quinta-feira, 21 de junho de 2018

“A Máquina do Tempo” de H.G. Wells chega às bancas em edição luxuosa preparada pela Suma de Letras


Li “A Máquina do Tempo” de H.G. Wells há muitas décadas. Ainda era um pré-adolescente quando aquela edição de 1972 da Ediouro caiu em minhas mãos. Lembro-me de um professor de literatura que sempre dizia: “conhecemos uma boa história, quando os anos passam e ela fica em nossa memória”.
Pois é, acredito que “A Máquina do Tempo” se enquadra nessa categoria porque apesar dos anos passados, muitos trechos do enredo de Wells ainda estão guardados na minha cabeça. Tão bem guardados que após ter visto, recentemente, a adaptação cinematográfica de 2002 acabei exclamando no final da exibição: “Pera aí! Este filme não foi baseado no livro!!”.
Gostei tanto do livro que li nos meus 15 ou 16 anos que acabei comemorando -  e muito – a idéia da Suma de Letras em relançá-lo com uma nova roupagem. E quando digo nova roupagem estou me referindo a capa dura, páginas com textura de qualidade, ilustrações, nova tradução e outras  ‘cositas mas’.
O livro de Wells escrito em 1895 – que desembarca nas livrarias no dia 23 de junho - pode ser considerado o primeiro e o mais famoso sobre viagem no tempo. A trama gira em torno de um cientista, conhecido apenas com ‘viajante do tempo’, que vivia no final da época vitoriana e que após criar uma máquina do tempo decide viajar até o ano de 802.700, onde encontra um mundo completamente distópico.  Ele acaba indo parar numa época onde as criaturas parecem viver de maneira harmoniosa, bem diferente da sua época, ou seja, a Londres do século XIX. O cientista começa, então, a estudar as tais criaturas com o objetivo de desvendar-lhes os segredos e regressar logo em seguida para o seu tempo, mas... a sua máquina acaba sendo roubada, ‘entonce’ ... tudo se complica para o viajante do tempo.
Resumidamente, é este o enredo da obra que encantou gerações de leitores.
Wells aproveita esse mundo distópico para atiçar a nossa curiosidade: “ como seria o mundo num futuro distante?”.
A edição especial da Suma de Letras terá ilustrações inéditas, nova tradução, extras e prefácios e notas de Braulio Tavares.
Agora é só aguardar 28 de junho e fazer a festa!

Detalhes Técnicos
Título original: THE TIME MACHINE
Tradução: Braulio Tavares
Capa: Claudia Espínola de Carvalho
Páginas: 168
Formato: 16.10 X 23.60 cm
Peso: 0.417 kg
Acabamento: Capa dura
Lançamento: 18/06/2018
ISBN: 9788556510686
Selo: Suma de Letras


domingo, 17 de junho de 2018

Harper Collins relança livro que conta a história da amizade entre J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis


Quando li “As Crônicas de Nárnia” e “O Senhor dos Anéis” jamais imaginei que C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien tivessem sido grandes amigos. Também jamais imaginei que com o passar do tempo, eles tivessem desenvolvido  uma relação do tipo “amor e ódio”. Fiquei sabendo dessas nuances quando descobri um livro chamado “J.R.R. Tolkien & C.S. Lewis – O Dom da Amizade” de Colin Duriez que será relançado pela Harper Collins numa edição luxuosa. Digo relançado porque a sua primeira e única publicação no Brasil aconteceu em 2006 pela editora Nova Fronteira.
Não li a obra há 12 anos, mas pretendo ler agora porque admiro demais o trabalho dessas duas lendas da literatura mundial. E cá, entre nós, qual fã de Lewis ou Tolkien não gostaria de saber algumas curiosidades secretas de suas vidas?
O livro do escritor britânico Duriez mostra detalhes interessantes da vida desses dois gênios literários, desde a infância até os seus últimos dias; portanto, uma obra completa. O leitor terá a oportunidade de acompanhar não somente a vida particular de ambos, mas também a construção de suas carreiras profissionais e ver como um incentivava o outro em suas criações.
O autor ainda revela que nem tudo era uma maravilha no relacionamento de Lewis e Tolkien. Algo que quase teria azedado a amizade entre os dois foi uma critica severa feita por Tolkien aos manuscritos de Nárnia, afirmando que os considerava um instrumento proselitista, ou seja, algo para tentar converter a fé das pessoas. Lewis não teria gostado da objeção e o relacionamento entre os dois amigos começou a mudar... para pior.
Outra peculiaridade revelada na obra é que sem o encorajamento de Lewis, Tolkien jamais teria escrito “O Senhor dos Anéis, por outro lado, toda a ficção de Lewis é profundamente marcada pelas idéias de Tolkien.
Pelo o que eu pude constatar nas zapeadas pelas livrarias virtuais, o relançamento de “J.R.R. Tolkien & C.S. Lewis – O Dom da Amizade” está previsto para o próximo dia 19 de junho.
Com certeza, uma excelente notícia para os fãs de Tolkien e Lewis.


quinta-feira, 14 de junho de 2018

E O Vento Levou


Li “E O Vento Levou” de Margareth Mitchell há quase 10 anos, mas achei a história tão impactante que mesmo após muito tempo, ela ainda continua guardada em minha memória.
Na época, eu nem sonhava em ter uma estante cheia de livros, por isso matava a minha fome de leitor na biblioteca municipal de minha cidade. Enquanto os meus colegas de trabalho faziam os seus ‘happy hours’ nos bares ou lanchonetes nos finais de tarde; lá estava eu, selecionando alguns livros na biblioteca. Ainda me lembro que uma das obras escolhidas foi “E O Vento Levou”. Cara, assustei-me com o número de páginas: quase mil! A bibliotecária que já havia se tornado uma colega, disse para que eu não se preocupasse e ficasse com a obra até ter concluído a leitura.
Consegui terminar o livro antes do esperado, aliás, bem antes. Através de uma linguagem fluida e fácil, a autora introduz os leitores num dos períodos mais importantes da história americana: a Guerra Civil também conhecida como Guerra de Secessão.
O conflito que durou de 1861 a 1865 e envolveu os estados do Sul (Confederados), de um lado, e os estados do Norte (União), do outro; provocou a morte de aproximadamente 600 mil pessoas. Os estados do Sul tinham uma economia baseada no latifúndio escravista e na produção, principalmente de algodão, voltada para a exportação. Enquanto isso, os estados do Norte defendiam a abolição da escravidão e possuíam suas economias baseadas na indústria. Esta diferença de interesses deflagrou o conflito.
Os estados do norte, mais ricos e preparados militarmente, venceram e impuseram seus interesses sobre o país. Com a vitória nortista, a escravidão foi abolida e deu-se início ao processo de expansão de industrialização, gerando mais riqueza na região. Por outro lado, o sul que tinha a sua economia baseada no latifúndio escravista e na produção, principalmente de algodão, voltada para a exportação passou a enfrentar uma enorme crise, perdendo influencia política e principalmente as suas terras.
Mitchell conta em seu livro o drama dos perdedores, ou seja, dos sulistas, algo que não temos a oportunidade de ver nos livros de história que dão ao tema uma abrangência mais genérica. O leitor fica sabendo como ficou a situação dos latifundiários e aristocratas que após terem perdido a guerra viram as suas economias ruírem. Eles eram um povo rico e próspero que dependiam da terra para o seu sustento e confiantes em seu poder acabaram desencadeando uma guerra por orgulho, a qual perderam, provocando a falência quase total dessas famílias.
É dentro desse clima que passamos a conhecer a família O’Hara e consequentemente a principal personagem da história: Scarlett O’Hara, a corajosa e determinada dama sulista que perde tudo no conflito e é obrigada a lutar muito para resistir à pobreza e à fome que se seguiu ao conflito.
Na minha opinião, Scarlet é uma das anti-heroínas mais admiráveis da literatura mundial. Ela é ao mesmo tempo detestável e encantadora, amada e odiada. Se no início queremos que ela sofra; com o desenrolar dos fatos narrados pela autora, passamos a torcer desesperadamente por ela.
Mitchell narra de maneira espontânea a transformação de Scarlet de jovem mimada, egoísta e mesquinha em uma mulher prática e disposta a lutar pela sobrevivência.
Um dos grandes responsáveis por essa transformação em, Scarlett, além do próprio conflito entre os Confederados e a União, foi o personagem Rhett Butler, o único homem com coragem para enfrentá-la. Aliás, considero Scarlet e Rhett como um dos casais mais icônicos tanto da literatura quanto dos cinemas. Mas “E O vento levou” não se resumo a saga amorosa de um casal; a obra tem muitos outros personagens marcantes: Ashley, Melaine, Prissy e tantos mais.
O livro escrito por Mitchell ganhou o prêmio Pulitzer de 1937 e foi adaptado com sucesso para o cinema em 1939, sendo indicado para 13 Oscars, dos quais ganhou oito, inclusive o de melhor filme e de melhor atriz para a inesquecível performance de Vivien Leigh.
Gostei muito da obra e recomendo a sua leitura.

domingo, 10 de junho de 2018

Frankenstein (O Prometeu Moderno)


Quando a DarkSide relançou “Frankenstein” da escritora britânica Mary Shelley, apesar da edição luxuosa produzida pela editora, optei por não comprá-la. Tinha muitos outros livros não lidos em minha lista e como já conhecia a história do “Prometeu Moderno” acabei dispensando a sua compra. Não estava tão empolgado em gastar dinheiro apenas com o layout do livro, preferia investir em obras inéditas, pelo menos para mim.
Quando estava preparando um post sobre o famoso enredo de Shelley que tenho no formato de um simples livro de bolso, eis que um amigo que havia comprado o relançamento da Darkside me perguntou se eu não queria ler a obra. E foi desta maneira que o “Frankenstein” luxuoso da Darkside acabou indo parar em minhas mãos.
Como o meu contato com a história de Shelley tinha acontecido há algum tempo – como já disse através de um simples livro de bolso - optei por relê-la e garanto que não me arrependi. A Darkside caprichou não só no visual como também no conteúdo do seu relançamento.
A tradução foi adaptada para a nossa época com discretas modificações, mas ao mesmo tempo essenciais. Sai aquela linguagem rebuscada de edições antigas e entra em cena uma linguagem atualizada e consequentemente muito mais fluida.
A DarkSide não poupou esforços para contratar Márcia Xavier de Brito, uma das principais tradutoras de bestsellers no Brasil. Além da história principal, a editora brinda os fãs da escritora britânica com um verdadeiro e inesperado ‘presentaço’: outros cinco contos desconhecidos de Shelley – ‘Mortal imortal: um conto’, ‘Transformação’, ‘Roger Dodsworth: O inglês reanimado’, ‘O sonho’ e ‘Valério: O romano reanimado’. Cara, e que contos!! Todos os cinco são fantásticos.

Agora com relação ao visual, não é preciso gastar muitas palavras para descrevê-lo, pois com certeza, você já conhece a tradição da editora carioca no quesito layout. A capa dura conta com ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. Outra novidade é que o livro é impresso em duas cores: preto e sangue. Um luxo só.
Shelley escreveu Frankenstein no ápice de sua juventude, aos 19 anos, em 1818. A obra pode ser considerada um dos três pilares da literatura de Terror juntamente com “Drácula” (Bram Stoker) e “O Médico e o Monstro” (Robert Louis Stevenson).
O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Pólo Norte. O navio sob o comando do capitão Walton fica preso quando o mar se congela, e a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. A seguir o mar se agita, liberando o navio, e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã. 
Frankenstein conta que criou um método para dar vida a uma criatura feita de partes de vários cadáveres, mas ao ver o aspecto horripilante de sua invenção, não suporta a responsabilidade de seu feito e foge, abandonando a sua criatura. Sozinho, o monstro tenta se aproximar das pessoas em vão, sendo sempre repelido. Certo dia ao se encontrar com a sua criação, ele descobre uma criatura eloqüente e inteligente, o que não deixa de ser uma surpresa para o cientista.
A odisséia entre criador e criação acaba tendo o seu ápice no Polo Norte, onde ambos resolvem as suas diferenças de uma maneira bem peculiar e muito distinta dos filmes.
Como vocês puderam perceber, o enredo da história é muito diferente das produções cinematográficas antológicas da década de 30, em preto e branco, com Boris Karloff no papel da criatura. Aliás, o filme que realmente procurou adaptar ao pé da letra o livro de Shelley foi “Frankenstein de Mary Shelley” (1994) do diretor Kenneth Branagh.
Enfim galera, um grande livro com uma grande tradução e um grande layout.
Inté!