domingo, 19 de fevereiro de 2017

‘Frankenstein’ e ‘Edgar Allan Poe’ - série Medo Clássico da DarkSide - provocam frisson nos leitores

Cara, tô pasmado! Mal a DarkSide colocou nas bancas os seus dois primeiros livros da nova coleção “Medo Clássico”, as obras sumiram! ‘Edgar Allan Poe’ e ‘Frankenstein, ou o Prometeu Moderno’ foram lançados, respectivamente, nos dias 5 e 6 de fevereiro, mas em menos de duas semanas, ambos se esgotaram.
Ontem à noite estava dando a minha tradicional zapeada pelas livrarias e sebos virtuais quando percebi que os dois lançamentos encontravam-se esgotados na Submarino e Americanas. Já na Livraria da Folha era possível encontrar somente a obra de Mary Shelley. Nos demais portais, os dois livros ainda podem ser localizados, mas com certeza dentro de pouco tempo: pluft, sumirão das estantes.
Como explicar um fenômeno desses? Man, é simples. A cada novo lançamento, a DarkSide capricha ainda mais no layout. Não venha me dizer que você acredita que seja o conteúdo da obra o grande responsável pelo estrondoso índice de vendas?! Ah! Tá bom. Então, você acha que os milhares de leitores brasileiros que adquiriram, recentemente, os livros ‘Psicose’ e ‘Tubarão’ republicados pela DarkSide nunca tinham lido as histórias de Robert Bloch e Peter Benchley? Galera, pára com isso! A grande maioria desses leitores já conhecia o enredo de trás para frente, mas o visual das obras foi tão ‘turbinado’ que tornou-se impossível resistir ao seu apelo mercadológico. E assim, lá vai dinheiro para fora e livro para dentro da bolsa.
A editoria carioca fez uma jogada de mestre. Selecionou bestsellers que marcaram época há muito tempo atrás e, simplesmente, os reatualizaram. E como foi essa tal reatualizada? Nova capa, detalhes de bastidores (no caso do livro ter sido filmado), fotos, páginas em papel de altíssima qualidade, marcadores de páginas chamativos e é claro, uma baita campanha de marketing. Agora me responda uma cosita: nesta relação, consta o enredo? Ele não ‘consta’ porque não sofreu nenhuma modificação; o conteúdo das obras ficou inalterado.
E foi  exatamente isso que ocorreu com ‘Edgar Allan Poe’ e ‘Frankenstein, ou o

E foi  exatamente isso que ocorreu com ‘Edgar Allan Poe’ e ‘Frankenstein, ou o Prometeu Moderno’. Bem, para não ser injusto, ‘digamos’ que em Frankenstein, a editora incluiu além da história principal, outros cinco contos desconhecidos de Shelley – ‘Mortal imortal: um conto’, ‘Transformação’, ‘Roger Dodsworth: O inglês reanimado’, ‘O sonho’ e ‘Valério: O romano reanimado’.

E já que estou falando da famosa escritora britânica, aproveito para ressaltar que a sua obra máxima relançada pela DarkSide é arrebatadora. O tipo de livro que você compra, literalmente, pela capa. Que capaça, meu!! Pois, entonce, você começa a ler a obra e exclama: Pera ai, tá diferente! Man, é claro que está! A tradução é outra; foi adaptada para os nossos tempos – neste caso, confesso, o conteúdo sofreu discretas modificações.
A DarkSide não poupou esforços para contratar Márcia Xavier de Brito, uma das principais tradutoras de bestsellers no Brasil. Além da tradução atualizada e dos contos inéditos de Shelley, a editora ainda brinda os seus leitores com capa dura e ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. Ah! Tem mais: o livro é impresso em duas cores: preto e sangue.
Quanto a ‘Edgar Allan Poe: Medo Clássico’, as novidades também são especiais. Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes.
O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. ‘Edgar Allan Poe: Medo Clássico’ apresenta ainda ‘O Corvo’ na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).
Quer mais? Ok, eu digo. A DarkSide já começou a organizar o volume 2 de ‘Edgar Allan Poe: Medo Clássico’.
E aguardem porque ‘Medo Clássico’ promete para os próximos meses feras: Lovecraft e Bram Stocker.

Fantastic, concordam?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Quatro Estações

‘Quatro Estações’ é um livro atípico de Stephen King. Ahaaaaã!! Com certeza, você já está pensando que ele é atípico por não ter elementos de terror, gênero que consagrou King. Estou certo? Pois é, sinto dizer, mas você ‘dançou’. Nada disso man; ‘Quatro Estações” é uma obra atípica porque foge totalmente dos limites de contos e também dos limites de romance.
Ok, vou explicar melhor; as quatro histórias que fazem parte do livro são muito compridas para se encaixarem categoria de contos. Elas extrapolam 35 mil palavras, como o próprio King afirma no posfácio de ‘Quatro Estações’. “Eles são longos demais para serem contos, mas por outro lado, também são curtos demais para serem realmente longos”. Palavras do mestre, sem tirar nenhuma vírgula. Resumindo galera, as histórias não são nem contos, nem romances; estão no limbo.
Mas ocorre que estamos falando de Stephen King, um dos escritores mais respeitados em todo o mundo, uma verdadeira lenda viva da literatura, e que pode se dar ao luxo de escrever enredos, independentemente do número de linhas. No caso de qualquer outro autor, os editores o teriam obrigado a escrever um número pré-estabelecido de linhas para que a sua história pudesse ser publicada como conto ou romance.
Capiche? É por isso que ‘Quatro Estações’ é uma obra atípica de SK. Ela não se enquadra em nenhuma dessas duas categorias literárias e apesar disso, editores de todo o mundo brigaram entre si para publicá-las, pois sabiam que tinham um verdadeiro tesouro nas mãos.
Quanto ao outro assunto, ou seja, a falta de elementos de terror nos “contos” - ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ (Primavera Eterna), ‘Aluno Inteligente’ (Verão da Corrupção), ‘O Corpo’ (Outono da Inocência) e ‘O Método Respiratório’ (Inverno no Clube) – nada a ver galera! Tem terror sim. Tudo bem que seja nas entrelinhas, mas tem, pô!
Cara, o trecho de “O Corpo” sobre as sanguessugas que atacam os quatro amigos num lago é assustador; bem como o relacionamento doentio de um adolescente com o seu vizinho idoso que tem um passado de envolvimento com o nazismo. “O Método Respiratório”, nem se fale! É terror puro e como não bastasse, com doses macabras. Acredito que somente ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ não apresenta pitadas de terror em seu enredo, apesar de sua narrativa tensa.
O que importa é que com terror ou sem terror, muitas ou poucas linhas, os ‘contos’ de  ‘Quatro Estações’ são estupendos. Prova disso é que três deles  – ‘O Corpo’, ‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ e ‘Aluno Inteligente’ - se tornaram filmes de grande sucesso nas décadas de 80 e 90.
Em ‘‘Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank’ temos Andy Dufrene, um banqueiro condenado injustamente a duas prisões perpétuas, consecutivas, pelas mortes de sua esposa e de seu amante. Porém, só Andy sabe que ele não cometeu os crimes. No presídio, durante 19 anos, ele faz amizade com Red, sofre toda espécie de brutalidade, mas consegue se adaptar a sua nova vida, descobrindo meios de colocar em suas mãos os guardas, detentos e até mesmo diretores do presídio. Não posso revelar qual é o grande objetivo de Andy – que consegue ser cumprido de forma espetacular – pois estaria revelando um spoiler gigantesco sobre a história. Quem assistiu ao filme “Um Sonho de Liberdade” com Tim Robbins e Morgan Freeman até o final sabe à que estou me referindo.
O conto “O Aluno Inteligente” traz a tona um dos períodos mais tristes da história mundial: o nazismo. Nele, um garoto de 13 anos, viciado em histórias sobre a 2ª Guerra Mundial, tem uma obsessão sobre campos de concentração que dizimaram milhares de judeus. Com exceção dessa estranha mania, Todd Bowden é um aluno exemplar, até conhecer um Dussander, um velho general nazista fugitivo e que coincidentemente passou a residir próximo a sua casa.
O garoto descobre que no passado, o idoso torturou inúmeros prisioneiros dos campos de concentração, então ele chantageia o general, dizendo que não revelará a sua identidade para as autoridades americanas com uma condição: que ele conte em detalhes histórias sobre os campos de concentração. A relação entre o menino e o nazista vai causar uma mudança drástica no comportamento de ambos. 
‘O Corpo’ ou ‘Outono da Inocência’ foi o conto que mais gostei. Nele, um escritor chamado Gordie Lachance recorda de um acontecimento que viveu ao lado de três inseparáveis amigos de infância, no verão de 1959, quando tinha doze anos. Certo dia, os quatro garotos saem juntos em busca do corpo de um adolescente que estava desaparecido na mata há mais de três dias. O que eles não imaginavam é que esta aventura se transformaria em uma jornada de auto-descoberta, que os marcaria para sempre. O filme de 1986, baseado nesse conto, apesar do baixo orçamento, foi um enorme sucesso de publico e crítica.
Quanto a ‘O Método Respiratório’, King deixa de explorar o terror apenas nas entrelinhas para torná-lo escancaradamente visível. A trama começa em um clube de cavalheiros de Nova York, que os afiliados pagam para frequentar contando histórias sinistras.
A história envolvendo o "método de respiração" em questão aconteceu nos anos 1930, quando uma mulher decide dar à luz uma criança ilegítima, apesar do estigma social da época. Preocupada, ela procura a ajuda do médico Dr. Emlyn McCarron, que formulou a teoria que ajuda grávidas a parir melhor com uma técnica de respiração. Os dois se aproximam, e McCarron percebe que a mulher está mesmo determinada a ser mãe, mesmo depois que um acidente terrível coloca a gestação em risco.
Man, man, que loucura! Trata-se, sem nenhuma dúvida, de um verdadeiro livraço que não merece ser lido, mas devorado.

Inté!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Livro que teria inspirado ‘O pequeno Príncipe’ será publicado no Brasil

O que vocês acham de “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry? Com certeza, amam, estou certo? Pois é, e se eu lhes dissesse que esse autor francês encontrou inspiração para escrever “O Pequeno Príncipe” graças a uma obra desconhecida e que se perdeu através dos tempos?
Que coisa, não é?! Muitos leitores tem a convicção de que Saint-Exupéry não se inspirou em nenhuma outra obra, manuscrito, papiro, pergaminho ou o escambau a quatro para compor o seu famoso princepizinho em 1943. Mas a realidade pode ter sido outra. Saint-Exupéry teria se inspirado em outro menino chamado Patachou para escrever o seu livro. Mas enquanto “O Pequeno Príncipe” rompeu a ‘barreira do som’ se tornando um clássico da literatura mundial, sendo traduzido para mais de 200 idiomas e chegando a vender uma média de 300 mil exemplares por ano só no Brasil,  as obras “Patachou, Petit Garçon” e “Les Histoires de Patachou” fizeram sucesso somente na França a partir do final dos anos 1920 – mas acabaram pouco conhecidas fora do país, incluindo a nossa amada terrinha,  sem traduções para o português.
As coletâneas de contos que inspiraram o autor Saint-Exupéry foi escrita pelo poeta francês Tristan Dèreme que narra várias histórias de um menino chamado Patachou (Patachu na tradução para o português). Depois de fazerem muito sucesso, e de serem publicadas em versões ilustradas pelo artista André-Hellé, as histórias de Patachu ficaram perdidas. No Brasil, por exemplo, ninguém ouviu falar delas. Bem... pelo menos até agora, já que a Editora Piu iniciou há algum tempo uma vaquinha virtual – que inclusive, termina nesta terça-feira, dia 12 – com o objetivo de publicar os dois volumes  escritos por Dèreme.
As histórias criadas pelo poeta francês falam de Patachou, um garoto que ganhou esse apelido porque, um belo dia, foi surpreendido com o dedo em uma pâte à choux (uma massa francesa que é base para várias receitas de confeitaria). Os livros são divididos em pequenos contos que misturam prosa e poesia, trazem brincadeiras e revelam a descoberta do mundo pelos olhos da infância.
“O texto é de 1929, mas, assim como outros tantos livros clássicos, ele aborda questões universais que são comuns a crianças de todas as épocas, culturas e lugares. O autor enfatiza a imaginação, o ritmo, a musicalidade, o humor e, ao mesmo tempo, uma pitada de melancolia. Dizem que Saint-Exupéry se inspirou justamente nesse estilo”, diz a escritora Paula Taitelbaum, que está à frente da editora Piu e do financiamento coletivo para trazer a obra ao Brasil.
E aqueles que estão aguardando com expectativa a publicação dessa coletânea já podem comemorar, porque tudo indica que a vaquinha vitual que tinha por objetivo arrecadar R$ 34 mil, deu certo. Até agora, a arrecadação está na casa dos R$ 37 mil. Portanto, com certeza teremos o lançamento das aventuras de Patachu no Brasil.
Valeu!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Conte-me Seus Sonhos

E tome posts com mais livros de Sidney Sheldon! Sabe o que é galera? Li muitas obras do autor, bem antes de começar o blog, e não sei porque – não me peça para explicar – não fiz a resenha de várias delas, o que confesso foi uma grande injustiça. Agora, após o peso de consciência bater bem lá no fundo, estou tentando reparar o meu erro, aliás, um grande erro. Taí o motivo de ter publicado, na sequencia, três posts de obras do autor.
Hoje é a vez de “Conte-me Seus Sonhos”. C-a-r-a-c-a!! Que final! Aliás, Sheldon foi o autor de finais antológicos em muitas de suas obras e “Conte-me Seus Sonhos” faz parte dessa galeria. Mêo, derruba o seu queixo, literalmente.
Ele narra uma série de assassinatos brutais onde as vítimas são mortas de maneira cruel. Os crimes ganham repercussão mundial e após várias investigações, a polícia chega a uma suspeita em potencial: Ashley Patterson, de 20 anos. Uma moça de bom coração, uma verdadeira samaritana. Resumindo: a moça é presa e vai a julgamento. De um lado, um promotor que afirma ter provas ferrenhas de que ela é a criminosa e por isso, exige a pena de morte. Do outro lado; um jovem advogado que coloca a sua carreira em jogo por defender Ashley, mas acredita veemente em sua inocência.
Com o “andar da carruagem”, surgem mais duas lindas mulheres que também podem estar envolvidas nos crimes: Toni Prescott e Allete Peters. Todas jovens e sem antecedentes criminais. A grande pergunta é quem cometeu os crimes brutais?
Bem, o autor poderia matar a sua história com um epílogo simples e frouxo. Coisa do tipo: uma das três foi a assassina e pronto! Simples, não? Absolutamente não; seria muito simplório, desde que o escritor não fosse Sidney Sheldon. Ele reserva um final impensável aos seus leitores.
Considero esse livro, lançado em 1988, um dos mais pessoais de Sheldon – excetuando a sua obra biográfica “O Outro lado de Mim: Memórias” – onde ele confessa nas entrelinhas, usando-se de uma personagem, ser portador de um distúrbio mental. Sheldon que sofria de esquizofrenia paranóide criou em “Conte-me Seus Sonhos” uma personagem com distúrbios psicológicos. Os mais chegados do autor dizem que essa ‘sacada’foi baseada em sua vida. Será?
Bem, independente dessa polêmica, o que importa é que o enredo da obra é espetacular.

Vale muito a pena ser devorado.