terça-feira, 25 de julho de 2017

Professor capixaba lança “Charuto Cubano”, seu 4º livro

Fico feliz quando surgem novos escritores brasileiros e procuro, na medida do possível, ajudá-los na divulgação de suas obras. Acredito que uma das funções dos blogs literários é apoiar essas iniciativas. Pena que grande parte dos nossos colegas blogueiros (as) se perdem no mundo das parcerias com as grandes editoras e acabam ficando mais preocupados em produzir conteúdos de lobby visando aumentar o seu ‘arsenal’ livros ganhos. Resultado:  fecham os olhos para os escritores iniciantes que dependem muito desses blogs para um primeiro empurrãozinho em suas carreiras.
Durante a semana recebi uma mensagem em minha caixa de e-mail de uma representante da editora Mil Palavras que está lançando o livro “Charuto Cubano” de Jaci Alvarenga.
Segundo nota da editora, a obra está focada na crítica social e política, que teimam em permanecer fora da agenda dos governantes. “Charuto Cubano”, nasceu da idéia de descrever o quadro político atual do país através dos colóquios de um grupo social. O livro traz temas como corrupção, evergetismo, cultura, alcoolismo, violência doméstica e cinismo social em diálogos entre os personagens, com uma pitada de dramaturgia teatral sem ser uma obra destinada aos palcos.
A editora também explica que o lançamento reproduz a realidade do sujeito diante da vida. Os personagens discutem, dentro de um bar, tudo o que ouvem e lêem cada qual com seus pontos de vistas. Neste cenário, colocam em pauta suas alegrias, amarguras, sonhos, realidades e indignações. “Charuto Cubano é uma crítica político-social em linguagem metafórica contra o capitalismo, relatando fatos atuais com o objetivo de abrir debate e deixar um legado social para as próximas gerações”, diz a nota da editora distribuída aos blogs.
Por sua vez, o autor da obra faz questão de frisar que não é dramaturgo e pouco
Jaci Alvarenga
entende desta forma de arte. Simplesmente criou um argumento, imaginou as cenas e inseriu as palavras nas falas de cada personagem. “Em suma, esta obra não se destina à realização teatral”, diz ele.
Jaci Alvarenga Theodoro Filho é capixaba de Muqui, e sempre teve o sonho de escrever. Sua carreira no mundo das grandes empresas foi fundamental para colocar em prática as suas duas primeiras obras: Teoria J – uma abordagem ousada sobre empreendedorismo (2013) e Empreendedorismo: dilemas, fatos, fachadas e os mistérios da vida (2015).
Após este período, Jaci resolveu enveredar para o mundo literário buscando sua inspiração em temas sociais e políticos, principalmente da época da ditadura e de uma sociedade massacrada por crises econômicas. Assim, em 2016, nasceu Servos Modernos - revolucionários silenciosos, que serve como base para a sua mais nova obra: Charuto Cubano.
Engenheiro Eletricista com ênfase em Telecomunicações e mestrado no Uruguai, Jaci passou por várias corporações, mas se apaixonou pela carreira de professor. Ele leciona desde 2006 na Fai – Centro de Ensino Superior, Tecnologia e Educação, em Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. O escritor é casado, tem três filhas e reside na cidade de Campinas. 
“Charuto Cubano” está sendo distribuído pela Multifoco. Os interessados poderão adquirir o seu volume nesse endereço.

Boa leitura!

sábado, 22 de julho de 2017

O Historiador

Não gostei. Achei descritivo demais, enrolado demais e longo demais. Aqueles que discordarem até poderão dizer o seguinte: - As obras de Patrick Rothfuss e Tolkien também são descritivas... e muito!. – Tudo bem galera, eu concordo que elas também possuem essa característica, mas por outro lado os momentos de ação, o chamado ‘pega prá capá’, estão lá, entremeando-se com os instantes descritivos. Já o clássico Drácula de Bram Stoker, mesmo com raras cenas de ação, brinda os seus leitores com uma carga enorme de tensão, ansiedade e principalmente medo que é o ingrediente principal de uma obra de terror.
Já em “O Historiador” de Elizabeth Kostova, o exagero nas descrições de lugares, paisagens e situações somados a falta de ação ou tensão deixam a história muito enfadonha. Admito que foi difícil concluir a leitura das 541 páginas do livro. E agradeço a minha qualidade de leitor persistente que esporadicamente abandona uma história no meio, caso contrário...
O engraçado é que a proposta inicial de Kostova é ótima e assim, as pessoas que tem o hábito de lerem a sinopse oficial de uma obra, antes de encará-la, com certeza acabarão sendo fisgadas como eu fui. Mas após mergulhar na essência do enredo, essa proposta inicial acaba se diluindo por causa dos problemas que já citei no início do post.
Se “O Historiador” tivesse, pelo menos, ‘uns’ 30% de ação e tensão das páginas finais e ‘bem finais’, a história seria ótima; devorativa, como costumo dizer. A impressão que fica é que a autora resolveu concentrar todo o clímax da saga envolvendo Vlad ou Drácula – tanto faz – nas últimas páginas.
O livro narra a trama de uma jovem que, após explorar a biblioteca do pai, encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas são todas endereçadas a “Meu caro e desventurado sucessor”.  Estas correspondências fazem alusão a um dos poderes mais maléficos que a humanidade jamais conheceu, e a uma busca secular pela origem desse mal e sua erradicação. Trata-se de uma caça sobre a verdade de Vlad, o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado gerou a lenda de Drácula.
Esta introdução chamativa da obra de Kostova pega o leitor – aficionado por relatos sobre vampiros –  no contra-pé, deixando a sua curiosidade borbulhando, à flor da pele. Na contra capa do livro, a autora já tasca: “Gerações de historiadores arriscaram reputação, sanidade, e até mesmo as próprias vidas para conhecer a verdade sobre Vlad e sobre Drácula. Agora, uma jovem precisa decidir continuar ou não essa busca – e seguir seu pai em uma caçada que quase o levou à ruína anos antes, quando ele era um enérgico estudante universitário e sua mãe ainda era viva”. Agora, para um pouquinho e me responda com toda sinceridade: Não é o tipo de introdução que fisga o sujeito como um peixe? Pois é, foi dessa forma que eu fui fisgado.
É claro que uma obra literária jamais pode ser considerada unanimidade. Por melhor que seja um livro sempre haverá um grupo de leitores destoantes que não irá gostar de alguns trechos ou da obra inteira. E por pior que seja um livro, também teremos leitores que irão aprová-lo, chegando muitas vezes a transformá-lo em Cult.
No meu caso, com relação ao “O Historiador”, friso que não gostei.
Indo!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vem aí os novos mangás da editora Draco e com frete grátis!

Se você é fã de mangás, certamente irá gostar dessa novidade. Uma editora brasileiríssima - com desenhistas e autores também brasileiríssimos - que está fazendo bonito no concorrido mercado de histórias em quadrinhos de origem japonesa promete grandes novidades do gênero para esse ano. Estou me referindo a Draco. Quer uma prova de que a editora é fera nesta arte? Vamos lá: em 2016, ela faturou o ‘Troféu HQ Mix’ na categoria ‘especial mangá’ com a obra  “Quack – Patadas Voadoras” de Kaji Pato.
E agora, em 2017, a Draco anunciou mais novidades sobre sua linha de mangás originais. Dentre elas, o lançamento de duas novas séries: JaPow!, de Jun Sugiyama e Eduardo Capelo; e Divisão 5, de Rafa Santos e Wagner Elias. Ambas em pré-venda exclusiva e com frete grátis no site da própria editora.
JaPow! é um mangá é uma história da fantasia urbana ambientada no bairro da Liberdade, onde heróis e vilões convivem com comerciantes, turistas e comidas típicas. Já Divisão 5 mostra uma organização secreta fundada nas margens da História do Brasil e que resolve os mais acachapantes mistérios que surgem nas sombras da sociedade!

Outra novidade é que um segundo volume do mangá Zikas, de Raphael Fernandes e Alessio Esteves, será lançado com arte de Silveira JR. Retomando a série de fantasia dos orcs do rolezinho e levando os personagens para invadir um parque de uma região rica da cidade de San Paulo.

Também foram confirmados os quartos volumes de Quack, de Kaji Pato, e Tools Challenge, de Max Andrade. A dupla terá mesa no Artist’s Alley da CCXP e levará os novos mangás impressos para o evento.
Os envios dos mangás – com frete grátis – adquiridos através do site da Draco está previsto para o dia 10 de agosto. A boa notícia é que as obras já estão em pré-venda.
Os interessados em conhecer melhor o catálogo de quadrinhos e mangás da Editora Draco podem visitar o site e até mesmo ler HQs gratuitas no site Dracomics.com.

Grande pedida para os fãs de mangás.

domingo, 16 de julho de 2017

O Bazar dos Sonhos Ruins

Logo na introdução do livro, Stephen King se apresenta como o dono de um bazar que vende histórias de terror bem peculiares como mercadorias. Porque peculiares? É que elas, às vezes, tem dentes e podem morder ferindo o leitor. E de que maneira um conto de terror pode ferir? Simples. Quando ele incomoda, impedindo o leitor de levantar da cama durante a noite para ir ao banheiro. O pavor, após ler algumas páginas, é tão grande que a ‘vítima’ chega a ter receio de colocar os pés no chão, temendo de ter alguém ou alguma coisa escondido debaixo da cama, pronto para dar o bote. Este é o tipo de história que tem dentes.
Mas em “O Bazar dos Sonhos Ruins”, faltam dentes para a maioria dos contos. Cara, não acredito que estou falando escrevendo isso, porque sou um fã extremado de King. Tenho quase todos os seus livros, além disso, um punhado de posts desse blog faz referencia ao autor, mesmo quando o assunto não tem nada à ver com Mr. King. É sério; eu o considero um mestre do gênero, mas ao escrever esse post prefiro optar pela sinceridade e deixar o meu ‘lado-fã’ um pouco esquecido.
Dos 20 contos que compõem o livro gostei da metade, mas dessa metade, eu dispenso três que não tem elementos de terror em suas tramas, pelo menos para mim. Portanto, apesar de bons, eles não mereciam fazer parte da coletânea. São eles: “Batman e Robin tem uma discussão”, “Herman Wouk ainda está vivo” e “Fogos de artifícios e bebedeiras”. Inclusive, me diverti muito com esse último. Dei boas risadas. A disputa entre duas famílias para saber quem é capaz de soltar os fogos de artifício mais poderosos durante os finais de ano é gostosamente hilária. Achei o máximo, mas... a história não tem dentes.
No outro extremo, encontra-se “Batman e Robin” tem uma discussão” que aborda o relacionamento de um filho com o seu pai que se encontra num asilo. No final, o velho que está com Alzheimer – vive trocando poucos momentos de lucidez com muitos momentos de esquecimento – acaba salvando a vida do filho de maneira inusitada. Emocionei-me muito com a história, mas... novamente faltam os dentes.
E finalmente, um outro conto  com muita qualidade, mas que não pode ser enquadrado no gênero terror é “Herman Wouk” ainda está vivo”. Nele, King relata a rotina de vida de um casal de poetas idosos que vive em harmonia e muito feliz, contrastando com duas amigas frustradas, com problemas na vida sentimental e também no trabalho. A vida dessas quatro pessoas se cruza de maneira trágica durante  uma viagem. Apesar da narrativa forte e tensa, principalmente no final do conto, faltou a palavrinha mágica chamada terror.
Eliminando esses três, sobraram sete contos muito bons que fazem jus ao gênero. Estes sim, com dentes. “Milha 81”, “Duna”, “Ur”, “Indisposta”, “Obituários”, “O Pequeno deus verde da agonia” e “Garotinho malvado”, de fato assustam, mas os dois últimos ‘arrebentam’ e lembram o King do  arrepiante “Tripulação de Esqueletos”, que eu considero o melhor livro de contos de terror  já escrito pelo autor.
O garotinho malvado do conto homônimo arrepia todos os cabelinhos do corpo. E olha, que eu disse todos os cabelinhos, até os mais secretos. O pestinha que usa um boné com uma hélice pode ser considerado a essência da própria maldade;  mas apesar do autor, durante toda a narrativa, não atribuir ao personagem características sobrenaturais, no final da história, o leitor fica na dúvida se ele é desse mundo ou não. Pelo menos, eu fiquei.
Outro conto que dá calafrios é “O pequeno deus verde da agonia”. Nele, nós temos a volta do velho King das histórias sobrenaturais – prefiro o King do sobrenatural ao o King do terror psicológico. Nesta história, uma enfermeira incrédula que cuida de um paciente que sofre dores atrozes por todo o corpo, após ter sofrido um grave acidente, muda as suas convicções depois de presenciar um estranho exorcismo praticado por um religioso que insiste em dizer que a dor é um demônio que está escondido no corpo do pobre homem. Caraca, esse conto me assustou e muito!
“Ur” – os fãs da série ‘A Torre Negra’ irão gostar -, “Milha 81”, “Duna”, “Indisposta” e “Obituários”, apesar de não assustarem tanto, também são bons. “Obituários” lembra muito aquelas histórias da antológica série de TV “Além da Imaginação”. Quanto a “Indisposta”, com a aproximação do final do conto, o queixo do leitor vai caindo aos poucos.
No tocante a “Premium Harmony”, “Uma morte”, “Igreja de ossos”, “Moralidade”, “Vida após a morte”, “Mister Delícia”,”Tommy”, “Aquele ônibus é do outro mundo”, “Trovão de Verão” e “Blockade Billy”, melhor esquecer. Este último, para aqueles que não gostam ou desconhecem completamente as regras do beisebol, decerto será um tormento.
Na minha opinião, acredito que será difícil surgir um livro de contos tão bom quanto “Tripulação de Esqueletos”. Este sim, tem dentes e também garras.

Inté!