em 1970 foi o livro mais vendido nos Estados Unidos e traduzido para 33 idiomas. Na época as livrarias enfrentaram filas gigantescas de leitores que de tão desejosos em adquirir a obra chegaram a dormir nas portas das lojas.
Então, como explicar toda essa histeria por uma novelização? Bem, para decifrar esse mistério temos que voltar para 1969, ou seja, um ano antes do lançamento do filme. Pois é, Segal havia escrito um roteiro sobre o envolvimento de um rapaz rico com uma garota pobre que sofre de doença terminal. Os executivos da Paramount ‘amaram’ o enredo lacrimoso e sem pestanejar compraram o texto.  Frisando: isto, em 1969.  Para reforçar a divulgação do filme, a produtora pediu que o autor escrevesse também um livro baseado no roteiro cinematográfico, para ser lançado nas lojas no Dia dos Namorados do ano seguinte, semanas antes de o longa ir para os cinemas. A estratégia funcionou.
"Love Story", estourou em vendagens e o filme com Ryan O’Neal e Ali MacGraw se tornou a sexta maior bilheteria na história do cinema americano. A frase dita pela personagem de MacGraw no filme: “amar é jamais ter que pedir perdão” se tornou antológica e uma marca registrada para aquela geração.
Portanto, acredito que o sucesso da novelização de Love Story deve-se  a estratégia de marketing da Paramount que optou por lançar o livro bem antes do filme e numa data que tinha tudo a ver com a situação: o dia dos namorados. Acredito que por ter sido lançado antes da produção cinematográfica, o livro de Segal acabou perdendo o estigma de novelização.
Milhares de pessoas leram o livro antes de assistir ao filme o que resultou num sucesso estrondoso da obra. Não deu outra: esses mesmos milhares de leitores ficaram hiper-curiosos para ver como a história escrita ficaria nas telonas. Cara, essa estratégia de marketing simples mas eficaz, fez com que tanto livro quanto filme entrassem para o chamado rol da fama das obras antológicas.
Como já disse, o livro foi o mais vendido em 1970 na Terra do Tio Sam e lançado em mais de 30 países. Já a película cinematográfica faturou cinco Globos de Ouro, incluindo melhor filme e melhor atriz para Ali MacGraw, que pegou o papel por ser namorada de Robert Evans, um poderoso produtor da Paramount.
Conseguiu sete indicações para o Oscar, mas só levou a melhor trilha sonora, para Francis Lai.
“Love Story” também abriu caminho nos cinemas para os chamados filmes românticos de doença, onde sempre um dos protagonistas morria perto do fim. Afinal, onde você acha que “Como eu era antes de você”, “A culpa é das estrelas”, “Diário de uma paixão” e tantos outros se inspiraram?
Li o livro de Segal e também assisti ao filme dirigido por Arthur Hiller e posso garantir que as diferenças são praticamente inexistem. Obra literária e produção cinematográfica podem ser consideradas irmãs gêmeas.
Como já havia assistido ao filme há décadas - na minha infância - não me recordo de muitas coisas, por isso, as páginas de “Love Story” ainda conseguiram me prender; caso contrário, seria difícil.
Na trama temos um rapaz rico que estuda direito em Harvard e uma garota de classe baixa que dá um duro danado para pagar uma faculdade de menor prestígio. A família dele se opõe ao romance, mesmo assim, eles se casam e Oliver perde a ajuda financeira paterna.
Tempos depois, o choque: ela tem uma doença incurável. O roteiro não deixa claro, mas é leucemia. Quando a doença se agrava, ele acaba se reaproximando do pai que por sua vez, revê a sua forma de encarar o relacionamento do casal. Mas, já é tarde demais.

Um ótimo livro, desde que você não se recorde do filme.