domingo, 20 de agosto de 2017

“O Labirinto dos Espíritos”, obra que conclui a saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”, chega às livrarias no final de agosto

Vejam só o que o novo livro de Carlos Ruiz Zafón - que será lançado em 22 de agosto - me obrigou a fazer. Uma maratona de leitura! Isto mesmo, eu terei que reler “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” e “O Prisioneiro do Céu” em tempo recorde para somente depois poder devorar “O Labirinto dos Espíritos” que já está em pré-venda.
“O Labirinto dos Espíritos” é o quarto livro da saga que ficou conhecida por “O Cemitério dos Livros Esquecidos”. Como as histórias se sobrepõem e se complementam, muitos leitores acreditam que elas podem ser lidas fora de ordem. O próprio autor diz que é uma história com quatro portas de entrada diferentes, e isso é o mais mágico de tudo,  segundo ele.
Mas, no meu caso, como amei “A Sombra do Vento”, adorei “O Jogo do Anjo” e me apaixonei por “O Prisioneiro do Céu”, prefiro fazer a leitura da saga respeitando a ordem cronológica de lançamento dos livros. Na minha visão de leitor, não adianta; por mais que digam que uma leitura ‘apartada’ não irá atrapalhar a essência da saga, sempre fica algum detalhe perdido nas entrelinhas dos livros anteriores que ao ser recuperado numa releitura, deixa o enredo, em seu todo,  ainda mais apaixonante.
Portanto, está explicado o motivo da minha maratona de leitura. Enquanto não chega nas livrarias “O Labirinto dos Espíritos” – o qual já reservei – vou relendo com todo o prazer os três livros anteriores da saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”.
Em “O Labirinto dos Espíritos”, Zafón promete unir as histórias de “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” e “O Prisioneiro do Céu”. Foi por isso que o autor disse em suas entrevistas que a obra conta a história da família Sempere do início ao fim, não havendo a necessidade da chamada ‘leitura cronológica’ da saga.
O foco dessa nova história é Isabela Sempere, mãe de Daniel Sempere, que conhecemos em “O Jogo do Anjo” e cujo passado, começamos a compreende em “O Prisioneiro do Céu”. Mas apesar de ser um livro de conclusão da saga, reunindo antigos personagens, o seu enredo também brinda os leitores com novas aventuras e personagens tão ‘viciantes’ quanto aqueles já conhecidos. Pelo menos é o que garante a maioria dos críticos literários espanhóis e americanos.
De acordo com o release fornecido pela Suma de Letras, o enredo de “O Labirinto dos Espíritos” se passa na Madri dos anos de 1950. Alicia Gris é uma alma nascida das sombras da guerra, que lhe tirou os pais e lhe deu em troca uma vida de dor crônica. Investigadora talentosa, é a ela que a polícia recorre quando o ilustre ministro Mauricio Valls desaparece; um mistério que os meios oficiais falharam em solucionar.
Em Barcelona, Daniel Sempere não consegue escapar dos enigmas envolvendo a morte de sua mãe, Isabella. O desejo de vingança se torna uma sombra que o espreita dia e noite, enquanto mergulha em investigações inúteis sobre seu maior suspeito, o agora desaparecido ministro Valls.
Os fios dessa trama aos poucos unem os destinos de Daniel e Alicia, conduzindo-os de volta ao passado, às celas frias da prisão de Montjuic, onde um escritor atormentado escreveu sobre sua vida e seus fantasmas; aos últimos dias de vida de Isabella, com seus arrependimentos e confissões; e a intrigas ainda mais perigosas, envolvendo figuras capazes de tudo para manter antigos esqueletos enterrados. 
Taí galera, vou acelerar a leitura de “O Livro dos Mortos do Rock” de David Comfort para dar início a minha nova maratona.

Inté!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Confraria

“A Confraria” foi o segundo livro de John Grisham que eu li; o primeiro foi “A Firma”. Achei fantástico. A história daqueles três ex-juízes sacanas –cumprindo pena num presídio federal da Flórida – que apesar de estarem atrás das grades, conseguem aplicar o chamado ‘golpe do século’ é por demais sedutora.
Apesar de utilizar vários termos jurídicos durante a narrativa, Grisham consegue  desenvolver uma escrita fluida que não cansa o leitor, pelo contrário, deixa-o ainda mais curioso ao virar cada página.
O autor consegue com muito humor, ação e suspense, fazer uma crítica severa aos jogos de interesse e à busca desenfreada pelo poder que existem nos meios governamentais americanos. Apesar de ser uma obra de ficção, o leitor tem uma idéia do que é os bastidores de uma disputa pela presidência dos Estados Unidos, onde os candidatos nem sempre são tão bem preparados como imaginamos. Tudo bem que se trata de um romance e por isso mesmo, nada real, mas é viciante para o leitor ir descobrindo aos poucos os mais secretos segredos do personagem Aaron Lake; um deputado que a CIA (agencia de espionagem americana) quer colocar no posto de presidente daquele país.
Através do personagem, passamos a entender a sordidez que rola atrás das cortinas de um pleito para o cargo político mais cobiçado do mundo: presidente dos Estados Unidos.  Mas alguns que estão lendo esse post podem perguntar: “Pera aí, mas o livro não é uma simples obra de ficção?” Sim, é. Mas você acredita que para escrever o enredo de “A Confraria”, o autor não se baseou em alguns fatos que rolaram nos corredores escuros da política americana? Claro que sim! Esta é uma das características de Grisham. Aliás, sempre foi, e ele explora essa peculiaridade à exaustão em suas obras.
Ele critica ainda de uma maneira satírica o sistema falho de segurança das prisões federais americanas, onde os três ex-juízes prisioneiros conseguem engendrar um plano debaixo dos narizes dos diretores e guardas da prisão.
O trio de prisioneiros federais  que apronta ‘poucas e boas’ são Roy Spicer que cumpre pena por roubar uma igreja; Finn Yarber, condenado por sonegação de impostos e Hatlee Beech, preso por atropelar e matar duas pessoas. Estas três ‘figuras’ formam a Confraria do título do livro.
Eles estão detidos numa prisão para criminosos de baixa periculosidade – falsários, sonegadores de impostos, médicos, advogados corruptos, traficantes, entre outros. Spicer, Yarber e Beech exercem o papel de consultores jurídicos para os seus colegas prisioneiros, revendo processos, redigindo apelações e resolvendo pequenas disputas internas, faturando pequenos honorários. Mas eles não estão satisfeitos. Querem mais. E assim começam a aperfeiçoar um golpe para extorquir dinheiro de respeitáveis senhores ricos de meia-idade que tem muito a esconder da sociedade.
Através de anúncios pessoais na seção de classificados de revistas gays, eles procuram potenciais vítimas de sua chantagem. O golpe começa a dar certo e o dinheiro começa a chover na conta secreta que possuem em um banco no exterior. Quantias cada vez maiores animam a ambição dos ex-juízes, que não medem esforços para sugar tudo de suas vítimas.
Longe  da prisão, o deputado Aaron Lake também faz parte de um plano, mas muito diferente. A CIA quer colocá-lo na Presidencia da República. Interesses em jogo na indústria de defesa desejam o retorno à guerra fria e conseqüente reaquecimento do comércio de armas, e cabe a Aaron Lake representar esses interesses do governo. Vultuosas somas de dinheiro são injetadas nos fundos da campanha do futuro presidente. A candidatura do deputado sobe aceleradamente nas pesquisas e o nome de Lake toma conta do país. Ele passa a ser visto como um novo messias que irá livrar o povo americano do caos.
Ocorre que o destino do virtual futuro presidente dos Estados Unidos acabara cruzando com o destino dos três ex-juízes encarcerados.

Ação, suspense e humor se fundem na narrativa de Grisham que certamente agradará os seus leitores.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Hora do Lobisomem

O Francisco, um colega meu, que detesta ser chamado de Chico, me fez ver o quanto Stephen King é bom. Tudo bem que eu já sabia do talento inquestionável do escritor, afinal de contas, já li grande parte de seus livros, mas o Chico me abriu os olhos para uma virtude de King que falta para a maioria dos outros autores: o dom de escrever uma história curta com muuuiiitos personagens e dar à todos eles a importância merecida, chegando ao ponto de um mero personagem coadjuvante conquistar a preferência dos leitores.
Pois é, foi o que aconteceu com o Chico que se encantou com Kate, a irmã de Marty, este o personagem principal de “A Hora do Lobisomem”. E confesso que também senti uma queda pela menina que é fantástica. Ok, quer ver como King é fodástico na hora de compor um personagem? Kate aparece poucas vezes no enredo, seus diálogos são curtos – não chegam a uma linha, quanto mais um parágrafo - acontecem somente com Marty e... acho que nas poucas mais de 100 páginas da história, ela aparece apenas três ou quatro vezes. Alias, ‘aparecer no enredo’ não seria o termo correto. O mais ideal seria ‘passar pelo enredo’, já que a sua participação na história é do tipo vapt-vupt, mas apesar disso, ela conquistou o coração e a atenção do Chico e... a minha, também.
King compôs uma personagem dúbia com falas ácidas. No início você acredita que ela sente raiva ou ciúme de Marty, mas na realidade, ela ama o seu irmão de paixão. Até mesmo, durante os diálogos em que ela o chama de aleijado protegido e mimado que consegue tudo o que quer da; nós, leitores, não conseguimos sentir raiva dela. Na realidade, esta é a maneira que Kate encontra de expressar o seu carinho pelo irmão. Nem mesmo Marty fica com raiva dela, ao contrário, ele também entra no ‘clima’ porque sabe que pode confiar em sua irmã de olhos fechados.
Em “A Hora do Lobisomem”, King esbanja talento ao criar personagens que apenas ‘passam pela história’, mas conseguem deixar a sua marca. O policial Nery que surge apenas em um capítulo também prende a atenção do leitor por causa da sua arrogância e auto-suficiência. Para ele, o lobisomem da história não passa de um marginalzinho barato com uma fantasia de lobo que sai matando pessoas indefesas nas noites de lua cheia. O cara é tão chato que você passa a torcer pela besta. Quando cheguei neste capítulo pensei comigo mesmo: “Tomara que o lobisomem de um jeito nesse calhorda arrogante”.
Milt Sturmfuller e Stella Randolph,  são outros que apenas passam, mas também mexem com os sentimentos dos leitores, de maneira positiva ou negativa. Além desses, há também outros coadjuvantes, sem contar os personagens principais: Marty, seus pais, seu tio Al e o reverendo Lester Lowe.
Cara, tente escrever uma história curta de aproximadamente 100 páginas , lotada de personagens, e tente fazer com que todos eles recebam a atenção merecida dos leitores. King conseguiu essa façanha em “A Hora do Lobisomem”.
O enredo criado pelo autor é apaixonante e prende a atenção do leitor página por página. A história se desenvolve mês a mês, sendo que cada capítulo corresponde a um mês do ano. Acredito que King já escreveu contos até mais compridos do que “A Hora do Lobisomem”, por isso mesmo, acredito que a história se enquadraria muito mais nessa categoria do que no gênero romance. Mas o que importa é a qualidade da obra. E quando digo qualidade estou me referindo a um todo que vai desde o texto cativante,  passando pelas ilustrações e terminando com a capa primorosa elaborada pela Suma de Letras. C-a-r-a-c-a! Que coisa linda!
O livro mescla as ilustrações originais de Bernie Wrightson – coloridas, nesta edição!! – com as inéditas de Giovanna Cianelli, Rafael Albuquerque, Rebeca Prado e Lucas Pelegrinetti, considerados quatro dos melhores ilustradores do País. Achei incrível a sacada da Suma de Letras que pediu aos quatro profissionais brasileiros que representassem a sua cena preferida de “A Hora do Lobisomem”. Cada um deles desenhou a cena do romance que mais mexeu com a sua sensibilidade. Fantastic!
Quanto as ilustrações originais de Wrightson dispensam comentário. São um atrativo a parte. Elas fecham cada capítulo do livro. Você não vê a hora de concluir a leitura do capítulo para conferir a ilustração da cena.
Para quem não sabe, Wrightson que morreu em março desse ano, aos 68 anos, vítima de câncer, foi um artista americano mais conhecido como co-criador do personagem Monstro do Pântano. Ele começou a carreira como ilustrador nos anos 1960 antes de começar a trabalhar com quadrinhos. Também fez capas de livros de King e artes conceituais para vários filmes, entre os quais "Os Caça-Fantasmas", "Galaxy Quest" e "Homem-aranha".
O trabalho de Wrightson se tornou uma grande influência no gênero do terror, tanto é verdade que ele recebeu uma homenagem no último episódio da emblemática série de TV “Walking Dead” que terminou em abril.
“A Hora do Lobisomem” conta a história da pequena cidade de Tarker's Mill que sempre foi um lugar pacato até que terríveis e violentos assassinatos começaram a acontecer. Os habitantes locais acreditavam que o responsável pelas mortes seja um psicopata à solta. Porém um garoto de 11 anos, audacioso, curioso e rebelde, chamado Marty – que não tem os movimentos das pernas e por isso vive numa cadeira de rodas - acredita que os assassinatos não estão sendo causados por uma pessoa, mas sim por um lobisomem.
Advinhem se ele não está certo...
Leiam, sem medo, aliás... com medo.

Livro para entrar na lista de favoritos de qualquer leitor, ainda mais com essa edição luxuosa preparada pela Suma de Letras.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Praga – O holocausto da hanseníase. Histórias emocionantes de isolamento, morte e vida nos leprosários do Brasil

Vou usar o mesmo termo que uma leitora do blog, Débora Araújo, usou ao comentar um post que escrevi na época do lançamento do livro da jornalista Manuela Castro: chocante. Pois é, é dessa maneira que defino o livro “A Praga – O holocausto da hanseníase. Histórias emocionantes de isolamento, morte e vida nos leprosários do Brasil”. Os fatos investigados pela jornalista e expostos aos leitores, de fato, chocam; da mesma maneira que chocaram as descobertas de outra jornalista, Daniela Arbex, em sua obra “Holocausto Brasileiro” em que  narra a história de milhares de pacientes internados à forças, sem diagnóstico de doença mental, num enorme hospício na cidade mineira de Barbacena. Quero aproveitar o ‘gancho’ para parabenizar a editora Geração Editorial por ter apostado nestes dois livros-reportagem, dando um presente fantástico a todos nós, leitores.
Através de uma narrativa fluída, Castro narra em sua obra as histórias de pessoas que foram caçadas no Brasil por causa da doença.  Após serem ‘jogadas’ nos leprosários, mães diagnosticadas com hanseníase eram, definitivamente, separadas de seus filhos que, por sua vez, acabavam sendo encaminhados para adoção ou então para abrigos onde, quase sempre, sofriam todos os tipos de abusos – violência sexual, física e psicológica - praticados por funcionários despreparados. Casos de crianças portadoras de hanseníase que de uma hora para outra, foram levadas de seus lares para as colônias de leprosos (como eram conhecidos os leprosários) e nunca mais voltaram a ver os seus pais. Exemplos de internos que conseguiram sobreviver nesse verdadeiro inferno, conquistando o seu espaço na sociedade e tornando-se verdadeiros exemplos na luta contra o preconceito.
A autora abre o baú das verdades com revelações estarrecedoras e que mexem com os leitores. A história de Conceição é uma das mais marcantes e dolorosas do livro. Aos sete anos, ela foi afastada dos pais. Internada, nunca mais voltou para casa. Adulta, se apaixonou por um interno, casou-se e teve de encarar a dura realidade de não poder constituir família. Por sete vezes engravidou, por sete vezes os filhos nasceram saudáveis, por sete vezes olhou-os rapidamente para os seus rostinhos e teve de se despedir para nunca mais vê-los. Enfim, o livro mostra um mundo de histórias emocionantes de pessoas que enfrentaram isolamento, preconceito e morte nos leprosários.
Castro ainda explora duas importantes vertentes sobre o assunto em seu enredo: o atraso da chegada da cura da lepra no Brasil que acabou gerando sérias conseqüências para inúmeros pacientes, além de um panorama da origem da doença, explicando, inclusive, como ela chegou ao Brasil.
“A Praga – O holocausto da hanseníase” revela que durante milênios, o leproso foi isolado da sociedade, abandonado para ser morto em florestas e cavernas, deteriorado a tal ponto que simplesmente olhá-lo era considerado mau agouro. Vinda  da Ásia e do Oriente Médio, a doença acabou penetrando na Europa. A discriminação e o medo sempre a cercaram. No Brasil, a lepra chegou marcada por todos os antecedentes negativos e não teve destino diferente.
A autora faz uma revelação que deixa os leitores boquiabertos: apesar da cura da doença ter surgido nos anos de 1940 - época em que muitos países europeus começaram a fechar os seus leprosários, liberando os seus pacientes para o tratamento domiciliar – no Brasil, o isolamento compulsório prosseguiu em leprosários até 1986!
“A Praga – Holocausto da hanseníase” traz também fartas ilustrações sobre o tema, com imagens de colônias, antigos leprosários, pacientes, etc. Muitas dessas ilustrações nem sequer precisam de textos, pois as imagens já dizem tudo.
Um relato emocionante sobre um dos períodos mais tristes na história da saúde pública no Brasil.
Leitura indispensável.