terça-feira, 23 de agosto de 2016

Em novo livro, Turma da Mônica vai visitar o Papa Francisco

Man, sou fã do Papa Francisco. Além de estar levando temas tabus para serem discutidos dentro da Igreja, ele é carismático, atencioso e nada frio, bem diferente de alguns de seus antecessores – excetuando, é claro o lendário João Paulo II. Ele não tem medo de tocar em assuntos tradicionalmente polêmicos para a instituição e com isso, vai conquistando o respeito cada vez maior de um grande número pessoas, sejam católicos ou não.
Com certeza, o Papa Francisco tem muitos fãs famosos aqui no Brasil; um deles é Maurício de Souza. O criador da Turma da Mônica deixou isso evidente após incluir o Papa argentino em seu novo livro.
Pois é galera, agora, a conhecida ‘tchurma’ formada por Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e tantos outros vão fazer uma visita muito especial. Eles estarão se encontrando com o Papa Francisco na Praça de São Pedro, no Vaticano.
O livro será lançado no dia 3 de setembro na Bienal do Livro. Segundo Maurício de Souza, esse encontro inusitado será uma forma divertida de ensinar religião para tantos baixinhos, fazendo com que essa galerinha passe a se interessar pelo assunto.
Mas e as outras religiões? Muitos leitores desse post devem estar fazendo, agora, esse questionamento. Calma gente. Não é intenção do criador da Turma da Mônica levar as crianças apenas para a Igreja Católica. Para ele, todas as religiões são importantes. Prova disso é que em 2014 foi lançado pela Editora Boa Nova, o livro “Meu Pequeno Evangelho”, onde Cebolinha, Cascão, Magali, Anjinho e Penadinho se familiarizam com os ensinamentos de Jesus que estão no Evangelho segundo o espiritismo.
O encontro da “Turma da Mônica com o Papa Francisco” faz parte da série “Turma da Mônica Visita”, a mesma coleção que já levou Mônica, Cebolinha e seus amigos a outros destinos religiosos importantes para católicos no Brasil, como ao Santuário de Aparecida (SP), à cidade de Trindade (GO) e à festa do Círio de Nazaré, em Belém (PA).
A publicação é uma parceria da Maurício de Sousa Produções e a editora Santuário.
O lançamento oficial da obra contará com a presença da filha do desenhista, Mônica Sousa, autografando os livros e conversando com os leitores. Além dela, os personagens da Turma da Mônica também marcarão presença no stand. 

Uma boa pedida para a garotada.

sábado, 20 de agosto de 2016

Anjos e Demônios

Se você gostou de  “Código da Vinci” e “Inferno” – esqueça a bomba “O Símbolo Perdido”, acho que Dan Brown estava de ressaca quando escreveu esse livro – com certeza, “Anjos e Demônios” fará a sua cabeça. O livro lançado em 2004 e que também virou um filmaço tem um Brown em seus melhores dias. Cada capítulo é uma montanha russa com enigmas, traições, perseguições, enfim, um enredo que vicia o leitor, evitando que fique longe do livro por muito tempo.
Li “Anjos e Demônios” há algum tempo, mas ainda me lembro que não conseguia abandonar as suas páginas. Levava o romance para todos os lugares: no trabalho, no busão, no banheiro, na fila de banco, enfim, onde quer que eu fosse.
Man, o enredo tem muitos mistérios! E no final... todos eles são se cruzam de uma maneira bombástica deixando os leitores boquiabertos.
“Anjos e Demônios’ é considerada a primeira aventura de Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harvard, onde ele tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano.
Às vésperas do conclave que vai eleger o novo Papa, o emblemático professor é chamado às pressas para analisar um misterioso símbolo marcado a fogo no peito de um físico assassinado em um grande centro de pesquisas na Suíça. Ele descobre indícios de algo inimaginável: a assinatura macabra no corpo da vítima - um ambigrama que pode ser lido tanto de cabeça para cima quanto de cabeça para baixo - é dos Illuminati, uma poderosa fraternidade considerada extinta há quatrocentos anos.
A antiga sociedade ressurgiu disposta a levar a cabo a lendária vingança contra a Igreja Católica, seu inimigo mais odiado. De posse de uma nova arma devastadora, roubada do centro de pesquisas, ela ameaça explodir a Cidade do Vaticano e matar os quatro cardeais mais cotados para a sucessão papal.
Correndo contra o tempo, Langdon voa para Roma junto com Vittoria Vetra, uma bela cientista italiana. Numa caçada frenética por criptas, igrejas e catedrais, os dois desvendam enigmas e seguem uma trilha que pode levar ao covil dos Illuminati - um refúgio secreto onde está a única esperança de salvação da Igreja nesta guerra entre ciência e religião.
Em Anjos e Demônios, Brown novamente utiliza a sua marca registrada: trabalhar com símbolos ocultos que vão sendo desvendados aos poucos por Langdon, levando-o cada vez mais perto da verdade, uma verdade que pode ser sinônimo de tragédia.
Um livro para não ser lido, mas devorado.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

O Animal de Estimação e outros contos

“O Animal de Estimação e outros contos” do escritor mineiro Raphael Gomes é fantástico para aqueles que curtem a literatura fantástica. Trocadilhos à parte, como sou fã do gênero, amei o livro. Mas, novamente, alerto os leitores incautos: você tem que ser fã desse estilo literário.
Para aqueles que pensam que o “fantástico” na literatura ou no cinema são apenas fantasmas, assombrações, objetos que mexem sozinhos e por aí afora, se faz necessário esclarecer que o ‘buraco é mais em cima’.  Todo texto fantástico, desde comédias até terror e passando pelo humor negro, podem ter elementos inverossímeis, imaginários, distantes da realidade dos homens. Vamos lá, falando escrevendo mais claramente: mortos andando entre os vivos; árvores, pedras e animais que falam; pernas que andam  e raciocinam sem um corpo e etc e mais etc. Poderia ocupar esse espaço dando milhares de exemplos, mas acho que esses já bastam.
O livro de Gomes explora esse estilo com perfeição. Confesso que antes de ler fiquei um pouco temeroso por ser o fantástico um dos gêneros literários mais difíceis de escrever. Man, se o autor não dominar os fundamentos do estilo, com certeza, vai dar merda. É constrangedor, pelo menos para mim, ler algo que tão inverossímil que acabe se tornando patético. Muitas vezes, os autores se empolgam com os rudimentos do fantástico e se que esquecem que mesmo o inconcebível, precisa de um enredo e personagens críveis para sobreviver.
Por isso, passei a admirar esse autor porque ele conseguiu ‘rasgar o verbo’ no fantástico – mas rasgar de uma maneira exageradamente exagerada – sem foder todo o enredo. Os contos do livro de Gomes, mesmo tendo cabeças que vivem sem corpo, mulher minúscula que mora no armário de um homem, bebê que já nasce falando, um homem que é transformado em carvão para um churrasco entre a família, não caem no ridículo. A narrativa das histórias, algumas bem curtas,  fazem com que você se envolva com o personagem, sentindo a sua agonia ou então torcendo contra ou a favor. E conseguir esse feedback com os leitores quando se trabalha com elementos fantásticos é muito difícil, principalmente se o autor resolve ‘caprichar’ na dose do inacreditável, como fez Gomes.
No conto “Isabel A. Oliveira” me senti na pele daquela mulher que só tinha a sua cabeça! Pensei comigo: “Mêo, imagine eu acordando num hospital, após um grave acidente e percebendo que o meu corpo não existe mais, sobrando apenas a cabeça. Caraca! Que mal estar!
Em “O Animal de Estimação” que dá título ao livro, torci para que o dono de um bicho – sabe-se lá qual – encontrasse uma solução para evitar que o monstrengo continuasse crescendo de maneira incontrolável.
E o sujeito que descobriu que tinha ratos nascendo na cabeça! Imagine só, você  acordando e ao passar as mãos na cabeça descobre que ela se transformou num criadouro de roedores. Brrrr...
A obra tem 29 contos ligados pela temática do fantástico e do absurdo e com enredos que vão do humorístico ao onírico e ao angustiante. Prestem, também, atenção nas metáforas do absurdo real existentes em nosso dia a dia e que não vemos. Elas estão, digamos... embutidas nos contos. É o caso do cara pobre que só passa a ter importância na comunidade em que vive, após conseguir algum bem de consumo de valor ou então o individualismo crescente que faz com que só pensemos em nossos problemas, esquecendo de outras adversidades bem mais complicadas enfrentadas por pessoas próximas e etc.
Se você é fã do fantástico, leia. Com certeza irá gostar. De quebra ainda poderá refletir a respeito de preconceitos que estão arraigados em nossa cultura.

Inté!

domingo, 14 de agosto de 2016

Joyland

Mais do que a revelação do nome do ‘assassino do parque’ que acontece nas páginas finais. Mais do que os trechos macabros que envolvem gargantas cortadas e até um pedaço de nariz dependurado no rosto. Mais do que tudo isso junto e misturado, “Joyland” oferece aos seus leitores algo muito melhor e que torna a leitura surpreendentemente prazerosa: os relacionamentos entre os personagens descritos de maneira envolvente por Stephen King.  Usei acima, o termo “surpreendentemente” prazerosa porque King é o mestre do terror e suspense e por isso, o obvio seria ‘fisgar’ a atenção dos seus leitores por meio desses artifícios, mas em “Joyland” acontece o inverso. O clima de terror no enredo é mínimo e o de suspense, apenas meia boca, melhorando um pouquinho no final. Mas por outro lado, a interação entre os personagens é divinamente fantástica e provoca uma onde nostalgia e tristeza nos leitores. A história tem vários momentos que mexem com a gente, nos deixando melancólicos, tristes, emocionados, enfim, uma verdadeira miscelânea de sentimentos em suas 239 páginas.
A publicação americana Entertainmet Weekly definiu muito bem o enredo “Joyland”: “arrasadoramente triste”. Mas isso não significa que por ser “arrasadoramente triste” o romance seja ruim ou depressivo. Não. E para provar  isso recorro a outras duas definições dadas pelos jornais americanos USA Today e The Washington Post que dizem: “intenso e cativante” e “emocionante... imensamente atraente”, respectivamente.
Cara, no que diz respeito a sentimentos, o livro é fodástico. Tudo bem que da maneira como estou escrevendo esse post, a impressão que fica é de que o livro de King  se pareça mais com uma melosa história de amor do que um terror ou suspense. Nada a ver a galera. Estou me referindo a um tipo diferente de sentimento, muito distante dos dramalhões de “Love Story” ou “Como Eu Era Antes de Você”, ambos, inclusive, muito bons. O que estou querendo ou tentando dizer é que a narrativa é sobre amizade, a verdadeira amizade. King, de maneira mágica, descreve como ocorrem as etapas para se formar esse vínculo: o início, o meio e o fim. O autor mostra que a verdadeira amizade nunca termina, mas muitas vezes o distanciamento -  provocado por determinadas situações que fogem do nosso controle – faz com que os verdadeiros amigos acabem se separando, pelo menos fisicamente.
É impossível ficar imune ao sentimento de amizade entre Devin Jones, Erin Cook e Tom Kennedy, os quais eu apelidei carinhosamente de “Os Três Mosqueteiros”. A interação do leitor com esses três personagens é visceral. No meu caso, tive a oportunidade de viver ‘ao lado’ deles momentos alegres e inesquecíveis no Parque de Diversões Joyland e também momentos muito tristes, entre os quais, a separação dos três por força do destino.
“Joyland” não resume apenas a interação entre esses três personagens. Temos ainda o relacionamento conflituoso entre Devin Jones e Annie Ross, a filha rebelde de um famoso pastor com programas no rádio e TV. No início a aversão entre os dois é recíproca, mas depois essa convivência reserva verdadeiras surpresas para o leitor e posso garantir: surpresas emocionantes. Ross é mãe de um garotinho chamado Mike que tem o dom de falar com fantasmas e por isso, prever o futuro. Ele sofre de uma doença incurável e sabe que já está com os seus dias contados. King descreve de forma cativante como vai se formando o elo de amizade  entre esses três personagens. Conflituosa no início – principalmente entre Devin e Annie - e deliciosamente verdadeira no final.
Com relação ao núcleo de personagens que trabalham no Joyland temos Lane Hardy; Fred Dean; Rosalind Gold, uma cigana misteriosa e sua bola de cristal; Bradly Easterbrook, o ativo velhinho com quase 90 anos que é o dono do parque; Eddie, um funcionário rabugendo e mau caráter que deixará o leitor surpreso, com uma atitude inesperada que tomará no final; além do fantasma de  Linda Gray , que foi uma das vítimas do assassino do parque.
Enfim, “Joyland” é isso. Um livro com relacionamentos marcantes e personagens viscerais. Reviravoltas, surpresas, terror e suspense? É claro que existem, afinal estamos falando de um livro de Stephen King, mas eles funcionam apenas como pano de fundo, meros coadjuvantes.
“Joyland” é narrado em primeira pessoa por Devin Jones que relembra os acontecimentos que ele viveu em 1973 quando começou um trabalho temporário num parque de diversões, esperando esquecer a namorada que partiu o seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando o seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Gray foi morta no parque Joyland há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso.
Beleza galera?
Ótima leitura e curtam bem os personagens e seus momentos.

Inté!